Cidades

ROTA BIOCEÂNICA

Rota Bioceânica deve ter delegacia da PF a partir de 2028

Preocupação é que rodovia que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico se torne também um caminho usado por traficantes para movimentar drogas e armas

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Porto Murtinho deve ter, a partir de 2028, uma delegacia da Polícia Federal (PF), localizada próximo à ponte sobre o Rio Paraguai. A previsão é do superintendente da PF no Estado, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo.

A estrutura fará parte de um espaço aduaneiro que será construído na Rota Bioceânica, estrada que liga MS a outros países da América do Sul por meio do modal rodoviário e que facilita o transporte de produtos entre portos do Oceano Atlântico e do Oceano Pacífico, e a estimativa é de que seja concluído em 2028.

Por ser uma estrada importante para o escoamento da produção, há também o receio de órgãos da segurança pública de que criminosos utilizem o caminho para outros fins. Por isso, segundo D’Ângelo, foi solicitado que a região recebesse uma delegacia, e não somente um posto da PF.

“Na alça brasileira, que é um bolsão que vai se formar depois da ponte, que é uma área edificada, vai ter uma minicidade. Ali vai ficar o controle migratório, o controle de mercado, então, a Receita Federal vai estar lá, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, o Ministério da Agricultura, todos os órgãos federais de controle e também os órgãos estaduais”, explicou.

“A Polícia Federal já fez todo um estudo técnico, apresentou para o Ministério da Justiça [e Segurança Pública], dizendo que nós precisaremos de uma delegacia lá. Não dá para ter apenas um posto. Nós teremos que ter uma delegacia com um efetivo lotado lá, com delegados, agentes, secretários administrativos, para fazer tanto a parte de Polícia Judiciária quanto a parte de imigração”, completou o superintendente da PF.

Apesar de a ponte sobre o Rio Paraguai, que liga Porto Murtinho a Carmelo Peralta (Paraguai), ter expectativa de ser entregue no primeiro semestre de 2026, as alças de acesso à rodovia só devem ser concluídas e liberadas para o público até 2028, segundo o superintendente, justamente quando as edificações deverão ser entregues.

“O ministro da Justiça disse que nós estamos prontos e preparados para enfrentar esse novo desafio. Nós temos tudo planejado para termos uma delegacia lá em Porto Murtinho. Tão logo a ponte esteja pronta, mas não só ela, vai precisar de uma alça viária lá no Paraguai e de uma alça viária aqui no Brasil. Esse acesso está sendo edificado, o Dnit [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes] está fazendo, e pretende-se que fique pronto até 2028”, disse.

“Dentro do cronograma da entrega da ponte e das estruturas, nós estamos preparados para estarmos lá quando o tráfego de pessoas e de veículos realmente iniciar, que a gente imagina que vai ocorrer no fim de 2027, início de 2028, segundo o cronograma da obra”, completou D’Ângelo.

ROTA DO TRÁFICO

A maior preocupação da segurança pública é que a ponte, para além de ser uma ligação mais rápida com o Oceano Pacífico, torne-se um grande corredor de tráfico de drogas e armas pela América do Sul, principalmente, com entrada por Mato Grosso do Sul.

“Nós estamos falando da ligação do Pacífico ao Atlântico tendo Mato Grosso do Sul como centro desse movimento. Então, é óbvio que tudo que é de bom vai também atrair o que é ruim. Nós vamos ter todo o trato ainda de compreender a questão alfandegária, como é que vai ser, do contêiner que pode entrar no Porto de Santos e ser aberto lá em Iquique ou vice-versa, ou contêineres que entram lá, entram aqui e podem ser abertos em qualquer lugar nessa faixa. Então, um trabalho de fiscalização muito forte vai ter que ser feito. Você vai poder sair do Brasil e ir ao Chile e voltar com uma facilidade que hoje não existe. Vai ter um trânsito migratório muito grande, e a gente está ensaiando para receber essa demanda”, declarou o superintendente da Polícia Federal em MS ao Correio do Estado.

ROTA BIOCEÂNICA

A Rota Bioceânica terá início em Porto Murtinho, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, atravessando o Paraguai e a Argentina até chegar aos portos do Chile.

Essa ligação permitirá que exportações brasileiras cheguem à Ásia com até 17 dias de economia no transporte, em comparação com a saída pelo Porto de Santos, segundo dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

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Ruas Esburacadas

Buracos e lama tomam ruas de bairro e revoltam moradores em Campo Grande

Moradores do Jardim Itamaracá denunciam ruas esburacadas, inclusive em trajetos de ônibus, e cobram melhorias da Prefeitura.

16/10/2026 16h29

Buracos tomados por água barrenta preocupam moradores do Jardim Itamaracá, em Campo Grande.

Buracos tomados por água barrenta preocupam moradores do Jardim Itamaracá, em Campo Grande. Foto: Talita Thais Prado/Encaminhada ao Correio do Estado.

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Ruas esburacadas, poças de água barrenta e dificuldades para transitar fazem parte da realidade denunciada por moradores do Jardim Itamaracá, em Campo Grande. A situação, registrada em fotografias e vídeo encaminhados ao Correio do Estado, tem provocado indignação na comunidade, que cobra da Prefeitura serviços de manutenção e uma solução para os problemas de infraestrutura.

Uma das moradoras que decidiu tornar pública a situação é Talita Thais Prado Sanches, que vive no bairro há 11 anos. Cansada das condições das ruas, ela procurou a reportagem para denunciar os transtornos enfrentados pela população e pedir providências do poder público.

Entre os locais apontados na reclamação estão a Avenida Guaicurus, a Rua Padre Mussa Tuma e a Rua Engenheiro Milton Loureiro. Segundo a moradora, os problemas comprometem a circulação de veículos e pedestres e ficam ainda mais evidentes durante os períodos de chuva.

 

 

As imagens encaminhadas ao jornal mostram uma via com diversos buracos, alguns de grandes proporções, preenchidos por água barrenta.

Em determinados pontos, as poças ocupam uma parte considerável da pista, impedindo que motoristas e motociclistas consigam enxergar o tamanho e a profundidade dos buracos.

Um vídeo de aproximadamente 33 segundos, gravado à noite e enviado à reportagem, também mostra a deterioração do pavimento.

Ao longo do registro, é possível observar buracos espalhados pela rua, além de trechos com água acumulada próximo às calçadas e às entradas das residências.

Para Talita, a situação deixou de ser apenas um problema de conservação das vias e passou a representar uma preocupação com a segurança de quem precisa circular diariamente pelo bairro.

"Não estamos pedindo privilégios. Estamos cobrando condições dignas de infraestrutura, segurança e respeito", afirma a moradora.

Buracos e água acumulada preocupam moradores

De acordo com o relato encaminhado ao jornal, os problemas atingem diretamente a rotina de famílias que dependem das ruas para trabalhar, estudar, levar os filhos à escola, procurar atendimento médico e realizar outras atividades do dia a dia.

A moradora afirma que a precariedade das vias exige atenção constante de motoristas e motociclistas, especialmente nos pontos onde os buracos ficam encobertos pela água da chuva.

A preocupação é que, sem conseguir identificar a profundidade das crateras, condutores acabem passando pelos locais e sofrendo danos nos veículos ou se envolvendo em acidentes.

Buracos tomados por água barrenta preocupam moradores do Jardim Itamaracá, em Campo Grande.Água acumulada encobre buracos no asfalto e dificulta a passagem de veículos no Jardim Itamaracá. Foto: Talita Thais Prado/Encaminhada ao Correio do Estado.

“Em dias de chuva, o problema se agrava, e o que deveria ser um trajeto comum se transforma em um obstáculo para os moradores”, relata.

Para os pedestres, os transtornos também incluem a dificuldade de atravessar trechos com lama e água acumulada, principalmente quando o volume das chuvas aumenta.

A situação preocupa ainda mais porque, segundo a denúncia, as ruas afetadas também são utilizadas por ônibus do transporte coletivo de Campo Grande.

Os buracos espalhados pelas vias e o acúmulo de água dificultam a circulação dos veículos, prejudicando não apenas motoristas e motociclistas, mas também os passageiros que dependem diariamente do transporte público para trabalhar, estudar e realizar outras atividades.

Segundo a denúncia, a situação se agrava nos dias chuvosos, quando os pontos danificados acumulam ainda mais água e tornam o deslocamento pela região mais complicado.

Talita também chama a atenção para a necessidade de recuperar trechos sem pavimentação e de realizar os reparos adequados nos pontos onde o asfalto apresenta sinais de desgaste.

Na avaliação dela, não basta realizar intervenções isoladas se os problemas voltarem a aparecer a cada período de chuva.

Após 11 anos no bairro, moradora cobra solução

Moradora do Jardim Itamaracá há mais de uma década, Talita afirma que decidiu procurar a imprensa para dar visibilidade à situação e cobrar uma resposta concreta do poder público.

No relato encaminhado ao Correio do Estado, ela ressalta que os moradores não estão reivindicando benefícios especiais, mas condições adequadas de mobilidade e segurança.

“Pagar impostos e cumprir nossas obrigações como cidadãos deve vir acompanhado de serviços públicos que atendam às necessidades da população”, afirma.

A moradora também critica a falta de informações claras sobre possíveis intervenções e defende que a Prefeitura apresente um planejamento para recuperar as vias danificadas.

"Não é justo que os moradores precisem conviver indefinidamente com ruas nessas condições sem receber informações claras sobre as soluções previstas", desabafa.

Para ela, os problemas precisam ser avaliados individualmente, já que existem diferentes necessidades de manutenção, desde a recuperação do pavimento até melhorias no escoamento da água.

Talita também pede que equipes técnicas sejam enviadas ao Jardim Itamaracá para verificar a situação das ruas e identificar quais medidas devem ser adotadas para evitar que os buracos continuem prejudicando a população.

A indignação também envolve a sensação de falta de atenção por parte do poder público em relação ao bairro. Conforme a moradora, a comunidade precisa de providências efetivas, e não apenas de promessas.

"O Jardim Itamaracá não pode continuar sendo lembrado apenas quando a população decide tornar pública sua indignação", declarou.

Moradores querem saber quando ruas serão recuperadas

Além de denunciar a situação, Talita pede que a Prefeitura de Campo Grande esclareça se existe previsão para uma operação tapa-buracos nas vias pavimentadas e quais medidas estão previstas para os trechos que necessitam de recuperação mais ampla.

Buracos tomados por água barrenta preocupam moradores do Jardim Itamaracá, em Campo Grande.Moradora denuncia as condições do asfalto e cobra reparos nas ruas do Jardim Itamaracá. Foto: Talita Thais Prado/Encaminhada ao Correio do Estado.

“Também é importante destacar que a população precisa de respostas concretas, e não apenas de promessas”, cobra a moradora.

A reivindicação inclui serviços de manutenção, nivelamento, melhorias na drenagem e recuperação dos pontos onde a deterioração da via prejudica a passagem de veículos.

Outro questionamento envolve a existência de um cronograma de obras. A moradora quer saber quando as equipes poderão atender às ruas mencionadas e se há um planejamento para evitar a repetição dos problemas.

Ela também defende que os órgãos responsáveis realizem uma vistoria técnica para avaliar as condições das vias e a necessidade de intervenções mais profundas.

A cobrança é direcionada à administração municipal e aos setores responsáveis pela infraestrutura urbana, que deverão esclarecer quais providências podem ser adotadas para atender à região.

Para Talita, a divulgação das fotografias e do vídeo representa uma tentativa de conseguir respostas para problemas que afetam o cotidiano da comunidade.

"Queremos transparência, planejamento e, principalmente, providências. A comunidade merece saber quando os serviços serão realizados", reforça a moradora.

Enquanto espera uma solução, ela afirma que continuará cobrando melhorias para o Jardim Itamaracá, na expectativa de que os registros encaminhados à imprensa contribuam para chamar a atenção das autoridades.

“Jardim Itamaracá pede socorro. Os moradores querem respostas, e a comunidade espera providências!”, finaliza Talita.

Prefeitura prevê manutenção nos próximos dias

Procurada pelo Correio do Estado, a Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), informou que os serviços de manutenção das vias do Jardim Itamaracá estão previstos na programação para os próximos dias.

Entretanto, a administração municipal não informou uma data exata para o início dos trabalhos nem detalhou quais ruas serão atendidas ou quais serviços serão executados para solucionar os problemas relatados pelos moradores.

Leia, na íntegra, a nota da Prefeitura de Campo Grande:

A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) informa que os serviços de manutenção das vias do bairro Itamaracá estão previstos na programação para os próximos dias.

Atenciosamente

Comunicação Social

Prefeitura Municipal de Campo Grande

Eleições 2026

Campo Grande concentra 65% denúncias eleitorais do 2° turno em MS

Levantamento estadual mais recente disponível aponta ocorrências em 27 municípios

16/10/2026 15h00

Aplicativo Pardal

Aplicativo Pardal Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Campo Grande contabiliza 65% das denúncias de possíveis irregularidades eleitorais registradas no 2° turno no Pardal, ferramenta da Justiça Eleitoral. 

Conforme o levantamento, a Capital concentra 27 das 41 denúncias registradas em todo o Estado. Três Lagoas (3), Aquidauana (2) e Corumbá (2) aparecem na sequência como as cidades com maor número de ocorrências.

Entre os tipos de possíveis irregularidades informadas pelos eleitores, a propaganda eleitoral na internet lidera, com 11 denúncias. Na sequência aparecem as ocorrências sobre bens públicos, com 8 casos, bem como emissoras de rádio e televisão, showmícios (5) e comícios (5). 

Também existem registros relacionados à distribuição de material gráfico, adesivos em veículos e envio de mensagens.

Cabe destacar que apesar dos sul-mato-grossenses votarem apenas para presidente no próximo dia 25, o registro de denúncias segue ativo para as demais candidaturas.  

Panorama 

No primeiro turno das Eleições 2026,  Mato Grosso do Sul contabilizou 288 denúncias de possíveis irregularidades eleitorais.

O levantamento apontou ocorrências em 27 municípios. Campo Grande liderou o quesito, com 148 denúncias, o equivalente a 51,3% de todos os registros feitos no Estado no primeiro turno.

Depois de Campo Grande, apareceram: Dourados, com 35 registros, e Paranaíba, com 23, enquanto Três Lagoas ocupa a quarta colocação entre os municípios com maior número de comunicações encaminhadas pelo Pardal. 

Naviraí, Bonito, Glória de Dourados, Ponta Porã, Corumbá e Rio Brilhante também apareceram entre as dez cidades com maior quantidade de denúncias.

Ocorrências no 1° turno

  • Campo Grande – 148
  • Dourados – 35
  • Paranaíba – 23
  • Três Lagoas – 21
  • Naviraí – 7
  • Glória de Dourados – 6
  • Ponta Porã – 6
  • Bonito – 5
  • Corumbá – 5
  • Rio Brilhante – 4
  • Aquidauana – 3
  • Chapadão do Sul – 3
  • Coxim – 3
  • Ribas do Rio Pardo – 3
  • Sonora – 3
  • Jardim – 2
  • Batayporã – 1
  • Bela Vista – 1
  • Caarapó – 1
  • Costa Rica – 1
  • Eldorado – 1
  • Ivinhema – 1
  • Miranda – 1
  • Nioaque – 1
  • Sete Quedas - 1
  • Sidrolândia - 1 
  • Vicentina - 1

Análise

A maior parte das denúncias deste segundo turno (36) já está peticionada no Processo Judicial Eletrônico (PJe). O balanço também aponta registros baixados do sistema e outros ainda em andamento, mas não apresenta o total de ocorrências em cada uma dessas duas situações.

O registro no Pardal, porém, não significa que uma irregularidade tenha sido comprovada nem representa condenação de candidato, partido ou responsável citado. 

A plataforma é um canal para comunicar fatos que podem contrariar a legislação eleitoral e que ainda dependem da análise dos órgãos competentes. O aplicativo foi regulamentado para as Eleições Gerais de 2026 pela Portaria nº 451 do TSE. 

A ferramenta permite o envio de informações sobre possíveis irregularidades na propaganda eleitoral aos Tribunais Regionais Eleitorais. O eleitor pode anexar fotografias, vídeos, áudios, links e outras informações capazes de auxiliar na apuração do fato denunciado. A identificação do denunciante é exigida para utilização da ferramenta, mas permanece sob sigilo.

O aplicativo continua disponível para o encaminhamento de denúncias nesta reta final. Dependendo da situação relatada, o próprio sistema também pode direcionar o cidadão para outros canais da Justiça Eleitoral e do Ministério Público Eleitoral.

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