Os funcionários da Santa Casa de Campo Grande suspenderam a paralisação das atividades iniciada no início da manhã desta sexta-feira (9) quando o salário começou a cair na conta no início da tarde de hoje.
Os trabalhadores haviam decidido, durante assembleia pela manhã, que iriam paralisar 50% das atividades para manter atendimentos mínimos no Hospital, devido o atraso, novamente, dos salários.
No entanto, no início da tarde, os funcionários começaram a receber os valores referentes aos salários e ao 13º em atraso, encerrando a paralisação.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul (SIEMS), Lázaro Santana, o salário está disponível para quitação, mas um erro no sistema estaria impedindo a liberação dos valores.
Em reunião realizada no final do ano passado, um acordo firmado entre a Prefeitura de Campo Grande e o Governo do Estado definiu como seria garantido o 13º para os trabalhadores do hospital.
A medida definiu um aporte de mais de R$54 milhões em investimentos públicos que o hospital deve receber nos próximos meses, como confirmado pela prefeita de Campo Grande.
Desses R$54 milhões, cerca de R$16 milhões são aporte do município, além do emprego direto de R$5,2 milhões, que devem ser pagos mensalmente até abril de 2026, mais dez milhões de reais, aproximadamente, referentes a recursos recuperados em acordos empresariais.
Além disso, esse acordo prevê regras para uma maior transparência e prestação de contas.
Paralisação anterior
A paralisação do ano passado aconteceu por dois dias, 22 e 23 de dezembro, no Hospital Santa Casa de Campo Grande.
A paralisação afetou 30% dos atendimentos no maior hospital de Mato Grosso do Sul. Ao todo, 1.200 funcionários CLT de enfermagem, limpeza e copa cruzaram os braços e ficaram sem trabalhar.
A paralisação ocorreu por falta de pagamento do 13º salário. Até então, a proposta seria de que o 13º seria pago em três parcelas: em janeiro, fevereiro e março. Mas, os funcionários recusaram a proposta e iniciaram as paralisações e protestos.
Os serviços afetados foram atendimentos (consultas eletivas, cirurgias eletivas, enfermaria, pronto socorro e UTI), limpeza (higienização de centros cirúrgicos, consultórios, banheiros e corredores), lavanderia (acúmulo de roupas utilizadas em cirurgias ou exames) e cozinha (copa).
Crise financeira
A Santa Casa está em crise financeira há anos. Conforme noticiado pelo Correio do Estado, o hospital gasta por mês R$ 1 milhão a mais do que recebe.
Atualmente, a Santa Casa recebe R$ 392,4 milhões por ano (R$ 32,7 milhões por mês) do convênio entre governo federal, Prefeitura de Campo Grande e governo do Estado para atendimento via Sistema Único de Saúde (SUS).
Porém, o hospital alega que o valor não seria suficiente para suportar a demanda atual da unidade de saúde, além de não sofrer reajuste desde 2023.
Sem a solução com o poder público, a instituição foi à Justiça pedir que, caso a renovação fosse feita, o repasse mensal precisaria ser corrigido para R$ 45,9 milhões (R$ 550,8 milhões por ano), além da recomposição retroativa referente aos últimos dois anos sem aumento.
Segundo documento que o Correio do Estado obteve com exclusividade, o hospital tinha um teto de R$ 46.907.889,12 para ser gasto em 2024 com internações de alta complexidade – serviços e procedimentos que exigem alta tecnologia, alto custo e infraestrutura especializada.
Porém, a entidade ultrapassou em cerca de R$ 2,5 milhões deste montante, o que resultou em um gasto operacional de R$ 49.484.607,38.
No balanço mês a mês, apenas em setembro a Santa Casa conseguiu operar as internações de alta complexidade dentro do teto, com R$ 3.825.922,38, menos de R$ 100 mil abaixo do limite mensal (R$ 3.908.990,76).
Por outro lado, outubro, segundo as informações do hospital, foi o pior mês, com gasto que chegou a R$ 4,6 milhões. Na média mensal, a instituição operou R$ 214,7 mil a mais do que o estipulado pelo teto.
De acordo com relatório anual divulgado pelo hospital em março de 2025, o ano anterior fechou com prejuízo de R$ 98,3 milhões, bem distinto do apresentado em 2023, quando fechou com superavit de R$ 27,5 milhões.
*Colaborou Alicia Miyashiro

