Cidades

Consórcio Guaicurus

Prefeitura tenta driblar Justiça para intervir no transporte coletivo

Relatório sugere intervenção em caráter investigatório e fiscalizatório, o que, em tese, já deveria ser feito pelas Agências de Trânsito e Regulação

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O relatório sobre a concessão do transporte coletivo de Campo Grande foi concluído depois de três meses. Mesmo que a comissão liderada pela Procuradoria-Geral do Município tenha recomendado a intervenção, o texto deixa explícito que ela seria em caráter investigatório e fiscalizatório, o que já deveria ocorrer, e sem anular o contrato ou punir o Consórcio Guaicurus.

Como parte de uma decisão judicial de dezembro da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, uma comissão instituída pela prefeitura realizou diversas etapas de um processo que resultou em um relatório final, que contém informações sobre o transporte coletivo da Capital nos últimos anos.

“A finalidade deste relatório é precisamente delimitada: reunir e analisar os elementos de competência desta Comissão, de modo a subsidiar a decisão administrativa do Poder Concedente quanto à necessidade, à proporcionalidade e à pertinência de eventual intervenção na concessão”, explica a comissão no começo do documento.

Ao todo, sete etapas foram realizadas até a conclusão do relatório: organização do procedimento; instrução técnica regulatória, a cargo da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg) e da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran); eventual notificação da concessionária pelas agências; consolidação das informações; contraditório e ampla defesa perante a Comissão; participação popular; e elaboração do relatório final.

O documento também traz alguns dados que reforçam o problema do setor nos últimos anos. Por exemplo, de 2021 a 2025, foram aplicadas 21.910 autuações pela Agetran por conta de uma série de irregularidades no serviço, com destaque para “descumprimento de horário de viagem”, com cerca de 60% do total de autuações.

“As autuações por descumprimento de horário e por omissão de viagens, que, somadas, superam quinze mil ocorrências, atingem diretamente a regularidade e a continuidade do serviço; já as relativas a equipamentos obrigatórios e a recursos de reserva (motoristas e veículos) comprometem a confiabilidade e a segurança da operação”, analisa a comissão.

Sobre a qualidade da frota de veículos, o relatório afirma que a situação foi se agravando com o tempo, chegando a 98 ônibus com idade maior que 10 anos.

Fiscalização encontrou quase 100 ônibus com 10 anos na frota do transporte coletivo da CapitalFiscalização encontrou quase 100 ônibus com 10 anos na frota do transporte coletivo da Capital - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

E que entre agosto de 2020 e maio deste ano, das 2.771 inspeções realizadas, 299 resultaram em reprovação por não conformidades técnicas, o que “revela a deterioração progressiva das condições mínimas operacionais”.

Foram registradas também 82 medidas administrativas de interdição de veículos por não apresentação para inspeção de segurança no prazo regulamentar desde junho do ano passado, com ônibus que precisaram ser retirados de operação por apresentarem inspeção anual vencida. 

Outros 40 veículos verificados foram paralisados por falta de peças e sem previsão de retorno à operação, além de elevadores inoperantes e poltronas danificadas.

Durante quase 9 anos, entre novembro de 2016 e julho de 2025, o Consórcio Guaicurus deixou de contratar os seguros obrigatórios de responsabilidade civil, geral e de veículos, o que violou uma das cláusulas do contrato e gerou multa superior a R$ 12,2 milhões à concessionária.

Sobre a questão financeira da concessão, a comissão destaca que “as demonstrações financeiras dos exercícios de 2016 a 2024, do Consórcio e das sociedades que o integram, apontaram indicadores de fragilidade financeira e elevado comprometimento do patrimônio líquido”.

O documento também cita a greve dos funcionários ocorrida em dezembro do ano passado, após a Prefeitura e o Consórcio atrasarem seus vencimentos e benefícios.

“A paralisação ocorrida, ainda que circunscrita no tempo, materializa de forma concreta o risco à continuidade que os demais elementos da instrução já sinalizavam, a deterioração e as interdições da frota, as falhas graves de segurança e os indicadores de fragilidade econômico-financeira, fazendo-o migrar do plano do risco potencial para o da ocorrência efetiva”, diz o documento.

Apesar de todos esses pontos, a comissão recomenda a intervenção apenas de caráter temporário, investigatório e fiscalizatório, com nomeação de um interventor, sem que o contrato seja extinto.

Porém, o mais curioso é que o trabalho de fiscalizar e investigar o transporte coletivo seria da Agetran e da Agereg.

O documento também sugere a construção da solução consensual no âmbito da intervenção.

O relatório foi apresentado para a prefeita Adriane Lopes (PP) no fim da tarde de ontem, após uma reunião com a Procuradoria-Geral do Município e a Agereg. Em resposta enviada à reportagem, a chefe do Executivo municipal disse que até sexta-feira deve tomar uma decisão quanto à intervenção.

INVESTIGAÇÃO

O Consórcio Guaicurus também é alvo de denúncias de irregularidades financeiras, como a transferência de R$ 32 milhões para a empresa Viação Cidade dos Ipês sem justificativa e a omissão contábil de receitas e fluxos de caixa desde 2012, como constatado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo no fim do ano passado.

De acordo com o relatório, a comissão instituída pela prefeitura também encontrou indícios dessas movimentações irregulares e encaminhou ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) um pedido para que inicie investigação sobre o tema.

VERSÃO

Em nota enviada à reportagem, o Consórcio Guaicurus opinou que alguns pontos trazidos pela comissão no relatório conclusivo precisam ser olhados por um ponto de vista maior, além de dizer que quase todos os problemas enfrentados pelo setor nos últimos anos são consequência de ausência do reequilíbrio econômico-financeiro do contrato.

“O Consórcio recebe as conclusões do relatório com serenidade, mas ressalta que os indicadores apontados pela comissão – tais como o volume de autuações, a idade média da frota e as dificuldades operacionais – não são a causa da crise do sistema, mas sim o reflexo direto e inevitável de um severo sufocamento econômico-financeiro que a concessionária vem enfrentando nos últimos anos”, afirma.

A empresa e a prefeitura travam uma batalha sobre qual deveria ser o valor da tarifa técnica (custo real por passageiro para operar o transporte público). Atualmente, ela está fixada em R$ 6,57, mas a concessionária quer que ela suba para R$ 7,79.

A concessionária também comenta que uma intervenção neste momento seria uma decisão “precipitada e contraproducente” e, por isso, formalizou com o Município uma proposta de solução negociada e um plano de modernização, como alternativa jurídica e administrativa à medida proposta na decisão judicial.

“O objetivo é estruturar um Termo de Ajuste que viabilize a injeção de recursos necessários para a renovação imediata da frota, revisão das linhas e otimização dos tempos de viagem, sanando as falhas apontadas de forma célere e sem os riscos jurídicos e operacionais que uma intervenção traria para a estabilidade da cidade”, pontua.

* Saiba

Caso a prefeita decida pela intervenção, a comissão explica que deverá ser instaurado, no prazo de 30 dias, o procedimento administrativo e assegurada ampla defesa, para apurar as responsabilidades.

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SURPRESA

Com Éderson, Brasil reúne representantes de 78 clubes em Copas

O volane nascido em Campo Grande foi convocado no último domingo, depois da lesão do lateral direito Wesley

10/06/2026 07h41

Éderson continua com contrato na Atalanta, da Itália, mas está com a transferência acertada para o Manchester United, da Inglaterra

Éderson continua com contrato na Atalanta, da Itália, mas está com a transferência acertada para o Manchester United, da Inglaterra

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A convocação do volante Éderson para o lugar do lateral-direito Wesley, cortado por contusão, incluiu a Atalanta na história de participações da seleção brasileira em Mundiais. O clube italiano se tornou o 78º a ter um jogador representando o Brasil em Copa do Mundo. A lista completa reúne 23 equipes do país e 55 do exterior.

O elenco atual do técnico italiano Carlo Ancelotti inseriu seis novos clubes na estatística. A lista com os 26 nomes originalmente chamados pelo treinador já contava com representantes inéditos dos sauditas Al-Ahli (o zagueiro Ibañez) e Al-Ittihad (o volante Fabinho), dos ingleses Brentford (Igor Thiago) e Bournemouth (o também atacante Rayan) e do turco Fenerbahçe (o goleiro Ederson).

Se seguisse entre os convocados, Wesley seria o 11º atleta da Roma a vestir a camisa do Brasil em uma Copa. Entre os estrangeiros, o time italiano é o terceiro com mais representantes, ao lado do francês Paris Saint-Germain (PSG) e atrás somente dos espanhóis Real Madrid (14) e Barcelona (12). A Inter de Milão, também da Itália (nove), completa o top-5. 

Considerando as ligas do exterior que cederam jogadores à seleção brasileira, a troca de Wesley por Éderson não impacta a liderança, que segue com a Itália. São 44 convocados desde 1982, quando o ex-volante Paulo Roberto Falcão, à época na Roma, abriu a porteira.

Para 2026, porém, o Campeonato Inglês foi o que mais teve jogadores chamados para vestir a camisa do Brasil: oito. A liga chegou a 34 convocados mundialistas pela seleção verde e amarela e assumiu o segundo lugar, ultrapassando a Espanha (33), que teve somente os atacantes Raphinha (Barcelona) e Vinícius Júnior (Real Madrid) lembrados desta vez.

As presenças de Ibañez e Fabinho incluíram a liga saudita entre as que tiveram jogadores chamados para representar a seleção brasileira em Copas. São 17 países diferentes. Além da Arábia e do trio que lidera a estatística, aparecem França (18), Alemanha (14), Portugal (nove), Japão, Ucrânia, Rússia (três cada), Turquia (dois), China, Uruguai, Grécia, Holanda, México e Canadá (um cada).

Domínio glorioso

Entre os clubes brasileiros, o Botafogo segue como o que mais teve nomes defendendo a Amarelinha em Mundiais. O volante Danilo Santos se tornou a 48º convocação do Glorioso, que é seguido pelo São Paulo (46).

O Flamengo, com as presenças dos zagueiros Danilo e Léo Pereira, do lateral-esquerdo Alex Sandro e do meia Lucas Paquetá na edição deste ano, aparece em terceiro, com 39 representantes, abrindo vantagem para os rivais Vasco, com 35, e Fluminense, com 32.

Outras 19 equipes do país tiveram atletas defendendo o Brasil em Copas desde 1930. O Santos, graças ao atacante Neymar, chegou a 25 nomes e ultrapassou o Palmeiras (24).

Sem representantes no elenco de 2026, Corinthians (23), Atlético-MG (12) e Cruzeiro (11) completam o top-10. E a lista ainda reúne Grêmio (nove), Internacional (oito), Portuguesa (seis), Ponte Preta (cinco), Bangu, São Cristóvão (ambos quatro), América-RJ (três), Guarani, Ypiranga-RJ (dois), Americano-RJ, Americano-RS, Athletico-PR e Portuguesa Santista (um cada).

Genial/Quaest

Rejeição a Flávio Bolsonaro sobe para 56%; rejeição a Lula segue em 53%

Rejeição ao senador subiu dois pontos percentuais desde a pesquisa divulgada em maio. Queda ocorreu após áudios para Daniel Vorcaro

10/06/2026 07h22

 Flávio Bolsonaro (PL) lidera a lista de rejeição entre os pré-candidatos à Presidência da República, segundo pesquisa Genial/Quaest

Flávio Bolsonaro (PL) lidera a lista de rejeição entre os pré-candidatos à Presidência da República, segundo pesquisa Genial/Quaest

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O senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera a lista de rejeição entre os pré-candidatos à Presidência da República, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 10. Entre os entrevistados que afirmam que conhecem o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, 56% dizem que não votariam nele, alta de 2 pontos porcentuais (pp) em relação à pesquisa realizada em maio, no limite da margem de erro.

O crescimento na rejeição do senador acontece depois da divulgação de conversas em que ele cobra dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro. Desde então, Flávio viu sua curva de crescimento nas intenções de voto ser interrompida.

Já os entrevistados que afirmam que conhecem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e não votariam nele mantiveram-se estáveis em relação a maio, somando 53% neste levantamento.

Entre os entrevistados, 45% dizem que conhecem e votariam no presidente Lula para a reeleição, alta de 1 ponto porcentual em relação a maio, dentro da margem de erro. Outros 39% dizem que conhecem e votariam em Flávio Bolsonaro, mesmo número da pesquisa divulgada em maio.

A pesquisa também ouviu a avaliação dos eleitores sobre Ronaldo Caiado (PSD); Romeu Zema (Novo); Joaquim Barbosa (DC); Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).

Entre os entrevistados, 32% dizem que conhecem e não votariam em Ronaldo Caiado; 29% dizem que conhecem e não votariam em Romeu Zema; 20% dizem que conhecem e não votariam em Renan Santos; 17% dizem que conhecem e não votariam em Joaquim Barbosa e 16% dizem que conhecem e não votariam em Augusto Cury.

GOVERNO LULA

A desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caiu numericamente em junho, segundo a pesquisa, indicando uma curva de queda nos últimos meses. De acordo com o levantamento, 48% desaprovam o governo, ante 49% em maio. Os que aprovam são 47%, ante 46% no mês passado.

Desde abril, a desaprovação vem caindo. Em abril, 52% desaprovavam o governo, o maior porcentual desde julho do ano passado. Esse número caiu gradualmente desde então.

Quando questionados sobre como avaliavam o governo, 38% disseram que viam a gestão de forma negativa; 34% afirmaram que enxergavam de forma positiva; e 26% disseram que viam de forma regular. Outros 2% dos entrevistados não sabiam ou não responderam.

PROGRAMAS

A melhora na popularidade acontece no momento em que o governo lançou vários programas com alto apelo eleitoral, como a linha de crédito para motoristas de aplicativo e taxistas, o fim da taxa das blusinhas e o Desenrola 2.0. A pesquisa Genial/Quaest questionou os eleitores sobre essas medidas do presidente.

As ações para reduzir o preço dos combustíveis são as mais populares, com 53% dizendo que as conhecem e as aprovam. 36% disseram que não conhecem e 11% disseram que conhecem e não aprovam. O fim da taxa das blusinhas é aprovado por 45%, enquanto 13% desaprovam e 42% disseram que não conhecem a medida O programa Move Brasil, de crédito para os motoristas, é aprovado por 41%, rejeitado por 9% e desconhecido de 50%. O programa Brasil contra o Crime Organizado é aprovado por 39%, rejeitado por 11% e desconhecido de 50%.

As principais preocupações dos entrevistados se mantiveram parecidas com as de maio. A violência permanece como o maior problema, com 30% das citações (um ponto porcentual a menos que no mês passado). A corrupção passou de 18% para 19%. Os problemas sociais, de 15% para 16%. A saúde se manteve em 12%. A economia oscilou de 12% para 13%. A educação, de 6% para 5%.

A margem de erro estimada é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 8 de junho, com 2.004 entrevistas presenciais. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026.


 

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