Da redação
A aventura começa nesta sexta-feira. A 31ª edição do
Rally Dakar, e segunda na América do Sul, terá largada em Buenos Aires,
na Argentina. Ao todo, os 378 veículos participantes irão percorrer
9.030 quilômetros, passando também pelo Chile, até o dia 17 de janeiro.
No primeiro dia, porém, haverá apenas deslocamento de 317 quilômetros
até a cidade de Colón - sem tempos cronometrados.
Uma das grandes novidades desta edição é a presença de brasileiros nas
principais equipes do Rally Dakar. Ao todo, são 25 representados do
Brasil, um recorde. E Guilherme Spinelli, em sua segunda participação,
vai competir pela equipe francesa JMB, ganhadora de 12 edições da
corrida, enquanto Maurício Neves estreará pela equipe de fábrica da
Volkswagen, vencedora entre os carros em 2009.
Cada um tem uma história diferente para contar. O "namoro" entre
Guilherme Spinelli e seu atual time começou há alguns anos, quando o
piloto foi buscar suporte técnico na sede japonesa da Mitsubishi para
competir no Brasil. Uma coisa levou a outra e o brasileiro começou a
fazer contato com os franceses especializados no Rally Dakar, então
equipe de fábrica da montadora (que se retirou dos ralis no ano
passado). No segundo semestre, o piloto participou de eventos do
Mundial de Rali. Seu desempenho agradou, garantindo a vaga para um dos
carros da JMB Stradale no rali mais tradicional do mundo.
"Isso foi o fruto de anos de trabalho no cross country", ressalta
Guilherme Spinelli. Para o Rally Dakar, o piloto passou por uma fase de
treinamentos e adaptação no Marrocos. O objetivo era preparar melhor
carros e pilotos para o desafio das regiões desérticas.
Maurício Neves, por sua vez, venceu forte concorrência pela vaga no
Rally Dakar. "A Volks brasileira queria colocar um piloto do País no
Dakar e, pela minha experiência em várias provas, como o Rali dos
Sertões, fui selecionado", contou ele. Mas o processo foi demorado -
dependeu de longas negociações entre a matriz alemã e a filial
brasileira. Quando tudo foi acertado, a equipe já estava com a
preparação para a prova em andamento. "Perdi algumas etapas do
processo, mas acho que participei das mais importantes."
Guilherme Spinelli e Maurício Neves são comedidos quanto às
possibilidades de vitória. Mas sabem que, pela estrutura que possuem,
terão de mostrar alto nível de desempenho se quiserem seguir em seus
respectivos times em 2011.
Também com objetivo de fazer uma boa participação está a equipe
brasileira Petrobrás-Lubrax, que terá Jean Azevedo e Rodolpho Mattheis
nas motos, João Franciosi e Lourival Roldan nos carros e André Azevedo
e Maykel Justo nos caminhões. Klever Kolberg vai encarar um novo
desafio, que é o de pilotar um carro movido a etanol, pela Valtra Dakar
Eco Team.
Para Guilherme Spinelli, os principais desafios do rali ocorrerão do
lado chileno do percurso, mais especificamente nos dois dias de
travessia do deserto do Atacama. "Serão dias longos", revela. "Eu,
especificamente, suo muito. Mas, ainda bem, a equipe instalou um bom ar
condicionado dentro do veículo. Quando do lado de fora faz 40 graus
Celsius, dentro do carro - sem o ar condicionado - pareceriam que
fossem 60 graus."
FAVORITOS
Com a saída da Mitsubishi no ano passado, Volkswagen, BMW e
Hummer deverão disputar a vitória entre os carros do Rally Dakar. O
piloto mais cotado para o título é o atual campeão, o sul-africano
Ginel De Villiers (Volkswagen). Os grandes rivais são o francês
Stéphane Peterhansel (BMW) e o espanhol Carlos Sainz (Volkswagen).
Ginel De Villiers foi o único entre os concorrentes a terminar a prova
do ano passado, em sua primeira edição na América do Sul. Peterhansel
teve problemas mecânicos, enquanto Sainz abandonou após ao cair em um
enorme buraco no trajeto da competição.
Nas motos, o espanhol Marc Coma vai tentar o bicampeonato adotando a
tática de estabelecer um ritmo próprio durante a corrida. "O primeiro
rival sempre foi a própria competição. Superar os quase 10 mil
quilômetros já é um obstáculo de fôlego", ressalta. Segundo ele, seu
maior rival será o companheiro da KTM, o francês Cyril Despres, campeão
em 2007.
DESAFIOS
Em sua segunda edição na América do Sul, o rali tem alguns
desafios. O primeiro deles é acalmar a ira dos ambientalistas. Os
chilenos estão protestando contra a realização do Rally Dakar no
Deserto do Atacama, no norte do país. Segundo os integrantes da ONG
Ação Ecológica, na prova realizada no ano passado, os pilotos
participantes destruíram seis áreas arqueológicas.
Outro problema é conseguir maior eficiência das equipes de resgate. No
ano passado, o francês Pascual Terry foi encontrado morto vários dias
depois de ser vítima de um edema pulmonar originado por uma disfunção
cardíaca.
31/12/2009 15:25 - CN/ES/RALLY DAKAR/APRESENTA
Rally Dakar dá largada nesta sexta-feira em Buenos Aires
Por Ariel Palacios e Valéria Zukeran
Buenos Aires, 31 (AE) - A aventura começa nesta sexta-feira A
31ª edição do Rally Dakar, e segunda na América do Sul, terá largada em
Buenos Aires, na Argentina. Ao todo, os 378 veículos participantes irão
percorrer 9.030 quilômetros, passando também pelo Chile, até o dia 17
de janeiro. No primeiro dia, porém, haverá apenas deslocamento de 317
quilômetros até a cidade de Colón - sem tempos cronometrados.
Uma das grandes novidades desta edição é a presença de brasileiros nas
principais equipes do Rally Dakar. Ao todo, são 25 representados do
Brasil, um recorde. E Guilherme Spinelli, em sua segunda participação,
vai competir pela equipe francesa JMB, ganhadora de 12 edições da
corrida, enquanto Maurício Neves estreará pela equipe de fábrica da
Volkswagen, vencedora entre os carros em 2009.
Cada um tem uma história diferente para contar. O "namoro" entre
Guilherme Spinelli e seu atual time começou há alguns anos, quando o
piloto foi buscar suporte técnico na sede japonesa da Mitsubishi para
competir no Brasil. Uma coisa levou a outra e o brasileiro começou a
fazer contato com os franceses especializados no Rally Dakar, então
equipe de fábrica da montadora (que se retirou dos ralis no ano
passado). No segundo semestre, o piloto participou de eventos do
Mundial de Rali. Seu desempenho agradou, garantindo a vaga para um dos
carros da JMB Stradale no rali mais tradicional do mundo.
"Isso foi o fruto de anos de trabalho no cross country", ressalta
Guilherme Spinelli. Para o Rally Dakar, o piloto passou por uma fase de
treinamentos e adaptação no Marrocos. O objetivo era preparar melhor
carros e pilotos para o desafio das regiões desérticas.
Maurício Neves, por sua vez, venceu forte concorrência pela vaga no
Rally Dakar. "A Volks brasileira queria colocar um piloto do País no
Dakar e, pela minha experiência em várias provas, como o Rali dos
Sertões, fui selecionado", contou ele. Mas o processo foi demorado -
dependeu de longas negociações entre a matriz alemã e a filial
brasileira. Quando tudo foi acertado, a equipe já estava com a
preparação para a prova em andamento. "Perdi algumas etapas do
processo, mas acho que participei das mais importantes."
Guilherme Spinelli e Maurício Neves são comedidos quanto às
possibilidades de vitória. Mas sabem que, pela estrutura que possuem,
terão de mostrar alto nível de desempenho se quiserem seguir em seus
respectivos times em 2011.
Também com objetivo de fazer uma boa participação está a equipe
brasileira Petrobrás-Lubrax, que terá Jean Azevedo e Rodolpho Mattheis
nas motos, João Franciosi e Lourival Roldan nos carros e André Azevedo
e Maykel Justo nos caminhões. Klever Kolberg vai encarar um novo
desafio, que é o de pilotar um carro movido a etanol, pela Valtra Dakar
Eco Team.
Para Guilherme Spinelli, os principais desafios do rali ocorrerão do
lado chileno do percurso, mais especificamente nos dois dias de
travessia do deserto do Atacama. "Serão dias longos", revela. "Eu,
especificamente, suo muito. Mas, ainda bem, a equipe instalou um bom ar
condicionado dentro do veículo. Quando do lado de fora faz 40 graus
Celsius, dentro do carro - sem o ar condicionado - pareceriam que
fossem 60 graus."
FAVORITOS - Com a saída da Mitsubishi no ano passado, Volkswagen, BMW e
Hummer deverão disputar a vitória entre os carros do Rally Dakar. O
piloto mais cotado para o título é o atual campeão, o sul-africano
Ginel De Villiers (Volkswagen). Os grandes rivais são o francês
Stéphane Peterhansel (BMW) e o espanhol Carlos Sainz (Volkswagen).
Ginel De Villiers foi o único entre os concorrentes a terminar a prova
do ano passado, em sua primeira edição na América do Sul. Peterhansel
teve problemas mecânicos, enquanto Sainz abandonou após ao cair em um
enorme buraco no trajeto da competição.
Nas motos, o espanhol Marc Coma vai tentar o bicampeonato adotando a
tática de estabelecer um ritmo próprio durante a corrida. "O primeiro
rival sempre foi a própria competição. Superar os quase 10 mil
quilômetros já é um obstáculo de fôlego", ressalta. Segundo ele, seu
maior rival será o companheiro da KTM, o francês Cyril Despres, campeão
em 2007.
DESAFIOS - Em sua segunda edição na América do Sul, o rali tem alguns
desafios. O primeiro deles é acalmar a ira dos ambientalistas. Os
chilenos estão protestando contra a realização do Rally Dakar no
Deserto do Atacama, no norte do país. Segundo os integrantes da ONG
Ação Ecológica, na prova realizada no ano passado, os pilotos
participantes destruíram seis áreas arqueológicas.
Outro problema é conseguir maior eficiência das equipes de resgate. No
ano passado, o francês Pascual Terry foi encontrado morto vários dias
depois de ser vítima de um edema pulmonar originado por uma disfunção
cardíaca.(informações do Estadão)
Foto: Evento começou com chuva, na Praça do Rádio Clube


