Cidades

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Recortes de jornais da Biblioteca do Senado serão digitalizados

Recortes de jornais da Biblioteca do Senado serão digitalizados

Redação

13/08/2010 - 01h00
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Um acervo de três milhões de recortes de jornais sobre os mais variados assuntos - aproximadamente cinco mil temas -, coletados pela Biblioteca do Senado desde 1974, sairá das estantes deslizantes, climatizadas e com sistema de segurança, onde estão armazenados, para entrar no espaço virtual da internet, por meio da digitalização. Com isso, uma enorme gama de informações estará à disposição de toda a população brasileira e também de interessados em todo o mundo.

O processo de digitalização será realizado pela Secretaria Especial de Editoração e Publicações (Gráfica do Senado) que, com esse trabalho, inicia uma nova modalidade de prestação de serviço.

A conclusão da primeira etapa está prevista para o final deste ano. São cerca de 160 mil recortes de jornais sobre eleição, partido político e legislação eleitoral. Quando o trabalho de digitalização estiver concluído, os interessados poderão ter acesso ao texto completo da notícia, com a recuperação podendo ser feita por autor, título, nome do jornal, data e assuntos, no site da Biblioteca Digital do Senado, pelo endereço http://www2.senado.gov.br/bdsf/.

- É um projeto importante para a memória brasileira, possibilitando o acesso ao nosso patrimônio histórico sobre ciências políticas e sociais em língua portuguesa. Vai representar uma mudança absoluta na democratização do acesso à informação - afirma a diretora da biblioteca, Simone Bastos Viera.

 

Edição completa

Além de guardar os recortes de jornais classificados por temas, a Biblioteca do Senado mantém, em arquivos, a edição completa do jornal em papel, trabalho que teve início em 1985 e já conta com mais de 60 mil exemplares. Em microfilmes, há exemplares de alguns jornais mais antigos. Há preciosidades nesses espaços, como a coleção do Correio Braziliense de 1808 a 1974.

Atualmente, nove jornais de circulação nacional são arquivados diariamente, em sua versão completa: O Globo, O Dia, Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Jornal da Tarde, Correio Braziliense, Jornal de Brasília e Valor Econômico. Dessas mesmas publicações, são feitos os recortes guardados em papel. Mesmo com o processo de digitalização desse material, a versão integral dos periódicos continuará sendo arquivada.

 

Pesquisas

Cerca de mil e quinhentas consultas são feitas anualmente ao material microfilmado. O usuário conta com uma sala na biblioteca para realizar sua pesquisa em máquinas apropriadas para a leitura, podendo gravar os arquivos de seu interesse em CDs ou pendrives.

Já as consultas aos recortes de jornais são estimadas em 34 mil a cada ano, por item solicitado. Enquanto todo o acervo de recortes não estiver digitalizado, o usuário poderá continuar realizando pesquisas na Biblioteca do Senado, em Brasília. É cobrado apenas o valor de R$ 0,30 pela cópia de cada recorte solicitado.

 

Constituinte

Em 1987, a Biblioteca iniciou um processo pioneiro de digitalização de recortes de jornais sobre a cobertura da Assembleia Constituinte. O banco de dados sobre esse assunto conta atualmente com cerca de 34 mil textos digitalizados e acessíveis aos usuários em qualquer terminal de computador.

A Biblioteca também deu início, em 2004, à clipagem eletrônica de alguns jornais, reunindo, em um banco de notícias, o material que as empresas jornalísticas disponibilizam diariamente na internet. Esse banco já conta com quase 132 mil notícias, que podem ser recuperadas por título, autor, assunto e data. Paralelamente a esse trabalho, o recorte dos jornais continua sendo realizado para as notícias que não são encontradas na internet.

 

(Agência Senado)

Mobilidade

Transporte público terá operação especial no aniversário de Campo Grande

Medida busca adequar a oferta de ônibus à movimentação do feriado

25/08/2026 18h15

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) preparou um plano operacional especial para o transporte público nesta quarta-feira (26), feriado em comemoração aos 127 anos de Campo Grande.

De acordo com o planejamento, as linhas do transporte coletivo irão operar conforme o Plano Funcional de Domingos e Feriados, medida que busca adequar a oferta de ônibus à movimentação esperada na Capital durante a programação especial. 

As linhas 080, 081, 515 e 522, no entanto, funcionarão com o Plano Operacional de Sábado. Já a linha 234 seguirá a programação rotineira. 

A prefeitura disponibilizará dois veículos na reserva com tripulação nos terminais Guaicurus, Morenão, Bandeirantes, Aero Rancho, Júlio de Castilho, General Osório, Nova Bahia e Hércules Maymone. A estrutura estará disponível das 5h às 19h para atender eventuais necessidades durante a operação.

Serão mantidos cinco veículos reserva, com tripulação, na Praça do Rádio Clube, das 11h às 13h, período de maior movimentação previsto no local.

O Consórcio Guaicurus deverá acompanhar a operação das linhas e, quando necessário ou mediante determinação da fiscalização da Agetran, realizar ajustes após os horários de pico. Os períodos considerados são das 5h30 às 8h30, das 10h30 às 13h30 e das 16h às 18h30. As adequações ficarão limitadas ao aumento da oferta de veículos para atender à demanda.

A Agetran também fará o acompanhamento da operação em tempo real, com possibilidade de ajustes ao longo do dia. A medida tem como objetivo garantir maior agilidade e eficiência no transporte coletivo durante o feriado e os eventos que integram a programação dos 127 anos de Campo Grande.

Erro Médico

Mulher trata HIV por oito anos sem ter o vírus em Campo Grande

TJMS manteve condenação da Prefeitura de Campo Grande ao pagamento de R$ 50 mil; documentos médicos indicaram que a paciente nunca foi portadora do vírus

25/08/2026 18h01

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV.

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV. Foto: Divulgação TJMS.

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Uma mulher submetida durante aproximadamente oito anos a tratamento contínuo contra o HIV descobriu que jamais esteve infectada pelo vírus. O caso, iniciado com um diagnóstico positivo realizado em 2016 na rede pública de saúde de Campo Grande, terminou com a manutenção de uma indenização de R$ 50 mil por danos morais.

A decisão foi proferida pela 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que rejeitou por unanimidade o recurso apresentado pelo município. O colegiado confirmou a sentença da 2ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos da Capital.

De acordo com o processo, a paciente recebeu o diagnóstico de HIV em 2016 e, desde então, passou a seguir o tratamento indicado pelos profissionais da rede municipal.

Durante os anos seguintes, fez uso contínuo de medicamentos antirretrovirais, acreditando ser portadora de uma infecção crônica e ainda cercada por forte estigma social.

A situação começou a ser esclarecida somente em 2024, quando um novo exame apresentou resultado não reagente.

A própria equipe de saúde passou a registrar a possibilidade de falso positivo no diagnóstico inicial. Posteriormente, um documento médico atestou que a mulher nunca havia sido infectada pelo HIV.

Oito anos convivendo com um diagnóstico equivocado

Ao analisar o caso, o Tribunal considerou que o dano não se limitou à informação incorreta recebida em 2016. Para os desembargadores, a falha também esteve na manutenção do diagnóstico e do tratamento durante cerca de oito anos, sem que a condição da paciente fosse devidamente confirmada.

Nesse período, a mulher permaneceu exposta a medicamentos considerados potencialmente tóxicos e às consequências emocionais de acreditar que possuía uma doença incurável.

O acórdão destacou ainda o impacto psicológico e social associado ao HIV, condição que, apesar dos avanços da medicina, continua sendo alvo de preconceito e desinformação.

No recurso, a Prefeitura de Campo Grande sustentou que não houve falha na prestação do serviço público.

O município argumentou que os exames poderiam apresentar limitações científicas e que a responsabilização dependeria da comprovação de culpa dos profissionais envolvidos. Também pediu, alternativamente, a redução do valor da indenização.

As alegações não foram acolhidas. Segundo o relator, desembargador Alexandre Raslan, o município não apresentou prova técnica capaz de demonstrar que o resultado não reagente, ou seja, negativo para a presença do HIV, obtido em 2024 seria compatível com uma infecção verdadeira diagnosticada oito anos antes.

Também não comprovou que o erro teria decorrido de uma limitação científica inevitável.

Ainda que o primeiro resultado positivo pudesse ser atribuído a uma eventual falha do método de testagem, o Tribunal entendeu que essa possibilidade não explicaria a continuidade do diagnóstico equivocado e da medicação por um período tão prolongado.

Responsabilidade do poder público

O julgamento reconheceu a responsabilidade objetiva do município porque o diagnóstico, a prescrição e o fornecimento dos medicamentos decorreram de ações praticadas por agentes públicos.

Nesses casos, conforme prevê a Constituição Federal, não é necessário demonstrar individualmente a culpa de cada profissional, desde que estejam comprovados o dano e a relação entre a atuação estatal e o prejuízo sofrido.

Para os magistrados, não houve culpa da paciente nem qualquer acontecimento externo capaz de afastar a responsabilidade da administração municipal. A mulher apenas seguiu as orientações médicas que recebeu e cumpriu durante anos o tratamento estabelecido pela própria rede pública.

O valor de R$ 50 mil foi mantido por ser considerado proporcional à gravidade do dano, ao sofrimento provocado e aos cerca de oito anos de tratamento desnecessário, além de cumprir a função pedagógica de evitar falhas semelhantes na rede pública de saúde.

A decisão foi publicada no Diário da Justiça de Mato Grosso do Sul desta terça-feira (25). Embora a condenação tenha sido mantida pelo TJMS, ainda podem ser apresentados recursos às instâncias superiores, dentro dos prazos previstos em lei.

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