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Primeira Lei do Pantanal é aprovada na Assembleia e vai à sanção

Após embates entre fazendeiros e ambientalistas, projeto de lei promete equilibrar a produção e a preservação do bioma

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Primeiro projeto de lei voltado para práticas de preservação do Pantanal foi aprovado ontem, em segunda votação, pelos deputados na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems).

Após desmatamento recorde no bioma e embates entre proprietários rurais e ambientalistas, o governo conseguiu consenso entre os grupos opostos e aprovou a proposta que vai reorganizar a ocupação no bioma.

Agora o texto vai ser analisado pela redação final da Alems e enviado para sanção do governador Eduardo Riedel. Ainda em primeira votação, foram aprovadas cinco emendas que fizeram com que o projeto fosse encaminhado para a redação final, o que vai necessitar de mais uma votação na próxima semana.

No entanto, a expectativa é de que, no mesmo dia em que passar pela Alems, o projeto da Lei do Pantanal seja de fato sancionado pelo governador.

Ao Correio do Estado, o diretor-presidente do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), Angelo Rabelo, afirmou que a criação de uma lei específica para o bioma é fundamental para o equilíbrio entre a proteção e a conservação da natureza local e a produção econômica.

"Ela [Lei do Pantanal] traz uma abordagem que primeiro assegura o equilíbrio entre a proteção e a conservação do bioma e a produção. Ela vai, por meio principalmente do Fundo Clima [Pantanal], criar oportunidade de valorar e pagar pelas boas práticas. Então, isso é um mecanismo que o mundo vem adotando, por meio da inteligência e da abordagem técnica do que chama pagamento de serviços ambientais", esclareceu o ambientalista.

De acordo com o diretor-presidente do IHP, mesmo sem a sanção, as mudanças em termos de preservação do Pantanal, justamente em virtude do projeto, já podem ser perceptíveis.

"Eu diria que ela [nova legislação] já é perceptível. Nós tínhamos atividades sendo executadas de maneira irresponsável, exigindo um esforço muito grande dos órgãos de fiscalização, especialmente da Polícia Militar Ambiental, e que agora a gente consegue, a partir desse freio que foi colocado quando o governador suspendeu [as atividades], retomar de uma maneira mais responsável e inteligente", pontuou Rabelo.

No cenário político sul-mato-grossense, o deputado estadual Pedrossian Neto (PSD) destacou os avanços significativos na discussão sobre a nova lei ambiental, que visa equilibrar a preservação do Pantanal com as atividades econômicas da região.

"O governador do Estado, Eduardo Riedel, enviou um projeto de lei equilibrado, pactuado com diversos segmentos da nossa sociedade. [Foi] ouvida a Famasul, a Acrissul, ou seja, os produtores rurais, o pantaneiro, aqueles que estão há muitos anos dentro do bioma Pantanal produzindo, respeitando o meio ambiente e conversando também com aqueles que estão na defesa ambiental", disse.

O deputado destacou a importância de não aplicar os mesmos critérios da Reserva Legal da Amazônia ao Pantanal, respeitando suas características específicas.

"Eu acho que é importante considerar que existe um risco do governo federal, por meio do Conama [Conselho Nacional do Meio Ambiente], de tomar uma decisão administrativa que teria um impacto muito negativo para o Estado, de equivaler a proteção do Pantanal àquilo que é referente à Amazônia, ou seja, com os mesmos critérios de porcentagem da reserva legal [de lá]", enfatizou.

Pedrossian Neto ressaltou que o projeto do governador não altera os porcentuais de reserva legal, supressão de mata nativa ou pastagem implantada. No entanto, a nova legislação introduz regras específicas, como a exigência de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) para supressões acima de 500 hectares.

O parlamentar salientou a distinção entre o Pantanal Alto e Baixo, permitindo o desenvolvimento agrícola em áreas que não têm características próprias do bioma.

LEI DO PANTANAL

A proposta que institui a Lei do Pantanal traz uma série de regulamentações destinadas a promover a preservação do bioma e, ao mesmo tempo, a permitir o desenvolvimento sustentável da região. Entre as principais medidas, têm destaque as restrições a cultivos comerciais, a criação de um Fundo do Pantanal e as limitações para supressão de vegetação.

O projeto proíbe a implantação de cultivos agrícolas como soja, cana-de-açúcar, eucalipto e qualquer cultivo florestal exótico. Cultivos já existentes até a publicação da lei poderão ser mantidos, mas a expansão da área está sujeita ao devido licenciamento ambiental.

A proibição não se aplica a cultivos de agricultura de subsistência em pequenas propriedades ou propriedades rurais familiares, assim como a cultivos sem fins comerciais destinados à suplementação alimentar de animais de criação no próprio imóvel.

A instalação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e novos empreendimentos de carvoaria é proibida, sendo permitida a manutenção dos já existentes até o vencimento da licença ambiental concedida.

A nova legislação impõe limitações à supressão de vegetação, reforçando o compromisso com a preservação ambiental e com a biodiversidade pantaneira.

Uma das inovações mais destacadas é a criação do Fundo do Pantanal, que receberá 50% dos valores provenientes de multas ambientais.

O Fundo Clima Pantanal visa promover o desenvolvimento sustentável do bioma e gerir operações financeiras destinadas ao financiamento de programas de pagamentos por serviços ambientais na Área de Uso Restrito da Planície Pantaneira (AUR Pantanal).

EMENDAS

A proposta da Lei do Pantanal foi aprovada pela Alems com cinco emendas, as quais foram incorporadas ao projeto mudanças na faixa de preservação e no confinamento de gado.

Uma das emendas aceitas acrescenta um parágrafo à lei sobre o confinamento de gado, dispondo sobre a conservação, a proteção, a restauração e a exploração ecologicamente sustentável da AUR Pantanal.

A alteração, de autoria do deputado estadual e presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Alems, Renato Câmara (MDB), propõe a permissão de criação bovina que já esteja instalada e licenciada previamente até a publicação da nova legislação.

"Desde que com o devido licenciamento ambiental, limitando o crescimento ao dobro da capacidade inicial", detalhou o texto.Já a outra emenda aponta que "considera-se cultivo consolidado comercial as áreas de produção implantadas até a safra de verão 2023/2024, conforme delimitado no mapa do Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio [Siga-MS] e/ou nos projetos do setor agropastoril licenciados". A mudança, nesse caso, é o acréscimo dos projetos do setor agropastoril previamente licenciados.

A última emenda trata sobre as veredas, afirmando que "[nelas], a faixa marginal, 
em projeção horizontal, deve ter largura mínima de 50 metros a partir do espaço permanentemente brejoso e encharcado ou do limite superior do campo úmido, independentemente do tipo de vegetação existente".

Segundo Renato Câmara, a redação anterior do projeto previa áreas de preservação permanente nas veredas a partir da linha do campo úmido, excluindo a linha de 50 m.

SEGURANÇA BANCÁRIA

Golpe de R$ 300 mil leva polícia a investigar possível vazamento

Servidora recebeu contato de falsos atendentes após movimentar aplicações no banco; investigação apura participação de alguém com acesso aos dados da cliente

29/07/2026 08h00

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul abriu inquérito para investigar a participação de um insider, com acesso a informações bancárias sensíveis, em um golpe contra uma servidora pública ocorrido no Banco Safra, em Campo Grande.

A servidora teve um desfalque de mais de R$ 300 mil no momento em que estava levantando recursos de sua conta bancária para comprar um imóvel.

Ela estava em contato permanente com o gerente de sua conta, e a suspeita é de que houve vazamento das conversas entre ela e funcionários do banco para que os golpistas agissem.

ENTENDA O CASO

O caso teve início quando a cliente começou a liquidar diversas aplicações financeiras com o objetivo de dar entrada em um novo imóvel.

Vítima que denunciou o caso e perdeu R$ 300 mil era cliente do Banco Safra, em Campo Grande - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Durante o processo, houve uma mudança interna no atendimento bancário: sua gerente habitual saiu de férias e uma nova pessoa, vinculada à instituição, assumiu a conta temporariamente.

Na manhã de uma quarta-feira, por volta das 11h, os valores resgatados foram finalmente creditados na conta da servidora.

Imediatamente após a disponibilização do dinheiro, as comunicações oficiais do banco via WhatsApp – canal utilizado rotineiramente para o atendimento – foram subitamente interrompidas.

A calmaria, contudo, durou pouco: às 14h do mesmo dia, uma nova pessoa entrou em contato pelo aplicativo de mensagens, alegando que daria continuidade ao atendimento para direcionar os valores levantados.

Utilizando uma tática de engenharia social, o suposto atendente afirmou que, para liberar o restante do montante e concluir os encaminhamentos necessários, a cliente deveria acessar um link enviado por ele para entrar no aplicativo do banco e realizar uma “autorização”.

Confiando na legitimidade do contato, a vítima seguiu as instruções.

Com muita rapidez, demonstrando conhecer o sistema do banco, os golpistas incluíram novos dispositivos de acesso, trocaram telefone, senha, incluíram novos beneficiários e aumentaram limites. Sem senhas, biometria ou ligações. E, de imediato, impediram o acesso pela correntista.

No dia seguinte, uma quinta-feira, foram feitas 11 transações em apenas 27 minutos. Apenas dois dias depois, na sexta-feira, a servidora percebeu a gravidade da situação.

Descobriu que sua conta estava bloqueada, sua senha alterada e que a validação de uma nova senha estava atrelada a um telefone com DDD 011.

Na ocasião, ela constatou que foram realizadas 11 transferências via TED para 11 pessoas jurídicas distintas em um período de 27 minutos. Os recursos, superiores a R$ 300 mil, não foram recuperados, mesmo depois de o banco ter sido informado.

O que causou maior estranheza à vítima, apurou o Correio do Estado, foi o fato de o sistema de segurança do banco não ter bloqueado nenhuma das transações atípicas, permitindo a evasão total do patrimônio que seria destinado ao imóvel.

Pior: mesmo depois que a vítima recuperou o acesso à conta, ainda constatou três dispositivos cadastrados por terceiros e liberados para movimentação financeira.

O caso agora está sob investigação da Polícia Civil. O Correio do Estado procurou a gerente do Banco Safra em Campo Grande, que direcionou a demanda para a assessoria de imprensa do Banco Safra, em São Paulo (SP). Não houve retorno após o envio da demanda à assessoria.

*SAIBA

Com a popularização de golpes virtuais, o Anuário de Segurança Pública mostra aumento neste tipo de crime no Brasil: 20,6% a mais de fraudes eletrônicas. Em Mato Grosso do Sul, por sua vez, houve redução de 4,5%, de 2024 para 2025.

Esportes

De volta ao país após 3 anos, Copa Davis inicia venda de ingressos

Suíça será adversária do Brasil nos dias 18 e 19 de setembro, no RJ

28/07/2026 23h00

Divulgação

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Principal torneio entre nações do tênis masculino, a Copa Davis está de volta ao Brasil após hiato de três anos. A seleção brasileira terá pela frente a Suíça, pelo Grupo Mundial I, nos dias 18 e 19 de setembro, na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro.  A venda de ingressos teve início nesta terça-feira (28) de forma online.

Uma das presenças aguardadas na equipe Amarelinha é a do carioca João Fonseca, de 19 anos, número 1 do Brasil e 27º no ranking mundial. A convocação será anunciada pelo capitão Jaime Oncins, 10 dias antes do início dos confrontos.

Serão disputados ao todo cinco jogos em quadra dura coberta na Farmasi Arena, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. No dia 18 de setembro (uma sexta-feira) estão programados dois duelos a partir das 15h (horário de Brasília). O dia seguinte começa com um confronto de duplas às 14h, seguido de dois jogos de simples.

A seleção vencedora garante vaga na primeira rodada dos qualifiers em 2027, fase classificatória que reúne a elite internacional do tênis. Quem avança ao qualifiers tem chance de lutar pelo título da Copa Davis. Já quem perde, cai para a disputa dos playoffs do Grupo Mundial I de 2027.  

Brasileiros e suíços já duelaram duas vezes na Copa Davis. A Amarelinha levou a melhor em 1954 jogando em casa, com o placara de 3 vitórias e uma derrota. Já a Suíça sediou o torneio em 1992, cravando 5 vitórias sobre os brasileiros.

Reprodução Instagram

Brasil caiu para o Canadá em fevereiro

A Amarelinha desperdiçou a chance de lutar pelo título da Copa Davis deste ano ao ser superada pelo anfitrião Canadá, na primeira rodada do qualifiers, no início de fevereiro. Desfalcada de João Fonseca, o Brasil entrou em quadra com João Lucas Reis, Gustavo Heide, Matheus Pucinelli, Rafael Matos e Orlando Luz. 

A seleção havia garantido a vaga no qualifiers em setembro do ano passado, ao superar a Grécia, com 3 vitórias e uma derrota. Um dos triunfos decisivos foi protagonizado por João Fonseca que derrotou o ex-número 3 do mundo Stefanos Tsitsipas por 2 sets a 0 (6/4 e 6/3).

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