A Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) anunciou nesta sexta-feira (16) um investimento de R$ 50.766.282,00 para implantação de sistemas de abastecimento de água potável nas aldeias Jaguapiru e Bororó, localizadas na Reserva Indígena de Dourados. A medida busca enfrentar um problema histórico de falta de água que afeta as comunidades há décadas.
De acordo com o projeto, os novos sistemas de abastecimento contarão com captação de água por meio de poços tubulares, com vazão de até 150 mil litros por hora, tratamento com cloração, reservatórios, incluindo tanques elevados, e redes de distribuição com ligações domiciliares.
Os recursos serão distribuídos entre as duas aldeias: R$ 24,3 milhões para a Jaguapiru e R$ 26,4 milhões para a Bororó. A estimativa é de que cerca de 29,4 mil pessoas sejam beneficiadas até 2033.
Durante entrevista coletiva em Dourados, o governador em exercício de Mato Grosso do Sul, José Carlos Barbosa (PSD), explicou que a assinatura do contrato marca o início de um processo que ainda passará por análise da Caixa Econômica Federal. Segundo ele, após essa etapa, será possível autorizar a licitação das obras, que têm previsão de execução em cerca de dois anos.
"A Caixa passa a analisar agora o projeto elaborado pela Sanesul, fruto de emenda da bancada federal para que a gente possa efetivamente resolver o problema de abastecimento de na Jaguapiru e na Bororó. Evidente que não é uma obra de curto prazo. Ela tem um prazo de licitação e andamento em torno de dois anos”, detalhou o governador em exercício, Barbosinha.
O presidente da Sanesul, Renato Marcílio da Silva, avaliou que o contrato representa um avanço diante de um problema antigo enfrentado pelas comunidades indígenas da reserva e ressaltou a importância da obra para ampliar o acesso à água tratada.
No entendimento dele, a assinatura do contrato para execução das obras nas aldeias é de fundamental importância e significado para o MS, uma vez que dá um passo para a resolução de um problema de décadas.
“Esse momento é literalmente um divisor de águas. É um esforço muito grande do governo do Estado para suprir uma responsabilidade que não é dele, pela legislação, mas o Estado se esforçou, conseguiu viabilizar o recurso e, assim, significa dignidade para uma população indígena”, pontuou Renato.
Por sua vez, o prefeito de Dourados, Marçal Filho (PSDB), afirmou que o investimento é um marco para o município e que a obra pode contribuir para resolver de forma definitiva a falta de água potável na reserva indígena.
“É inadmissível que nós tenhamos pessoas que não tem acesso a água para beber. E é o que acontece na Reserva Indígena hoje. E com esse convênio que envolve o governo do Estado, envolve o governo federal, mais de 50 milhões de reais, isso vai ser resolvido em definitivo”, comemorou.
Representando a Aldeia Jaguapiru, o capitão Vilmar Machado da Silva acompanhou a solenidade e afirmou que o anúncio gera expectativa entre os moradores, que convivem há anos com dificuldades no acesso à água.
“Isso significa esperança para a nossa comunidade. Essa falta de água já vem se arrastando há muito tempo. E é um problema crônico dentro da nossa comunidade que ninguém consegue resolver”, disse.
*Saiba
Embora a responsabilidade pelo abastecimento nas aldeias indígenas seja do Governo Federal, a Sanesul passou a atuar diretamente no tema após a criação de um grupo de trabalho em 2023. O projeto foi apresentado em junho do mesmo ano e culminou na assinatura do contrato para execução das obras.
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