Cidades

Prevenção no Pantanal

Produtores atribuem queda de 77% nos incêndios do Pantanal à prevenção

Área queimada ficou 77,6% abaixo da média histórica em 2026; pecuaristas do Pantanal aponta manejo do fogo, atuação nas propriedades e investimentos em inteligência como fatores para redução

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O Pantanal registrou em 2026 uma redução de 77,6% na área queimada em comparação com a média histórica entre 2012 e 2025. Diante do recuo expressivo, produtores rurais atribuem parte do resultado ao avanço das ações preventivas nas propriedades, ao manejo técnico do fogo e ao fortalecimento da estrutura de monitoramento e combate aos incêndios.

Os números constam no Boletim do Fogo, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Conforme os dados apresentados, as chamas atingiram o equivalente a 0,84% do bioma no período analisado.

Para a Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO), o resultado reflete uma mudança na forma como o risco de incêndios passou a ser enfrentado no Pantanal.

A entidade defende que os produtores deixaram de atuar apenas no combate emergencial às chamas e passaram a assumir participação maior nas estratégias de prevenção.

Em conversa com o Correio do Estado, o diretor-executivo da ABPO, Guilherme Oliveira, afirmou que a presença cotidiana dos produtores nas propriedades permite identificar características e riscos específicos de cada região do Pantanal.

“Quando falamos em prevenção, precisamos olhar para o Pantanal como um território vivo e complexo. O produtor rural está diariamente nesse ambiente, conhece suas particularidades e pode contribuir de forma decisiva para uma cultura permanente de cuidado e prevenção”, afirmou Oliveira.

A avaliação dos pecuaristas, porém, não atribui a redução dos incêndios exclusivamente à atuação dentro das fazendas.

A ABPO também aponta como fatores importantes a ampliação do Manejo Integrado do Fogo, os investimentos do poder público e o uso de sistemas de inteligência para antecipar áreas de maior risco.

Fogo usado para evitar grandes incêndios

Entre as estratégias que ganharam espaço está o Manejo Integrado do Fogo (MIF), que inclui a realização de queimas prescritas e controladas.

A técnica consiste no uso planejado do fogo, sob condições específicas e acompanhamento técnico, para reduzir a quantidade de vegetação seca acumulada.

Esse material funciona como combustível e pode favorecer a propagação de incêndios de grandes proporções durante os períodos mais críticos de estiagem.

Segundo os dados apresentados pela ABPO, até o início de setembro de 2026 foram realizadas 53 ações de queimas prescritas e controladas no bioma, abrangendo aproximadamente 19,6 mil hectares.

Na prática, a estratégia busca eliminar de forma controlada parte do material combustível antes que as condições climáticas favoreçam incêndios de difícil contenção.

A medida representa uma mudança em relação a uma estratégia baseada exclusivamente na reação às ocorrências. Em determinadas áreas, o trabalho começa antes do período de maior risco, com identificação dos pontos vulneráveis e planejamento das intervenções.

Investimento e inteligência no combate

Paralelamente às medidas adotadas nas propriedades, Mato Grosso do Sul ampliou a estrutura destinada à prevenção e ao enfrentamento dos incêndios florestais.

Segundo as informações apresentadas pela associação, os investimentos estaduais destinados à estrutura de resposta saltaram de cerca de R$ 10 mil em 2024 para quase R$ 20 milhões em 2025.

Parte dessa estrutura está ligada ao Centro Integrado de Coordenação Estadual (Cicoe-MS), criado para reunir diferentes órgãos e permitir uma atuação coordenada diante dos incêndios.

O combate também passou a incorporar ferramentas de inteligência geoespacial. Entre elas está o Sistema de Inteligência do Fogo em Áreas Úmidas (Sifau), utilizado para identificar regiões com maior vulnerabilidade e orientar ações preventivas.

Informações meteorológicas produzidas pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec) e alertas de outros sistemas de acompanhamento também integram o planejamento.

Com essas ferramentas, equipes conseguem identificar antecipadamente áreas de maior risco e direcionar recursos antes que eventuais focos se transformem em incêndios de grandes proporções.

Produtores defendem papel das propriedades

A ABPO também relaciona a redução dos incêndios ao manejo adotado dentro das propriedades pantaneiras.

A entidade mantém um protocolo de produção sustentável que estabelece critérios relacionados ao cumprimento da legislação ambiental, conservação da biodiversidade, proteção da água e do solo e manejo adequado das pastagens.

A avaliação é de que o cuidado permanente com essas áreas também pode contribuir para reduzir a disponibilidade de material combustível e facilitar ações de prevenção e combate.

Ao Correio do Estado, Guilherme Oliveira afirmou que a prevenção aos incêndios precisa ser incorporada ao planejamento de longo prazo das propriedades.

“Cuidar das pastagens, da água, da biodiversidade e das condições da propriedade é também compreender os riscos que existem no território. A prevenção precisa fazer parte dessa visão de longo prazo”, declarou.

A pecuária ocupa historicamente parte significativa do território pantaneiro e, na avaliação da associação, essa presença coloca os produtores em posição estratégica para identificar focos e atuar preventivamente nas propriedades.

O resultado registrado em 2026, entretanto, envolve diferentes fatores. Além das iniciativas privadas defendidas pela ABPO, a prevenção e o combate aos incêndios passam pela atuação do Corpo de Bombeiros, órgãos ambientais, sistemas de monitoramento, condições meteorológicas e políticas públicas.

Por isso, embora a associação atribua parte da redução ao avanço do manejo e da prevenção dentro das propriedades, os números do MMA, isoladamente, não estabelecem uma relação direta de causa e efeito entre a atuação dos produtores e a queda de 77,6% da área queimada.

Ainda assim, para o setor produtivo, o desempenho de 2026 reforça uma mudança de estratégia no Pantanal: combater o incêndio continua sendo necessário, mas impedir que ele alcance grandes proporções passou a ocupar espaço cada vez maior na rotina das propriedades.

tempo

Após frente fria, MS tem alerta vermelho para onda de calor

Temperaturas podem chegar a 43°C em alguns municípios do Estado; alerta é válido de sábado até a próxima quarta-feira

24/09/2026 13h00

Mato Grosso do Sul tem alerta de onda de calor vigente a partir de sábado

Mato Grosso do Sul tem alerta de onda de calor vigente a partir de sábado Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Após a passagem de uma frente fria que derrubou ligeiramente as temperaturas em Campo Grande, a Defesa Civil emitiu alerta vermelho, de risco de onda de calor na Capital na semana a partir deste sábado (26).

Conforme o alerta, emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), há risco de aumento de mais de 5°C nas temperaturas, com vigência das 11h de sábado até às 18h de quarta-feira (30).

O alerta vermelho foi emitido pela possibilidade de elevação nas temperaturas por um período superior a cinco dias. Na Capital, a máxima deve ficar próxima dos 40°C, com sensação de mais calor.

Ainda conforme o comunicado, o calorão traz risco elevado à saúde.

Caso seja atingido por qualquer condição climática intensa, a população pode acionar a Defesa Civil através do telefone 199, ou solicitar serviços, como a remoção de árvores pelo 156. O serviço de emergência também poderá ser acionado através do 193.

Mato Grosso do Sul tem alerta de onda de calor vigente a partir de sábado

Onda de calor

Além de Campo Grande, a onda de calor deve atingir todo o Mato Grosso do Sul.

Previsão do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima aponta que o tempo deve ser firma nos próximos dias, devido à atuação de um sistema de alta pressão atmosférica, que favorece a estabilidade do tempo, a redução da nebulosidade e a manutenção de condições mais quentes e secas.

O principal destaque será o calor intenso, com rápido aquecimento das temperaturas ao longo do dia.

As temperaturas já estarão elevadas nas primeiras horas da manhã e, durante a tarde poderão atingir 40°C a 43°C em algumas localidades, principalmente nas regiões Pantaneira e Sudoeste.

"A persistência desse padrão ao longo do fim de semana caracteriza um período de temperaturas acima da média, podendo configurar onda de calor em algumas regiões, marcando o primeiro episódio de calor intenso da primavera", diz o órgão.

Ainda conforme o Cemtec, mais importante do que a classificação meteorológica são os impactos sobre a população.

A combinação de temperaturas muito elevadas e baixa umidade do ar pode favorecer desidratação, mal-estar e agravamento de problemas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas expostas ao calor.

A recomendação é reforçar a hidratação, evitar exposição prolongada ao sol e atividades físicas nos horários de maior aquecimento, além de manter atenção especial com os grupos mais vulneráveis.

As condições de calor persistente e baixa umidade também aumentam significativamente o risco de ocorrência e rápida propagação de incêndios florestais, devido ao ressecamento da vegetação e à maior disponibilidade de material combustível. 

Diante desse cenário, também é fundamental não utilizar o fogo para limpeza de terrenos, manejo da vegetação, queima de resíduos ou outras finalidades, além de seguir rigorosamente as medidas vigentes de suspensão da queima controlada em Mato Grosso do Sul.

"INFILTRADOS"

Três investigados em operação do Gaeco já haviam sido presos e eram monitorados, diz Sejusp

Secretaria afirma que servidores das forças de segurança já eram investigados pelas corregedorias; um deles foi exonerado recentemente

24/09/2026 12h30

A Operação Infiltrados foi deflagrada pelo Gaeco em conjunto com as corregedorias das polícias Civil e Militar

A Operação Infiltrados foi deflagrada pelo Gaeco em conjunto com as corregedorias das polícias Civil e Militar Marcelo Victor

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Três servidores das forças de segurança investigados na Operação Infiltrados, deflagrada nesta quinta-feira (24), já haviam sido presos anteriormente, e um dos alvos foi exonerado recentemente. A informação consta em nota divulgada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) após a ação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

A Sejusp não informou a identidade dos três servidores que já haviam sido presos, nem esclareceu qual deles foi exonerado ou quando ocorreram as prisões anteriores.

Segundo a Secretaria, os agentes alcançados pela operação já eram investigados pelas corregedorias das respectivas forças de segurança antes da ação desta quinta-feira.

A nota afirma também que a Sejusp não compactua com desvios de conduta ou práticas ilícitas cometidas por integrantes das instituições de segurança pública.

A Secretaria declarou ainda que eventuais irregularidades serão apuradas “com rigor”, respeitando a legislação, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.

Por fim, a pasta afirmou manter o compromisso com a legalidade, a transparência e o fortalecimento dos mecanismos internos de fiscalização e correição das forças de segurança.

"Infiltrados"

A Operação Infiltrados foi deflagrada pelo Gaeco em conjunto com as corregedorias das polícias Civil e Militar. A investigação apura suspeitas de tráfico de drogas e outros crimes envolvendo integrantes das forças de segurança.

Ao todo, a Justiça expediu 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão para cumprimento em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Conforme balanço divulgado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), até então haviam sido cumpridos mandados de prisão preventiva contra nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal.

As investigações tiveram início em outubro de 2025, após elementos relacionados ao caso serem encontrados durante as operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco.

De acordo com o MPMS, o grupo é investigado por um esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, especialmente cocaína.

Uma das suspeitas é de que parte dos entorpecentes apreendidos não fosse incluída nos registros oficiais. A investigação também apura a retirada de drogas armazenadas em depósitos de delegacias.

Os entorpecentes desviados seriam posteriormente repassados a traficantes ligados ao grupo e recolocados no mercado ilegal.

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