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REPORTAGEM PREMIADA ? O difícil retorno dos guató às terras dos ancestrais

REPORTAGEM PREMIADA ? O difícil retorno dos guató às terras dos ancestrais

Redação

26/07/2010 - 23h48
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 O jornalista Sílvio Andrade (abaixo do lado esquerdo), correspondente do Correio do Estado, em Corumbá, venceu o Prêmio Famasul de Jornalismo. Ele concorreu à premiação com uma reportagem da Revista Panorama Cultura, de São Paulo, sobre os índios guatós. Sílvio foi selecionado na categoria Impresso/Revista e, ao concorrer com os vencedores das demais categorias, ganhou o prêmio Master, O jornalista esteve no ano passado na aldeia da tribo dos guatós, que fica isolada no Pantanal, a 350 quilõmetros de Corumbá, fronteira com a Bolívia e divisa com Mato Grosso. Sílvio ganhou R$ 2 mil e uma viagem para o Nordeste. O prêmio foi entregue na noite de sexta-feira.  (Milena Crestani).

 

 

Abaixo a reportagem premiada:

 

Nos anos 50 do século 20 foram considerados extintos ? uma sentença de morte implacável, da qual colaborou o sertanista Darcy Ribeiro. Redescobertos duas décadas depois, vivendo do subemprego nas cidades do Pantanal, seu território, os guató, índios canoeiros, renasceram como uma fênix da mitologia. A reorganização da tribo é um fato sui generis na história dos povos indígenas sul-americanos.

No dia 29 de novembro de 1994, os navegantes eternos, como assim se referenciam os espanhóis e portugueses que exploraram a região a partir do século 16, retomaram às terras de seus ancestrais, a Ilha Ínsua, situada no coração da planície pantaneira. Mais do que serem reconhecidos, os guató lutaram contra o Exército brasileiro, que não os queria naquele lugar ermo, por ser fronteira com a Bolívia.

Aos 70 anos, o cacique assume o timão do barco Guató 1, doado por organizações internacionais, único meio de locomoção dos índios. Severo Ferreira foi guarda municipal por 16 anos em Corumbá, onde chegou adolescente acompanhando sua família expulsa da Ilha Ínsua. Filho da artesã Josefina, quis o destino que se tornasse o cacique da tribo e liderasse o retorno dos guató a seu território, em 1994.

Navegando pelo sinuoso Paraguai, rio acima, os olhos marejam quando o velho guató se recorda da luta para recuperar suas terras. Ao lado da esposa, a índia aimoré Dalva, Severo diz que o maior desafio, agora, é reintegrar seu povo ? cerca de 230 índios de uma população estimada em mil. Depois de décadas de abandono, vivendo do subemprego nas cidades, o difícil recomeço com a perda da identidade.

Ele se lembra do dia em que teve de abandonar a ilha, aos 15 anos, para viver num mundo desconhecido. "Quem ficasse teria que trabalhar de peão. O fazendeiro mandou medir e tomou nossas terras", diz. "Quando os estudos nos reconheceram legítimos donos, em 1984, o Exército fez pé duro e não nos deixou voltar. Ganhamos a guerra na democracia, hoje os militares nos servem."

A reconquista das terras veio uma década mais tarde, mas o ato de homologação foi assinado mais tarde, pelo presidente Lula, no dia 10 de dezembro de 2003. "A gente vivia espalhado por todo esse Pantanal, onde mais de 100 aterros contam a nossa história", observa o cacique. Ele pediu mais terras à Funai. "Queremos reaver os alagados, onde tomávamos banho e caçávamos."

 

O amigo Lula

Severo vem travando outra batalha: impedir que os barcos com turistas pesquem em suas águas sagradas e piscosas. Já liderou os guató para fechar a entrada da Lagoa Uberaba, caminho que dá acesso à reserva. Tem o apoio do destacamento do Exército, instalado no lugar chamado Porto Índio, e do Ibama, que monitora a região, entorno do Parque Nacional do Pantanal.

Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), um dos históricos companheiros de Lula, o cacique afirma que cumpriu sua missão, apesar de todas as adversidades. A reserva tem energia solar, água tratada, posto médico e uma escola, que esse ano introduziu o ensino médio e a educação infantil. As famílias recebem cestas básicas do governo, embora Severo preferisse maquinários para plantar.

 

"Quero viajar (morrer) deixando o nome do guató na terra. Nossa luta foi um sucesso, hoje vivemos felizes, em paz".

 

O vínculo com a cidade, contudo, é um mal necessário. Índio também tem direito a férias e na primeira semana de fevereiro o cacique retornou à ilha com a família (quatro filhos e doze netos), depois de dois meses em Corumbá. Ficaram alojados no Guató 1, ancorado no porto da cidade. Tempo suficiente para Severo cobrar mais apoio da Funai e as promessas dos vereadores do PT que ajudou a eleger.

 

Choque cultural

O guató contemporâneo fala como um urbano, não sabe mais sua língua. A cultura do branco predomina na aldeia, no jeito de vestir, no modo de pensar dos mais jovens. As crianças preferem a cidade e brincam o que lá aprenderam, como soltar pipa, descer os barrancos da lagoa em carrinho de rolimã ou "guerrear" com bonecos de heróis da TV comprados na feirinha boliviana, em Corumbá.

O próprio cacique e sua família têm fortes ligações com a cidade, onde viveram no bairro Cristo Redentor. Severo mantinha uma oficina de bicicletas; dona Dalva, cuidava do bolicho. Porém, resistiram à cultura do branco e preferem a vida no mato, pelo qual lutaram heroicamente. "Aqui é melhor do que na cidade. Lá, tudo gira em torno do dinheiro, até por um copo de água", diz Dalva.

 

Sem limites

A readaptação às terras é um desafio, incluindo o isolamento, dificuldades de acesso e a escassez da caça e da pesca, que eram abundantes. A maioria ainda vive como branco. O cacique mantém sua casa na periferia de Corumbá, onde mora um dos filhos, Aida. "Ela ficou na cidade porque o marido (também guató) trabalha de lanterneiro e está bem empregado", justifica ele.

O primo do cacique, Anísio Guilherme Fonseca, 42, também optou pela vida urbana. Formado em Geografia, ex-ferroviário demitido por integrar movimento sindical, é uma das lideranças da tribo e já se candidatou a prefeito e vereador em Corumbá pelo PT e PSOL. É um dos "pensadores" guató: "Não queremos cerca, nossas terras nunca tiveram limites. Também não queremos subsistir, mas existir", cobra.

campo grande

Marcha para Jesus reúne milhares de fiéis e organização barra campanha política

Evento começou debaixo de chuva, mas precipatações deram uma trégua e público aumentou; politicos que levaram bandeiras foram orientados a guardá-las

26/08/2026 17h00

Público acompanhou Marcha até o Parque das Nações, onde mais fiéis aguardavam

Público acompanhou Marcha até o Parque das Nações, onde mais fiéis aguardavam Foto: Paulo Ribas

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A tradicional Marcha para Jesus reuniu milhares de fieis na tarde desta quarta-feira (26), em Campo Grande. O evento começou com chuva, mas as precipitações deram uma trégua e o público aumentou ao longo da tarde. Políticos que tantaram usar o evento para campanha foram barrados pela organização.

A organização, Polícia Militar e Guarda Municipal não deram estimativa oficial do número de participantes, que passou da casa do milhar.

O evento começou às 13h, ainda sob chuva, na Praça do Rádio Clube, onde houve a concentração e show com a banda nacional Get Worship e outras três regionais. Com capas e guarda-chuvas, cerca de 400 pessoas acompanharam o início da Marcha.

O organizador do evento, presidente do Conselho Municipal de Pastores de Campo Grande (Consepacg), Apóstolo Gladiston Amorim, disse que a expectativa era reunir, ao todo, cerca de 40 mil pessoas, contando as que participaram da concentração, da marcha, e as que esperavam no Parque das Nações Indígenas, onde será o encerramento e que, segundo ele, é onde há a maior concentração de público.

No entanto, com a instabilidade do tempo, a expectativa de participação foi reduzida. "Com a mudança no tempo, provavelmente vai diminuir esse número, mas isso não é problema, não dá para saber", disse.

O evento reuniu ainda alguns políticos, como a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), na abertura, e o governador Eduardo Riedel (PP), no encerramento, além de alguns candidatos a deputados estaduais e federais.

Alguns chegaram a levar bandeiras e material de campanha, mas foram orientados pela organização a guardarem por não ser local para campanha. Não foi informado quais foram os candidatos advertidos, mas entre eles está Giselle Marques (PT), que concorre a deputada federal.

A prefeita disse a Marcha já é histórica e que neste ano, a chuva foi benção. "Campo Grande recebe não só uma palavra, mas recebe também homens e mulheres que oraram até aqui para que a cidade seja cada dia mais abençoada. Quero louvar a Deus pela vida de cada pessoa que se levantou em oração nesse período, em especial no dia de hoje, onde a marcha acontece mesmo com chuva, mas trazendo bençãos para as famílias da Capital e para a cidade", disse.

O pastor explicou que apesar de ser um movimento do segmento evangélico, a Marcha é aberta ao público em geral.

"Esse é um evento que a gente tem só uma vez por ano, é um evento que acontece não só no Brasil, mas em muitos lugares do mundo, milhares de cidades realizam a Marcha para Jesus, que é uma celebração da nossa fé, é um culto de adoração a Cristo Jesus. Cada igreja, seja evangélica ou católica, nós nos reunimos para cultuar o nosso Senhor, mas uma vez nós saímos da igreja para cultuar em ambiente público em unidade, então esse é um evento de união do corpo de Cristo, para adorar nosso Senhor", acrescentou.

Chuva não desanimou

A massoterapeuta Kelly Martins participou do evento e disse que os cristãos devem mostrar ao mundo a importância de louvar a Deus, além de também ir ao local para prestigiar a sua igreja, a Igreja Evangélica Irmãos Menonitas .

"A chuva não desanimou, tudo o que vem Deius é bem-vindo, se Ele quis assim, a gente tem que glorificar", disse.

A estudante Ana Clara Martins também enfrentou a chuva. Ela, que não conseguiu ir a Marcha para Jesus no ano passado por estar trabalhando, afirmou que sentiu no coração que deveria prestigiar a edição deste ano.

"Esse ano, mesmo com a chuva, eu senti no coração que eu devia estar aqui para louvar a Deus independente do tempo, por tudo o que Ele faz para a gente, não importa se está sol ou está chuva, Ele está sempre do nosso lado cuidando de nós, então nada mais justo do que estar aqui independente do tempo", afirmou.

Por volta das 16h, já sem chuva,  os fieis saíram da Praça do Rádio Clube e iniciaram a marcha, rumo ao Parque das Nações Indígenas, acompanhando trio elétrico, onde havia show e pregação ao longo do caminho. Com a trégua nas chuvas, o público aumentou.

Os fiéis seguiram pela Avenida Afonso Pena e pararam em frente ao Paço Municipal para fazer uma oração pela cidade e pela gestão municipal, continuando a marcha em seguida. 

No Parque das Nações Indígenas, foi montado um palco onde a programação segue até 21h. Estão previstos shows com John Dias e Maria Marçal e outras três regionais, além de uma palavra do Apóstolo Luiz Hermínio.

Público acompanhou Marcha até o Parque das Nações, onde mais fiéis aguardavam Foto: Evento começou com chuva, na Praça do Rádio Clube

Direitos autorais

Justiça barra repertório musical às vésperas do Festival de Inverno de Bonito

Por falta de pagamento de direitos autorais ao Ecad, decisão judicial proíbe músicas protegidas

26/08/2026 16h00

Seu Jorge está entre as principais atrações do evento neste ano

Seu Jorge está entre as principais atrações do evento neste ano Foto: Reprodução

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A Justiça determinou a proibição e a suspensão da execução pública de músicas e fonogramas protegidos por direitos autorais durante o 25º Festival de Inverno de Bonito 2026.

A decisão liminar, expedida pela 2ª Vara da Comarca de Bonito, atende a um pedido incidental de urgência do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad).

Apesar da restrição ao repertório musical, a organização do festival confirmou que a abertura oficial está mantida para as 20h desta quarta-feira (26).

De acordo com o magistrado Ronaldo Gonçalves Onofre, o município de Bonito e a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) devem se abster de promover ou viabilizar a execução de obras musicais e lítero-musicais enquanto não comprovarem o licenciamento junto ao Ecad.

A medida também autoriza a presença de fiscais técnicos do Ecad no evento para monitorar o cumprimento da ordem. Caso a regularização seja apresentada nos autos do processo, a proibição é derrubada automaticamente. O juiz manteve ainda uma multa cominatória em caso de descumprimento.

O próprio despacho do juiz esclarece que a decisão não cancela o Festival de Inverno de Bonito 2026. O evento pode prosseguir normalmente com todas as atividades que não envolvam o uso de músicas protegidas e sem autorização.

Na prática, palestras, peças teatrais sem trilha protegida, exposições de artes visuais e a gastronomia operam sem restrições.

A Fundação de Cultura de MS tentou argumentar no processo que estava em negociações administrativas com o órgão de arrecadação, incluindo mediações por meio da Câmara Administrativa de Solução de Conflitos (CASC/PGE-MS).

Apsar das alegações, o juiz Ronaldo Gonçalves Onofre destacou que tais providências revelam intenção de regularização, mas não equivalem ao licenciamento exigido pela legislação autoral. Oficiais de Justiça foram acionados para intimar os envolvidos com urgência devido ao início imediato do festival.

Programação 

A cerimônia oficial está prevista para as 20h, no Palco Sol. Antes, às 18h30, o Balé Municipal de Bonito e a Cia. Juvenil de Bonito apresentam o espetáculo “Luma”.

Depois da abertura, o Corpo de Dança Sesc MS apresenta “Te Amo”, às 20h30. No Palco Lua, DJ Mixxel toca a partir do mesmo horário e, às 21h, entra a Orquestra Jovem Sesc MS.

A programação segue com Karla Coronel, às 21h10, no Palco Sesc Estrela, e com a Cia. Selma Azambuja, que apresenta “Diálogo”, às 21h40, no Palco Sol.

Às 22h, o Grupo Municipal de Porto Murtinho apresenta o Touro Encantado. O show Canta Bonito começa às 22h30 e DJ Fred Canhão fecha a programação do Palco Lua, a partir das 23h30.

Shows principais

 Ferrugem está na programação de quinta-feira (27), com apresentação prevista para as 22h30, no Palco Lua.

Na sexta-feira (28), quem ocupa o mesmo palco e horário é Léo Foguete. A programação do dia também inclui atrações locais e regionais, apresentações de dança, teatro, DJs e atividades espalhadas por diferentes espaços de Bonito.

Seu Jorge é a principal atração musical de sábado (29). O cantor tem show previsto para começar às 22h30, também no Palco Lua.

O festival termina no domingo (30). Entre as atrações previstas para o último dia está a dupla Humberto e Ronaldo, com show das 21h30 às 23h.

Além dos shows, a programação dos cinco dias inclui atividades de gastronomia, artesanato, moda, literatura, cultura geek, dança, circo e artes visuais.

A identidade desta edição usa o udu-de-coroa-azul e o conceito “A Arte que Voa Alto, Pousa em Bonito”.

PROGRAMAÇÃO DE HOJE

  • 15h – Contação de história “Zeca Bigode e Tio Manoel”
  • 16h – Início das atividades do roteiro cultural
  • 17h – Live painting com Anelise Godoy
  • 17h30 – “Os Saltimbancos”, no Palco Sol
  • 17h30 – Cortejo de abertura, com saída da Prefeitura
  • 18h – Abertura do Lounge Geek-Literário e espaços de artesanato
  • 18h30 – Espetáculo “Luma”
  • 20h – Abertura oficial
  • 20h30 – Espetáculo “Te Amo” e DJ Mixxel
  • 21h – Orquestra Jovem Sesc MS
  • 21h10 – Karla Coronel
  • 21h40 – Espetáculo “Diálogo”
  • 22h – Touro Encantado
  • 22h30 – Canta Bonito
  • 23h30 – DJ Fred Canhão

 

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