Cidades

Expedição

Profissionais da saúde levam atendimento gratuito a povos isolados no Pantanal

Os dentistas são os profissionas mais solicitados pela população pantaneira

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A partir desta segunda-feira (23), um grupo com 42 integrantes da Expedição Alma Pantaneira vão levar assistência ao povo pantaneiro. As equipes contam com médicos, dentistas e veterinários.

Conforme divulgado, o grupo deverá percorrer mais de 1.600 quilômetros entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, cerca de 900 km dentro do Pantanal, enfrentando caminhos difíceis, altas temperaturas e jornadas de atendimento longas.

As ações deste grupo são diferentes das que acontecem às margens dos rios, atendendo as populações ribeirinhas, pois adentram em locais de acesso mais difícil.

“Já são 12 anos de expedições e mais de 30 mil procedimentos realizados. Nossa missão é levar saúde e dignidade ao povo dessa região. Todos são voluntários e investem tempo e dinheiro para que tudo aconteça. Este ano nossa previsão é ultrapassar 4,5 mil procedimentos nos 12 dias da nossa viagem”, comenta Waldir Albaneze, médico ortopedista e um dos idealizadores da Alma Pantaneira.

Encabeçada pela organização independente Médicos do Pantanal (MDP), a expedição ainda vai distribuir cerca de cinco toneladas de material de higiene pessoal, material escolar, brinquedos entre outros itens.

Atendimentos básicos

Segundo a organização, os dentistas são os mais solicitados pela população pantaneira.

Nos locais de atendimento as filas para tratamento são grandes e os profissionais trabalham, às vezes, mais de 14 horas por dia.

“Identificamos nesses anos de expedição uma melhora considerável na saúde bucal das pessoas que são atendidas pelo nosso grupo anualmente, principalmente nas crianças, onde conseguimos atuar na prevenção. Mesmo assim, ainda precisamos fazer muitas extrações de dentes, tratamento de canal e outros procedimentos que levam mais tempo”, comenta o dentista Rodrigo Laranjeira, do Rio de Janeiro e que há seis anos participa da Alma Pantaneira.

 

Dia a dia 

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A equipe, composta de médicos, dentistas, veterinários, enfermeiros e pessoal de apoio, viaja a bordo de picapes e jipes com tração nas quatro rodas. 

A Marinha do Brasil também integra a expedição, cedendo dois caminhões que ajudam no transporte do material e militares que apoiam toda a parte logística. 

Durante o planejamento das ações, o MDP faz o levantamento dos lugares com melhor estrutura para que sejam montadas as bases de atendimento.

Também são assistidas as escolas das comunidades locais com palestras sobre higiene e cuidados com a saúde, além da distribuição de itens como escovas e pasta de dente, além de material escolar e brinquedos.

Como contribuir 

Os Médicos do Pantanal fazem parte de um grupo de profissionais que buscam parcerias para levar o projeto de saúde para os lugares mais distantes e carentes da região. 

De forma voluntária, contam com apoio de colaboradores e empresários para ajudar no custeio das despesas como combustível, alimentação, compra de material médico, odontológico, escolar, medicamentos e outros gastos que a expedição impõe.

Qualquer pessoa pode ajudar fazendo doações ao projeto. O PIX do Instituto Alma Pantaneira é o CNPJ 25118108000104.

Saiba mais 

Também integram a Expedição pesquisadores que ajudam a melhorar a qualidade de vida dos pantaneiros. 

O médico oncologista José Márcio Figueiredo realiza uma pesquisa sobre a incidência de câncer na população da região. 

“Já temos levantados importantes dados que nos ajudarão do tratamento e prevenção de vários tipos da doença que afetam quem mora no Pantanal. Com isso vamos propor diversas ações para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”, explica o médico.

Outra pesquisa trata da qualidade da água consumida nas fazendas e retiros pantaneiros. 

“Já sabemos que a água usada pelas pessoas na região não é de boa qualidade. Há poucos recursos para tratar essa água e faltam, por exemplo, filtros domésticos, que poderiam amenizar a situação. Nosso trabalho é de identificar ações que possam cuidar dessa água que pode afetar a saúde das pessoas”, explica a engenheira e pesquisadora Debora Ferreira dos Reis.

Na área veterinária o doutor Marcos Barbosa Ferreira, professor da Uniderp, desenvolve um estudo sobre o “ovino pantaneiro” uma raça de carneiro que se desenvolveu no Pantanal e que tem características genéticas que os tornam mais resistente as cheias e as secas da região.

“Essa raça se desenvolveu sozinha há mais de 400 anos e é muito adaptada ao ambiente que a cerca. Estudar essa raça pode ajudar no desenvolvimento de outros rebanhos de carneiros até fora do nosso Pantanal”, comenta.

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acidente

Trabalhador morre ao cair em tanque de piche durante obras na BR-163

Acidente aconteceu em Jaraguari e vítima foi retirada de dentro do tanque já sem vida

13/08/2026 18h44

Trabalhador morreu após cair em tanque de piche

Trabalhador morreu após cair em tanque de piche Foto: Vinícius Santos / Nova Lima News

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Um homem, que não teve a identidade divulgada, morreu durante acidente de trabalho na BR-163, na tarde desta quinta-feira (13), na altura do km 535, próximo a uma praça de pedágio em Jaraguari.

Em nota, a Motiva Pantanal, que administra a rodovia em Mato Grosso do Sul, informou que o trabalhador era de uma empresa prestadora de serviços e, por volta das 15h, caiu dentro de um caminhão carregado com emulsão asfáltica.

O tanque estava parado em uma área não pavimentada às margens da rodovia e, segundo informações apuradas pelo Correio do Estado, a queda ocorreu durante um processo de transferência da emulsão de um dos tanques para outro.

Não há informações sobre as circunstâncias que fizeram o trabalhador cair dentro do compartimento.

Equipes de resgate da concessionária iniciaram os atendimentos à vítima, mas devido à complexidade, solicitaram auxílio do Corpo de Bombeiros para o resgate.

O corpo do trabalhador foi retirado de dentro do tanque, mas ele já estava em óbito. Segundo informações, o produto, além de químico, chega a temperaturas acima de 100°C quando em uso.

Como ocorreu fora da pista de rolamento, a ocorrência não afetou o tráfego na rodovia, conforme informou a concessionária.

"A Motiva Pantanal lamenta profundamente o ocorrido e está prestando todo o apoio necessário junto à empresa prestadora de serviços", disse a concessionária na nota.

A Polícia Civil foi acionada e o caso será investigado como morte a esclarecer.

Trabalhador morreu após cair em tanque de piche Queda aconteceu durante transferência de emulsão asfáltica entre tanques (Foto: Vinícius Santos / Nova Lima News)

Investigação

Fraude em exames teve R$ 6,8 milhões pagos pela Prefeitura de Nioaque à Prontomed

Dados do município mostram que a Prefeitura empenhou R$ 6,8 milhões à clínica entre 2018 e 2025, valor que saltou mais de 5.000% sob a mesma inexigibilidade de licitação de 2019

13/08/2026 18h30

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Levantamento nos dados da Prefeitura de Nioaque identificou 111 empenhos emitidos pelo Fundo Municipal de Saúde em favor da Prontomed entre 7 de novembro de 2018 e 31 de março de 2025, somando R$ 6.800.399,00, valor integralmente liquidado e pago pelo município.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) executou, nesta quinta-feira (13), a segunda fase da Operação Auditus, com o cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão em Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna. Segundo o órgão, as investigações, que miram contratos da Prefeitura de Nioaque com a empresa Prontomed Clínica Médica Ltda. para serviços médicos, reuniram elementos de "um esquema criminoso estruturado, voltado ao direcionamento de contratações, ao pagamento por serviços médicos não realizados e ao desvio de recursos públicos, mediante o sistemático pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos".

A reportagem teve acesso aos três contratos assinados entre 2019 e 2022 que nascem do mesmo processo, uma inexigibilidade de licitação.

Os documentos não indicam a abertura de uma nova licitação para sustentar os reajustes: o valor global saltou de R$ 21.600,00 em 2019 para R$ 1.144.000,00 em 2021 (+5.196%) e R$ 2.127.960,00 em 2022 (+86% sobre o contrato anterior).

Contratações por inexigibilidade têm, por definição, concorrência limitada, reajustes dessa magnitude, mantendo a mesma justificativa jurídica de 2019, tendem a chamar atenção de órgãos de controle, independentemente de qualquer apuração de fraude.

Somente em 2022 e 2023, a Prefeitura empenhou R$ 4.511.583,00 à Prontomed, 66% de tudo o que foi pago à empresa em quase sete anos de relação contratual. O MPMS afirma que o gasto com os serviços médicos teve alta de 1.713% no período das "contratações fraudulentas", entre 2022 e 2025.

O valor de R$ 6,8 milhões apurado pela Argos é o que a Prefeitura efetivamente empenhou e pagou à Prontomed, segundo os empenhos individuais registrados no Portal de Dados Abertos.

Falsos exames

Segundo o Ministério Público, a Prontomed foi contratada em maio de 2019 para prestar consultas, exames, procedimentos e cirurgias à rede municipal de saúde. A primeira fase da Operação Auditus, deflagrada em 1º de julho de 2025, cumpriu dez mandados de busca e apreensão na sede da empresa, em Jardim, e na Secretaria Municipal de Saúde de Nioaque. As investigações, conduzidas pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) com apoio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), apontaram cobranças por exames não realizados, entre eles o teste da orelhinha (triagem auditiva neonatal), que dá nome à operação, com prejuízo então estimado em mais de R$ 3 milhões entre 2019 e 2024.

O Anexo de Procedimentos do Contrato 42/2022, obtido pela reportagem, relaciona o exame com preço e volume estimado definidos: "TESTE DA ORELHINHA (executado pela fonoaudióloga)", 30 unidades por mês, 180 em seis meses, R$ 160,00 cada, R$ 28.800,00 no período.

Também constam "TESTE DO OLHINHO" (R$ 16.200,00/6 meses) e "TESTE DA LINGUINHA" (R$ 16.200,00/6 meses), exames neonatais de baixo custo unitário e alto volume estimado, sem que o contrato preveja qualquer mecanismo de auditoria, glosa ou conferência in loco.

Em 5 de agosto de 2025, o Ministério Público de Contas propôs ao Tribunal de Contas de MS (TCE-MS) a abertura de uma averiguação prévia sobre os contratos entre a Prefeitura e a Prontomed, pedido aprovado por unanimidade pelo Pleno do TCE-MS, que passou a poder realizar inspeção in loco e coleta de documentos.

O MPMS afirma ter reunido, a partir do material apreendido na primeira fase e de diligências posteriores, evidências de que 83% dos exames e consultas pagos pelo município foram simulados.

A reportagem apurou que a Prontomed segue fechando contratos públicos: em 27 de novembro de 2025, quase cinco meses depois da primeira fase da Operação Auditus, a empresa assinou o Contrato nº 14/2025 com a 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada do Exército Brasileiro, sediada em Jardim.

Com vigência de 60 meses (renovável por mais 60), para atendimento ambulatorial de militares, pensionistas, servidores civis e dependentes pelo Fundo de Saúde do Exército (FuSEx/SAMMED/PASS), com valor estimado de R$ 70.560,00, modesto perto dos valores pagos por Nioaque, mas notável pela duração de cinco anos e por uma governança contratual bem mais rígida que a dos contratos municipais.

O contrato militar traz uma tabela de glosa com 80 hipóteses de irregularidade (entre elas, "procedimento/exame não realizado"), previsão de auditoria presencial periódica e cláusulas específicas de proteção de dados. Ou seja, a empresa sabia de itens de compliance necessários para fechar contratos com o Poder Público.

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