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Primeiro dia de "pente-fino" encontra 52 celulares em celas da "Máxima"

Problemática ampla que passa pela falta de investimento e de efetivo, resulta em presídios com presos perigosos que ficam cerca de 20 dias sem torre

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Após pente-fino que é parte da 2ª fase da Operação Mute, a vistoria realizada em 10 celas do Estabelecimento Penal "Jair Ferreira de Carvalho" nesta segunda-feira (11), resultou em 52 aparelhos celulares apreendidos. Cabe lembrar que a unidade da Capital faz parte das 58 prisões que recebem, até o dia 15 de dezembro, essa operação de combate ao crime organizado por meio da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).

Presidente do Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul (Sinsapp/MS), André Santiago há tempos defende a regulamentação da Polícia Penal e afirma ser humanamente impossível culpabilizar servidores, de uma forma geral, pela entrada indevida de aparelhos telefônicos em unidades prisionais. 

Nas palavras do presidente, sendo essa uma problemática muito ampla, falta investimento em política pública. Para Santiago, enquanto houver precariedade, até mesmo possíveis casos isolados de corrupção interna tornam-se mais um dos pontos facilitadores para entrada desses equipamentos. 

"Temos presídios em setores urbanizados, que já somos contrários, pois projetos de lei já deveriam proibir esses como o do Noroeste, onde é muito fácil jogarem todo tipo de material para dentro do presídio. Ou seja: por que eu vou gastar com corrupção se já está tudo facilitado, como falta servidor posso encostar do lado do muro e jogar para dentro", indica o presidente do Sindicato.

Santiago explica que durante as vistoriais diárias, toda sorte de material é encontrada pela equipe da unidade prisional, inclusive citando que em vários outros presídios do Estado não é difícil notar a incidência até mesmo do uso de drones para cometer esses atos ilícitos

"Isso porque a gente só tem dez servidores lá dentro, contando com a portaria e postos. Quando se faz a geral de manhã, é pego esse material. Temos scanners corporais nas portarias, e não diminui porque não há investimento no sistema de segurança; aplicação de tela nos solários das unidades para coibir essa jogada de materiais", expõe. 

Efeitos da precarização

André ainda comenta que policiais penais, enquanto buscam regularizar a própria carreira junto ao poder público, enfrentam acúmulos de funções, faltando efetivo interno nas unidades prisionais.  

"Assumimos a função de aproximadamente 800 policiais militares no estado sem a reposição funcional. Aquilo que já era crítico, pelas atribuições somente internas, assumindo atribuições de função policial; escolta; muralha, a maioria dos servidores não tem capacitação ainda e houve sobrecarga de serviço".  

Ele classifica a atual realidade como um "caos incomensurável", pois, segundo André Santiago, há presídios em Mato Grosso do Sul que guardam presos de alta periculosidade, unidades essas em que as torres passam quase o período de um mês sem o devido cuidado. 

"Presos de 70 anos de cadeia, de pena, e essa unidade tem ficado aproximadamente 20, 25 dias no mês sem torre, que estão sendo desativadas porque precisa do servidor para fazer a escolta hospitalar, então desativa e deixa unidades de altíssimo risco, totalmente desguarnecidas", afirma.

Diante disso, ele frisa que não se pode culpabilizar os servidores por uma falta de estrutura e condição. André comenta ainda que situações pontuais detectadas, são imediatamente combatidas, com servidores respondendo as devidas sindicâncias. 

André ainda ressalta que a aprovação da polícia penal foi uma luta da categoria, para ampliar o poder de combate ao crime organizado e, para isso, foi criada a mais nova polícia do Brasil, pela alteração da Constituição Federal.

"O Estado precisa comprar essa briga, encabeçar isso, regulamentar a política penal. Mesmo acontecendo em 2019, em Mato Grosso do Sul, criou-se ela na Emenda Constitucional, mas não foi feita a regulamentação. Então estamos trabalhando ainda sem uma legislação definida", finaliza. 

Operação Mute | Fase 2

Desde às 07h30 desta segunda-feira (11), o Estabelecimento Penal "Jair Ferreira de Carvalho" em Campo Grande, recebe um "pente-fino" através da 2ª Fase da Operação Mute, para localizar e retirar de circulação interna, aparelhos celulares que facilitam o contato e controle do crime organizado mesmo dentro das prisões.

Através do Ministério da Justiça e Segurança Pública, ainda comandado por Flávio Dino, a "Máxima" na Capital faz parte das 58 unidades prisionais que recebem, até o dia 15 de dezembro, essa operação de combate ao crime organizado por meio da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).

Só na primeira edição, nacionalmente, 3.305 policiais penais estavam envolvidos nas revistas gerais feitas em 68 penitenciárias de 26 Estados.

Em Mato Grosso do Sul, a 1ª etapa da Operação Mute - desencadeada entre 16 a 27 de outubro - resultou na apreensão de 187 celulares entre unidades da Capital e do interior. 

 

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FAZENDA 5 ESTRELAS

Milho substitui girassol em fazenda que virou 'ponto turístico' em MS

Fazenda Cinco Estrelas, famosa pelo campo de girassóis que bombou nas redes sociais, plantou milho no lugar de girassol para 'despistar' a erva daninha

21/06/2026 19h00

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026 Gerson Oliveira

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Milho tomou o lugar do girassol, neste ano, na Fazenda Cinco Estrelas, localizada no Indubrasil, próximo a BR-060/BR-262, perto de Campo Grande/Terenos.

Famosa pelo campo de girassóis que bombou nas redes sociais, a fazenda suspendeu a plantação de girassóis em 2026, para plantar milho.

De acordo com o gerente da fazenda, Carlos de Lima Rosa, a substituição se deu por conta do aparecimento de erva daninhas, planta invasora que nasce em locais indesejados.

“Esse ano aqui tem girassol e não milho por conta da erva daninha. Nós não estávamos conseguindo controlar o caruru, então, com os herbicidas que nós passamos no milho, nós não podemos passar no girassol, então por isso o milho. Girassol esse ano só na Fazenda Guariroba, que é outra fazenda do seu Stefanello”, disse o capataz ao Correio do Estado.

O local se tornou um ‘ponto turístico temporário’ nos meses de agosto e setembro, por vários anos, onde centenas de pessoas visitavam a plantação diariamente para fazer ensaios fotográficos de casamento, gestação, noivado, 15 anos ou simplesmente atualizar o perfil das redes sociais.

Confira a paisagem da fazenda (antes e depois) em 2025 e 2026:

2025

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026Plantação de girassol na Fazenda Cinco Estrelas, em 2025. Foto: Marcelo Victor/arquivo

2026

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026. Foto: Gerson Oliveira

O campo de girassóis estará de volta, na Fazenda Cinco Estrelas, em 2027.

MILHO

O milho (Zea mays) é um cereal (grão) que produz espigas cheias de grãos amarelos. É uma das principais culturas agrícolas de Mato Grosso do Sul.

Os principais municípios produtores são Maracaju, Dourados, Ponta Porã, Sidrolândia e Itaporã, que concentram grande parte da produção de grãos do Estado.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento apontam que 12,49 milhões de toneladas de milho foram produzidas, na safra 2024/25, no Estado. Em grãos, a produção chegou a 27,79 milhões de toneladas.

O preço da saca de milho (60 kg) gira em torno de R$ 48 a R$ 52 em Mato Grosso do Sul. A área total do Estado é de 6,6 milhões de hectares.

GIRASSOL

O girassol é uma planta da família Asteraceae e do gênero Heliantheae. É nativo da América do Norte. É uma planta anual, que nasce, cresce, floresce uma vez por ano e morre logo em seguida.

De acordo com o biólogo Pedro Isaac, a planta tem cerca de dois metros de altura e o recorde, já registrado no mundo, é de nove metros. Mas, em épocas de seca, pode não alcançar nem um metro.

É rico em reserva energética e estrutural, como açúcares, proteínas e ácidos graxos, sendo estes a matéria prima do óleo.

É cultivado com matéria orgânica. "Não é das plantas mais exigentes quanto à adubação, podendo usar estrume, fertilizantes químicos e chorume de composteira, mas é bom sempre lembrar de diluir estes dois últimos e nunca usar fertilizantes demais, pois podem causar queimaduras químicas ou até intoxicar a planta", detalhou Pedro Isaac.

De acordo com o biólogo, o óleo é retirado da semente do girassol para consumo humano. “No entanto, como o maior produto consumido é o óleo, naturalmente pode causar alguns problemas, contribuindo para a obesidade, doenças cardiovasculares, entre outras”.

As sementes também são utilizadas como alimento para animais, especialmente aves de estimação como periquitos e canários.

O preço da saca de girassol (60 kg) gira em torno de R$ 65 a R$ 80 em Mato Grosso do Sul.

AÇÃO

Empreiteiro compra prostíbulo em leilão e aciona Justiça para tomar posse de imóvel

Proprietário de construtora com contratos estaduais arrematou bem por R$ 750 mil após inadimplência de cooperativa; ocupante alega contrato verbal e resiste à desocupação

21/06/2026 18h00

Casa da Barbie, em Inocência, comprada pelo empreiteiro Bruno Trindade, da Avance Construtora Ltda.

Casa da Barbie, em Inocência, comprada pelo empreiteiro Bruno Trindade, da Avance Construtora Ltda. Foto: Arquivo

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Bruno Cesar de Souza Trindade, sócio-administrador da Avance Construtora Ltda., ajuizou ação de imissão na posse contra o ocupante de um imóvel em Inocência (MS) onde funciona um estabelecimento denominado "Casa da Barbie". O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinou a desocupação do local em 30 dias, decisão confirmada por unanimidade pela 3ª Câmara Cível em 31 de março de 2026.

O imóvel pertencia à Cooperativa Agroindustrial e Pecuária de Inocência (Coapi). Em 2019, a cooperativa deu o bem em alienação fiduciária ao Sicredi Celeiro Centro Oeste como garantia de financiamento de R$ 200 mil. Com a inadimplência, o banco consolidou a propriedade em seu nome e conduziu leilão extrajudicial.

Em 28 de outubro de 2025, Trindade arrematou o imóvel em 2ª praça por R$ 750.488,56, pagos à vista, conforme carta de arrematação. O empreiteiro tem diversos contratos com o governo do Estado na região, inclusive sendo proprietário de uma usina nas proximidades do terreno onde está a "Casa da Barbie". Entre 2025 e 2026, a Avance teve R$ 141.662.386,41, entre pagamentos e empenhos da Agesul.

Casa das meninas

O imóvel é ocupado por Maicon Martins Brandão, comerciante residente em Inocência, que instalou no local o estabelecimento "Casa da Barbie", descrito pela defesa de Trindade nos autos como "prostíbulo sem qualquer regularização junto ao poder público". Fotos juntadas ao processo mostram construção pintada de rosa com a identificação do nome.

Brandão alega ter locado o bem verbalmente da antiga proprietária, a Coapi. Segundo o processo, o próprio Maicon assinou, em 2 de dezembro de 2025, a notificação extrajudicial enviada pelo advogado de Trindade. Não houve desocupação voluntária.

Com a recusa extrajudicial, Bruno Trindade ajuizou ação de imissão na posse na Vara Única da Comarca de Inocência. O juiz Edimilson Barbosa Ávila indeferiu o pedido de liminar, entendendo que a desocupação imediata poderia causar "prejuízos irreparáveis à atividade econômica exercida pelo demandado", considerando o risco de dano ao réu como contrapeso ao direito do autor.

Inocência passa por um boom imobiliário e comercial por conta da instalação da Arauco no município, com muito fluxo de pessoas, principalmente homens solteiros.

Recurso

Em 27 de janeiro de 2026, o desembargador Odemilson Roberto Castro Fassa deferiu tutela antecipada recursal ao empreiteiro e fixou prazo de 30 dias para desocupação, sob pena de despejo.

Brandão apresentou contrarrazões em março de 2026, informando ter realizado R$ 200 mil em benfeitorias no imóvel,construção de cômodos, reforma de dormitórios e banheiros e instalação de piscina, em propriedade que, segundo a defesa, era "um prédio abandonado de uma cooperativa de produtores de leite". Requereu prazo de 60 dias para concluir obras em outro local para onde transferiria o negócio.

O tribunal negou a ampliação do prazo. No acórdão de 31 de março de 2026, a 3ª Câmara Cível, por unanimidade, deu provimento ao recurso de Trindade.

O relator, Des. Odemilson Roberto Castro Fassa, decidiu que "a alegação de benfeitorias não tem o condão de afastar o direito possessório do proprietário".

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