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cartão vermelho

Repasses da CBF a MS estão entre os maiores do País

Em 2021, ano que entrou na mira do Gaeco, o repasse mensal foi de R$ 180 mil. Só quatro federações foram contempladas com valores mais altos

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Embora os balanços anuais não divulguem os repasses da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS) é uma das “queridinhas” da entidade máxima do futebol brasileiro. Em 2021, por exemplo, a entidade comandada por Francisco Cezário recebeu a “bagatela” de R$ 180 mil mensais, ficando atrás apenas de outras quatro federações. 

No total, naquele ano, o futebol de MS, o terceiro pior no ranking das federações, foi contemplado por R$ 2,15 milhões da CBF, sendo que a maior parte dos estados recebeu “apenas” 1,2 milhão. Somente os estados do Pará, Paraná, Goiás e Santa Cataria receberam um pouco mais. O Paraná recebeu R$ 3 milhões. 

E, além desta mesada, Francisco Cezário, que está no oitavo mandato à frente da Federação, recebeu ainda cerca de R$ 1,5 milhão de outras fontes. A principal delas foi de repasses estaduais. Somente para bancar o campeonato estadual da Série A foram em torno de R$ 820 mil. 

Investigadores apreenderam cerca de R$ 800 mil na casa de Francisco Cezário

Parte deste dinheiro, aponta agora a investigação do Ministério Público por meio da Operação Cartão Vermelho, ia para os bolsos do presidente da Federação. Na casa dele foram encontrados mais de R$ 800 mil em espécie nesta terça-feira (21). 

Somente entre setembro de 2018 e fevereiro de 2023, segundo o Gaeco, os desvios superam os R$ 6 milhões. Neste período ocorreram mais de 1,2 mil saques de até cinco mil reais para tentar esconder a suposta corrupção. 

E por conta disso, a Justiça emitiu sete mandados de prisão e 14 de busca e apreensão. Pelo menos cinco pessoas foram presas na manhã desta terça-feira, entre elas Francisco Cezário.

No balanço anual, a Federação de MS divulga os repasses feitos pelo Governo do Estado, mas em nenhum deles aparecem os repasses da CBF, que em 2021 representaram 60% do faturamento da Federação. 

O valor do repasse de R$ 2,15 milhões em 2021 foi divulgado em reportagem do Jornal Folha de São Paulo em maio de 2022. A reportagem mostra que a mesada da CBF é mais de 50% da receita de dez federações e que todas elas votaram a favor do atual presidente da CBF.

As federações são as principais eleitoras para a presidência da CBF, com peso 3 na votação (clubes da Série A têm voto com peso 2 e os da B, peso 1). Em março de 2022,  Ednaldo Rorigues, ex-chefe da Federação da Bahia, foi eleito presidente da CBF, cargo que ocupará até 2026

Em 2021, por conta dos generosos repasses, a FFMS fechou com saldo positivo de R$ 52,6 mil. Nos dois anos seguintes, o balanço mostra déficit. Em 2022 o prejuízo foi de R$ 492 mil e no ano passado, de R$ 218 mil. 

Mandado de segurança

IPTU 2026: "guerra jurídica" continua; OAB-MS recorre por retomada de desconto de 20%

Em Campo Grande, OAB-MS obteve vitória parcial ao limitar aumento do IPTU à inflação, mas recorre para restabelecer desconto de 20%.

11/02/2026 21h13

Presidente da OAB-MS, Bitto Pereira

Presidente da OAB-MS, Bitto Pereira Gerson Oliveira

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A “guerra jurídica” contra o município em razão do aumento no valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em Campo Grande ainda não terminou.

Apesar de a liminar do juiz da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, Ariovaldo Nantes Corrêa, que limita o aumento do imposto a 5,32%, ter sido confirmada pelo Tribunal de Justiça, a Seccional de Mato Grosso do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS) agravou a decisão, pedindo a concessão de pontos não atendidos pelo juiz de 1º grau.

A OAB-MS quer que a 1ª Câmara Cível suspenda a cobrança do IPTU 2026 nas modalidades parcelado e à vista, caso não sejam concedidos os descontos de 10% (para pagamento parcelado) e de 20% (para pagamento à vista), como ocorria nos anos anteriores.

No IPTU deste ano, o município eliminou os 20% de desconto para pagamento à vista e passou a oferecer 10% nessa modalidade. Quem paga parcelado, em princípio, não tem desconto.

O agravo deve ser julgado pela juíza em função especial (que ocupa cargo de desembargadora) Denise Dódero, preventa para o caso.

“Dessa forma, ao suprimir o desconto aplicável ao pagamento parcelado e permitir a imediata exigência do IPTU sob regime mais gravoso, a alteração legislativa viola a anterioridade nonagesimal, pois introduz majoração indireta do tributo em lapso inferior ao constitucionalmente tolerado”, argumenta a OAB no agravo, assinado por seu presidente, Bitto Pereira; pela vice-presidente, Maria do Carmo Taques; pelo secretário-geral, Luiz Renê Gonçalves do Amaral; pela secretária-adjunta, Letícia Arrais Miranda Guimarães; pelo diretor-tesoureiro, Fábio Nogueira Costa; pelo presidente da Comissão de Assuntos Tributários, Marcelo Barbosa Alves Vieira; e pelos membros da comissão Janaína Galeano Silva e Hugo Gagnin Conforte.

O agravo foi ajuizado na véspera do prazo final para pagamento do IPTU com desconto de 10% à vista. Nesta quinta-feira (12), os contribuintes que não tiveram aumento superior a 5,32% no valor final cobrado deverão pagar o imposto com o desconto à vista ou a primeira parcela.

O município terá de disponibilizar informações, como o valor venal do imóvel nos exercícios de 2025 e 2026, em canal de fácil compreensão para o contribuinte, para que ele possa fazer a comparação e verificar se o vencimento permanece em 12 de fevereiro, nos casos em que o aumento seja inferior à limitação imposta na decisão, ou se o reajuste foi superior a 5,32%, hipótese em que o vencimento deverá ocorrer em até 30 dias após a disponibilização do boleto para pagamento.

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INQUÉRITO CIVIL

Balneário em Bonito é investigado por instalações irregulares às margens do Rio Formoso

O Imasul verificou a existência de rancho comercial, quiosques, poço tubular, fossa séptica, além de diversos decks construídos em desacordo com as normas vigentes

11/02/2026 20h30

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Estruturas turísticas instaladas sem autorização às margens do Rio Formoso, na propriedade rural chamada Fazenda Rincão Bonito,  de Dino Rogério Coinete Franklin, levaram a 2ª Promotoria de Justiça de Bonito a instaurar inquérito civil para apurar a ocorrência de possíveis danos ambientais e irregularidades consistentes na instalação e operação de empreendimento.

O inquérito vai investigar o local, que tem como finalidade comercial o turismo, e é acusado de intervir em área de preservação permanente (APP) às margens do Rio Formoso e fazer uso de recurso hídrico sem a devida regularização. O procedimento foi aberto após constatações do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). 

Conforme os autos encaminhados ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a fiscalização realizada pelo Imasul verificou a existência de rancho comercial, quiosques, poço tubular, fossa séptica, além de diversos decks construídos em desacordo com as normas vigentes.

As estruturas estavam sendo ofertadas para locação via plataformas digitais e funcionavam como ponto de hospedagem e lazer, o que caracteriza atividade turística não licenciada. Durante a vistoria, também foi constatado que a propriedade recebia grupos de visitantes mediante pagamento, reforçando a natureza comercial da atividade.

Outro ponto que motivou a atuação da Promotoria de Justiça foi a identificação de intervenção em Área de Preservação Permanente (APP) às margens do Rio Formoso.

Segundo o laudo técnico, houve plantio de gramínea exótica e supressão da regeneração natural da vegetação nativa em uma faixa correspondente à área protegida, o que viola a legislação ambiental e compromete o equilíbrio do ecossistema local. A Polícia Militar Ambiental já havia autuado a propriedade anteriormente por passivo semelhante, indicando reincidência na prática.

Além da intervenção irregular na APP, a fiscalização apontou o uso de recurso hídrico subterrâneo sem a necessária Declaração de Uso de Recursos Hídricos (DURH). O empreendimento mantinha poço tubular ativo, que operava sem o título obrigatório para captação, o que motivou nova autuação administrativa e reforçou a necessidade de aprofundamento da investigação.

Auto de infração

Em razão das irregularidades,o Imasul aplicou a multa administrativa no valor total de R$ 15 mil, considerando três infrações:

  • funcionamento de rancho comercial sem licença ambiental
  • instalação de decks sem autorização
  • e uso de recursos hídricos sem regularização.

Além disso, o MPMS requisitou ao Imasul informações sobre a existência de licenças, autorizações ou qualquer processo de regularização ambiental vinculado ao imóvel.

Além disso, enviou ofício ao Cartório de Registro de Imóveis para confirmação da matrícula atualizada da propriedade e notificou Dino Rogério Coinete Franklin para apresentar esclarecimentos e eventual defesa no prazo legal.

O novo inquérito soma-se a outros procedimentos já instaurados em desfavor do mesmo investigado, que responde por diversas infrações ambientais relacionadas à mesma fazenda. Certidões anexadas ao processo demonstram histórico de autuações e ações de responsabilização ambiental, incluindo procedimento anterior que resultou no ajuizamento de ação civil pública.

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