Cidades

NA CORDA BAMBA

Prefeitura deve rediscutir projeto dos corredores de ônibus em 2026

Alvo de polêmicas, obra na Avenida Gunter Hans foi palco de acidente com morte neste fim de semana

Continue lendo...

A partir do próximo ano, o projeto dos corredores de ônibus de Campo Grande deve ser novamente posto em discussão e há possibilidade de que ele não seja concluído. A informação é do titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Marcelo Miglioli.

Segundo o secretário afirmou ao Correio do Estado, apenas os dois corredores que já têm obras em andamento devem ser finalizados, nas Avenidas Gunter Hans e Marechal Deodoro e na Avenida Bandeirantes. Porém, o projeto inicial envolvia bem mais vias do que as hoje prontas ou a serem entregues.

Atualmente, apenas nas Ruas Rui Barbosa, Guia Lopes e Brilhante a instalação de piso reforçado e estações de embarque foi concluída e os corredores postos em funcionamento.

“A finalização desse projeto depende de dois fatores: um é a população querer e o outro é ter recurso. Existe uma polêmica muito grande em torno desse projeto, e na Rua Bahia ele já foi quase descartado, mas nos outros locais, como a Gury Marques e a Costa e Silva, precisamos sentar e decidir se vamos ou não fazer”, afirmou Miglioli ao Correio do Estado.

Os corredores de ônibus são um pedido antigo do Consórcio Guaicurus, sendo inclusive citados no contrato de concessão do transporte coletivo. O projeto inicial previa três corredores de ônibus: o Corredor Sudoeste, o Corredor Norte e o Corredor Sul.

O Corredor Sudoeste é o mais adiantado, composto por Rua Guia Lopes, Rua Brilhante, Avenida Marechal Deodoro, Avenida Gunter Hans e Avenida Bandeirantes. A Rua Brilhante foi entregue em 2022, e a Rua Guia Lopes também foi concluída.

A Avenida Bandeirantes tem obras adiantadas, e a Avenida Gunter Hans e a Avenida Marechal Deodoro estão em execução. A obra ligará os terminais Bandeirantes e Aero Rancho.

O Corredor Sul é formado pelas Avenidas Costa e Silva e Gury Marques e pelas Ruas Calógeras e Rui Barbosa e fará a conexão dos terminais Morenão e Guaicurus com o centro da cidade. Apenas a obra da Rua Rui Barbosa foi feita, mas com recursos do Reviva Centro.

A Avenida Calógeras recebeu uma prévia de obras, mas não chegou a ter a construção das estações de embarque.

Já o Corredor Norte contempla as Ruas Bahia, 25 de Dezembro e Alegrete, além das Avenidas Coronel Antonino e Cônsul Assaf Trad, e ligará os terminais General Osório e Nova Bahia.

Conforme Miglioli, o corredor das Avenidas Gunter Hans e Marechal Deodoro já está em fase de execução da pavimentação e instalação das estações de embarque. Após isso, será feita a sinalização. Já a Avenida Bandeirantes tem previsão para ser licitada no início de 2026, ao custo de cerca de R$ 1,2 milhão.

Para as outras obras, o investimento do Município seria muito maior que o estimado inicialmente, como mostrou o Correio do Estado em matéria publicada em agosto deste ano. À época, o secretário afirmou que a estimativa de custo para concluir esses corredores era de R$ 100 milhões, entretanto, 40% desse valor, ou seja, R$ 40 milhões, deveria vir do Município.

Isso se deve ao fato de que o recurso para a construção dos corredores de ônibus em Campo Grande foi aprovado em 2011, pactuado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade Urbana.

Na época, a Prefeitura de Campo Grande conseguiu R$ 180 milhões para melhorar o transporte coletivo da Capital. Desse valor, R$ 20 milhões eram para construir cinco terminais, R$ 110 milhões para a construção de 68,4 quilômetros de corredores de transporte coletivo, R$ 4,5 milhões para a modernização do sistema de controle eletrônico, R$ 40,3 milhões para intervenções viárias e R$ 6 milhões para estações de pré-embarque.

Como já se passaram 14 anos da chegada desse recurso, o valor da obra só aumentou e, por isso, o secretário afirmou que a contrapartida ficou muito acima da capacidade que o Município tem hoje.

ACIDENTES

Na noite de sábado, Ângelo Antônio Alvarenga Perez, de 23 anos, morreu após o carro em que ele estava bater na mureta da obra ainda inacabada do corredor de ônibus da Avenida Gunter Hans.

acidente uber obra corredor de onibusUm jovem de 23 anos morreu neste fim de semana após o carro em que ele estava bater na mureta de uma obra do corredor de ônibus - Foto: Gerson Oliveira

Em imagens de câmeras de segurança da região não é possível confirmar se havia no momento do acidente sinalização que indicasse a construção. O motorista do carro está internado na Santa Casa.

Levantamento do Correio do Estado, feito em agosto deste ano com informações desde 2022, mostra que haviam ocorrido até aquele mês pelo menos 23 colisões nos dois únicos corredores em funcionamento na Capital, na Rua Brilhante com a Rua Guia Lopes e na Rua Rui Barbosa.

Assine o Correio do Estado

Cidades

Conselho de Farmácia critica nome de energético por alusão a remédio para disfunção erétil

O lançamento do energético "Baly Tadala", da marca Baly Energy Drink, gerou repercussão nas redes sociais

05/02/2026 22h00

Divulgação

Continue Lendo...

O lançamento do energético "Baly Tadala", da marca Baly Energy Drink, gerou repercussão nas redes sociais. Só no TikTok, publicações sobre a bebida, uma edição limitada para o carnaval de Salvador, já somam mais de dois milhões de visualizações. Isso porque os internautas associaram o nome do produto ao medicamento tadalafila. Indicado para o tratamento da disfunção erétil, esse remédio ganhou fama no pré-treino, como estratégia para melhorar o desempenho na prática esportiva - um movimento que traz riscos e preocupa profissionais da saúde.

Em nota, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) demonstrou preocupação com o uso de trocadilhos e referências explícitas a um medicamento que exige prescrição médica para ser comercializado e que pode trazer implicações à saúde.

A Baly Brasil destaca, por sua vez, que a bebida não contém tadalafila ou nenhum outro fármaco na composição e que segue todas as normas sanitárias e regulatórias vigentes. "Assim, o produto ‘Baly Tadala’ é completamente regular e não apresenta qualquer risco do ponto de vista toxicológico ou regulatório, enquadrando-se como bebida energética", afirma a empresa.

Banalização

Apesar de não ter o medicamento na bebida, o CFF entende que a campanha contribui para a banalização do uso de fármacos e pode estimular a automedicação. Para eles, a ideia de um produto que remete ao medicamento reforça, no imaginário coletivo, a noção equivocada de que seu consumo é simples, seguro e livre de consequências.

"Campanhas publicitárias que flertam com a medicalização do consumo recreativo exigem reflexão, responsabilidade e atenção das autoridades sanitárias e da sociedade. Medicamento não é produto de entretenimento, não é acessório de festa e não deve ser tratado como brincadeira. Medicamento não é brincadeira, nem mesmo no Carnaval", critica a entidade.

Vale destacar que, em quatro anos, o consumo de tadalafila aumentou em 216% no Brasil. Os números saltaram de 21,4 milhões de unidades em 2020 para 67,7 milhões em 2024, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O CFF ainda destaca que a automedicação é um problema histórico no Brasil. A prática, segundo a entidade, contribui para o atraso no diagnóstico de doenças, pode agravar problemas de saúde já existentes, provocar reações adversas que poderiam ser evitadas e elevar o número de internações por intoxicação medicamentosa.

"Nenhum medicamento deve ser utilizado com base em modismos, piadas ou promessas implícitas de desempenho. O uso racional de medicamentos pressupõe indicação correta, dose adequada, tempo de tratamento definido e acompanhamento contínuo", pontua.

Embora o bordão publicitário usado pela empresa seja "a Baly que te leva para cima", a marca alega que o termo "tadala" não é uma referência ao medicamento, mas ao conceito de energia e vigor. De acordo com eles, o termo "vem sendo utilizado cotidianamente, inclusive em músicas e produtos em geral existentes no mercado"

O que é a tadalafila?

A principal função da tadalafila é auxiliar em problemas de disfunção erétil, mas também pode ser indicada para tratar hiperplasia prostática benigna (HPB), que gera problemas urinários, e hipertensão arterial pulmonar (HAP).

O medicamento atua bloqueando de forma seletiva a enzima fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), o que potencializa a ação do óxido nítrico no organismo. Como consequência, há relaxamento da musculatura lisa e dilatação dos vasos sanguíneos, favorecendo o aumento do fluxo de sangue em diferentes partes do corpo, inclusive nos músculos. "Essa ação explica seu uso aprovado para disfunção erétil, hipertensão arterial pulmonar e sintomas do trato urinário inferior", explicou o urologista Luiz Otávio Torres, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), em reportagem sobre o uso indiscriminado do medicamento.

Por conta de seu efeito vasodilatador e da melhora no fluxo sanguíneo, com maior fornecimento de oxigênio para os músculos, surgiu a crença de que o medicamento poderia potencializar os resultados físicos durante os treinos. A suposta vantagem, no entanto, não é respaldada por evidências científicas.

Os riscos da tadalafila

O uso recreativo e sem orientação médica, especialmente entre o público mais jovem, pode gerar uma série de riscos, como uma dependência psicológica. "Isso pode evoluir para um quadro de disfunção erétil de origem psicogênica. A pessoa se condiciona ao efeito da medicação a ponto de acreditar que, sem ela, irá falhar. Com isso, passa a tomar todos os dias, não por uma dependência química, mas por um bloqueio psicológico que se instala", explicou Torres.

O uso do medicamento também pode esconder sinais importantes de doenças, como a redução da testosterona causada pelo hipogonadismo ou alterações cardíacas. Quando a disfunção erétil é consequência de outra condição de saúde, o remédio pode aliviar o sintoma temporariamente e levar ao adiamento da busca por diagnóstico e tratamento. Com isso, a ereção melhora por um período, mas a doença responsável continua evoluindo de forma silenciosa. Por isso, é importante sempre buscar um acompanhamento médico.

Entre os efeitos colaterais mais comuns do medicamento estão dor de cabeça, tontura, rubor facial, dor nas costas, desconforto gástrico, queda da pressão arterial e alterações visuais.

A queda súbita da pressão arterial pode levar a desmaios e complicações, e o uso em treinos intensos, especialmente quando a tadalafila é combinada com substâncias pré-treino ou álcool, pode provocar desmaios e problemas cardiovasculares.

Caso Orelha

Defesa contesta autoria por jovem com vídeo do cão após horário das agressões do cão Orelha

Os investigadores tiveram acesso imagens que registraram a saída e depois o retorno do jovem ao local

05/02/2026 21h00

Cão Orelha

Cão Orelha Reprodução

Continue Lendo...

Um vídeo divulgado pelos advogados de defesa do adolescente indiciado por maus-tratos contra o cão Orelha mostra o animal caminhando nas ruas da região da Praia Brava, em Florianópolis, por volta das 7h do dia 4 de janeiro, depois do horário que a Polícia Civil afirma que o cão teria sido atacado. Orelha morreu devido à gravidade dos ferimentos.

Segundo a versão da Polícia Civil, Orelha foi agredido na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30 da manhã, na Praia Brava. De acordo com os laudos da Polícia Científica, ele sofreu uma pancada contundente na cabeça, que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa. No dia seguinte, Orelha foi resgatado por populares e morreu em uma clínica veterinária.

A Polícia Civil aponta que o adolescente indiciado saiu do condomínio onde mora às 5h25. Às 5h58 da manhã, ele retornou para o condomínio com uma amiga. Os investigadores tiveram acesso imagens que registraram a saída e depois o retorno do jovem ao local.

No novo vídeo divulgado pela defesa do adolescente, o cão aparece circulando pelas ruas após esse horário - não é possível ver o focinho, detalhes da cabeça do animal ou os ferimentos. A defesa alega que a polícia não apresentou provas de que o adolescente é o autor da agressão que levou à morte do cachorro.

A delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal da Capital, confirmou que o cão que aparece nas imagens é o Orelha, mas reforçou que ele não morreu imediatamente após a agressão. De acordo com ela, há relatos de moradores que teriam visto Orelha machucado ao longo do dia 4 de janeiro.

"Desde o início das investigações, seja por meio de depoimentos de testemunhas, tanto pessoas que já viram esse animal machucado no dia, quanto a pessoa que veio a socorrer ele no dia 5 e levá-lo ao atendimento médico veterinário, se confirmou a versão de que essa lesão veio a evoluir ao longo desses dias. O profissional informou que não se tratava de uma lesão imediata", afirmou.

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu na terça-feira, 3, as investigações sobre a morte do cão Orelha. De acordo com a instituição, agentes analisaram cerca de mil horas de filmagens, ouviram 24 testemunhas e contaram com um software francês para analisar a localização do adolescente apontado como responsável pela agressão.

Em nota divulgada anteriormente, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais do adolescente, afirmaram que as informações divulgadas dizem respeito a "elementos circunstanciais", que não podem ser considerados prova nem "autorizam conclusões definitivas'. A defesa afirmou que o caso está "politizado".

As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA). A polícia pediu a internação do adolescente e indiciou três adultos por coação a testemunha.

De acordo com a conclusão final da investigação, o adolescente não sabia que a polícia possuía as imagens dele saindo do condomínio e disse que havia ficado dentro do local, na piscina, no momento do crime. Além das imagens, testemunhas e outras evidências também comprovaram que ele estava fora do condomínio, segundo a Polícia Civil.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).