Pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, Fábio viu o próprio irmão votar contra indicação
Pré-candidato a governador por Mato Grosso do Sul, o ex-deputado federal Fábio Trad acompanhou e teceu críticas após a rejeição da mais recente indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) tecendo comparativo em uma parábola sobre os "Messias da morte e da vida".
Com o STF criado em 1890, após ser proclamada a República do Brasil, Jorge Rodrigo Araújo Messias dependia do voto favorável de pelo menos 41 senadores, sendo essa a primeira rejeição em 132 anos de história.
"Dois mil anos depois, nada mudou. Senado brasileiro com dois Messias à sua frente. Um riu de 700 mil mortos; jogou vacina fora; planejou e assinou papel de golpe; abraçou fuzil; atacou urna, traiu a Constituição. O outro Messias estudou a vida inteira, passou em concurso, construiu com mérito, é um evangélico de fé, não de marketing eleitoral, limpo de ficha, limpo de alma", cita Fábio Trad em vídeo compartilhado em suas redes sociais.
Antes desse veto a uma indicação presidencial para um ocupante ao cargo de ministro do Supremo, as últimas rejeições haviam sido registradas ainda no governo do marechal Floriano Peixoto, todas presenciadas em 1894, quatro anos após a criação do STF.
Antes de ir ao plenário, Messias passou por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa obrigatória no processo de escolha de ministros do STF, em uma com cerca de oito horas marcada por questionamentos técnicos e políticos.
Ao final, o indicado recebeu 16 votos favoráveis e 11 contrários, resultado que já indicava um cenário de divisão no Senado.
Messias da morte e Messias da vida
Sendo que essa rejeição aconteceu durante votação secreta no plenário, com placar de 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção, Para Fábio Trad a maioria dos parlamentares do Senado Federal fez exatamente "o que a multidão fez há dois mil anos".
"Quis soltar Barrabás, o messias da morte, e crucificou o justo, o messias da vida, que estudou, que não faz propaganda da sua fé e que é um democrata", complementou.
Com três parlamentares sul-mato-grossenses no Senado Federal, a maioria de MS votou contra o nome de Messias ao cargo de ministro do Supremo, o que inclui a rejeição do próprio irmão de Fábio, Nelsinho Trad, além do voto declarado contrário também de Tereza Cristina.
Segundo o ex-deputado federal, nada disso foi surpresa e nunca é, pois, de acordo com o pré-candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, "quem tem o poder sempre preferiu o Messias da Morte".
"A diferença é que desta vez a história está sendo gravada e a falta de vergonha na cara da maioria do Senado também está sendo gravada. Nome por nome, voto por voto, porque em outubro não será Pilatos lavando as mãos, será o povo lavando a alma", conclui.
Durante sua vinda a Mato Grosso do Sul, para a 15ª Reunião da Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), Lula chegou a reunir-se, ainda no Aeroporto Internacional de Campo Grande, com lideranças do partido para dar o aval às pré-candidaturas da sigla nas majoritárias.
Com isso, a partir de agora, o PT só precisa oficializar nas convenções da legenda os seguintes nomes: do ex-deputado federal Fábio Trad para governador, da ex-primeira-dama do Estado, Dona Gilda, para vice-governadora, do deputado federal Vander Loubet para senador da República e da senadora da República Soraya Thronicke, que está no Podemos, mas vai se filiar ao PSB, para a reeleição no pleito de outubro.
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