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SAÚDE

Santa Casa busca R$ 44 milhões para investir em reformas

Santa Casa busca R$ 44 milhões para investir em reformas

bruno grubertt

27/10/2010 - 03h00
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 A Junta Interventora da Santa Casa de Campo Grande entregou ontem ao prefeito Nelsinho Trad projeto para reforma de setores situados em nove andares do hospital, entre eles os setores de pediatria, cirurgia geral e assistência neonatal. O projeto também inclui a aquisição de equipamentos permanentes para o Centro de Atenção Cardiológica e para o Centro de Referência Neuro Cirúrgico. O orçamento inicial para as revitalizações é de R$ 44 milhões.

O prefeito recebeu o projeto ontem à tarde, durante reunião de prestação de contas da Junta Interventora, quando afirmou que já conversou com o ministro da saúde, José Gomes Temporão, com quem deve reunir-se na próxima semana para entregar os documentos e pedir recursos para as reformas. "Já conversei com o ministro Temporão e vou levar a ele o projeto para que seja incluído na programação deste ano e os recursos saiam ano que vem", disse Trad.

De acordo com o projeto apresentado ontem, as reformas começam no subsolo 2, com reforma de 50 m², aquisição de equipamentos e material permanente. No primeiro andar, serão revitalizadas três Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs). No segundo andar, o Centro Cirúrgico, Unidade de Tratamento de Queimaduras e Centro de Referência Ortopédica também serão reformados. As obras no terceiro andar contemplarão o Centro de Assistência Materno Neonatal. Nos andares cinco e seis, o projeto prevê revitalização do Centro de Cirurgia Geral e do Centro de Atenção Pediátrica.

Necessidade
A medida, segundo o diretor da Junta Interventora do Hospital, Jorge Martins, é uma necessidade para melhorar as condições de atendimento. Ele reconhece que a infraestrutura do hospital tem capacidade limitada, mesmo com as reformas já executadas. "O nosso maior problema é de capacidade física. Então, em vez de falar mal da Santa Casa porque paciente fica no corredor, tinha que agradecer porque a Santa Casa acolhe essas pessoas. Acolhe, põe no corredor e atende, não dá as costas", disse Martins.

Segundo ele, a falta de infraestrutura nos hospitais do interior é uma das causas da superlotação e do grande número de atendimentos que tem de ser feito na Santa Casa. O diretor estadual de atenção à saúde, da Secretaria de Estado de Saúde, Antônio Lastoria, rebateu a informação dizendo que o gverno estadual tem investido no fortalecimento do atendimento a pacientes no interior.

"O Estado está dividido em 11 microrregiões e o Estado tem favorecido a atenção básica nos municípios. O SUS (Sistema Único de Saúde) reconhece que essa é a única saída para evitar que se tenha um colapso na saúde", afirmou Lastória. Segundo ele, a vinda de pacientes do interior para a Capital é uma questão "histórica e cultural", e contribui para o aumento dos custos.

De janeiro a setembro deste ano, foram feitos 5.396 atendimentos na Santa Casa, 53.232 exames e 1.789 cirurgias, segundo relatório apresentado ontem.

Mobilidade

Transporte público terá operação especial no aniversário de Campo Grande

Medida busca adequar a oferta de ônibus à movimentação do feriado

25/08/2026 18h15

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) preparou um plano operacional especial para o transporte público nesta quarta-feira (26), feriado em comemoração aos 127 anos de Campo Grande.

De acordo com o planejamento, as linhas do transporte coletivo irão operar conforme o Plano Funcional de Domingos e Feriados, medida que busca adequar a oferta de ônibus à movimentação esperada na Capital durante a programação especial. 

As linhas 080, 081, 515 e 522, no entanto, funcionarão com o Plano Operacional de Sábado. Já a linha 234 seguirá a programação rotineira. 

A prefeitura disponibilizará dois veículos na reserva com tripulação nos terminais Guaicurus, Morenão, Bandeirantes, Aero Rancho, Júlio de Castilho, General Osório, Nova Bahia e Hércules Maymone. A estrutura estará disponível das 5h às 19h para atender eventuais necessidades durante a operação.

Serão mantidos cinco veículos reserva, com tripulação, na Praça do Rádio Clube, das 11h às 13h, período de maior movimentação previsto no local.

O Consórcio Guaicurus deverá acompanhar a operação das linhas e, quando necessário ou mediante determinação da fiscalização da Agetran, realizar ajustes após os horários de pico. Os períodos considerados são das 5h30 às 8h30, das 10h30 às 13h30 e das 16h às 18h30. As adequações ficarão limitadas ao aumento da oferta de veículos para atender à demanda.

A Agetran também fará o acompanhamento da operação em tempo real, com possibilidade de ajustes ao longo do dia. A medida tem como objetivo garantir maior agilidade e eficiência no transporte coletivo durante o feriado e os eventos que integram a programação dos 127 anos de Campo Grande.

Erro Médico

Mulher trata HIV por oito anos sem ter o vírus em Campo Grande

TJMS manteve condenação da Prefeitura de Campo Grande ao pagamento de R$ 50 mil; documentos médicos indicaram que a paciente nunca foi portadora do vírus

25/08/2026 18h01

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV.

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV. Foto: Divulgação TJMS.

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Uma mulher submetida durante aproximadamente oito anos a tratamento contínuo contra o HIV descobriu que jamais esteve infectada pelo vírus. O caso, iniciado com um diagnóstico positivo realizado em 2016 na rede pública de saúde de Campo Grande, terminou com a manutenção de uma indenização de R$ 50 mil por danos morais.

A decisão foi proferida pela 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que rejeitou por unanimidade o recurso apresentado pelo município. O colegiado confirmou a sentença da 2ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos da Capital.

De acordo com o processo, a paciente recebeu o diagnóstico de HIV em 2016 e, desde então, passou a seguir o tratamento indicado pelos profissionais da rede municipal.

Durante os anos seguintes, fez uso contínuo de medicamentos antirretrovirais, acreditando ser portadora de uma infecção crônica e ainda cercada por forte estigma social.

A situação começou a ser esclarecida somente em 2024, quando um novo exame apresentou resultado não reagente.

A própria equipe de saúde passou a registrar a possibilidade de falso positivo no diagnóstico inicial. Posteriormente, um documento médico atestou que a mulher nunca havia sido infectada pelo HIV.

Oito anos convivendo com um diagnóstico equivocado

Ao analisar o caso, o Tribunal considerou que o dano não se limitou à informação incorreta recebida em 2016. Para os desembargadores, a falha também esteve na manutenção do diagnóstico e do tratamento durante cerca de oito anos, sem que a condição da paciente fosse devidamente confirmada.

Nesse período, a mulher permaneceu exposta a medicamentos considerados potencialmente tóxicos e às consequências emocionais de acreditar que possuía uma doença incurável.

O acórdão destacou ainda o impacto psicológico e social associado ao HIV, condição que, apesar dos avanços da medicina, continua sendo alvo de preconceito e desinformação.

No recurso, a Prefeitura de Campo Grande sustentou que não houve falha na prestação do serviço público.

O município argumentou que os exames poderiam apresentar limitações científicas e que a responsabilização dependeria da comprovação de culpa dos profissionais envolvidos. Também pediu, alternativamente, a redução do valor da indenização.

As alegações não foram acolhidas. Segundo o relator, desembargador Alexandre Raslan, o município não apresentou prova técnica capaz de demonstrar que o resultado não reagente, ou seja, negativo para a presença do HIV, obtido em 2024 seria compatível com uma infecção verdadeira diagnosticada oito anos antes.

Também não comprovou que o erro teria decorrido de uma limitação científica inevitável.

Ainda que o primeiro resultado positivo pudesse ser atribuído a uma eventual falha do método de testagem, o Tribunal entendeu que essa possibilidade não explicaria a continuidade do diagnóstico equivocado e da medicação por um período tão prolongado.

Responsabilidade do poder público

O julgamento reconheceu a responsabilidade objetiva do município porque o diagnóstico, a prescrição e o fornecimento dos medicamentos decorreram de ações praticadas por agentes públicos.

Nesses casos, conforme prevê a Constituição Federal, não é necessário demonstrar individualmente a culpa de cada profissional, desde que estejam comprovados o dano e a relação entre a atuação estatal e o prejuízo sofrido.

Para os magistrados, não houve culpa da paciente nem qualquer acontecimento externo capaz de afastar a responsabilidade da administração municipal. A mulher apenas seguiu as orientações médicas que recebeu e cumpriu durante anos o tratamento estabelecido pela própria rede pública.

O valor de R$ 50 mil foi mantido por ser considerado proporcional à gravidade do dano, ao sofrimento provocado e aos cerca de oito anos de tratamento desnecessário, além de cumprir a função pedagógica de evitar falhas semelhantes na rede pública de saúde.

A decisão foi publicada no Diário da Justiça de Mato Grosso do Sul desta terça-feira (25). Embora a condenação tenha sido mantida pelo TJMS, ainda podem ser apresentados recursos às instâncias superiores, dentro dos prazos previstos em lei.

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