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SAÚDE PÚBLICA

Santa Casa fará reforma milionária no pronto-socorro, mas superlotação não será resolvida

Hospital afirma que ampliação de leitos não será possível pela contratualização com a prefeitura

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Com o objetivo de renovar o setor de pronto-socorro, a Santa Casa de Campo Grande deu início a uma reforma total desta parte do prédio orçada em R$ 3 milhões.De acordo com a instituição, o projeto visa trazer mais conforto e bem-estar aos pacientes e acompanhantes, embora não tenha planos para ampliação do número de leitos disponibilizados. 

Ao Correio do Estado, o coordenador de infraestrutura do hospital, Alessandro Junqueira, explicou que a reforma será estrutural e servirá para readequar todo o espaço abrangido pelo pronto-socorro como os consultórios, recepção, bem como o espaço dedicado à área Verde, Amarela e Vermelha. 

De acordo com a instituição, a revitalização não irá modificar a quantidade de leitos disponíveis porque o pronto-socorro da instituição funciona conforme contratualização com a prefeitura de Campo Grande. 

Pelo contrato, o Poder Executivo paga cerca de R$26,5 milhões para o fornecimento de 13 leitos no pronto-socorro, dos quais seis são para pacientes da Área Verde e sete para a Área Vermelha. Dessa forma, não é possível ampliar a oferta de leitos. 

A instituição destaca que, embora sejam contratualizados apenas 13 leitos, o hospital sempre recebe mais pacientes. No dia 26 de agosto, inclusive, as portas do pronto-socorro precisaram ser fechadas por cerca de seis horas porque a superlotação estava em 106 pacientes. 

Em relação à reforma, o coordenador explica que haverá expansão dos espaços para que os pacientes fiquem acomodados de maneira mais confortável. Assim, salas e outros ambientes devem receber adequação para seguir atendimento dentro das normas exigidas pelo Corpo de Bombeiros Militar e também pela Vigilância Sanitária. 

Junqueira estima que a primeira fase da reforma, que compreende a parte externa e a área da frente do hospital, deve ficar pronta dentro de 90 dias, contando a partir de segunda-feira (11). Ou seja, a entrega será feita no dia 24 de janeiro de 2024. 

No entanto, ainda não existe uma previsão para a conclusão do total, tendo em vista é preciso considerar os imprevistos que podem acontecer no pronto-socorro e também a demanda dos pacientes. 

O coordenador ainda destaca que, embora  a obra seja orçada em R$ 3 milhões, a Santa Casa dispõe apenas de uma parte do recurso, que foi viabilizado por emenda parlamentar, doações e campanhas de arrecadação. Assim, ainda será preciso levantar a verba para o restante do projeto, o que contribui para que não tenha um prazo definido. 

Uma das novidades é a criação de uma Sala de Estabilização para pessoas que chegaram em situação grave no hospital. No espaço, será feito o primeiro atendimento antes do encaminhamento para área Vermelha. 

Para o restante dos pacientes, o encaminhamento será automático tanto para a área Amarela ou Verde, conforme a classificação de risco. 

Atualmente, todos os pacientes que chegam ao pronto-socorro da Santa Casa são encaminhados para a área vermelha e, posteriormente, é feita a classificação de risco e direcionamento para a área correta, sendo que muitas vezes essa avaliação é feita enquanto o paciente ainda está no corredor aguardando atendimento.

Também será criado um espaço de isolamento, que hoje é inexistente no setor. O local servirá para receber pessoas com suspeita de Covid-19 ou até mesmo pacientes que são presidiários. Hoje, para serem atendidos, essas pessoas precisam ser deslocadas para outro setor da instituição a fim de ficarem isolados. 

Além da criação desses espaços, serão reordenados os consultórios pediátricos e adultos de forma que a sala de espera e de atendimento fiquem agrupadas do mesmo lado, determinando um ambiente para as crianças e outro para os adultos. 

O projeto ainda prevê mais dois consultórios: um adulto e outro infantil. Então, ao todo, após a reforma, o pronto-socorro irá contar com dois consultórios pediátricos e cinco adultos. 

Também serão redistribuídas as salas de descanso dos médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem com a mesma intenção: agrupar tudo na mesma área para otimizar a ocupação dos espaços disponíveis no prédio. 

Para justificar a reforma estética, que será feita por fase para não interromper o atendimento do setor, o hospital aponta que um lugar mais confortável, com móveis e ventilação de qualidade tem o poder de criar mais confiança nos pacientes e também para os acompanhantes. 

Trabalhando o conceito de humanizar o atendimento serão inseridas na arquitetura do setor cores mais neutras, elementos com curva, assentos novos, além da disponibilização de conectividade wi-fi e salas climatizadas. 

A instituição garante que a reforma não irá alterar o ritmo de atendimento e há espaços adequados para realocar os pacientes quando for necessário. Também, de acordo com o hospital, serão tomados os devidos cuidados para que o barulho e movimentação da obra não perturbe o silêncio e sossego dos pacientes.

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R$ 6,8 milhões

Fraude na saúde: Secretários de Nioaque receberam depósitos milionários e em espécie de clínica

Dinheiro saía da Prefeitura, ia para a clínica Prontomed e voltava em espécie para dois secretários municipais; município pagou R$ 6,8 milhões à empresa entre 2018 e 2025

13/08/2026 19h15

Na Operação

Na Operação "Auditus" foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão Foto: Divulgação / MPMS

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O trajeto que o dinheiro público de Nioaque teria percorrido até chegar às contas de dois secretários municipais é descrito na decisão judicial que autorizou as prisões da segunda fase da Operação Auditus, nesta quinta . 

O então secretário municipal de Governo Vagner Alves Ribeiro Guimarães recebeu R$ 936.239,00 em depósitos em espécie sem qualquer identificação de origem, feitos logo após saques realizados pelos donos da clínica Prontomed e a então secretária municipal de Saúde Márcia Cristiane Missioneira Jará recebeu repasses que passavam por uma triangulação até chegar às suas mãos pelo próprio filho, em parcelas que teriam incluído valores de R$ 10 mil, R$ 65 mil e R$ 100 mil.

A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna decretou a prisão preventiva de cinco pessoas e a busca e apreensão contra outras sete, medidas cumpridas nesta quinta-feira (13) na segunda fase da Operação Auditus, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), em Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna.

Do outro lado desse fluxo estão os pagamentos que a Prefeitura de Nioaque fez à empresa. A reportagem identificou 111 empenhos do Fundo Municipal de Saúde em favor da Prontomed Clínica Médica Ltda. entre 7 de novembro de 2018 e 31 de março de 2025, somando R$ 6.800.399,00, valor empenhado e, segundo os registros, liquidado e pago. Só o montante depositado na conta de Vagner Guimarães equivale a cerca de 14% de tudo o que o município pagou à clínica em quase sete anos de relação contratual.

Siga o dinheiro

O Relatório Técnico do MP cruzou os dados bancários obtidos após a quebra de sigilo autorizada em 2025. 

Logo depois de a Prefeitura pagar as faturas da Prontomed, Robson Roosevelt Ferreira Aguilar e Bianca Fernandes Leite Aguilar, sócios da empresa, faziam transferências da conta da clínica para a gerente administrativa Tatiane Barbosa de Souza Grubert. 

Ela sacava em espécie ou repassava a Derick Augusto Jará Luz, identificado como filho de Márcia Jará, que entregava o dinheiro à mãe. Segundo o documento, foram "várias parcelas de R$ 10.000,00, além das parcelas de R$ 65.000,00 e R$ 100.000,00, dentre outras". 

Com Vagner Guimarães, o método teria sido mais direto: após "vultosos saques em espécie" feitos por Robson, Bianca e Tatiane, "muitos deles imediatamente após o recebimento de recursos públicos oriundos da Prefeitura Municipal de Nioaque", foram identificados depósitos sucessivos em espécie na conta do secretário, somando R$ 936.239,00, sem origem identificada. 

Para o Ministério Público, a compatibilidade "pela forma, periodicidade e montantes" com os saques anteriores revela "nítido nexo temporal, financeiro e operacional", o que evidenciaria o pagamento de vantagem indevida. 

O valor de R$ 936.239,00 é o total de depósitos em espécie sem origem declarada na conta do investigado; a conclusão de que se trata de propina é a leitura do Ministério Público, acolhida pela juíza para fins de medida cautelar.

A decisão enquadra os investigados nos crimes de organização criminosa, fraude em contratação pública, crimes licitatórios, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro, este último, segundo o texto, caracterizado justamente pela triangulação que ocultava a origem dos valores em contas de terceiros.

Ano a ano, o gasto salta a partir de 2022, exatamente o ano em que, segundo o MPMS, a organização criminosa passou a operar: R$ 7.200,00 (2018), R$ 48.720,00 (2019), R$ 45.120,00 (2020), R$ 229.730,00 (2021), R$ 2.650.135,00 (2022), R$ 1.861.448,00 (2023), R$ 1.874.618,00 (2024) e R$ 83.428,00 até 31 de março de 2025. 

Somente em 2022 e 2023 a Prefeitura empenhou R$ 4.511.583,00 à Prontomed, 66% de tudo o que foi pago à empresa no período. O MPMS afirma que o gasto com esses serviços teve alta de 1.713% no intervalo das "contratações fraudulentas" (2022–2025). 

Licitações

A decisão atribui a três processos administrativos de Nioaque, 018/2019, 027/2023 e 015/2024, o mesmo padrão de direcionamento.

O caso mais documentado envolve o Contrato 42/2022. Segundo o MPMS, 14 dias antes da assinatura, Vagner Guimarães enviou ao e-mail da clínica uma planilha que já continha os valores que a Prontomed deveria "cotar", sob a aparência formal de uma solicitação de orçamento. 

Os valores devolvidos pela empresa eram idênticos, a única diferença estava nos totais, porque a planilha enviada pelo secretário fora calculada para 12 meses, o dobro da vigência de seis meses do contrato efetivamente assinado. 

Para manter a aparência de disputa, Tatiane Grubert teria fabricado a cotação de uma suposta concorrente, a Duocor Cardiologia Clínica e Diagnóstica, com falsificação da assinatura de seu responsável; a perícia em um notebook apreendido localizou a planilha editável com os valores "da Duocor", criada em 26/04/2022 e enviada a Vagner dois dias depois.

O mesmo método teria se repetido no Pregão 005/2023, em que os peritos encontraram, no notebook apreendido na sede da Prontomed, um arquivo criado em 17/02/2023 com três abas nomeadas "PRONTOMED", "DUOCOR" e "PARTMED", contendo os três orçamentos usados no certame. 

Nesse processo e no Pregão 004/2024, segundo os autos, foram falsificadas as assinaturas dos responsáveis pelas duas empresas "concorrentes".

Vencida a licitação, o desvio continuaria na execução. A decisão descreve listas de consultas, exames e procedimentos produzidas pela Prontomed e encaminhadas à Secretaria Municipal de Saúde, onde Márcia Jará autorizava o pagamento integral "sem qualquer conferência, controle administrativo ou validação mínima da efetiva realização dos serviços declarados".

As irregularidades apontadas nessas listas são, nas palavras do próprio documento, "muitas das vezes grosseiras": assinaturas divergentes do mesmo paciente em listas de especialidades diferentes, registros duplicados, nomes de pessoas falecidas em datas anteriores à consulta, crianças de 3 anos e de 11 meses que teriam assinado a lista de atendimento, e inserção de DIU em pacientes de 57 e 53 anos, faixa etária em que o método deixa de ser recomendado. 

Mães de crianças que constam de listas de teste da orelhinha declarados como realizados em novembro de 2022 depuseram afirmando que seus filhos nunca fizeram o exame pela empresa. É exatamente esse exame, a triagem auditiva neonatal, que dá nome à operação.

O Anexo de Procedimentos do Contrato 42/2022, obtido pela reportagem, traz a linha "TESTE DA ORELHINHA (executado pela fonoaudióloga)", com 30 unidades estimadas por mês, 180 em seis meses, a R$ 160,00 cada, R$ 28.800,00 no período. Constam também "teste do olhinho" e "teste da linguinha", R$ 16.200,00 cada em seis meses. São exames de baixo custo unitário e alto volume, e o contrato municipal não prevê nenhum mecanismo de auditoria, glosa ou conferência in loco.

Com base nesse conjunto, o MPMS estimou em R$ 1.262.211,00 o valor desviado por meio de serviços simulados, o equivalente a "cerca de 83% de todo o valor desembolsado". 

Reencontro após sequestro

Bebê Ayla volta para a família após polícia descartar envolvimento da mãe em sequestro

Recém-nascida foi entregue aos familiares na tarde desta quinta-feira (13), após autorização da Justiça

13/08/2026 18h46

Ayla Emanuelly voltou ao convívio da família nesta quinta-feira (13), após decisão judicial autorizar a entrega da bebê aos familiares.

Ayla Emanuelly voltou ao convívio da família nesta quinta-feira (13), após decisão judicial autorizar a entrega da bebê aos familiares. Foto: Reprodução.

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A bebê Ayla Emanuelly Pereira de Souza, de 1 mês, voltou para a família na tarde desta quinta-feira (13), em Campo Grande, após a investigação da Polícia Civil concluir que a mãe, uma adolescente de 17 anos, não teve participação no desaparecimento da própria filha. A criança havia sido encontrada no Paraguai depois de ter sido levada da Capital.

Conforme informações repassadas por um familiar de Ayla à equipe de reportagem do Correio do Estado, a bebê foi entregue à família por volta das 14h30 desta quinta-feira (13), após autorização da Justiça.

O familiar também informou que a mãe da criança não teve envolvimento no sequestro. Desde que foi localizada, a recém-nascida permanecia sob acolhimento e dependia de decisão judicial para retornar ao convívio familiar.

Com o avanço das investigações, foi afastada a suspeita de que a adolescente pudesse ter alguma ligação com o desaparecimento da própria filha. A possibilidade havia sido analisada pela polícia durante a apuração das circunstâncias em que a recém-nascida foi levada.

Com o avanço das diligências, porém, a Polícia Civil concluiu que a jovem não teve envolvimento no crime. A conclusão da investigação foi considerada pela Justiça para autorizar o retorno da recém-nascida ao convívio familiar.

Bebê estava acolhida

Ayla retornou a Campo Grande nesta terça-feira (12), depois de permanecer em uma unidade de acolhimento infantil de Ponta Porã. Na ocasião, conforme mostrou o Correio do Estado, a criança ainda não poderia ser entregue diretamente aos familiares, já que seria necessária autorização judicial.

Em nota divulgada enquanto a bebê permanecia acolhida, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) informou que Ayla estava em segurança e passava bem. O endereço da unidade não foi divulgado como medida de proteção e preservação da integridade da recém-nascida.

A conselheira tutelar Loisa Higa, que atua na região do Anhanduizinho, já havia explicado ao Correio do Estado que, em situações como essa, o procedimento é realizar a transferência entre unidades de acolhimento até que exista determinação judicial autorizando a entrega à família.

“Quando acontecem casos como esse, a transferência é feita de acolhimento para acolhimento. Só podemos entregar para a família caso haja uma decisão judicial que determine isso”, explicou.

Com a autorização concedida nesta quinta-feira, Ayla pôde finalmente deixar o acolhimento e retornar à família.

Entenda o caso

O desaparecimento ocorreu na quinta-feira (6). À polícia, a mãe de Ayla relatou que havia sido atraída por uma mulher até uma residência sob a promessa de conseguir um emprego. No local, segundo a versão apresentada pela adolescente, ela e a irmã, de 13 anos, teriam sido ameaçadas e mantidas como reféns enquanto um casal levava a recém-nascida.

Ayla foi encontrada na madrugada de domingo (9), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã.

A localização ocorreu durante uma ação conjunta envolvendo policiais da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) e autoridades paraguaias.

A recém-nascida estava em uma residência no bairro Virgen de Caacupé com Suzilaine da Graça Costa e Alex Melo de Abreu. No momento da prisão, o homem teria apresentado uma identidade falsa em nome de Weliton Aparecido Lopes.

Alex possuía mandado de prisão e tinha uma pena de 19 anos a cumprir por homicídio cometido no Amazonas. Suzilaine, por sua vez, foi reconhecida por familiares da mãe de Ayla como a mulher que teria oferecido a suposta oportunidade de emprego à adolescente.

Após ser localizada, Ayla ficou sob responsabilidade do Conselho Tutelar de Ponta Porã e foi encaminhada a uma unidade de acolhimento infantil. Posteriormente, retornou a Campo Grande, onde continuou sob proteção até a definição da Justiça.

A investigação do caso é conduzida pela Depac de Campo Grande, sob responsabilidade da delegada Anne Karine Trevisan. A delegada esteve em Ponta Porã na segunda-feira (10) para ouvir o casal encontrado com a criança.

Agora, com a conclusão policial de que a adolescente não participou do desaparecimento e a autorização judicial para a reintegração, Ayla está novamente com a família, uma semana depois de ter sido levada.

Polícia é procurada pela reportagem

A reportagem do Correio do Estado procurou a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul para obter mais detalhes sobre o andamento das investigações e os desdobramentos do caso. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

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