Cidades

MIRANDA

Projetos do reverendo Moon mofam no Pantanal

Projetos do reverendo Moon mofam no Pantanal

MONTEZUMA CRUZ, DE MIRANDA

16/01/2012 - 00h02
Continue lendo...

A casa em Salobra era boa e nela despachava ex-presidente da associação, Kim Yoon Sang, o mais qualificado representante da igreja de Moon na América do Sul. Ele voltou para Seul ao constatar que alguns advogados a serviço da Associação das Famílias Para a Unificação e Paz Mundial (Universal Peace Federation) foram menos leais e mais gananciosos, perdendo até mesmo prazos judiciais. A UPF é presidida mundialmente por Hyun Jin Moon, filho do reverendo.

"Isso aqui é o mini dentro do macro problema originado também pelas fazendas Bom Peixe, Capão dos Ipês, Jacutinga e Rodeio, somando oito mil hectares", comenta o engenheiro civil César Zaduski, da Associação das Famílias para a Paz Mundial. Dessa área, o Ministério Público e o Imasul exigem mais de dois mil hectares de reserva legal. "Mesmo não brigando, a lenga-lenga é grande, porque alguém paga a conta dos prejuízos", questiona.

Uma fotografia emoldurada ornamenta a sala onde também há uma estante e um pequeno púlpito de madeira seminovos, envernizados.

A associação aguarda a convocação do MP para complementar o termo de ajuste de conduta firmado em seis de agosto de 2010.

Na manhã de terça-feira uma cobra jararaca nadava na piscina poluída do hotel, empinando o pescoço e armando o bote quando percebia os visitantes. Morcegos frugívoros saíam em revoada dos banheiros do restaurante, em cujo entorno há coqueiros, mangueiras, seriguelas e goiabeiras.

Pinturas em quadros mofam nas paredes, móveis estão empilhados. Alguns apartamentos foram destelhados parcialmente no vendaval mais recente. Antigos chalés, uma antena parabólica, um orelhão telefônico e caixas-d’água cilíndricas completam o patrimônio deteriorado.

Como reagiria Moon se retornasse a Miranda às vésperas de completar 93 anos que serão comemorados no próximo dia 21 em Seul, capital da Coréia do Sul? Ele nunca se sentiu inimigo de ninguém, mas incomodou autoridades ao se estabelecer ostensivamente na fronteira brasileira com o Paraguai em 1994.

Amante da pesca e do futebol e da união das famílias, seria inimaginável vê-lo reagindo com mesquinhez ou vingança contra a derrocada do seu patrimônio em Mato Grosso do Sul, um império que começara às avessas, descumprindo leis ou sofrendo os rigores de outras obviamente mais aplicadas a investidores estrangeiros que ao capital nacional ao qual muitas vezes se fecham os olhos para algumas irregularidades.

Desde o início dos anos 2000 Moon ordenou aos dirigentes da UPF – presente em 184 países – a organização de "festivais globais da paz" em Asunción e Brasília. Outro evento, a Copa da Paz em Madri uniu árabes e judeus em 2009, num êxito retumbante.

De Moon se ouve sempre: "Respeitem a tradição de outras religiões e se esforcem para impedir os conflitos e as guerras religiosas. As entidades religiosas devem colaborar umas com as outras e servir o mundo."

Talvez por isso o coração do reverendo seja um poço de sofrimento.

Leia mais no jornal Correio do Estado

Planta Exótica

Prefeitura inicia erradicação da murta em área urbana em MS

A remoção ocorre porque a planta exótica é hospedeira da bactéria que afeta a citricultura

31/01/2026 12h22

Divulgação: Prefeitura Municipal de Sidrolândia

Continue Lendo...

Com a lei que determina a erradicação da murta (Murraya paniculata), a Prefeitura Municipal de Sidrolândia iniciou a retirada, em área urbana, da planta considerada um risco para a citricultura.

Sancionada pelo governador Eduardo Riedel a Lei nº 6.293, de 22 de agosto de 2024, que proíbe o plantio, o comércio e o transporte da murta em Mato Grosso do Sul.

A murta (Murraya paniculata) é uma espécie de planta exótica, conhecida popularmente como dama-da-noite, que possui folhas verdes e flores brancas ou rosa-claro.

A planta é conhecida por exalar uma fragrância fresca e aromática. Apesar de parecer inofensiva, é hospedeira da bactéria causadora da doença dos citros denominada huanglongbing (HLB), considerada uma das doenças mais graves e destrutivas da citricultura mundial, uma vez que ataca todos os tipos de citros e, até o momento, não possui tratamento curativo para as plantas doentes.

Divulgação: Prefeitura Municipal de Sidrolândia

Retirada

No município, localizado a 70 quilômetros de Campo Grande, a retirada está sendo executada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Sedema), pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Semaa) e pela Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), em parceria com a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro). As equipes iniciaram os trabalhos de remoção da murta (Murraya paniculata) em áreas públicas.

Por meio das redes sociais, a Prefeitura de Sidrolândia tem orientado a população sobre os riscos que a planta exótica representa para a citricultura.

Com o enrijecimento da legislação, gigantes do setor encontraram em Mato Grosso do Sul segurança para instalar fábricas e realizar o plantio, transformando o Estado no chamado “vale dos citros”.

A medida atende à Lei Municipal nº 2.309, de 2025, que, em consonância com a legislação estadual, trata da proibição da planta.

Divulgação: Prefeitura Municipal de Sidrolândia

Entenda

A legislação foi instituída como medida de defesa fitossanitária da citricultura, considerando que a murta é planta hospedeira de pragas que afetam diretamente a produção de citros, especialmente o HLB (greening), uma das doenças mais severas da citricultura.

A atuação do município ocorre de forma integrada e complementar às ações do Governo do Estado, seguindo as orientações técnicas da Iagro, conforme previsto na legislação vigente.

Vale da citricultura

Os produtores iniciaram a transferência da produção para Mato Grosso do Sul após terem tido as plantações afetadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

Para se ter ideia, o greening afetou quase 80% da produção na região conhecida como Cinturão Citrícola, em São Paulo, no ano de 2024.

O Triângulo Mineiro, que também faz parte do cinturão, embora tenha registrado uma incidência de casos menor que a de São Paulo, precisou ser monitorado, conforme levantamento da Fundecitrus.

Com isso, a Cutrale, que possui sede em Araraquara (SP), transferiu parte de sua produção para terras sul-mato-grossenses, com um investimento de R$ 500 milhões no plantio de 5 mil hectares em uma fazenda Aracoara, localizada entre Sidrolândia e Campo Grande.

Cabe ressaltar que a empresa já possuía pomares na região e, a depender da proporção da produção, uma indústria de processamento de suco de laranja no Estado pode ser viabilizada.

A expectativa, segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), é que, até abril de 2026, a fazenda da Cutrale tenha 4,8 mil hectares plantados, com estimativa de produção, em oito anos, de 8 milhões de caixas de laranja por ano.

A quarta a anunciar a vinda foi a Citrosuco, que possui sede em Matão (SP), com investimentos anunciados de R$ 2,1 bilhões.

Outros grupos, como o Junqueira Rodas, sediado em Monte Azul (SP), também estão investindo na plantação de laranja, enxergando o potencial de Mato Grosso do Sul, especialmente pela legislação firme no combate ao causador da doença huanglongbing (HBL), conhecida como greening dos citros.

O Grupo Junqueira Rodas, que, em abril de 2024, apresentou um projeto de plantio de 1,5 mil hectares nos municípios de Paranaíba e mais 2,5 mil Naviraí, ou seja, um total de R$ 400 milhões. 

E o mais recente anúncio foi da empresa Cambuhy Agropecuária (Grupo Moreira Salles), que confirmou o investimento de R$ 1,2 bilhão no Estado, que é considerado o “novo cinturão citrícola” do Brasil.

 

Assine o Correio do Estado

Cidades

Tamanduá-bandeira é encontrado dentro de agência do Itaú em Campo Grande

O animal adulto foi flagrado, na noite desta sexta-feira (30), dentro da agência localizada na Avenida Mato Grosso; veja o vídeo

31/01/2026 12h00

Imagem Divulgação

Continue Lendo...

Uma cena inusitada chamou a atenção de clientes que precisaram usar os serviços da agência bancária do Itaú, na noite de sexta-feira (30), e acabaram se deparando com um tamanduá-bandeira adulto (Myrmecophaga tridactyla), em Campo Grande.

O animal silvestre estava dentro da agência localizada na Avenida Mato Grosso. O fato não deixa de ser curioso, embora, na Capital sul-mato-grossense, a presença de animais silvestres seja constante em algumas regiões.

A equipe da Polícia Militar Ambiental (PMA), que atendeu à ocorrência, verificou que o tamanduá não apresentava ferimentos. Ele foi capturado com todos os cuidados necessários e reintroduzido na natureza.

Em estudo inédito divulgado pelo Correio do Estado, o tamanduá-bandeira, - importante aliado do equilíbrio ambiental, atuando no controle de insetos como formigas e cupins -, usa a cauda, por exemplo, para aliviar altas temperaturas no Cerrado e na região Pantaneira.

 

 

 

Funções da cauda

Após mais de 266 horas de observações em campo, o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (Icas) apresentou, em uma pesquisa inédita, 11 comportamentos do tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) relacionados ao uso da cauda.

O estudo completo foi publicado na revista científica Journal of Ethology e traz análises comportamentais dos animais registradas entre agosto de 2021 e novembro de 2023, no Cerrado de Mato Grosso do Sul, em regiões impactadas por atividades humanas.

O animal, cujo nome em tupi antigo, “tamanduá", significa “caçador de formigas” (tama = formiga; nduá = caçador), é chamado de "bandeira" em referência à sua cauda longa, densa e peluda, que, erguida, lembra uma bandeira esvoaçante.

Apesar de chamar atenção, até então pouco se havia registrado sobre as funcionalidades da cauda do tamanduá-bandeira.

“Identificamos funções mecânicas, fisiológicas, comportamentais e sociais associadas à cauda, que vão desde o equilíbrio e a termorregulação até o cuidado materno e a comunicação entre mãe e filhote”, explica a bióloga Alessandra Bertassoni, autora principal do estudo.

Uso da cauda


A pesquisa demonstrou que o animal silvestre utiliza a cauda em diversas situações, como:

  • cobertor térmico durante o sono;
  • abanador nos dias quentes;
  • sombra para os filhotes;
  • ferramenta de equilíbrio em posição bípede;
  • sinalizador de alerta;
  • meio de transporte e proteção dos filhotes.

 

Apesar de algumas dessas funções já serem conhecidas de maneira isolada, a maioria nunca havia sido documentada e descrita como neste estudo apresentado pelo Icas.

A parte mais curiosa envolve as fêmeas e os filhotes de tamanduá-bandeira, monitorados pelo Programa de Conservação do Tamanduá-Bandeira, em um cenário fragmentado por pastagens e rodovias.

Os registros revelaram que a cauda passa por um processo de transformação ao longo do crescimento do animal, desde os primeiros dias de vida até a fase adulta, um dado que até então não havia sido devidamente documentado.

O comportamento observado nas gravações aponta para a dependência intensa do filhote em relação à mãe, já que ele não possui condições de realizar diversas atividades sozinho.

Categorias de comportamento


Os comportamentos foram divididos em três categorias para compreender as múltiplas utilidades da cauda:

  • Mecânicos
  • Comportamentais
  • Fisiológicos

Mecânicos

  • Equilíbrio ao caminhar: A cauda permanece horizontal passivamente, ajudando a manter o equilíbrio durante a locomoção.
  • Equilíbrio na posição bípede: Quando o tamanduá assume postura ereta, a cauda segue a curvatura da coluna e permanece apoiando o corpo.
  • Transporte do filhote: A cauda se mantém horizontal e serve de apoio ao corpo do filhote, atuando também como reforço no vínculo entre mãe e cria.

Comportamentais

  • Proteção e camuflagem: A cauda é dobrada sobre o corpo e permanece imóvel, servindo de disfarce contra predadores.
  • Aconchego e afiliação: A cauda cobre o corpo durante momentos de contato entre mãe e filhote, oferecendo conforto e calor.
  • Abertura da cauda: A mãe abre a cauda para permitir a entrada do filhote quando ele a toca.
  • Rejeição do filhote: A cauda se mantém horizontal e ergue-se rapidamente quando a aproximação do filhote não é desejada.
  • Sinal de alerta: A cauda é erguida e eriçada, funcionando como sinal visual de atenção ou vigilância.

Fisiológicos

  • Sono com função termorreguladora: Durante o repouso, a cauda cobre o corpo e ajuda a conservar o calor.
  • Movimento de abano: A cauda é balançada para arejar o corpo, ajudando na regulação térmica.
  • Sombra contra o sol: A cauda é posicionada de modo a proteger o corpo do filhote da exposição solar.

Ameaças à espécie


A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classificou o tamanduá-bandeira como “vulnerável”, devido a ameaças como atropelamentos, perda de habitat e mudanças climáticas.

Os novos dados são considerados essenciais para que pesquisadores possam traçar estratégias de conservação e manejo da espécie.

“Lesões na cauda podem comprometer seriamente a sobrevivência de um indivíduo, especialmente no caso das fêmeas com filhotes. Por isso, compreender a função desse apêndice é crucial para decidir, por exemplo, se um animal pode ou não ser reintroduzido na natureza”, destaca o coautor do estudo, Arnaud Desbiez.

xxxxxxxxxxxxx

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).