Embora estejam no centro das investigações da operação “Cascalhos de Areia”, três contratos para manutenção de ruas sem asfalto em Campo Grande foram prorrogados pela prefeitura de Campo Grande por mais seis meses, conforme extrato publicado nesta segunda-feira (22) no diário oficial do município.
Um deles, no valor anual de R$ 5.188.016,69, é com a empresa André L. dos Santos, do empreiteiro conhecido como “André Patrola”. Este é o décimo primeiro termo aditivo do mesmo contrato assinado ainda em 2018. No aditivo anterior, em setembro do ano passado, já depois do eclosão da Cascalhos de Areia, o contrato foi reajustado em 25%.
A empreiteira é responsável pela manutenção de ruas sem asfalto na região do Prosa, que engloba, entre outros bairros, o Jardim Noroeste, onde a maior parte das vias está em situação que pode ser considerada caótica.
Os outros dois contratos renovados por mais seis meses estão sob responsabilidade da empreiteira Engenex, oficialmente pertencente a Edcarlos Jesus Silva. Um deles, com valor anual de R$ 4.309.906,11, é para manutenção de ruas da região do Lagoa, onde estão bairros como Santa Emiília e São Conrado, conhecidos pelas más condições das vias sem asfalto.
O outro contrato com Edcarlos prevê a manutenção das ruas da região do Imbirussu e o desembolso anual da prefeitura está previsto em R$ 2.913.987,96. Assim como aconteceu com André Patrola, os dois contratos de Edcarlos também foram reajustados em 25% em setembro do ano passado.
Os dois contratos foram assinados inicialmente em julho de 2018, pelo período de doze meses, sob a administração de Marcos Trad Filho. Naquela época, o proprietário legal era Mohamed Dib Rahim, mas em maio de 2021 a empresa Engevex passou para o controle de Edcarlos.
Edcarlos, que é apontado pela investigação da Cascalhos de Areira como um possível “laranja” de Adré Patrola, é genro de Adir Paulino Fernandes, 65 anos, um vendedor de queijos que por sua vez é proprietário de uma série de empresas que também têm contratos milionários com a prefeitura de Campo Grande e nos últimos anos faturou mais de R$ 200 milhões em prestação de serviços.
CASCALHOS DE AREIA
A operação do Ministério Público apontado supostas irregularidades nos contratos que superavam os R$ 300 milhões para aluguel de máquinas e manutenção de ruas sem asfalto foi deflagrada no dia 15 de junho e até agora não houve conclusão.
Naquela data foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão e tanto endereços ligados a Patrola quanto a Edcarlos foram alvos da operação, que investiga “possível organização criminosa estabelecida para a prática de crimes de peculato, corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro”, conforme nota publicada pelo MPE naquele dia.
A principal suspeita do Ministério Público, conforme denúncia apresentada por servidores municipais, é de que os serviços de manutenção não são realizados e mesmo assim as empresas recebem os pagamentos normalmente.



