Cidades

DESPEDIDA

Recesso branco esvazia sessão de homenagem a Tuma

Recesso branco esvazia sessão de homenagem a Tuma

ESTADÃO

26/10/2010 - 15h16
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Um plenário esvaziado por causa do recesso branco, decorrente do segundo turno das eleições, prestou as últimas homenagens ao senador Romeu Tuma (PTB-SP), que morreu no início da tarde de hoje, aos 79 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A presidente em exercício, senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), encerrou a sessão mais cedo, por volta das 15h, em luto pelo parlamentar e designou uma comissão de senadores para representar a instituição no velório, que prossegue até amanhã na capital paulista.

Os senadores Marco Maciel (DEM-PE), Álvaro Dias (PSDB-PR), Pedro Simon (PMDB-RS), Gim Argello (PTB-DF) e Cristovam Buarque (PDT-DF) ocuparam a tribuna para homenagear o colega de parlamento. "O senador Romeu Tuma deixou aqui grandes amigos. Ele era uma personalidade de trato ameno, convivia com todos e era extremamente assíduo, frequente, nas sessões do Senado", discursou Marco Maciel. Eles foram correligionários até 2008, quando Tuma trocou o DEM pelo PTB. (Tuma trocou de partido porque o DEM não lhe garantiu a legenda para disputar a reeleição).

O líder do PSDB em exercício, Álvaro Dias, chamou a atenção para o perfil contraditório de Romeu Tuma: "De um lado, o policial duro, apelidado de xerifão, e, de outro lado, o homem cordial, conciliador, que procurava, no Senado Federal, estabelecer um relacionamento de amizade ímpar. Tinha o respeito de todos os seus pares, exatamente por essa postura respeitosa que devotava a todos".

Referindo-se à generosidade de Tuma, Pedro Simon lembrou-se de quando ele escoltou o então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontrava preso no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), em São Paulo, para visitar a mãe no leito de morte. Simon também se dirigiu à viúva de Tuma, dona Zilda, que, segundo o peemedebista, zelava pela saúde do companheiro. "Nosso sentimento de pesar à viúva, dona Zilda, com quem ele era casado há muitos e muitos anos. Ela era uma espécie de fiscal dos medicamentos que ele tomava. Frequentemente, ela ligava para ele dizendo: "Está na hora de tomar tal ou qual remédio", revelou Simon.

 

Twitter

Fora de Brasília, muitos senadores prestaram homenagens a Tuma pelo Twitter. "Tuma, homem da segurança, delegado da Polícia Federal, corregedor do Senado, jamais deixou a firmeza ofuscar a ternura. Saúdo sua memória", escreveu o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), em seu perfil no microblog.

"Tuma era também um dos maiores especialistas em direito penal do Brasil, além de ter sido grande conhecedor da segurança pública nesse país", escreveu no Twitter o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). "Triste com a perda do amigo, companheiro e conciliador, o senador Romeu Tuma. O Senado e o Brasil perdem uma grande figura humana", anotou o petista Delcídio Amaral (MS).

 Comitiva

 Os senadores Aloizio Mercadante (PT-SP) e Eduardo Suplicy (PT-SP), conterrâneos de Tuma - e que se encontram em São Paulo - integram a comissão que representará o Senado no velório. Também devem viajar a São Paulo como representantes da instituição o líder do PTB, Argello, e Simon.

 Segunda vice-presidente do Senado, a senadora Serys deverá representar a presidência da Casa. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não deve viajar a São Paulo, porque convalesce de uma cirurgia cardíaca a que se submeteu no Hospital Sírio-Libanês no início do mês.



Mobilidade

Transporte público terá operação especial no aniversário de Campo Grande

Medida busca adequar a oferta de ônibus à movimentação do feriado

25/08/2026 18h15

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) preparou um plano operacional especial para o transporte público nesta quarta-feira (26), feriado em comemoração aos 127 anos de Campo Grande.

De acordo com o planejamento, as linhas do transporte coletivo irão operar conforme o Plano Funcional de Domingos e Feriados, medida que busca adequar a oferta de ônibus à movimentação esperada na Capital durante a programação especial. 

As linhas 080, 081, 515 e 522, no entanto, funcionarão com o Plano Operacional de Sábado. Já a linha 234 seguirá a programação rotineira. 

A prefeitura disponibilizará dois veículos na reserva com tripulação nos terminais Guaicurus, Morenão, Bandeirantes, Aero Rancho, Júlio de Castilho, General Osório, Nova Bahia e Hércules Maymone. A estrutura estará disponível das 5h às 19h para atender eventuais necessidades durante a operação.

Serão mantidos cinco veículos reserva, com tripulação, na Praça do Rádio Clube, das 11h às 13h, período de maior movimentação previsto no local.

O Consórcio Guaicurus deverá acompanhar a operação das linhas e, quando necessário ou mediante determinação da fiscalização da Agetran, realizar ajustes após os horários de pico. Os períodos considerados são das 5h30 às 8h30, das 10h30 às 13h30 e das 16h às 18h30. As adequações ficarão limitadas ao aumento da oferta de veículos para atender à demanda.

A Agetran também fará o acompanhamento da operação em tempo real, com possibilidade de ajustes ao longo do dia. A medida tem como objetivo garantir maior agilidade e eficiência no transporte coletivo durante o feriado e os eventos que integram a programação dos 127 anos de Campo Grande.

Erro Médico

Mulher trata HIV por oito anos sem ter o vírus em Campo Grande

TJMS manteve condenação da Prefeitura de Campo Grande ao pagamento de R$ 50 mil; documentos médicos indicaram que a paciente nunca foi portadora do vírus

25/08/2026 18h01

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV.

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV. Foto: Divulgação TJMS.

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Uma mulher submetida durante aproximadamente oito anos a tratamento contínuo contra o HIV descobriu que jamais esteve infectada pelo vírus. O caso, iniciado com um diagnóstico positivo realizado em 2016 na rede pública de saúde de Campo Grande, terminou com a manutenção de uma indenização de R$ 50 mil por danos morais.

A decisão foi proferida pela 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que rejeitou por unanimidade o recurso apresentado pelo município. O colegiado confirmou a sentença da 2ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos da Capital.

De acordo com o processo, a paciente recebeu o diagnóstico de HIV em 2016 e, desde então, passou a seguir o tratamento indicado pelos profissionais da rede municipal.

Durante os anos seguintes, fez uso contínuo de medicamentos antirretrovirais, acreditando ser portadora de uma infecção crônica e ainda cercada por forte estigma social.

A situação começou a ser esclarecida somente em 2024, quando um novo exame apresentou resultado não reagente.

A própria equipe de saúde passou a registrar a possibilidade de falso positivo no diagnóstico inicial. Posteriormente, um documento médico atestou que a mulher nunca havia sido infectada pelo HIV.

Oito anos convivendo com um diagnóstico equivocado

Ao analisar o caso, o Tribunal considerou que o dano não se limitou à informação incorreta recebida em 2016. Para os desembargadores, a falha também esteve na manutenção do diagnóstico e do tratamento durante cerca de oito anos, sem que a condição da paciente fosse devidamente confirmada.

Nesse período, a mulher permaneceu exposta a medicamentos considerados potencialmente tóxicos e às consequências emocionais de acreditar que possuía uma doença incurável.

O acórdão destacou ainda o impacto psicológico e social associado ao HIV, condição que, apesar dos avanços da medicina, continua sendo alvo de preconceito e desinformação.

No recurso, a Prefeitura de Campo Grande sustentou que não houve falha na prestação do serviço público.

O município argumentou que os exames poderiam apresentar limitações científicas e que a responsabilização dependeria da comprovação de culpa dos profissionais envolvidos. Também pediu, alternativamente, a redução do valor da indenização.

As alegações não foram acolhidas. Segundo o relator, desembargador Alexandre Raslan, o município não apresentou prova técnica capaz de demonstrar que o resultado não reagente, ou seja, negativo para a presença do HIV, obtido em 2024 seria compatível com uma infecção verdadeira diagnosticada oito anos antes.

Também não comprovou que o erro teria decorrido de uma limitação científica inevitável.

Ainda que o primeiro resultado positivo pudesse ser atribuído a uma eventual falha do método de testagem, o Tribunal entendeu que essa possibilidade não explicaria a continuidade do diagnóstico equivocado e da medicação por um período tão prolongado.

Responsabilidade do poder público

O julgamento reconheceu a responsabilidade objetiva do município porque o diagnóstico, a prescrição e o fornecimento dos medicamentos decorreram de ações praticadas por agentes públicos.

Nesses casos, conforme prevê a Constituição Federal, não é necessário demonstrar individualmente a culpa de cada profissional, desde que estejam comprovados o dano e a relação entre a atuação estatal e o prejuízo sofrido.

Para os magistrados, não houve culpa da paciente nem qualquer acontecimento externo capaz de afastar a responsabilidade da administração municipal. A mulher apenas seguiu as orientações médicas que recebeu e cumpriu durante anos o tratamento estabelecido pela própria rede pública.

O valor de R$ 50 mil foi mantido por ser considerado proporcional à gravidade do dano, ao sofrimento provocado e aos cerca de oito anos de tratamento desnecessário, além de cumprir a função pedagógica de evitar falhas semelhantes na rede pública de saúde.

A decisão foi publicada no Diário da Justiça de Mato Grosso do Sul desta terça-feira (25). Embora a condenação tenha sido mantida pelo TJMS, ainda podem ser apresentados recursos às instâncias superiores, dentro dos prazos previstos em lei.

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