Cidades

DESTINO CERTO

Saiba direitos e alternativas de quem perdeu passeio no fim de semana, pelas chuvas em Bonito

Agências confirmam que turistas podem optar por remarcar a atração que não pôde vivenciar ou, se preferir, conquistar um reembolso

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Desde a última sexta-feira (24) Bonito foi duramente castigado pelos altos volumes de chuva e, ainda que seja dependente dos atrativos naturais, o turismo segue normalmente na região e quem perdeu algum passeio neste fim de semana não deve sair no prejuízo. 

Secretaria de turismo do município, Juliane Ferreira Salvadori é turismóloga e explica justamente que Bonito preza por uma visitação segura, onde o turista tenha a melhor experiência possível. 

"Nossa grande preocupação é a questão de segurança, até porque a gente trabalha em áreas naturais, então isso é um requisito muito importante para nós, tanto prefeitura quanto empresários", explica a titular da pasta de Turismo, Indústria e Comércio (Sectur) de Bonito. 

Considerado o melhor destino de ecoturismo do País, e um dos melhores do mundo, Salvadori salienta que a segurança é consenso entre poder público, empresários e todo o trade turístico local. 

"A gente trabalha muito os cursos de qualificação, os equipamentos são de um rigor muito grande e tem toda a estrutura envolvida na operação dos atrativos. Sempre temos o pensamento de longo prazo, a gente preserva muito até porque queremos continuar sendo referência por muito tempo", afirmou. 

Reflexo nos passeios

Salvadori faz questão de frisar que vários atrativos de Bonito funcionam, também, no período de chuva, como grutas, flutuações e passeios de aventura. 

Dependendo principamente das questões de segurança, ela explica que não é o caso de haver compensação ao setor privado, até porquê as chuvas duraram poucos dias. 

"É algo que acontece há muitos anos já [as fortes chuvas], principalmente em época de verão, quando chove muito. Então os próprios passeios estão bem adaptados e sabem lidar bem com essa situação", pontua. 

Ainda que as fortes chuvas deixaram alguns rios turvos, a representante pela empresa Ecotur, Bella Schwind, confirma que todos os passesios estão bem adaptados e ainda há pontos de água cristalina.   

"Algumas atividades realizadas em nascentes, independente do clima, temperatura ou chuva, as águas permanecem cristalinas. Atividades que antes eram feitas em 2km, o pessoal está fazendo 800m, pegando área mais cristalina do rio e o restante fazem por trilha. Passeios de caverna não são afetados, pois são contemplativos", pontua sobre as adaptações necessárias. 

Justamente as atrações que envolvem cachoeiros foram mais "prejudicados", por serem rios longos que até para fazer toda a limpeza do rio, mesmo que não haja chuva, leva algum tempo para se recuperar. 

"Os passeios estão funcionando. Alguns balneários estão interditados, mas as atividades com guia em nascentes estão todas operando". 

Por fim, ela explica como fica a situação para quem perdeu algum passeio neste fim de semana, e quais são as alternativas disponíveis para quem já havia comprado um pacote. 

"Se o atrativo entra em contato com a agência e fala que o passeio foi cancelado devido à turbidez do rio, ou que precisa fechar para fazer a limpeza, a gente fala com o cliente, tenta remanejar o roteiro se tiver outros dias. Caso não consiga, o valor integral pago pela atividade é reembolsado", completa. 

Por fim, a Sectur, responsável pela administração da Gruta Lago Azul, explica que as medidas adotadas para esse ponto, é replicada nas demais atrações. 

"Quando ele é interditado por condições climáticas, ele não é cobrado do turista e há possibilidade de remarcar sim, conforme a planilha de reservas. Cada atrativo tem sua política, mas normalmente é assim que funciona", finaliza ela. 

 

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Mobilidade

Transporte público terá operação especial no aniversário de Campo Grande

Medida busca adequar a oferta de ônibus à movimentação do feriado

25/08/2026 18h15

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) preparou um plano operacional especial para o transporte público nesta quarta-feira (26), feriado em comemoração aos 127 anos de Campo Grande.

De acordo com o planejamento, as linhas do transporte coletivo irão operar conforme o Plano Funcional de Domingos e Feriados, medida que busca adequar a oferta de ônibus à movimentação esperada na Capital durante a programação especial. 

As linhas 080, 081, 515 e 522, no entanto, funcionarão com o Plano Operacional de Sábado. Já a linha 234 seguirá a programação rotineira. 

A prefeitura disponibilizará dois veículos na reserva com tripulação nos terminais Guaicurus, Morenão, Bandeirantes, Aero Rancho, Júlio de Castilho, General Osório, Nova Bahia e Hércules Maymone. A estrutura estará disponível das 5h às 19h para atender eventuais necessidades durante a operação.

Serão mantidos cinco veículos reserva, com tripulação, na Praça do Rádio Clube, das 11h às 13h, período de maior movimentação previsto no local.

O Consórcio Guaicurus deverá acompanhar a operação das linhas e, quando necessário ou mediante determinação da fiscalização da Agetran, realizar ajustes após os horários de pico. Os períodos considerados são das 5h30 às 8h30, das 10h30 às 13h30 e das 16h às 18h30. As adequações ficarão limitadas ao aumento da oferta de veículos para atender à demanda.

A Agetran também fará o acompanhamento da operação em tempo real, com possibilidade de ajustes ao longo do dia. A medida tem como objetivo garantir maior agilidade e eficiência no transporte coletivo durante o feriado e os eventos que integram a programação dos 127 anos de Campo Grande.

Erro Médico

Mulher trata HIV por oito anos sem ter o vírus em Campo Grande

TJMS manteve condenação da Prefeitura de Campo Grande ao pagamento de R$ 50 mil; documentos médicos indicaram que a paciente nunca foi portadora do vírus

25/08/2026 18h01

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV.

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV. Foto: Divulgação TJMS.

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Uma mulher submetida durante aproximadamente oito anos a tratamento contínuo contra o HIV descobriu que jamais esteve infectada pelo vírus. O caso, iniciado com um diagnóstico positivo realizado em 2016 na rede pública de saúde de Campo Grande, terminou com a manutenção de uma indenização de R$ 50 mil por danos morais.

A decisão foi proferida pela 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que rejeitou por unanimidade o recurso apresentado pelo município. O colegiado confirmou a sentença da 2ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos da Capital.

De acordo com o processo, a paciente recebeu o diagnóstico de HIV em 2016 e, desde então, passou a seguir o tratamento indicado pelos profissionais da rede municipal.

Durante os anos seguintes, fez uso contínuo de medicamentos antirretrovirais, acreditando ser portadora de uma infecção crônica e ainda cercada por forte estigma social.

A situação começou a ser esclarecida somente em 2024, quando um novo exame apresentou resultado não reagente.

A própria equipe de saúde passou a registrar a possibilidade de falso positivo no diagnóstico inicial. Posteriormente, um documento médico atestou que a mulher nunca havia sido infectada pelo HIV.

Oito anos convivendo com um diagnóstico equivocado

Ao analisar o caso, o Tribunal considerou que o dano não se limitou à informação incorreta recebida em 2016. Para os desembargadores, a falha também esteve na manutenção do diagnóstico e do tratamento durante cerca de oito anos, sem que a condição da paciente fosse devidamente confirmada.

Nesse período, a mulher permaneceu exposta a medicamentos considerados potencialmente tóxicos e às consequências emocionais de acreditar que possuía uma doença incurável.

O acórdão destacou ainda o impacto psicológico e social associado ao HIV, condição que, apesar dos avanços da medicina, continua sendo alvo de preconceito e desinformação.

No recurso, a Prefeitura de Campo Grande sustentou que não houve falha na prestação do serviço público.

O município argumentou que os exames poderiam apresentar limitações científicas e que a responsabilização dependeria da comprovação de culpa dos profissionais envolvidos. Também pediu, alternativamente, a redução do valor da indenização.

As alegações não foram acolhidas. Segundo o relator, desembargador Alexandre Raslan, o município não apresentou prova técnica capaz de demonstrar que o resultado não reagente, ou seja, negativo para a presença do HIV, obtido em 2024 seria compatível com uma infecção verdadeira diagnosticada oito anos antes.

Também não comprovou que o erro teria decorrido de uma limitação científica inevitável.

Ainda que o primeiro resultado positivo pudesse ser atribuído a uma eventual falha do método de testagem, o Tribunal entendeu que essa possibilidade não explicaria a continuidade do diagnóstico equivocado e da medicação por um período tão prolongado.

Responsabilidade do poder público

O julgamento reconheceu a responsabilidade objetiva do município porque o diagnóstico, a prescrição e o fornecimento dos medicamentos decorreram de ações praticadas por agentes públicos.

Nesses casos, conforme prevê a Constituição Federal, não é necessário demonstrar individualmente a culpa de cada profissional, desde que estejam comprovados o dano e a relação entre a atuação estatal e o prejuízo sofrido.

Para os magistrados, não houve culpa da paciente nem qualquer acontecimento externo capaz de afastar a responsabilidade da administração municipal. A mulher apenas seguiu as orientações médicas que recebeu e cumpriu durante anos o tratamento estabelecido pela própria rede pública.

O valor de R$ 50 mil foi mantido por ser considerado proporcional à gravidade do dano, ao sofrimento provocado e aos cerca de oito anos de tratamento desnecessário, além de cumprir a função pedagógica de evitar falhas semelhantes na rede pública de saúde.

A decisão foi publicada no Diário da Justiça de Mato Grosso do Sul desta terça-feira (25). Embora a condenação tenha sido mantida pelo TJMS, ainda podem ser apresentados recursos às instâncias superiores, dentro dos prazos previstos em lei.

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