As apreensões de cocaína feitas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) aumentaram 135% nos primeiros cinco meses do ano na comparação com igual período de 2022, passando de 3,8 toneladas para 9 toneladas, conforme números consolidados divulgados nesta sexta-feira (02). Em todo o ano passado foram interceptadas 10,7 toneladas, o que foi recorde da instituição.
E, após cada uma das 30 interceptações feitas neste ano, a informação da assessoria da PRF foi praticamente a mesma: o motorista apresentou nervosismo ao ser abordado e por isso a equipe fez uma vistoria mais detalhada. Ou seja, atribui as descobertas ao acaso e ao “faro” dos agentes.
Porém, ao ser questionada sobre este repentino aumento no “faro”, a instituição diz que, na realidade, este aumento é resultado do “aprimoramento e emprego estratégico das equipes especializadas, bem como às fiscalizações intensas em locais estratégicos de fronteira, destacando-se as Delegacias de Corumbá e Dourados”.
Além disso, segundo a assessoria da instituição, a disparada nas apreensões ocorreu graças ao “emprego de tecnologias de ponta e da atuação dos serviços de inteligência. Os profissionais responsáveis pela coleta e análise de informações têm desempenhado um papel crucial na identificação e desarticulação de grandes organizações criminosas envolvidas no tráfico de drogas”.
A PRF não revela, porém, quais seriam estas tecnologias usadas pelo serviço de inteligência, mas deixa claro que este suposto “faro” dos agentes está baseado em investigações que normalmente não vem a público, já que nem mesmo os nomes das pessoas presas é divulgado.
PREJUÍZO BILIONÁRIO
E quando se fala em aumento de 135% nas apreensões de cocaína está se falando em somas vultosas de dinheiro que afetam a estrutura de quadrilhas internacionais, que certamente são muito bem organizadas e não admitiriam perder faturamento de 1,63 bilhão de reais em apenas cinco meses para o “faro” de alguns agentes da PRF.
Para efeito de comparação, R$ 1.630.193.000,00, que é o tamanho do prejuízo ao narcotráfico estimado pela PRF, é valor equivalente a 13,5 milhões de sacas de soja, principal produto da economia de Mato Grosso do Sul. O município de Sidrolândia, o terceiro maior produtor do Estado, produz em torno de 16 milhões de sacas por ano.
Ao mesmo tempo em que atribui o aumento das apreensões ao uso de tecnologia e aprimoramento do serviço de inteligência, a assessoria da PRF admite que o crescimento é resultado, também, da mudança de estratégia dos narcotraficantes, que passaram a priorizar mais o transporte rodoviário para trazer a cocaína dos países vizinhos rumo aos portos brasileiros, de onde os entorpecentes geralmente são levados para a Europa. Nos últimos três anos, radares aéreos foram ativados em Corumbá e em Ponta Porã pela Força Aérea Brasileira.
“É importante ressaltar que o tráfico de drogas é um crime grave e que a atuação da PRF é fundamental para combater essa prática criminosa. O aumento das apreensões de cocaína é um indicativo de que estamos no caminho certo e que devemos continuar investindo em tecnologia, equipamentos e capacitação das equipes especializadas para que possamos garantir a segurança e a tranquilidade da população”, conclui nota enviada pela PRF ao Correio do Estado.
Foto: Evento começou com chuva, na Praça do Rádio Clube


