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TEMPO
Cenário de muita precipitação também foi observado em setembro, quando Campo Grande teve acumulado três vezes superior ao esperado para o período
10/10/2026 08h30
Marcelo Victor / Correio do Estado
Com três semanas ainda pela frente, as chuvas em Campo Grande já alcançaram quase 70% do esperado para o mês e, segundo especialistas, devem seguir a tendência observada em setembro, quando choveu mais que o triplo da média histórica mensal.
De acordo com dados do Laboratório de Ciências Atmosféricas do Instituto de Física (LCA/Infi) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Capital registrou cerca de 21,5 milímetros até o fim da tarde desta sexta-feira, acumulando 154 mm somente nos nove primeiros dias deste mês.
O volume de chuvas esperado para outubro é de 203 milímetros, ou seja, em menos de 10 dias, 68% da média histórica já foi alcançada na Capital.
O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) já havia alertado no prognóstico da primavera, que começou no dia 22 de setembro, para uma estação marcada por episódios frequentes de chuva, especialmente neste mês e na região centro-sul do Estado.
“A primavera está entre os períodos do ano com maior frequência de tempestades severas em Mato Grosso do Sul, especialmente durante episódios de maior disponibilidade de calor e umidade e na presença de sistemas atmosféricos favoráveis à convecção. As precipitações tendem a se tornar mais regulares e frequentes, favorecendo o aumento da nebulosidade e contribuindo para a redução das temperaturas nos períodos de ocorrência de chuvas”, apontou o órgão.
No mês passado, que teve 20 dias de inverno e os restantes de primavera, Campo Grande registrou 220 mm de chuva, 184% a mais do que o esperado para setembro, que é de 77,6 mm.
Isso também ocorreu em outros municípios de Mato Grosso do Sul, como foi o caso de Corumbá, onde o acumulado de chuvas ficou 162% acima do esperado.
Ainda com 20 dias pela frente, este mês pode voltar a repetir tendência, segundo o meteorologista do LCA/Infi Diego Silva.
“Para Campo Grande, outubro ainda apresenta potencial para novos episódios de chuva significativa e pode terminar acima da média, mas ainda é cedo para afirmar a magnitude final desse excesso. Ainda faltam cerca de três semanas, e a chuva pode ser bastante irregular no espaço e no tempo”, disse.
Vale destacar que a atuação do El Niño está contribuindo para essas alternâncias entre altas temperaturas e fortes chuvas.
De acordo com o Cemtec-MS, o último trimestre deste ano vai ser o período em que o fenômeno mais vai influenciar no tempo, com temperaturas acima da média histórica, ondas de calor mais frequentes, tempestades mais intensas e ventos fortes.

A população de Campo Grande deve ficar atenta às condições do tempo nos próximos dias. A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil emitiu alerta amarelo para tempestades, com possibilidade de chuvas intensas, rajadas de vento e queda de granizo.
A classificação indica perigo potencial, o nível mais baixo na escala de alertas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O aviso começou às 9h desta sexta-feira e permanece válido até as 22h59min de terça-feira, abrangendo todo o fim de semana e o Dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrado na segunda-feira.
Para este sábado, o Inmet prevê a continuidade do tempo instável em Mato Grosso do Sul, com pancadas de chuva e trovoadas em diferentes regiões. Em Campo Grande, a máxima prevista pelo instituto é de 29°C, enquanto no domingo os termômetros devem alcançar 28°C.
Já na segunda-feira o Inmet aponta maior concentração de precipitações no sul do Estado, com possibilidade de chuvas isoladas nas demais regiões.
ENTREVISTA
Ao encerrar nove anos à frente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, o escritor Henrique Alberto de Medeiros Filho detalha em entrevista o legado de modernização, a expansão nacional e o diálogo cultural que projetou a instituição para o futuro
10/10/2026 08h25
Henrique Alberto de Medeiros Filho - Escritor, publicitário e jornalista Divulgação / ASL
A trajetória recente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) é marcada por um dinamismo que aproximou a tradição acadêmica da sociedade e ampliou sua atuação cultural.
No centro desse processo está o escritor, publicitário e jornalista Henrique Alberto de Medeiros Filho, que encerra, no dia 30 deste mês, nove anos à frente da presidência da instituição, com uma gestão marcada pela modernização e projeção institucional.
Entre os marcos desse período, destaca-se a criação de pontes com grandes centros de pensamento do País, especialmente por meio do projeto ABL na ASL: Palestras Imortais, que viabilizou a presença de 17 dos 40 membros da Academia Brasileira de Letras (ABL) em Mato Grosso do Sul.
Sua gestão também realizou, em Campo Grande, o Congresso Brasileiro das Academias Estaduais de Letras, que reuniu representantes de 23 Academias Oficiais Federativas em Mato Grosso do Sul e consolidou o Fórum Brasileiro das Academias Estaduais de Letras, entidade nacional que Henrique também preside.
Para além das conferências, a gestão ampliou a multidisciplinaridade das tradicionais sessões dos Chás e Rodas Acadêmicas, com parcerias como Música Erudita e suas Fronteiras, com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), e Arte na Academia, em aliança com a Confraria SociArtista, levando diferentes manifestações artísticas para dentro da ASL, promovendo a aproximação entre literatura, música e artes visuais.
No plano editorial e pedagógico, a consolidação dos Concursos Literários estaduais, a curadoria do Suplemento Cultural e o incentivo à formação leitora nas redes de ensino reforçaram a atuação cultural e educacional da ASL.
Nesta entrevista, Henrique de Medeiros faz um balanço dos resultados alcançados e reflete sobre os desafios da governança cultural contemporânea, o patrimônio imaterial do Estado e o legado de nove anos à frente da ASL, que honrou o seu passado e a projetou para o futuro.
A Academia tem importância fundamental na história, sobretudo literária, da cultura sul-mato-grossense, por meio dos grandes nomes que a integraram e que representam exemplos de presença e reconhecimento no Estado, no Brasil e até internacionalmente.
Entre tantos saudosos imortais, temos Maria da Glória Sá Rosa, Abílio Leite de Barros, J. Barbosa Rodrigues, Paulo Coelho Machado, Hildebrando Campestrini, Nelly Martins, Elpídio Reis, Manoel de Barros, Wilson Barbosa Martins, Oliva Enciso, Hélio Serejo, Guimarães Rocha e Flora Egídio Thomé, apenas alguns exemplos da grandiosidade dos nomes que fizeram parte da história da ASL e de Mato Grosso do Sul.
A evolução da Academia se faz justamente pela participação de seus imortais, saudosos e atuais, na construção da identidade cultural do Estado e pelo papel que desempenharam, individual e coletivamente, ao longo dos 54 anos da ASL.
Antes de tudo, são eles que representam a nossa evolução e permanecem como referência para tantos projetos e para o futuro da Academia.
O objetivo principal foi abrir as portas da Academia ao público e aproximá-lo cada vez mais daquilo que a ASL busca: o desenvolvimento do pensamento e a força da palavra como instrumentos de integração, crescimento e autocrítica.
A educação e a consciência, como partes da formação do ser, precisam muito do humanismo. É isso que encontramos na leitura, em suas múltiplas vertentes, entre fantasias, realidades e raciocínios, que permite a discussão de temas capazes de engrandecer as pessoas e influenciar a evolução da sociedade.
Esse sempre foi o objetivo: valorizar a palavra e o pensamento como instrumentos de avanço social, por meio de eventos e da difusão de ideias, com a Academia aberta à população e atividades sempre gratuitas.
As iniciativas da ASL, tanto em suas atividades fixas tradicionais quanto nas que foram criadas pelas diretorias das três gestões que presidi, contaram com o envolvimento ativo dos acadêmicos que delas fizeram parte.
Não tenho como deixar de citar, entre os integrantes dessas Diretorias, Américo Calheiros, Elizabeth Fonseca, José Pedro Frazão, Marisa Serrano, Raquel Naveira, Oswaldo Barbosa, Rubenio Marcelo, Samuel Medeiros e Valmir Batista Corrêa.
Muitos outros acadêmicos participaram e buscaram demonstrar a convergência literocultural que representa a Academia, mas não tenho como citar todos.
Eu não teria como realizar esse trabalho sem essa contribuição, e minha proposta sempre foi trazer outras artes para nossas atividades, ampliando o diálogo da literatura com as diversas manifestações culturais.
Daí surgiram projetos com a participação da UFMS, o incentivo à música erudita e suas fronteiras e a inserção das artes visuais na ASL, por meio de projetos conjuntos com a Confraria SociArtista e de trabalhos independentes. A ASL é aberta à cultura como um todo e ao infinito significado das Belas Artes.
A ASL não pode ficar restrita à Capital. Precisa fazer parte do todo que é Mato Grosso do Sul, e isso também se busca por meio dos nomes representativos de seus acadêmicos, que estão presentes em diversas regiões do Estado.
E precisa sair do casulo: teve presença em eventos tanto no interior de Mato Grosso do Sul quanto em outros Estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Paraíba, Pará e Alagoas.
Essa presença também se projetou institucionalmente com a realização, em Campo Grande, do Congresso Brasileiro das Academias Estaduais de Letras, que reuniu representantes das academias oficiais de 23 unidades federativas, além da presença da Academia Brasileira de Letras.
O Congresso consolidou o Fórum Brasileiro das Academias Estaduais de Letras, que atualmente presido nacionalmente, representando a ASL, em posse realizada na Academia Brasileira de Letras.
O projeto surgiu de iniciativas da ASL e da proximidade entre as academias oficiais e a Academia Brasileira de Letras, o que facilitou um intercâmbio maior entre a ASL e a ABL.
Nessa área, tivemos a fundamental parceria com o governo do estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Setesc [Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura] e da FCMS [Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul], que já haviam apoiado a realização do Congresso Brasileiro das Academias em Campo Grande e acreditaram na importância cultural do projeto ABL na ASL, com a presença dos imortais em palestras aqui realizadas.
Tivemos nesse período 17 dos 40 acadêmicos da Academia Brasileira de Letras convivendo com representantes da educação e da cultura e com o público em geral, em eventos totalmente gratuitos promovidos pela nossa Academia, com palestras importantes e a abordagem de temas extremamente pertinentes ao pensamento acadêmico.
Isso representa uma contribuição significativa para o pensamento crítico local e para o intercâmbio educativo.
A ASL justamente faz isso: oferecer qualidade de pensamento.
É de total importância para o incentivo à produção literária no Estado.
Também tivemos a parceria da Setesc e da FCMS, que confiaram nas ações difusoras de estímulo da ASL aos escritores radicados em Mato Grosso do Sul, por meio de seus tradicionais concursos, que abrem espaço a toda a classe envolvida na criação de textos.
Os Concursos de Contos e de Poesia revelam sempre novos escritores, aproximam a classe cultural e fomentam o pensamento artístico-literário. É uma forma da ASL estimular a produção e oferecer espaço para que novos autores possam mostrar seu trabalho.
É a memória e a qualidade do nosso pensamento, disponibilizadas de forma totalmente gratuita à população, como patrimônio histórico da Academia e do Estado.
O Suplemento Cultural da ASL, que o jornal Correio do Estado publica semanalmente há cerca de 50 anos, de forma ininterrupta, numa ação que considero inédita no País, representa o acesso a uma verdadeira enciclopédia da literatura produzida em Mato Grosso do Sul, além de reunir relatos importantes sobre nossos costumes, nossa história e nossa identidade cultural.
Achamos importante demais disponibilizar esse acervo ao público, junto com nossas revistas, para consulta. Temos cerca de 15 anos de Suplementos disponíveis, nossas revistas e inúmeros vídeos de palestras em nossos canais no site, no YouTube e nas redes sociais.
Isso é importante como facilitador da formação de público e da atenção à literatura, ao pensamento e à preservação do arquivo.
Acredito que meus lados publicitário e jornalístico, que acompanharam o escritor e sua ligação com a cultura ao longo da vida, tiveram importância na visão dos projetos desenvolvidos e na filosofia que buscamos implantar.
O marketing é fundamental para a formação de imagem e para o estímulo de atitudes, e o que se buscou foi justamente isso: formar uma imagem da importância da literatura, da educação e da cultura; da relevância do desenvolvimento humano por meio da autocrítica e do pensamento; da contribuição para a autoestima da população; da preservação e valorização da memória; e da Academia como vitrine de exemplos de personalidades que aqui se imortalizaram e contribuíram para a sociedade.
Levo uma enorme alegria pela oportunidade que tive de representar os saudosos e atuais grandes nomes que ocuparam e ocupam a imortalidade na ASL, sua memória e seu presente.
Foi uma oportunidade de ajudar a manter e construir a história de alguns dos mais importantes nomes e símbolos do imaginário sul-mato-grossense e de compreender, ainda mais profundamente, o seu significado.
O mais importante, entretanto, foi poder contribuir para o que não só eu, mas todos os que estão na ASL desejam: a construção de um Estado digno de sua Cultura.
Henrique Alberto de Medeiros Filho - Escritor, publicitário e jornalistaEscritor, publicitário e jornalista, é executivo de Comunicação, Marketing e Gestão Institucional com mais de 40 anos de sólida trajetória empresarial, liderando corporações, órgãos públicos e entidades de classe de relevância nacional. Atua nos setores público, político, privado e cultural.
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