Cidades

CAMPO GRANDE

Processo para retomar áreas na Tia Eva deve durar anos

Incra notificou 25 donos de imóveis que podem ser retirados da comunidade

DA REDAÇÃO

03/07/2018 - 06h00
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O processo que pode resultar no “despejo” de 25 ocupantes de área, supostamente, localizada na Comunidade Negra Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, a Tia Eva, deve demorar anos até ser finalizado. 

Edital da Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Mato Grosso do Sul, publicado no dia 29 de junho, no Diário Oficial do Estado, deu prazo de 90 dias para os proprietários contestarem relatório técnico que define a área como quilombola. 

No entanto, um impasse permeia a questão. Isso porque, conforme advogados, não basta que a área seja identificada como quilombola, ela precisa ser reconhecida tradicionalmente como um antigo quilombo, o que faz com que o processo ultrapasse a esfera administrativa, seguindo para uma etapa jurídica.

“Na realidade, nós temos uma área destinada a particulares há décadas, e essas décadas de posse, com fé pública, dos documentos públicos, não podem ser desconstruídas por uma tese romântica de que existe ligação tradicional daquele grupo na área. A tradicionalidade se perde no momento em que décadas se passaram sem nenhuma reivindicação”, considera a advogada Luana Ruiz Silva de Figueiredo, que há 20 anos trabalha na defesa de proprietários de terras envolvidas em impasses fundiários.

 

*Leia mais na reportagem de Luana Rodrigues, na edição desta terça-feira (3) do Correio do Estado.

 

Investigação

Polícia de MS abre ofensiva contra guerra entre facções

Operação quer impedir a vinda de integrantes do Comando Vermelho de Mato Grosso para dominar o tráfico no Estado

29/04/2026 08h00

Delegado titular do Garras, Hoffman D'Ávila, em entrevista coletiva

Delegado titular do Garras, Hoffman D'Ávila, em entrevista coletiva Marcelo Victor/Correio do Estado

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As forças de segurança de Mato Grosso do Sul abriram uma ofensiva para impedir que a guerra entre as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) por domínio de território se instale no Estado.

Segundo o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), ação realizada esta semana foi apenas a primeira da ofensiva contra o crime organizado.

“Trata-se de uma ofensiva integrada entre todas as forças de segurança do Estado de Mato Grosso do Sul no combate às organizações criminosas”, afirmou o delegado em coletiva.

A Operação Leviatã, deflagrada na segunda-feira, cumpriu 10 mandados de busca e apreensão e 5 de prisão em Coxim, na região norte do Estado, que faz divisa com Mato Grosso.

“Todos esses alvos são faccionados e as investigações indicam que eles estão migrando de Mato Grosso para Mato Grosso do Sul na tentativa de promover o domínio territorial e social, resultando em mortes, caos, temor da população, insegurança social e jurídica, razão pela qual, por determinação do secretário de Segurança Pública e da administração superior estamos já implementando operações para sufocar essas investidas no estado de Mato Grosso do Sul”, continuou Hoffman.

Durante a ação, inclusive, um dos investigados, identificado como Fabrício Troch Soares, de 33 anos, vulgo Branco do CV, alvo de mandado de busca a apreensão, teria reagido na chegada da polícia e acabou morto em confronto.

Segundo o delegado, o principal motivo desta operação é manter a segurança de pessoas que não estão envolvidas com o crime organizado, porque, nas palavras dele, algumas das execuções promovidas pelos grupos ocorreram na frente de mulheres e crianças.

A região norte foi escolhida para a primeira ofensiva porque, de acordo com o delegado, é por lá que os membros do Comando Vermelho entrariam em Mato Grosso do Sul, vindos de Mato Grosso, para se estabelecer aqui.

As investigações apontam que a facção criminosa de origem carioca, que tem amplo domínio em Mato Grosso, também tentaria dominar MS, porém, por meio do uso da violência, já que em Mato Grosso do Sul há um amplo domínio criminoso do PCC, de origem paulista.

“As investigações apontam que há seis meses eles estão tentando, por meio de confronto com outras facções e também investidas contra o Estado, porque as forças de Segurança representam o Estado, se infiltrar e se estabelecer no Estado de Mato Grosso do Sul, por conta da posição topográfica, região fronteiriça com o Paraguai e a Bolívia. Isso provoca um caos social e a intenção desses faccionados é implementar domínio de território e promover o tráfico de drogas, isso causa uma insegurança, não só no Estado de Mato Grosso do Sul, mas em todo o País e até em outros continentes, porque aqui é rota, inclusive, para o tráfico internacional”, declarou em entrevista.

“Eles estão levando a cabo homicídios, violência urbana, inclusive na presença de crianças, na presença de mulheres, a população está amedrontada, por isso essa primeira investida, não só nossa, mas de todas as forças policiais, da PM, da Polícia Civil.

Criamos um ambiente saudável de integração e de troca de informações para que possamos atuar em nome do Estado para combater essas investidas dessas facções criminais”, completou o delegado.

O delegado afirmou que ao entrar em Mato Grosso do Sul os membros do CV fazem a cooptação de pessoas e tentam se estabelecer nas cidades alugando imóveis.

Após isso, eles mapeiam quem são os outros faccionados de grupos rivais e os pressionam para mudarem de lado, por meio de ameaça de morte. 

“Estão tentando estabelecer o caos e o Estado não permitirá”, finalizou Hoffman.

MORTES

Antes mesmo da operação, forças de segurança haviam entrado em confronto e matado três homens, membros do PCC. O caso ocorreu na noite de domingo, em Costa Rica. Eles estariam planejando um ataque na cidade ligado à disputa entre facções. (Colaborou Leo Ribeiro)

* Saiba

O fim da trégua entre PCC e Comando Vermelho já havia sido noticiado pelo Correio do Estado em maio do ano passado. Desde então, crimes de execução entre grupos rivais têm sido mais frequentes na fronteira.

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Consumidor

Polícia fecha "usina" clandestina de falsificação de bebida alcoólica em Campo Grande

Em endereço alvo de mandado, foi constatado que suspeitos misturavam vodka com conhaque e vendiam como uísque

29/04/2026 08h00

Polícia encontrou diversos rótulos de marcas famosas em residência onde era feita a falsificação

Polícia encontrou diversos rótulos de marcas famosas em residência onde era feita a falsificação Divulgação

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) desmantelou um esquema clandestino de falsificação de bebida alcoólica em Campo Grande, onde dois casais produziam misturas baratas e vendiam como uísque de marcas famosas para conveniências espalhadas pela Capital.

De acordo com o inquérito policial, chegou ao conhecimento da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon), no mês passado, por meio de uma denúncia anônima, que um casal no Bairro Zé Pereira estaria produzindo e comercializando bebidas alcoólicas falsas, o que foi percebido pela movimentação intensa de garrafas cheias e vazias indo e vindo no local.

Diante disso, na manhã do dia 20 de março, os agentes cumpriram mandado judicial para averiguar a situação de perto. Ao chegarem na residência, foram recebidos pelo casal, que mesmo sabendo da possibilidade de um desfecho ruim, colaboraram com a investigação.

Na parte interna do imóvel, foram encontrados diversos vasilhames de bebidas alcoólicas das mais variadas marcas, com destaque para Red Label, White Horse e Jack Daniel’s. O homem explicou que as bebidas eram preparadas a partir de uma mistura de conhaque com vodka e, em alguns casos, com adoçante. 

Ao final do processo, eram vendidas às conveniências como uísque, pelo valor de R$ 40 a R$ 70.

Ainda conforme relato do comerciante ilegal, as garrafas vazias eram adquiridas com ajuda de moradores de rua e usuários de entorpecentes. 

Polícia encontrou diversos rótulos de marcas famosas em residência onde era feita a falsificaçãoCasa estava cheia de garrafas vazias usadas no esquema - Foto: Divulgação

No local ainda foram achadas tampas de garrafas, tambores plásticos utilizados para misturar líquidos, funis de garrafa PET, rolos de embalador a vácuo e secador de cabelo, o que também ajudaram a indicar de adulteração e envase ilegal de bebidas alcoólicas.

Após o mandado ser cumprido neste endereço, os agentes policiais foram para outra residência que também constava no mandado judicial, localizada no Bairro Jardim Tarumã, e foram recebidos por mais um casal, que também colaborou com a apuração.

Durante vistoria no local, verificou-se bebidas armazenadas em uma sala comercial fechada, em frente à residência, que estavam cheias e prontas para serem comercializadas. Além disso, garrafas vazias que seriam destinadas ao envase irregular também foram encontradas.

O homem disse que comercializava as bebidas falsificadas em eventos na Capital, utilizando-as no preparo da mistura com uísque, energético e gelo saborizado, o chamado “copão”. Ainda, informou que adquiria tais produtos com os alvos do Zé Pereira, já tendo se deslocado até o bairro para buscá-los.

O rapaz ainda tentou convencer os policiais que sua esposa não participava da atividade ilícita. Porém, foram encontradas conversas no celular da mulher, relativas à comercialização das bebidas falsas e ao esquema clandestino.

Ao fim do cumprimento do mandado, os aparelhos celulares de todos os envolvidos foram apreendidos, como parte de autorização do mandado de busca e apreensão expedido.

Os quatro foram encaminhados à sede da Decon para prestarem mais esclarecimentos e ficarem à disposição da Justiça.

CONSTATAÇÕES

Poucos dias depois das apreensões, a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) enviou um parecer ao departamento policial afirmando que, conforme análise sensorial do material apreendido nos dois locais, como tampas, invólucros, rótulos, contra rótulos e selo IPI, foi atestado divergências com os padrões de autenticidade. Portanto, possui fortes indícios de falsificação ou produto de reaproveitamento.

No laudo pericial dos objetos realizado pela a Coordenadoria-Geral de Perícias, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS), a equipe responsável pelas análises concluiu que a primeira residência realmente era utilizada para a prática de envase, adulteração e preparação de bebidas alcoólicas falsificadas.

“O conjunto dos achados evidencia a substituição do conteúdo original das bebidas por misturas de menor valor, com posterior tentativa de conferir aparência de produto legítimo, mediante técnicas rudimentares de envase e lacração”, pontua o documento.
Em seguida, no laudo pericial acerca do outro endereço, foi constatado que o local era utilizado para armazenamento e manipulação de bebidas alcoólicas em “condições incompatíveis com os padrões industriais e sanitários exigidos para produtos destinados ao consumo”, o que foi notado a partir dos elementos encontrados na residência.

* Saiba 

No fim do ano passado, casos de adulteração de bebidas com metanol, substância tóxica causadora de contaminações, explodiram em todo o País, com mais de 800 confirmados e 23 mortes.

Em Mato Grosso do Sul, um caso ganhou forte repercussão, após um jovem morrer depois de ingerir uma cachaça, mas a intoxicação por metanol foi descartada semanas depois.

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