Cidades

APROVADO NA ASSEMBLEIA

Projeto proíbe que planos exijam consentimento do marido para mulher colocar DIU

Aprovado na Assembleia, proposta afirma que exigir consentimento do marido aliena autonomia reprodutiva das mulheres

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Deputados da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul aprovaram, na sessão desta quinta-feira (17), projeto de lei que proíbe os planos de saúde de exigirem consentimento dos maridos ou companheiros para inserção de qualquer método contraceptivo em mulheres.

A proposta foi aprovada em primeira discussão, e ainda passará por nova votação antes de seguir para sanção do governador Reinaldo Azambuja (PSDB).

Projeto de lei é de autoria do deputado Evander Vendramini (PP).

No texto, é considerada abusiva a exigência de consentimento do marido, "sob pena de colocar em risco à saúde física e psíquica da mulher".

Ainda na proposta, é estabelecido que o descumprimento da lei, caso venha a ser aprovada, sujeitará os planos de saúde às penalidades previstas no Código de Defesa do Consumidor.

Entre as penalidades está multa a ser estipulada em regulamentação própria da Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor (Procon) e revertida para o Fundo Estadual de Defesa dos Direitos do Consumidor.

Na justificativa, o autor da proposta afirma que o objetivo é resguardar e proteger os direitos das mulheres, principalmente o direito à saúde.

O deputado cita o Plano de Ação de Cairo, de 1994, que recomenda às nações que adotem uma série de providências relacionadas às mulheres.

"Às mulheres deve ser reconhecido o direito de liberdade de opção e a responsabilidade social sobre a decisão pertinente ao exercício da maternidade - com direito à informação e direito a ter acesso aos serviços públicos para o exercício de tais direitos e responsabilidades reprodutivas -, ao passo que aos homens devem ser reconhecidas responsabilidades pessoal e social pelos comportamentos de índole sexual que repercutam na saúde e bem-estar das mulheres e dos filhos que gerarem com elas", diz trecho citado.

"Assim, ambos - homem e mulher podem conscientemente exercer seus direitos de liberdade sexual, o que implica a assunção de responsabilidades - deveres - resultantes das consequências do exercício de tais direitos, notadamente no campo da reprodução humana", complementa a citação utilizada no projeto de lei.

Também é citada na justificativa falas da médica ginecologista Graciela Morgado, especificamente sobre o uso de DIU.

A ginecologista afirma que a exigência do consentimento do cônjuge pode diminuir a qualidade de vida de mulheres com doenças para as quais o DIU é uma alternativa, uma vez que os homens passam a participar da decisão.

Sobre a competência do Estado de legislar sobre o tema, projeto afirma, no fundamento jurídico, que na inexistência de lei federal sobre normas gerais, os Estados exercem a competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades.

Consentimento do cônjuge

O tema virou debate nacional no ano passado, após o Procon-SP pedir explicações para planos de saúde após denúncia de que os convênios estariam exigindo autorização do marido para a implantação do método contraceptivo DIU (dispositivo intrauterino) em mulheres casadas.  

Na época, em setembro de 2021, o projeto foi protocolado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

“A gente fica constrangido de ter que legislar sobre essa causa, mas é necessário. Estamos no século 21, falamos tanto em liberdade e igualdade de uma mulher para definir se ela vai ter um filho ou não, depender da autorização do homem, é inconcebível", disse Vendramini anteriormente.

Na justificativa da proposta, Vendramini cita a antropóloga Débora Diniz, que falou sobre o tema no caso de São Paulo.

"Há uma falsa presunção de que os corpos das mulheres, no que toca o seu aspecto reprodutivo, sempre dizem respeito aos homens aos quais elas são vinculadas", afirma a antropóloga.

"Isso pode não só agravar a situação de mulheres que vivem em violência como agravar uma visão de que as mulheres são propriedade dos homens. Outro fator agravante, diz, é a quebra da confidencialidade médica", disse, na reportagem citada pelo deputado na proposta.

MATO GROSSO DO SUL

Polícia Científica de MS passa a usar drones em áreas de difícil acesso

Equipamentos com câmera de alta resolução e sensor térmico auxiliam no mapeamento aéreo e na análise técnica de cenários periciados

05/03/2026 12h30

Drones também devem conseguir realizar o reconhecimento prévio das áreas antes da entrada das equipes em campo

Drones também devem conseguir realizar o reconhecimento prévio das áreas antes da entrada das equipes em campo Divulgação

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A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul passou a utilizar drones para auxiliar em perícias ambientais e levantamentos técnicos em áreas de difícil acesso no Estado. A tecnologia permitirá ampliar o alcance das equipes e melhorar o registro de informações em locais extensos ou de difícil visualização por terra.

Os equipamentos foram adquiridos pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), com recursos do Fundo Estadual de Segurança Pública (FESP). O investimento total foi de R$ 58.785.

Com câmera de alta resolução e sensor térmico, os drones possibilitam a realização de mapeamentos aéreos, identificação de variações de temperatura no terreno e produção de imagens que auxiliam na análise dos cenários investigados.

De acordo com a Polícia Científica, o uso da tecnologia deve agilizar o levantamento de dados em áreas extensas, Mato Grosso do Sul possui mais de 357 mil quilômetros quadrados de território, além de contribuir para maior precisão na documentação técnica utilizada em laudos periciais.

Outra aplicação é o reconhecimento prévio das áreas antes da entrada das equipes em campo, o que ajuda no planejamento das atividades e na avaliação de possíveis riscos durante as operações.

“A aquisição reforça a estrutura e amplia nosso suporte tecnológico para os trabalhos de campo de maior complexidade”, afirmou o coordenador-geral de Perícias, Nelson Fermino Junior.

Capacitação

Para operar os drones, 12 servidores da Polícia Científica, entre peritos criminais e agentes, participaram de um curso de capacitação realizado nos dias 27 e 28 de fevereiro.

A formação teve carga horária de 16 horas e foi promovida em parceria com o Sindicato Rural de Campo Grande e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Durante o treinamento, os participantes receberam orientações sobre legislação, normas de operação e realizaram atividades práticas de voo.

Segundo o diretor do Instituto de Criminalística, a capacitação é necessária para garantir que o uso dos equipamentos ocorra de forma adequada durante as atividades periciais.

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direita dividida

Menosprezado pela família Bolsonaro, Catan anuncia saída do PL

Anúncio ocorreu horas depois de o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro receber Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel na sede do partido

05/03/2026 11h44

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Um dia depois de o governador Eduardo Riedel (PP) e o pré-candidato ao senado Reinaldo Azambuja  (PL) posarem para as câmeras ao lado do senador Flávio Bolsonaro, o deputado João Henrique Catan anunciou oficialmente, durante a sessão na Assebleia Legislativa, que está deixando o Partido Liberal, pelo qual foi eleito em 2022 com 25.914 votos. 

Desafeto antigo do governador e de Azambuja, o deputado deixa o PL por entender que os chamados bolsonaristas raiz perderam espaço. 

Em pronunciamento rápido, afirmou que "nossas lideranças, nossos colegas, os militantes da direita de Mato Grosso do Sul  foram perdendo seu protagonismo, sempre foram escanteados, para não dizer utilizados ou sub-aproveitados. É com certa triseza que eu venho anunciar, talvez com a mesma tristeza que eu vi naquela foto, naquele vídeo de ontem, dentro do Partido Liberal , com aquela falta de ânimo, com aquela falta de conexão. E,  estando eu em conexão com meu público, com a direita que deseja um novo caminho para Mato Grosso do Sul, venho comunicar vossa excelência e meu líder, deputato Coronel David, que estarei deixando as fileiras do Partido Liberal para econtrar um novo caminho para Mato Grosso do Sul". 

Embora não tenha feito o anúncio nesta quinta-feira na Assembleial, ele pretende se filiar ao Novo e promete enfrentar Eduardo Riedel na disputa ao Governo do Estado. Na eleição de 2022, tanto Riedel quanto Azambuja eram do PSDB e por conta disso o deputado alega que eles não representam o que ele chama de "vedadeira direita". 

O ex-governador e o governador se econtraram com Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente pelo PL, dias depois das polêmicas informações envolvendo o deputado federal Marcos Pollon (PL).

Na primeira, veio a público uma anotação do próprio FLávio Bolsonaro dizendo que Pollon havia exigido R$ 15 milhões para abrir mão da disputa ao Senado, vaga que foi prometida a Reinaldo Azambuja. No dia sequinta, Flávio veio a público dizendo que a anotação eram omente para que ele se lembrasse de avisar a Pollon que existiam comentários de que ele estaria exigindo este pagamento. 

Depois disso, porém, Michele Bolsonaro divulgou uma carta de Jair Bolsonaro na qual ele dizia que seu candidato a senador em Mato Grosso do Sul era Marcos Pollon. Esta carta foi interpretada como sendo uma traição da família Bolsonaro a Azambuja, já que acordo anterior havia previsto que Azambuja e o Capitão Contar fossem os candidatos da direita ao Senado. 

E para tentar aparar as arestas, rapidamente foi agendado encontro com Flávio Bolsonaro e de imediato foram divulgadas fotos e vídeos deste encontro. 

Na manhã desta quinta-feira, logo depois do pronunciamento de João Henrique Catan, quem assumiu a palavra no chamado pequeno espediente foi o petista Pedro Kemp. Ele aproveitou deixa para alfinetar os rivais da direita. 

"Também senti um clima de volório ontem naquela foto na sede do Partido Liberal lá em Brasília. Não sei, não senti empolgação. Parece que a direita não está conseguindo se entender muito bem. Já está tendo defecções aqui. Vamos ver o que vai acontecer", alfinetou em meio à disputa entre os chamados bolsonaristas raiz e os apelidados de nutela. 

JANELA

O  anúncio de Catan ocorreu no primeiro dia para que deputados troquem de partido sem correrem o risco de perderem o mandato. E, conforme o presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro, nas próximas semanas devem ocorreram várias mudanças semelhantes. 

Dos 24 parlamentares, quase a metade deve trocar de partido e o PL, agora comandado por Reinaldo Azambuja, deve ter o maior número de filiações. A previsão é de que receba os tucanos Mara Caseiro, Zé Teixeira e Paulo Corrêa . Além disso, Marcio Fernandes (MDB) e Lucas de Lima (sem partido) devem ter o mesmo destino. Assim, apesar de perder Catan, o PL ficaria com sete deputados, pois contina com Neno Razuk e Coronel David. 

Jamilson Name, por sua vez deve se filiar ao PP, se juntando a Londres Machado e Gerson Claro.  Outro que deve mudar de sigla é Paulo Duarte, que deve deixar o PSB e se filiar ao PSDB. Pedrossian Neto  também estuda a trocar o PSD pelo Republicanos. Rinaldo Modesto, por sua vez, está de olho no Podemos. 
 

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