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Protesto de garimpeiros na Bahia não foi motivado por falta de água, nem tem relação com governo

As imagens mostram, na verdade, uma manifestação realizada por garimpeiros em Santaluz, no interior da Bahia, em setembro de 2022

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É falso um vídeo compartilhado nas redes sociais mostrando, supostamente, um protesto no Nordeste do Brasil por conta da falta de água na região. O conteúdo falso sugere que o problema teria passado a ocorrer após a vitória de Lula (PT) nas eleições presidenciais de 2022.

As imagens mostram, na verdade, uma manifestação realizada por garimpeiros em Santaluz, no interior da Bahia, em setembro de 2022, contra o fechamento de garimpos próximos a uma mineradora.

Conteúdo investigadoVídeo mostra o que seria um protesto por falta d’água no Nordeste. Sobre o conteúdo, aparecem as inscrições: “Nordeste pede socorro” e “hoje só resta pedir desculpas a todos Patriota (sic)”.

Um homem narra o conteúdo e, logo em seguida, aparece afirmando que a população da região não soube “agradecer os benefícios” alcançados à época do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ele ainda afirma que hoje resta o “sentimento de revolta”, dando a entender que o problema da falta d’água estaria ocorrendo por conta da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022.

Onde foi publicado: TikTok e Twitter.

Conclusão do Comprova: É falso que moradores da região Nordeste do Brasil tenham fechado uma estrada de terra em protesto contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por conta da falta de água.

Um vídeo que viralizou nas redes sociais usa imagens de uma manifestação ocorrida no interior da Bahia em 1º de setembro de 2022.

Na ocasião, garimpeiros em Santaluz, cidade do interior da Bahia, fecharam o acesso à sede de uma mineradora em protesto contra o fechamento de garimpos ilegais na região, onde é feita a exploração de ouro.

O homem que narra as imagens iniciais do vídeo e que depois aparece falando para a câmera fala como se fosse um eleitor de Lula arrependido porque o presidente teria “zombado da cara dos patriotas”.

Ele também passa a falsa impressão de que estaria participando do protesto, já que usa, por diversas vezes, o termo “nós”. Como foi possível verificar, os vídeos de viés político publicados por ele em sua conta no TikTok são de apoio a Jair Bolsonaro (PL) – muitos deles, inclusive, inflando a participação do ex-presidente no Projeto de Integração do rio São Francisco, obra constantemente alvo de desinformação.

No vídeo aqui investigado, ele afirma que os nordestinos foram “ingratos” com Bolsonaro e que não souberam dar valor quando tinham água no governo passado, já que agora não têm mais, o que é falso.

Embora não cite diretamente o Projeto de Integração do São Francisco (PISF), também chamado de transposição do São Francisco, o argumento de que Bolsonaro levou água ao Nordeste – e que Lula a cortou – vem aparecendo em dezenas de vídeos nas redes sociais.

O Ministério da Integração Nacional e Desenvolvimento Regional (MIDR) informou que “não há nenhuma paralisação na oferta de água bruta nos estados do CE, PB, PE e RN, que são beneficiados pelo Projeto de Integração do Rio São Francisco”.

Entretanto, 495 cidades de nove estados da região Nordeste tiveram situação de emergência por conta da seca ou estiagem reconhecida pelo governo federal.

O MIDR avalia a situação de cada um deles e libera recursos, de acordo com a necessidade, para “reconstrução de estruturas danificadas, socorro e assistência humanitária, restabelecimento de serviços essenciais e ações de recuperação/reconstrução”.

Além disso, o órgão e o Exército realizam juntos a Operação Carro-Pipa, que atende atualmente mais de 1,5 milhão de pessoas em 416 municípios do Nordeste.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. Até 17 de outubro de 2023, o conteúdo investigado tinha 134,4 mil visualizações no TikTok.

Ele foi republicado no Twitter, onde apenas uma postagem acumulava mais de 184,5 mil visualizações até o mesmo dia.

Como verificamos: Primeiramente, foi feita uma busca reversa de imagens usando ferramentas como YandexGoogle Imagens e TinEye para tentar localizar registros originais do vídeo usado na publicação, sem sucesso.

Em seguida, foram selecionados elementos na imagem que pudessem ajudar a identificar o local onde o vídeo havia sido gravado, a exemplo de placas de carro.

Em um trecho do vídeo, foi possível identificar um veículo de cor prata, com a placa JRO-8J27 e, com a ajuda do sistema Sinesp Cidadão, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, descobriu-se que o carro era da cidade de Santaluz, no interior da Bahia

Depois, foram feitas pesquisas sobre protestos que pudessem ter ocorrido na mesma região onde o carro foi registrado, e assim o Comprova descobriu um protesto de garimpeiros, em setembro de 2022, em Santaluz.

As imagens publicadas em matérias na imprensa local mostravam um lugar parecido com o do vídeo investigado, e elementos no vídeo também apareciam nas fotos publicadas na época.

Foi feito contato com o repórter fotográfico Raimundo Mascarenhas, do site Calila Notícias, na Bahia, que cobriu a manifestação dos garimpeiros em setembro de 2022, autor de diversas fotos do protesto, publicadas em vários sites da região.

O Comprova ainda acionou a Defesa Civil Nacional, vinculada ao MIDR, para obter informações sobre locais no Nordeste em situação de emergência por seca, estiagem ou que estejam sofrendo com problemas de abastecimento de água.

Vídeo mostra protesto de garimpeiros em 2022

Diferentemente do que diz a narração, o vídeo não mostra nordestinos arrependidos por votar em Lula protestando pelo direito à água, e, sim, garimpeiros que culpavam a mineradora Equinox Gold por uma operação da Polícia Federal ocorrida em 30 de agosto de 2022 – ou seja, antes da eleição do petista.

Para eles, a empresa havia motivado a operação da PF que agiu para desarticular um garimpo ilegal que atuava há anos na região dos municípios de Santaluz, Cansanção, Monte Santo, Queimadas, Quijingue e Nordestina, todos na Bahia. Na ocasião, a PF cumpriu 12 mandados de busca em Cansanção e Monte Santo.

O local onde o protesto aconteceu, uma estrada de terra onde há diversos carros estacionados, além de pessoas bloqueando a passagem com pneus, é a via que dá acesso à sede da mineradora Equinox Gold, em Santaluz.

A Equinox Gold iniciou a extração de ouro na mina de Santaluz em junho de 2021. A manifestação aconteceu a partir de 1º de setembro de 2022 e teve cobertura do site local Calila Notícias.

Em um trecho do vídeo investigado, é possível ver um Fiat Palio prata estacionado no sentido oposto no fluxo de veículos da estrada.

A placa do carro é JRO-8J27, de Santaluz (BA). Foi a partir da imagem dele que o Comprova suspeitou que o protesto tivesse acontecido naquela cidade, ou naquela região.

A partir da busca de notícias sobre protestos em Santaluz, os resultados foram de matérias publicadas a respeito do ato dos garimpeiros.

Além do Calila Notícias, outros sites do interior da Bahia noticiaram o protesto, incluindo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Extração, Pesquisa e Benefício de Ferro, Metais Básicos e Preciosos de Serrinha e Região (Sindimina), que também publicou fotos do episódio.

Embora o local fosse parecido, o Comprova não localizou exatamente o mesmo vídeo. Apesar disso, havia uma imagem mostrando outro carro no mesmo lugar, com placa de PKS-1732, um Jeep Compass branco de Quijingue (BA), cidade a apenas 71 quilômetros de Santaluz.

| Crédito: Reprodução/Sinesp Cidadão

O Comprova conseguiu confirmar que o vídeo aqui investigado era mesmo do protesto de garimpeiros ao identificar uma árvore e uma barraca, em ângulos diferentes, tanto em uma imagem feito pelo fotógrafo Raimundo Mascarenhas, do Calila Notícia, quanto no vídeo investigado:

| Garimpeiros fecharam a estrada de acesso à mineradora Equinox Gold, em Santaluz (BA), a partir de 1º de setembro de 2022. Crédito: Raimundo Mascarenhas/Calila Notícias/Reprodução

| Vídeo publicado em conta no TikTok como sendo de protesto contra falta d’água no governo Lula mostra mesma árvore e barraca.

O repórter Raimundo Mascarenhas, do Calila Notícias, confirmou ao Comprova que o vídeo foi mesmo feito durante o protesto de garimpeiros em setembro de 2022 na estrada que dá acesso à Equinox Gold, e que um áudio falso foi inserido sobre a imagem.

Ele afirmou ter acompanhado o protesto, durante todo o dia 1º de setembro do ano passado, e confirmou que não se tratava de um protesto contra o presidente Lula nem sobre acesso a água e, sim, contra o fechamento de garimpos na região.

Em 5 de setembro de 2022, o site Voz do Campo publicou o posicionamento oficial da Equinox Gold sobre a manifestação. A empresa negou que tivesse relação com a operação da PF que fechou garimpos ilegais.

Na manifestação, garimpeiros diziam que não eram bandidos e pediam a legalização dos garimpos onde atuavam.

Nordeste tem 495 municípios em situação de emergência pela seca ou estiagem

Ao ser feita referência à falta de chuva, sobretudo na região Nordeste brasileira, é comum o uso das palavras seca e estiagem como sinônimos. Tecnicamente, no entanto, esses dois eventos climáticos têm características distintas.

Segundo definição da Secretaria de Defesa Civil (Sedec) do Ministério da Integração, a estiagem configura-se por um período extenso com poucas ou nenhuma chuva, que gera perda da umidade do solo maior do que a reposição.

Há também, uma redução drástica ou atraso das chuvas em uma época em que foram previstas, de forma a comprometer a reserva de água da localidade.

Está relacionada a dois fatores, quais sejam, o atraso superior a quinze dias do início da temporada de chuvas e a média mensal do volume de chuvas inferior a 60% das médias de longo período.

Já a seca, também segundo a Sedec, é a estiagem crônica que se prolonga. Para ser definido como seca, o fenômeno precisa trazer consequências não só ecológicas e econômicas, mas também sociais e culturais.

Além da ausência de chuvas, as secas e as estiagens podem ser causadas por intervenção humana quando se maneja de modo inadequado corpos hídricos e bacias hidrográficas.

Dados do Sistema Integrado de Informações Sobre Desastres (S2ID), do Governo Federal, contabilizados até segunda-feira, 16 de outubro de 2023, revelam que 495 municípios da região Nordeste brasileira têm situação de emergência reconhecida pelo governo federal, sendo 19 em razão da seca e outros 476 por conta da estiagem.

Na Bahia, estado onde ocorreu o protesto dos garimpeiros, são 60 municípios em situação de emergência, todos por estiagem.

Após reconhecer a situação de emergência, o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional avalia pedidos de recursos e, conforme a necessidade, faz a liberação de valores para a reconstrução de estruturas danificadas, socorro e assistência humanitária, restabelecimento de serviços essenciais e ações de recuperação/reconstrução.

Os ministérios da Defesa e da Integração e Desenvolvimento Regional ainda mantêm uma cooperação técnica e financeira, denominada Operação Carro-Pipa, para realizar ações complementares de apoio às atividades de distribuição de água potável às populações atingidas por estiagem e seca.

Isso ocorre tanto na região do semiárido nordestino, como na porção norte dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Nesse contexto, o Exército Brasileiro atua como Órgão de Execução para planejamento e operacionalização das ações de apoio à distribuição de água potável.

No Nordeste, já foram utilizados 3.145 carros-pipa, que atenderam mais de 1,5 milhão de pessoas. Esta é uma das estratégias usadas para a convivência com o semiárido, assim como o Projeto de Integração do São Francisco também o é.

Na região, os estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte recebem águas do Rio São Francisco por meio do PISF, e não há, segundo o MIDR, nenhuma paralisação na oferta de água bruta em nenhum desses estados.

O que diz o responsável pela publicação: O Comprova tentou contato com o autor do vídeo, identificado como “@joao.pires.ofic”, mas não há a possibilidade de enviar mensagem pelo TikTok, a menos que os usuários se sigam mutuamente.

O que podemos aprender com esta verificação: Uma das táticas utilizadas por desinformadores é o uso de episódios reais, mas propagados fora de seu contexto original, para fazer alegações enganosas e falsas a respeito de um assunto de interesse público.

Os vídeos acabam gerando uma suposta credibilidade. Nesses casos, é importante buscar fontes confiáveis e seguras para entender o que, de fato, está sendo informado, além de verificar se a alegação é verdadeira ou não.

Por que investigamos: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas e eleições no âmbito federal e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: O fornecimento de água no Nordeste é tema recorrente de desinformação em posts compartilhados nas redes sociais.

O Comprova já realizou verificações relacionadas ao andamento das obras da transposição do Rio São Franciscoexplicou o funcionamento do processo de captação e bombeamento de água para estados do Brasil e mostrou que o governo federal não bloqueou água na região. Também mostrou que a polarização intensifica a desinformação sobre o tema.

SAÚDE PÚBLICA

Sem Centro de Zoonoses, Ivinhema entra na mira do MP

Ministério Público deu prazo de seis meses para que município implemente política de controle de zoonoses e cobra mutirões de castração pelo menos duas vezes ao ano

06/09/2026 08h30

Sem estrutura própria para controle de zoonoses, Ivinhema terá de apresentar ao Ministério Público as providências que pretende adotar para atendimento e controle da população de cães e gatos

Sem estrutura própria para controle de zoonoses, Ivinhema terá de apresentar ao Ministério Público as providências que pretende adotar para atendimento e controle da população de cães e gatos Ivinotícias

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Sem Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) ou estrutura equivalente, Ivinhema entrou na mira do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que cobrou da prefeitura a adoção de medidas para controlar a população de cães e gatos e ampliar o atendimento aos animais em situação de rua.

Publicada na edição do Diário Oficial do MPMS, a recomendação foi expedida pela 2ª Promotoria de Justiça de Ivinhema, e é direcionada ao município, administrado pelo prefeito Juliano Ferro Barros Donato.

Conforme apurado pelo Ministério Público, além de não possuir um CCZ, Ivinhema também não mantém estrutura equivalente e não conta com serviço terceirizado para executar esse tipo de atendimento.

Para a Promotoria, a deficiência deixa o município sem uma política adequada para diagnóstico, tratamento e controle de doenças que atingem os animais e podem representar risco à saúde pública.

Entre as enfermidades citadas pelo MPMS estão leishmaniose, cinomose e esporotricose.A falta de estrutura não foi o único problema identificado durante a apuração.

O Ministério Público também analisou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de Ivinhema, publicada em julho deste ano, e apontou deficiência na previsão de programas, ações, metas e prioridades destinadas à causa animal.

Segundo a Promotoria, as medidas previstas pelo município estão restritas à vacinação antirrábica e à notificação de casos. Diante do cenário, o MPMS recomendou que a prefeitura passe a oferecer continuamente ações para controle populacional de cães e gatos.

Uma das principais cobranças é a realização de campanhas ou mutirões de castração pelo menos duas vezes por ano, com prioridade para animais de rua e comunitários, além daqueles mantidos por protetores independentes, organizações de proteção animal e famílias de baixa renda.

A prefeitura também deverá dar publicidade às campanhas nos canais oficiais com antecedência mínima de 30 dias.Outra medida prevista é a identificação dos cães e gatos durante as ações de castração.

A intenção é criar uma base de dados que permita ao município conhecer melhor a população animal existente em Ivinhema e, futuramente, estabelecer um censo. O cadastro também deverá servir como ferramenta para identificar responsáveis pelos animais e auxiliar na apuração de eventuais casos de abandono.

Prazo de seis meses

A recomendação vai além das campanhas de esterilização. O Ministério Público estabeleceu prazo máximo de seis meses para que a prefeitura dê início à implementação de uma política pública efetiva de controle de zoonoses.

Entre os serviços que deverão integrar essa estrutura estão atendimento médico-veterinário de urgência, fornecimento de alimentação e água e acolhimento dos animais em situação de rua em ambiente adequado. Antes disso, porém, o município terá de informar se pretende acatar as medidas.

A prefeitura tem prazo de dez dias, a partir do recebimento da recomendação, para comunicar à 2ª Promotoria de Justiça se cumprirá as providências propostas e apresentar documentos que demonstrem as ações adotadas.

O Ministério Público advertiu que a falta de providências poderá levar à adoção de medidas judiciais e extrajudiciais contra os responsáveis.


 

STF

Gilmar Mendes propõe vetar delegados da PF como assessores de ministros

Para decano, presença dos policiais representa um risco para as investigações

05/09/2026 19h00

Ministro Gilmar Mendes

Ministro Gilmar Mendes Andressa Anholete/STF

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Neste sábado (5) o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou uma proposta para proibir que militares, delegados ou policiais sejam cedidos para atuar como assessores nos gabinetes da Corte.

A proposta de alteração no Regimento Interno do STF já havia sido adiantada durante a semana ao presidente do Supremo, Edson Fachin, e foi agora formalizada por Mendes para que seja apreciada pelos demais ministros.

A ideia surge em meio à escalada da crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Cada um, por exemplo, possui dois delegados da Polícia Federal os assessorando em seus gabinetes.

Para Mendes, a presença desses policiais nos gabinetes representa o risco de que decisões sobre a condução de investigações, que seria de exclusividade da autoridade policial, estejam sendo transferidas para o Supremo.

O texto apresentado pelo decano prevê que servidores das carreiras militares e policiais possam atuar em atividade de segurança dos gabinetes, mas que seja “vedada a participação na instrução de inquéritos ou processos e em atividades de assessoramento jurídico”.

Outro trecho diz que “caberá ao Presidente do Supremo Tribunal Federal providenciar o imediato retorno aos órgãos de origem dos servidores atualmente em exercício no Tribunal em desacordo com a regra ora acrescida ao art. 357 do Regimento Interno”.  

A proposta surge ainda após o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ter tentado articular a volta para a corporação dos delegados cedidos ao gabinete de Mendonça, que é relator dos escândalos de fraude financeira e corrupção no Banco Master e do desvio em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Cabe agora a Fachin incluir a proposta em pauta para que seja apreciada e votada por todos os ministros do Supremo.

Relatórios
A proposta do decano vem à tona após Mendonça ter retirado o sigilo, nesta semana, de um relatório da PF em que constam dezenas mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Master, a Moraes, segundo afirmam os investigadores.

Nas conversas, Vorcaro menciona um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com o Master. Foram expostas também mensagens em que o ex-banqueiro demonstra ter obtido informações sobre uma possível operação da PF para prendê-lo.

Logo em seguida à divulgação do material, Moraes pediu à presidência do Supremo a abertura de uma investigação contra Mendonça pelo que disse ser “fortes indícios” de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master.

Para embasar suas acusações, Moraes apresentou um relatório de inteligência da PF segundo o qual Mendonça atuaria de forma a direcionar as investigações contra desafetos políticos.

O documento, contudo, não é assinado e traz a advertência de se tratarem de uma análise prospectiva interna, sobre possíveis caminhos de investigação, e “sem valor probatório”.

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