Cidades

Ludopatia

Restrição de bets pode ajudar viciados a mudar comportamento, diz especialista

Presidente Lula assinou, na sexta-feira, uma medida provisória que proíbe cassinos virtuais de operarem no Brasil

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A medida provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que pôs fim às casas de apostas em território nacional deve trazer uma nova vida aos dependentes do jogo virtual em Mato Grosso do Sul, especialmente aos diagnosticados com ludopatia (transtorno mental que se caracteriza pelo desejo incontrolável e compulsivo de jogar), que devem ter uma mudança de comportamento, segundo especialista.

No início deste mês, quando o debate em proibir ou não os cassinos virtuais ainda estava devagar, o Correio do Estado realizou uma série de reportagens que revelou 11 casos de ludopatas sul-mato-grossenses que, acumulados, investiram e movimentaram mais de R$ 22,7 milhões dentro dos sistemas das plataformas, além de terem perdido cerca de R$ 1,7 milhão desse montante total.

A análise consolidada e detalhada dos 11 processos revelou a magnitude de uma verdadeira engrenagem de esvaziamento patrimonial estruturada em ambiente digital. O valor perdido pelos apostadores representa o dinheiro de subsistência de famílias inteiras, economias de décadas e recursos obtidos por meio de empréstimos bancários desesperados.

A disparidade monumental entre o prejuízo líquido de bolso e o giro contábil do sistema ilustra com precisão o fenômeno da “reciclagem de capital”, sintoma clássico da ludopatia. Sob o efeito do sistema de recompensa do cérebro (sequestro dopaminérgico), o doente perde a capacidade de reter os seus ganhos transitórios. 

Cada prêmio obtido não retorna para a conta bancária do indivíduo; ele é reinserido de forma compulsiva e intradiária em novas e maiores jogadas, girando infinitamente na máquina até sua progressiva exaustão.

Os exemplos apresentados pelo Correio do Estado há semanas ajudam a entender o apelo do público e do governo federal pelo fim das bets, que chegou a sofrer resistência, especialmente dos clubes de futebol, que argumentaram que o “mercado clandestino vai continuar existindo em paralelo”, justificativa que não surtiu efeito na cúpula federal.

À reportagem, o psicólogo clínico Alexandre Zanirato Contini da Silva Vitoriano, especialista em Análise do Comportamento, disse que somente a proibição das casas de apostas esportivas não é o suficiente para mudar um comportamento cultural, que já estaria enraizado na população, mas que é o primeiro passo para se conquistar essa mudança.

“A proibição em si atua mais como ferramenta de controle do que como tratamento. Porém, reduzindo o acesso a contextos onde os comportamentos de apostar sejam possíveis, cria-se mais oportunidades para outros comportamentos ocorrerem e serem mantidos com o passar do tempo”, destaca.

Além disso, o especialista evitou afirmar que as pessoas viciadas continuarão jogando no mercado clandestino – argumento apresentado pelos favoráveis à manutenção do mundo das bets. Por outro lado, ele declara que é muito importante que haja um acompanhamento de outras formas de acesso nas plataformas.

“É esperado que ocorra o fenômeno da resistência comportamental, algo natural em qualquer tentativa de mudança. Podemos observar a busca por outras formas de acesso, mas também por formas diferentes de entrar em contato com aquela mesma consequência gerada a partir dos comportamentos de apostar”, sustenta o psicólogo.

DADOS ESTADUAIS

Há alguns anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento presencial especializado em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e em outros serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

Em março deste ano o Ministério da Saúde lançou o mesmo atendimento de forma virtual, por meio do aplicativo Meu SUS Digital, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, visando ampliar a acessibilidade. 

De acordo com a Pasta, 27.701 pacientes já se cadastraram no serviço on-line, desses, 304 pacientes estão em Mato Grosso do Sul. 

A alta procura fez com que o Ministério da Saúde ampliasse o serviço de forma significativa no mês passado, passando de 600 atendimentos mensais para 100 mil teleconsultas.

Outro levantamento, desta vez do Ministério da Fazenda, aponta que 3,35% dos campo-grandenses estão envolvidos em jogos de azar on-line, o que corresponde a aproximadamente 32,5 mil pessoas. 

Esse número é superior à população de 79,75% dos municípios de Mato Grosso do Sul, ou seja, 63 municípios dos 79 municípios, de acordo com a última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A título de comparação, o número de apostadores na Capital é praticamente igual ao da população de São Gabriel do Oeste e maior que o da população de Ivinhema, de Aparecida do Taboado, de Costa Rica e de Miranda. 

Mesmo com esse panorama estadual que assusta, Campo Grande é uma das capitais com o menor porcentual de apostadores em seu território. Para efeito de comparação, quem lidera essa lista é o Rio de Janeiro (RJ), com 26,89% da população sendo apostadores, portanto, um a cada quatro cariocas está no mundo das apostas esportivas.

MP

A assinatura da medida provisória ocorreu na noite da sexta-feira, em São Paulo, em evento chamado de Apresentação de Novas Medidas de Proteção às Famílias e à Economia Popular. De acordo com o que foi apresentado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, apostadores terão até o dia 5 de outubro, às 23h59min, para retirar o saldo restante nas plataformas de cassino.

Esse mesmo prazo deverá ser seguido para a retirada de todas as peças e ações de publicidade, propaganda e marketing de bets, tanto em meios físicos como digitais, que também acompanha a retirada de marcas oriundas de contratos de patrocínio.

“Então, a partir da publicação desta medida provisória, as contas onde as plataformas de apostas recebem os aportes dos apostadores não serão mais admitidas nenhum novo aporte a partir da publicação da medida provisória”, disse Durigan.

A partir do dia 6 de outubro, os sites e aplicativos saem do ar. Entre os dias 7 e 8 do mesmo mês, as bets devem informar aos bancos que operam os valores que estão nas contas por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), que devem ser devolvidos via bancos até dia 14 de outubro. Por fim, do dia 15 em diante, a Caixa Econômica Federal intermediará a devolução aos apostadores em caso de impedimento.

“Virou uma espécie de jogatina sem controle. Me lembrou o começo do ‘crack’ neste País. As pessoas perderam o limite de qualquer responsabilidade e estava acontecendo a mesma coisa com as bets, com um grau muito maior por ser digital. É preciso ter um controle, não é brincadeira, é uma coisa muito séria. Ou a gente tira esse tumor, ou esse tumor mata a gente”, disse o presidente Lula depois de assinar a MP.

Apuração do G1 revelou ainda que, além da proibição das bets, o governo deve mandar ao Congresso Nacional a proposta de que explorar ou operar as chamadas “apostas de quota fixa”, por qualquer meio, passará a ser crime punido com reclusão de quatro a seis anos, além de multa.

LUDOPATIA

A ludopatia, ou Transtorno do Jogo (CID-10 F63.0/CID-11 6C50), é um transtorno mental crônico e progressivo de base neurobiológica que afeta diretamente o sistema mesolímbico dopaminérgico – os circuitos de recompensa cerebral responsáveis pelas noções de motivação, prazer e avaliação de risco. 

Cientificamente equiparável à dependência química de substâncias psicotrópicas, a doença compromete a capacidade de julgamento crítico e controle de impulsos do indivíduo. (Colaborou Eduardo Miranda).

ACIDENTE

Colisão frontal entre carretas deixa 2 caminhoneiros mortos na BR-158

Os veíuculos transportavam plumas de algodão e água sanitária

28/09/2026 07h30

Uma das carretas transportava algodão

Uma das carretas transportava algodão Reprodução / Cenário MS

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Aparecido Geraldo Aragão, de 31 anos, e Alax Pierre Rodrigues de Moura, de 58, morreram na colisão frontal entre duas carretas registrada, no domingo (27), na rodovia BR-158, próximo ao município de Aparecida do Taboado.

O acidente ocorreu no km 119 da rodovia, próximo à praça de pedágio, no sentido Aparecida do Taboado–Paranaíba. A carreta conduzida por Aparecido transportava algodão. O veículo conduzido por Alax carregava água sanitária. 

De acordo com o portal Cenário MS, Alax Pierre possuía uma empresa de transportes rodoviários registrada com sede no município de Rancharia, interior de São Paulo. 

As equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) encontraram os dois veículos envolvidos na colisão frontal. A corporação comunicou o caso à Polícia Civil, que acionou a Perícia Criminal para os levantamentos no trecho.

Os motoristas morreram ainda no local. Os corpos foram retirados depois da conclusão do trabalho pericial e encaminhados à unidade de perícia de Paranaíba para exames necroscópicos.

O acidente foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor e acidente de trânsito com vítima fatal.

praticidade

Após oferta de descontos, só 6% pagam pedágio na BR-163 com dinheiro

Índicide ainda está acima da média nacional mas o percentual de automação teve crescimento significativo depois de agosto do ano passado

28/09/2026 07h00

Redução do tempo de espera nas praças de pedágio é a principal vantagem do aumento na automação dos pagamentos da tarifa

Redução do tempo de espera nas praças de pedágio é a principal vantagem do aumento na automação dos pagamentos da tarifa

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Dois anos depois de começar a aceitar cartões de débito e crédito nas nove praças de pedágio e um ano depois de entrar em vigor o desconto de pelo menos 5% para quem utiliza tag, apenas 6% dos pagamentos de pedágio ainda são feitos em dinheiro ao longo dos 850 quilômetros da BR-163 em Mato Grosso do Sul. 

Além de economia no bolso, a principal vantagem desta automação é a agilidade na passagem dos motoristas nos locais de cobrança, explicou Jorge Pereira,  Gerente Executivo de Estratégia de Operações da Motiva Pantanal, durante a Jornada Valor de Jornalismo em Concessões e Infraestrutura, que ocorreu entre os dias 21 e 25 de setembro na sede do jornal Valor Econômico, na cidade de São Paulo. 

Este índice de 6%, porém, ainda é o dobro da média daquilo que ocorre nos 5 mil quilômetros de rodovias sob responsabilidade da Motiva nas 13 concessões que estão sob sua responsabilidade em todo o País. 

Mas, a adesão ao pagamento automatizado cresce rapidamente. De acordo com Miguel Setas, CEO da Motiva, em 2021 o percentual de faturamento da empresa em dinheiro vivo era da ordem de 28% em todas as rodovias do país e em junho deste ano já havia recuado para apenas 3%.

E, com o advento do sistema free flow, a tendência é de erradicação total do pagamento em dinheiro, deixam claro os executivos da concessionária. Na BR-163, porém, essa é uma realidade que ainda deve demorar. De acordo com Jorge Pereira, o contrato de repactuação, em vigor desde agosto do ano passado, não prevê a extinção das praças de pedágio. 

Mesmo assim, destaca ele, a concessionária pretende renegociar esta cláusula com a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e, no máximo, até 2035 as praças de cobrança serão substituídas por sistema de cobrança totalmente automatizado, como já vai ocorrer ao longo dos 870 quilômetros da chamada Rota da Celulose a partir de fevereiro do próximo ano em Mato Grosso do Sul. 

Uma sensível adesão à utilização de tags ocorreu a partir de agosto do ano passado, quando a concessionária passou a oferecer desconto de pelo menos 5% para quem pagasse a tarifa por meio deste sistema, o que tinha potencial de beneficiar em torno de 39% dos usuários da rodovia, já que caminhoneiros não contam com o benefício.. 

Estes desconto é progressivo e cresce a cada vez que o mesmo veículo passa por determinada praça, podendo chegar à casa dos 93% caso este carro passe mais de 30 vezes no mesmo sentido da rodovia no período de um mês. 

Antes do último reajuste da tarifa, por exemplo, o pedágio na praça entre Campo Grande e Anhanduí, que estava em R$ 10,00, era reduzido para apenas R$ 0,65 a partir da 31ª passagem de um carro de passeio que estivesse equipado com tag para o pagamento. A redução é aplicada mensalmente, ou seja, a cada mês o ciclo é reiniciado.

E estes descontos chegaram a impactar o balanço financeiro da empresa. Conforme o balanço relativo ao segundo trimestre do ano, o tráfego na rodovia recuou 3,8% na comparação com igual período de 2025, passando de 12,855 milhões de veículos para 12,368 milhões. 

No primeiro trimestre do ano, a Motiva Pantanal já havia reportado queda de 2,6% no número de veículos que passou nas praças de pedágio. Nos três primeiros meses do ano passado foram 13,416 milhões. Em igual período deste ano, o total caiu para 13,017 milhões. Por conta disso, o faturamento com a cobrança de pedágio recuou de R$ 108 milhões para R$ 107 milhões.

No segundo trimestre ocorreu fenômeno parecido, apesar do reajuste da tarifa em junho do ano passado. A queda no faturamento, segundo a empresa, foi de 5,7%, passando de R$ 105 milhões para R$ 99 milhões. Na soma dos dois trimestres, a empresa reporta recuo de 3,3% na arrecadação, que caiu de R$ 213 milhões para R$ 206 milhões. 

Este recuo no tráfego, informou a empresa no balanço relativo ao primeiro trimestre, poderia ter sido compensado pelo reajuste tarifário de agosto de 2025. Porém, os descontos oferecidos pelo pagamento com tag, algo previsto somente nos contratos de concessão mais recentes no País, acabaram neutralizado o impacto daquele reajuste. 

CONECTIVIDADE

Além da automação, o novo contrato de concessão também determina que sinal de celular seja oferecido pela concessionária ao logo de todo o percurso. No acordo está previsto que isso ocorra no terceiro ano de concessão, ou até agosto de 2028. 

O Gerente Executivo da concessionária não quis mencionar prazo ou data para uma possível antecipação desta oferta, mas deixou claro que a concessionária já está em tratativas com empresas de telefonia, como a TIM, para tentar garantir este benefício aos usuários da rodovia bem antes do prazo final. 


 

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