O desaparecimento da modelo Eliza Samudio, ocorrido em junho de 2010, deu origem a uma das investigações criminais de maior repercussão do país e resultou na condenação do então goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes de Souza, além de outras pessoas ligadas ao atleta. Mesmo após mais de 15 anos, o corpo da vítima nunca foi localizado e o caso permanece sem encerramento material.
Eliza Samudio tinha 25 anos e era natural do Paraná. Ela manteve um relacionamento com Bruno entre 2008 e 2009, período em que engravidou. O atleta se recusava a reconhecer a paternidade e o caso passou a tramitar na Justiça por meio de ações de investigação de paternidade e cobrança de pensão alimentícia.
Antes do desaparecimento, a vítima registrou boletins de ocorrência relatando ameaças, constrangimentos e tentativas de coação. Os registros passaram a integrar o inquérito policial que apurou o caso.
Em junho de 2010, um ano depois do anúncio da gravidez, Eliza foi considerada desaparecida. O último relato sobre o paradeiro dela, indicava para o sítio de Bruno, em Minas Gerais. Diante da ausência de informações, o desaparecimento passou a ser tratado como sequestro e, posteriormente, como homicídio.
De acordo com as informações, Eliza foi mantida em cárcere privado no local, agredida e posteriormente morta. A denúncia indicou que, após o homicídio, o corpo da vítima foi esquartejado e ocultado, com a participação de outros envolvidos.
Apesar das diligências realizadas ao longo dos anos, os restos mortais nunca foram localizados, o que impediu a confirmação material do óbito, embora a Justiça tenha reconhecido o homicídio com base em provas testemunhais, documentais e periciais.
Além de Bola, apontado como executor do crime, outras pessoas foram responsabilizadas por participação no sequestro, na ocultação do cadáver e na logística que envolveu o desaparecimento. Entre elas, estava Dayanne Rodrigues, então esposa de Bruno, acusada de ter auxiliado em etapas do transporte e da ocultação do corpo.
O julgamento de Bruno ocorreu em março de 2013. Ele foi condenado a 22 anos e três meses de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. Marcos Aparecido dos Santos recebeu pena de 22 anos por homicídio e ocultação de cadáver. Outros réus receberam penas que variaram conforme o grau de participação.
Após a condenação, Bruno cumpriu parte da pena em regime fechado e, posteriormente, passou por progressões de regime previstas em lei. Ao deixar o sistema prisional, tentou retomar a carreira no futebol profissional, o que reacendeu o debate público sobre o caso e voltou a projetar nacionalmente o nome de Eliza Samudio.
O filho da modelo com Bruno foi entregue à guarda da avó materna, com quem permanece até hoje. Atualmente, o jovem é atleta pelo Botafogo e foi convocado para a Seleção Brasileira Sub-15 para disputar a Copa no dia 2 de julho.
Mesmo com as condenações, o caso segue com lacunas. A principal delas é a não localização do corpo da vítima, o que mantém a investigação sem encerramento físico e impede a realização de procedimentos formais de sepultamento. A ausência dos restos mortais também faz com que o processo continue sendo relembrado em revisões judiciais, reportagens e discussões públicas sobre violência contra a mulher e responsabilização criminal.
O caso Eliza Samudio permanece como um dos episódios criminais mais conhecidos do país, tanto pela repercussão quanto pelo envolvimento de um atleta de projeção nacional e pelas circunstâncias que cercaram o desaparecimento e a morte da vítima.

