Cidades

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Projeção indica leve queda do PIB em 2009

Projeção indica leve queda do PIB em 2009

Redação

07/03/2010 - 10h30
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        Da redação 

        O desempenho do PIB em 2009 deve ter ficado entre uma leve queda e crescimento zero, segundo projeções do mercado. A economia, porém, na visão de muitos analistas, entrou em 2010 num pique bastante acelerado, e está rodando neste primeiro trimestre num ritmo anualizado entre 6% e 8%.
        Na quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o resultado do último trimestre de 2009 e o primeiro número do crescimento anual do PIB (que passará por várias revisões).
        Embora a atenção provavelmente se voltará para o sinal do PIB em 2009 - negativo ou positivo -, o que o IBGE deve mostrar de mais importante é um ritmo forte de atividade econômica no último trimestre do ano passado. A maioria das instituições está prevendo um crescimento superior a 2% em relação ao trimestre anterior, em base dessazonalizada.
        No primeiro trimestre de 2010, o embalo continua, embora o crescimento ante o trimestre anterior deva recuar, porque se parte de uma base mais forte. De qualquer forma, a visão geral é de uma economia aquecida, que levará o Banco Central (BC) a iniciar ainda no primeiro semestre um ciclo de alta da taxa básica, a Selic.
        A dúvida que resta ao mercado é até que ponto a recuperação fulgurante de boa parte do ano passado sofreu uma arrefecida a partir de novembro. Nesse caso, o BC poderia manter a Selic nos atuais 8,75% na próxima reunião, nos dias 16 e 17 de março, e deixar o primeiro aumento para abril, ou até depois.
        A divulgação do IPCA de fevereiro na sexta-feira, com a inflação de 0,78% ligeiramente abaixo da média das expectativas, reforçou aquela corrente. O mesmo efeito foi produzido pela estabilidade do nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em janeiro, de 81,5%, quando comparado, sem influências sazonais, a dezembro
        Ainda assim, há uma expressiva parcela dos analistas prevendo a primeira alta da Selic em março. Um dos argumentos é que a alta do IPCA no primeiro bimestre foi de 1,54%, ou um terço da meta anual de 4,5%.
        Há muita discussão sobre até que ponto esse salto decorre de fatores sazonais ou episódicos, como os reajustes de mensalidades escolares e passagens de ônibus, ou as chuvas que afetaram os preços dos hortifrutigranjeiros. O problema, porém, é que as expectativas inflacionárias subiram também para 2011, com projeção média do mercado agora de 4,67%, acima da meta inflacionária.
        A produção industrial, por sua vez, subiu 1,1% em janeiro, em relação a dezembro, com ajuste sazonal. Em novembro e dezembro, porém, na mesma base de comparação, houve quedas de respectivamente 0,8% e 0,2%, depois de dez subidas consecutivas a partir de janeiro do ano passado.
        "A indústria recuperou em janeiro o que perdeu em novembro e dezembro, e em fevereiro tudo indica que o ritmo foi muito forte", diz o economista Regis Bonelli, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio.
        Bonelli aponta o forte desempenho do setor automobilístico no mês passado, com a venda de 221 mil veículos, 3,6% mais do que em janeiro (apesar do menor número de dias úteis em fevereiro) e 10,8% acima do mesmo mês de 2009. No primeiro bimestre, foram vendidos 434,3 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, num salto de 9,4% ante igual período de 2009. "A indústria automobilística arrasta os outros setores", diz o pesquisador.
        Para Sérgio Vale, economista da MB Associados, "o quarto trimestre vem com números muito fortes, o que sinaliza um ritmo ainda mais forte neste primeiro trimestre". Ele prevê que os primeiros três meses de 2010 mostrem um ritmo de crescimento de 7%, na comparação com o mesmo período de 2009.
        Segundo Vale, a indústria, que derrubou o PIB no ano passado, vai inverter o papel neste ano e liderar o forte crescimento. Mas ele acrescenta que os serviços também devem acelerar, assim como a agropecuária. Pelo lado da demanda, o investimento, que a MB projeta ter caído 11% em 2009, deve crescer 12,3% este ano, na previsão da instituição. "Por onde você olha, o PIB em 2010 está muito forte", resume o economista
        Fernando Rocha, economista da gestora de recursos JGP Investimentos, vê a economia num ritmo de 7% a 8%, tomando como base os três últimos trimestres de 2009. Ele projeta que a economia tenha crescido 2,3% nos últimos três meses do ano passado, comparados com o trimestre anterior. Além disso, Rocha estima que, no mesmo tipo de comparação, o PIB do segundo e terceiro trimestres de 2009 vá ser revisado pelo IBGE, de respectivamente 1,1% e 1,3% para 1,5% e 1,9%.
        Ele observa que as fortes revisões do PIB na série trimestral, que veem ocorrendo com certa frequência, acabam mudando substancialmente a fotografia da economia brasileira. O IBGE tem uma metodologia pela qual os parâmetros da dessazonalização podem ser alterados de forma significativa de trimestre para trimestre. (Do Estadão)

Mobilidade

Transporte público terá operação especial no aniversário de Campo Grande

Medida busca adequar a oferta de ônibus à movimentação do feriado

25/08/2026 18h15

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) preparou um plano operacional especial para o transporte público nesta quarta-feira (26), feriado em comemoração aos 127 anos de Campo Grande.

De acordo com o planejamento, as linhas do transporte coletivo irão operar conforme o Plano Funcional de Domingos e Feriados, medida que busca adequar a oferta de ônibus à movimentação esperada na Capital durante a programação especial. 

As linhas 080, 081, 515 e 522, no entanto, funcionarão com o Plano Operacional de Sábado. Já a linha 234 seguirá a programação rotineira. 

A prefeitura disponibilizará dois veículos na reserva com tripulação nos terminais Guaicurus, Morenão, Bandeirantes, Aero Rancho, Júlio de Castilho, General Osório, Nova Bahia e Hércules Maymone. A estrutura estará disponível das 5h às 19h para atender eventuais necessidades durante a operação.

Serão mantidos cinco veículos reserva, com tripulação, na Praça do Rádio Clube, das 11h às 13h, período de maior movimentação previsto no local.

O Consórcio Guaicurus deverá acompanhar a operação das linhas e, quando necessário ou mediante determinação da fiscalização da Agetran, realizar ajustes após os horários de pico. Os períodos considerados são das 5h30 às 8h30, das 10h30 às 13h30 e das 16h às 18h30. As adequações ficarão limitadas ao aumento da oferta de veículos para atender à demanda.

A Agetran também fará o acompanhamento da operação em tempo real, com possibilidade de ajustes ao longo do dia. A medida tem como objetivo garantir maior agilidade e eficiência no transporte coletivo durante o feriado e os eventos que integram a programação dos 127 anos de Campo Grande.

Erro Médico

Mulher trata HIV por oito anos sem ter o vírus em Campo Grande

TJMS manteve condenação da Prefeitura de Campo Grande ao pagamento de R$ 50 mil; documentos médicos indicaram que a paciente nunca foi portadora do vírus

25/08/2026 18h01

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV.

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV. Foto: Divulgação TJMS.

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Uma mulher submetida durante aproximadamente oito anos a tratamento contínuo contra o HIV descobriu que jamais esteve infectada pelo vírus. O caso, iniciado com um diagnóstico positivo realizado em 2016 na rede pública de saúde de Campo Grande, terminou com a manutenção de uma indenização de R$ 50 mil por danos morais.

A decisão foi proferida pela 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que rejeitou por unanimidade o recurso apresentado pelo município. O colegiado confirmou a sentença da 2ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos da Capital.

De acordo com o processo, a paciente recebeu o diagnóstico de HIV em 2016 e, desde então, passou a seguir o tratamento indicado pelos profissionais da rede municipal.

Durante os anos seguintes, fez uso contínuo de medicamentos antirretrovirais, acreditando ser portadora de uma infecção crônica e ainda cercada por forte estigma social.

A situação começou a ser esclarecida somente em 2024, quando um novo exame apresentou resultado não reagente.

A própria equipe de saúde passou a registrar a possibilidade de falso positivo no diagnóstico inicial. Posteriormente, um documento médico atestou que a mulher nunca havia sido infectada pelo HIV.

Oito anos convivendo com um diagnóstico equivocado

Ao analisar o caso, o Tribunal considerou que o dano não se limitou à informação incorreta recebida em 2016. Para os desembargadores, a falha também esteve na manutenção do diagnóstico e do tratamento durante cerca de oito anos, sem que a condição da paciente fosse devidamente confirmada.

Nesse período, a mulher permaneceu exposta a medicamentos considerados potencialmente tóxicos e às consequências emocionais de acreditar que possuía uma doença incurável.

O acórdão destacou ainda o impacto psicológico e social associado ao HIV, condição que, apesar dos avanços da medicina, continua sendo alvo de preconceito e desinformação.

No recurso, a Prefeitura de Campo Grande sustentou que não houve falha na prestação do serviço público.

O município argumentou que os exames poderiam apresentar limitações científicas e que a responsabilização dependeria da comprovação de culpa dos profissionais envolvidos. Também pediu, alternativamente, a redução do valor da indenização.

As alegações não foram acolhidas. Segundo o relator, desembargador Alexandre Raslan, o município não apresentou prova técnica capaz de demonstrar que o resultado não reagente, ou seja, negativo para a presença do HIV, obtido em 2024 seria compatível com uma infecção verdadeira diagnosticada oito anos antes.

Também não comprovou que o erro teria decorrido de uma limitação científica inevitável.

Ainda que o primeiro resultado positivo pudesse ser atribuído a uma eventual falha do método de testagem, o Tribunal entendeu que essa possibilidade não explicaria a continuidade do diagnóstico equivocado e da medicação por um período tão prolongado.

Responsabilidade do poder público

O julgamento reconheceu a responsabilidade objetiva do município porque o diagnóstico, a prescrição e o fornecimento dos medicamentos decorreram de ações praticadas por agentes públicos.

Nesses casos, conforme prevê a Constituição Federal, não é necessário demonstrar individualmente a culpa de cada profissional, desde que estejam comprovados o dano e a relação entre a atuação estatal e o prejuízo sofrido.

Para os magistrados, não houve culpa da paciente nem qualquer acontecimento externo capaz de afastar a responsabilidade da administração municipal. A mulher apenas seguiu as orientações médicas que recebeu e cumpriu durante anos o tratamento estabelecido pela própria rede pública.

O valor de R$ 50 mil foi mantido por ser considerado proporcional à gravidade do dano, ao sofrimento provocado e aos cerca de oito anos de tratamento desnecessário, além de cumprir a função pedagógica de evitar falhas semelhantes na rede pública de saúde.

A decisão foi publicada no Diário da Justiça de Mato Grosso do Sul desta terça-feira (25). Embora a condenação tenha sido mantida pelo TJMS, ainda podem ser apresentados recursos às instâncias superiores, dentro dos prazos previstos em lei.

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