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Relicitação da BR-163 será tema de audiência pública na Assembleia Legislativa de MS

Evento estadual terá o objetivo de colher sugestões e apresentá-las em audiência nacional sobre a rodovia

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Com o prazo para relicitação da BR-163 prorrogado por mais dois anos, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul irá realizar, no dia 21 de março, às 9h00.um Audiência Pública para tratar sobre o assunto. 

De acordo com o presidente da Casa de Leis, deputado Gerson Claro (PP), a audiência tem o objetivo de contribuir com sugestões para Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). 

O evento acontece um dia antes da audiência pública promovida pela ANTT, que acontece em Brasília (DF), no dia 22 de março. Na oportunidade, a Casa de Leis irá recolher as reivindicações dos parlamentares e representantes da sociedade para serem levadas para o debate com a agência reguladora. 

“A Assembleia Legislativa irá contribuir com sugestões à Agência Nacional de Transportes Terrestres. Vamos envolver os parlamentares, municípios e o governo do Estado”, explicou o presidente. 

A rodovia atravessa MS por 847 quilômetros, saindo de Sonora, divisa do estado com Mato Grosso, seguindo até Mundo Novo, na divisa com o Paraná. A ANTT estuda a concessão de 379,6 quilômetros a partir do entroncamento com a BR-262, em Campo Grande, até a divisa com o Estado de Mato Grosso, no fim da ponte Rio Correntes. 

Gerson ainda afirma que a participação da comissão do estado na audiência em Brasília é fundamental para que o interesse de quem depende da rodovia seja ouvido, além de pedir o investimento necessário para a Agência Nacional. 

“É fundamental garantir que a futura concessionária faça investimentos que tornem o tráfego na rodovia mais seguro, com abertura de terceira pista, duplicação de trechos críticos e promova intervenções em áreas urbanas, como o anel viário de Campo Grande", destaca Claro.

Na audiência de Brasília, a Assembleia estará representada pelos deputados Junior Mochi (MDB), Roberto Hashioka (União), Pedro Kemp (PT) e Mara Caseiro (PSDB), que serão porta-vozes das sugestões propostas no dia anterior em Campo Grande. 

CCR VIA

A CCR Via administra a BR-163 desde 2014, com cobrança de pedágio. No entanto, menos de 20% da rodovia foram duplicados, mesmo que o contrato tenha previsto que conforme era esperado da empresa. 

No contrato assinado em 2014, a CCR MSVia assumiu o compromisso de investir R $5,69 bilhões em 30 anos, com previsão de arrecadar R$ 18,8 bilhões, segundo estimativas do governo federal à época.

Se a empresa cumprisse com o acordado, já deveriam ter sido duplicados 806,3 km e realizadas diversas obras nos primeiros cinco anos de privatização. A estrada recebeu apenas as obras mínimas exigidas para ser cobrado o pedágio. 

A rodovia foi dividida em dois lote, sendo que de Sonora até Campo Grande, o trecho foi denominado de Rota Pantanal e de Campo Grande à Mundo Novo, é conhecido como Tuiuiú, onde foi incorporada a BR - 267, entre Nova Alvorado e Bataguassu. 

Na primeira parcela está prevista a duplicação de 67 quilômetros, 84 quilômetros de faixas adicionais, 2,5 quilômetros de vias marginais, implantação de travessias urbanas e diversos dispositivos de segurança, passagens de fauna, pontos de ônibus e passarelas.

Enquanto perdurar o prazo para a relicitação, a CCR continua administrando a rodovia, mas sem ter a obrigação de fazer novos investimentos, como duplicação da pista ou outras obras. A empresa terá de manter a pista de rolamento em condições de uso e continuará cobrando o pedágio normalmente.

Mato Grosso do Sul

Brasil precisa liderar combate ao crime na fronteira, diz especialista em PCC

Lincoln Gakiya, promotor que investiga a organização há mais de 20 anos, defende protagonismo do País nas ações contra o crime para evitar que autoridades continuem "enxugando gelo" ao atuar nas fronteiras com Bolívia e Paraguai em MS

10/08/2026 05h00

Promotor de Justiça de São Paulo, Lincoln Gackiya

Promotor de Justiça de São Paulo, Lincoln Gackiya Divulgação

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O promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya, é uma das autoridades que mais conhecem a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa que nasceu nos presídios paulistas e hoje domina o crime em diversos Estados brasileiros, como Mato Grosso do Sul, por exemplo, e atua nas regiões de fronteira e mantém ramificações em outros países.

Promotor da cidade de Presidente Prudente (SP), município paulista a poucos quilômetros da divisa com Mato Grosso do Sul, Gakya conhece como poucos a maneira como a organização se estrutura nas fronteiras do Brasil com Bolívia e Paraguai, em MS, e tem a receita para reduzir o poder desses grupos criminosos: cooperação entre as forças de segurança nacionais por meio de uma ação coordenada, liderada por uma agência antimáfia, e cooperação também com os países de fronteira, sendo que, neste caso, o Brasil deve assumir o protagonismo no combate ao crime.

Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, durante o Congresso Internacional de Jornalismo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Gakiya disse que é essencial que o Brasil lidere o combate ao crime na região de fronteira.

“Se o Brasil, como maior nação da América do Sul, não liderar essas tratativas, continuaremos apenas ‘enxugando gelo’ e o problema aumentará nos próximos anos”, alertou o promotor, que investiga o PCC há mais de duas décadas e vive sob proteção permanente da polícia por causa das ameaças que recebe da organização criminosa.

Gakya lembrou que o PCC fincou bandeira do lado paraguaio da fronteira há pouco mais de 10 anos, depois da morte do traficante Jorge Rafaat, em Pedro Juan Caballero, e escalou representantes para gerenciar o crime nas fronteiras com Paraguai e Bolívia.

É o caso de Sérgio Arruda Quintiliano Neto, o Minotauro, que cumpre pena no sistema penitenciário federal desde 2019 e que era um dos chefões do PCC na região de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero.

A estratégia para combater o crime em Estados fronteiriços como Mato Grosso do Sul, segundo Gakya, consiste em duas frentes: cooperação interna, com integração e coordenação, e cooperação internacional.

“Tratamos de um problema em que a droga passa por Mato Grosso do Sul, vinda do Paraguai, Bolívia ou Peru, para ser distribuída em São Paulo, Rio de Janeiro e exportada para a Europa”, exemplifica o promotor do Gaeco de São Paulo. Segundo ele, Estados como MS e o Paraná, embora não tenham criado o PCC (que é sediado em São Paulo), convivem com a violência gerada pela disputa pelas rotas do tráfico na fronteira. Já há evidências de que Comando Vermelho e PCC têm disputado essas rotas.

Por isso, no âmbito interno, o promotor de Justiça defende a criação de uma Agência Nacional Anticrime. “Defendo a criação de uma Agência Nacional para combater a criminalidade organizada, que reuniria polícias estaduais e federais, Receita, COAF e Ministérios Públicos em um objetivo comum”, detalha.

“Além disso, a cooperação internacional é vital, pois a cocaína consumida e exportada pelo Brasil é produzida apenas na Bolívia, Peru e Colômbia. Se o Brasil, como a maior nação da América do Sul, não liderar essas tratativas, continuaremos apenas ‘enxugando gelo’ e o problema aumentará nos próximos anos”, complementou.

Bolívia

Com Bolívia e Paraguai, o Brasil já tem importantes acordos de cooperação, mas segundo o promotor Lincoln Gakiya, é preciso que a cooperação se aprofunde para tornar o combate às organizações criminosas mais efetivo. 

Recentemente, o governo da Bolívia anunciou a instalação de um escritório permanente da Polícia Federal brasileira no país para combater o narcotráfico e facções como PCC e Comando Vermelho, em meio a uma escalada de violência na fronteira. 

O acordo prevê intercâmbio contínuo de inteligência e o plano “Fronteiras Seguras”, conforme anúncio feito neste mês de julho pelo ministro de governo da Bolívia, Marco Oviedo. 
Entre as ações previstas estão o aumento do efetivo policial e de operações integradas de inteligência. 

Apesar de acordo como este, um dos maiores problemas na Bolívia é enfrentar a facilidade que os criminosos brasileiros têm em se instalar no país vizinho, onde autoridades policiais costumam ter um salário bem inferior ao dos policiais brasileiros. 

Gakiya acredita que não é apenas o salário baixo que prejudica o combate ao crime no País vizinho.

“Eu acho que não é só isso [o salário baixo] que vai medir o valor da questão da corrupção, porque o dinheiro para eles [criminosos] não é problema”, comentou. 

“Mas claro que é um fator facilitador. O problema ali é que a corrupção na Bolívia já está arraigada no Estado, já está dentro das instituições. Isso é muito difícil de tirar", complementou. 

Proibição

Anvisa proíbe seis tipos de sal fabricados clandestinamente

De acordo com a agência, os produtos eram fabricados por empresa desconhecida

09/08/2026 22h00

Divulgação: Anvisa

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e proibiu a venda, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso de todos os produtos da marca Quanqton: "Quanqton Ocean Salts", "Sal integral Quanqton", "Sal Perfeito, New Quantic", "Endurance" e "Sal Marinho Integral". O Estadão não conseguiu localizar os responsáveis pelas marcas.

De acordo com a agência, os produtos eram fabricados por empresa desconhecida, de forma clandestina e, portanto, não têm regularização sanitária.

Além de plataformas de e-commerce, os produtos eram vendidos por meio de um site próprio, onde eram veiculadas propagandas com falsas alegações, como as de que o produto seria um "sal marinho integral com concentração elevada de magnésio", desenvolvido para "atletas que precisam de reposição mineral real durante e após o esforço físico intenso".

Entre as promessas associadas ao produto estavam ainda evitar "cãibra e fadiga muscular", "reposição mineral durante treinos longos e provas", "prevenção de cãibras e fadiga muscular", "hidratação celular real - não só água, mas eletrólitos que o corpo absorve", "recuperação mais rápida após esforço intenso" e "equilíbrio do sistema nervoso e muscular".

No site, também havia alegações de que os produtos seriam superiores ao sal de cozinha comum, que passa por um processo de refinamento. Vale lembrar, porém, que, embora o refinamento retire parte dos minerais naturalmente presentes no sal bruto, isso não significa uma perda nutricional relevante.

O sal de cozinha é composto principalmente por cloreto de sódio e, no Brasil, é iodado - ou seja, recebe iodo, nutriente essencial para a produção dos hormônios da tireoide e importante para o desenvolvimento neurológico.

A reportagem tentou localizar os responsáveis pela marca, mas não há informações de contato disponíveis no site onde os produtos são oficialmente vendidos.
 

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