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"Quem não cumpre a lei tem de ser punido", diz Carlão sobre dados "escondidos" do aterro

Presidente da Câmara, que faz as vezes de vice-prefeito da Capital, falou sobre o desrespeito à Lei de Acesso à Informação

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Após o Correio do Estado ter noticiado a omissão da Prefeitura Municipal de Campo Grande em disponibilizar o acesso aos documentos do processo de implantação do novo aterro sanitário, o presidente da Câmara Municipal, Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), assegura que a lei deve ser cumprida.

Ele, em tese, é o atual vice-prefeito, uma vez que a prefeita Adriane Lopes (Patriota) assumiu no lugar de Marquinhos Trad (PSD).

“Quem não cumpre a lei tem de ser punido. As leis existem para serem cumpridas. A prefeitura não é diferente dos outros, tem de cumprir. Se não estiver cumprindo, as pessoas que não cumprem a lei têm que pagar por isso”, disse o parlamentar.

A solicitação foi realizada por meio da Lei nº 12.527, de 2011, que é conhecida como Lei de Acesso à Informação e que determina aos órgãos públicos que a resposta seja dada em até 30 dias.

O pedido foi realizado pelo Correio do Estado, por meio de ofício, no dia 21 de setembro deste ano à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Urbana (Semadur), responsável pela implantação do novo aterro, mas somente no fim da tarde de ontem (17) é que o documento foi entregue à reportagem, 57 dias após o pedido e após uma matéria denunciar a situação.

Sobre o posicionamento da Câmara Municipal, o presidente enfatizou que cobrará as informações. “A Câmara não apoia esse tipo de coisa em relação ao não cumprimento do que deve ser divulgado. A prefeitura tem de informar, não pode esconder esses documentos, tem de ser algo público”, disse Carlão.

Em relação ao aterro, o presidente da Câmara afirmou que vai procurar saber como está o andamento.

“Vou pedir as informações para a nossa Comissão de Meio Ambiente aqui da Câmara para dar uma posição correta sobre isso. O mais importante sobre o aterro sanitário é que a questão ambiental tem de ser cumprida na íntegra, com o descumprimento dessa lei é cometido um crime”. 

POSICIONAMENTOS

Na sessão de quinta-feira (17), na Câmara Municipal de Campo Grande, o assunto também esteve na pauta de outros parlamentares, insatisfeitos com a demora da prefeitura em enviar a resposta no tempo hábil.

O vereador Marcos Tabosa (PDT) denominou a atual gestão como “a administração do esconde”, alegando que a transparência do Executivo municipal é falha, pois “não vale nada, esconde tudo”.

O parlamentar ainda frisou que vai cobrar. “Acho um absurdo não disponibilizar nenhum documento, a Lei de Acesso à Informação não existe para a prefeitura? Então vou cobrar isso e a situação do aterro”.

Também durante sessão na Casa de Leis, citando a reportagem do Correio do Estado, o vereador e presidente da Comissão de Meio Ambiente, Zé da Farmácia (Podemos), ressaltou que a vida útil do antigo aterro já venceu e ainda não há informações sendo repassadas.

“Meu gabinete tentou levantar com o Caio [Brito Peres], que é gerente de Licenciamento [da prefeitura], e também não obteve resposta se tem algo acontecendo, como está o processo”, disse o parlamentar.

 A vereadora Camila Jara (PT) comentou que quem perde nessa situação é a população.

“É uma pena que as informações públicas não cheguem até as pessoas, para saber como está sendo aplicado o seu dinheiro e como está acontecendo a administração da cidade. Um caso parecido aconteceu com a gente, tivemos que entrar com um requerimento obrigando a prefeitura a fornecer dados. E isso passa a impressão de que pode ter algo a esconder e cria suspeitas em relação ao poder público”, finalizou.

ATERRO SANITÁRIO

Atualmente, Campo Grande segue utilizando o aterro Dom Antônio Barbosa 2, próximo ao antigo lixão, que também é próximo ao local que deve ser construído o novo espaço de destinação de resíduos. 

A vida útil do atual aterro venceu em junho de 2021, pois este estava sendo utilizado provisoriamente até a construção do novo, denominado de Ereguaçu, que deveria ser implementado na MS-455, na estrada da Gameleira.

Ultrapassando o prazo máximo de utilização de 1 ano e 5 meses, é necessário que até janeiro de 2023 o local seja desativado, o que não ocorrerá, pois as obras ainda não começaram.Além de Campo Grande, o aterro Dom Antônio Barbosa 2 atende também os municípios de Terenos, Rio Negro, Rochedo, Bandeirantes, Corguinho, Jaraguari, Figueirão e São Gabriel do Oeste.

IRREGULARIDADES

A construção do aterro Dom Antônio Barbosa 2 foi feita em meio a polêmicas, entre elas, uma ação civil pública (ACP) impetrada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) após uma vistoria feita pela Polícia Federal em 2012.

O MPMS alegava que houve irregularidades referente à impermeabilização do terreno do aterro sanitário. Durante a fiscalização, a Polícia Federal teria captado imagens que mostravam a inferioridade do material das mantas que protegiam o solo.

Conforme preconizado pelo estudo de impacto ambiental, seria necessário o uso de mantas com 2 milímetros de espessura, porém, o MPMS alegou que o material instalado variava entre 1 mm e 1,5 mm. Em virtude disso, a ACP dizia que houve superfaturamento na obra e direcionamento na licitação.

O juiz David de Oliveira Gomes Filho chegou a anular o contrato da prefeitura com a concessionária de coleta e destinação de lixo, a CG Solurb. No entanto, a concessionária recorreu alegando que a medida resultaria na demissão em massa de 935 funcionários.

Por esta razão, em maio de 2021, o desembargador Vilson Bertelli, da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), aceitou o pedido da Solurb e suspendeu o cancelamento do contrato entre a prefeitura e a empresa, que foi assinado na gestão do ex-prefeito Nelson Trad Filho, em 2012.

Em nota, a defesa do hoje senador pelo PSD afirmou que a manta utilizada no aterro condiz com o que foi solicitado em licitação.

“Essa questão foi submetida ao crivo da Justiça Federal pelo Ministério Público, de modo que a Polícia Federal e o Tribunal Regional Federal da 3ª Região constataram que foi aplicada a manta na espessura determinada pelo edital de concorrência pública nº 026/2006. […] Inclusive, no mesmo recurso, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, concluiu inexistir qualquer tipo de irregularidade ou ato ilícito na construção do aterro sanitário Dom Antônio Barbosa 2”, disse a defesa de Nelsinho. (Colaborou Leo Ribeiro)

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Cidades

ONS suspende geração excedente de energia pela segunda vez no ano

Em junho, plano emergencial para impedir sobrecarga foi acionado

23/08/2026 18h00

A medida ocorre das 11h às 13h30 deste domingo (23), sem impacto para o consumidor, afetando apenas as distribuidoras

A medida ocorre das 11h às 13h30 deste domingo (23), sem impacto para o consumidor, afetando apenas as distribuidoras Marcello Casal jr/Agência Brasil

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Pela segunda vez no ano, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou o plano emergencial para reduzir a geração de energia diante do excesso de oferta no Sistema Interligado Nacional (SIN).

A medida ocorre das 11h às 13h30 deste domingo (23), sem impacto para o consumidor, afetando apenas as distribuidoras. O objetivo é preservar a segurança do sistema diante da expectativa de menor consumo no fim de semana.

O plano prevê a restrição da geração de usinas Tipo 3, conectadas às redes de distribuição. O grupo inclui pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa e empreendimentos eólicos e solares de menor porte.

O ONS também adotou medidas complementares para reduzir a geração de usinas sob seu controle direto.

Medida ocorreu em junho

O primeiro acionamento de 2026 ocorreu em 7 de junho, no feriado prolongado de Corpus Christi. Na ocasião, o ONS solicitou o gerenciamento de 1 mil megawatts (MW) das 10h às 14h.

O plano emergencial foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2025, diante do avanço da geração distribuída, principalmente da energia solar.

Em agosto de 2025, no dia dos pais, o excesso de energia quase provocou uma sobrecarga no sistema. Naquela data, a geração distribuída chegou a representar 37,6% da demanda nacional.

Para equilibrar o sistema e evitar um blecaute que poderia atingir vários estados, o ONS reduziu a produção de hidrelétricas e termelétricas. O operador cortou 98,5% da geração eólica e solar centralizada.

ONS prepara corte automático

Diante do crescimento da geração solar, o ONS anunciou, na última quinta-feira (20) que está preparando um sistema para desligar automaticamente parte da geração distribuída em situações críticas.

Chamado de Esquema

Regional de Alívio de Geração (Erag), o sistema automático prevê até 3 gigawatts (GW) de corte, divididos em três estágios de 1 GW. O mecanismo seria acionado somente depois de esgotadas as demais alternativas de controle.

Segundo a ONS, um projeto-piloto deverá ser realizado até o fim de 2026 em uma distribuidora. Se os testes forem bem-sucedidos, a implementação poderá avançar em 2027.

A geração distribuída, que reúne micro e minigeração, soma cerca de 50 GW de capacidade instalada no país. Para o ONS, o crescimento dessas fontes aumenta a complexidade da operação porque parte da energia produzida não pode ser observada ou controlada diretamente pelo operador.

Distribuidoras executam cortes

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) informou que as distribuidoras seguirão as orientações do ONS para executar o plano anunciado para este domingo.

Em nota, a entidade pediu procedimentos mais detalhados para definir os cortes. Segundo a Abradee, critérios claros são necessários para dar segurança operacional e jurídica aos geradores.

IMUNIZAÇÃO

Dia D leva mais de 2,3 mil pessoas a pontos de vacinação em Campo Grande

Mobilização realizada em 22 locais facilitou a atualização da caderneta de crianças e adolescentes além de oferecer doses para adultos e idosos

23/08/2026 17h30

Dia D levou moradores a unidades de saúde e pontos alternativos de vacinação espalhados por Campo Grande

Dia D levou moradores a unidades de saúde e pontos alternativos de vacinação espalhados por Campo Grande Divulgação

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Mais de 2,3 mil pessoas procuraram os pontos de imunização abertos em Campo Grande durante o Dia D da Multivacinação, realizado neste sábado (22). Ao todo, 2.354 moradores passaram pelos 22 locais de atendimento disponibilizados na Capital ao longo do dia. 

A estratégia teve como foco principal crianças e adolescentes menores de 15 anos, com a conferência das cadernetas e aplicação das vacinas previstas para cada faixa etária. A mobilização, porém, também permitiu que adultos e idosos verificassem a situação vacinal e recebessem doses pendentes. 

Além das Unidades de Saúde da Família (USFs), houve atendimento no Pátio Central e no Mutirão Todos em Ação, realizado na Escola Municipal Professor José de Souza, conhecida como Zezão, na região do Bairro Oliveira.

Na USF Santa Emília, por exemplo, foram aplicadas vacinas contra gripe, além da tríplice viral e da dupla adulto. Márcia Arruda, de 63 anos, recebeu doses contra hepatite B e gripe depois de aproveitar que passava pela região.

"Foi bom, porque eu estava passando por aqui e aproveitei para colocar a vacina em dia", contou.

Também houve quem descobrisse somente no posto que estava com a vacinação atrasada. Aparecida Feliciano foi à unidade para acompanhar a filha e decidiu conferir a própria caderneta.

"Eu vim trazer a minha filha e fiquei sabendo que poderia tomar as vacinas hoje. Foi por isso que aproveitei. Nem sabia que estava atrasada", disse.

No mutirão realizado na região do Bairro Oliveira, Elloá, de 10 anos, tomou as vacinas contra HPV e gripe. A mãe, Evellyn Ortigoza, de 29 anos, também recebeu o imunizante contra a gripe.

A menina ainda deverá voltar à unidade de saúde dentro de 30 dias para receber a vacina contra a dengue. Depois das doses deste sábado, deixou um recado para outras crianças: "Nunca mais tenho medo de tomar vacina".

Além da vacinação humana, o mutirão no Zezão teve atendimento do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), com aplicação de vacina antirrábica em animais.

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