Por conta das previsões de estiagem severa e do temor de incêndios florestais decorrentes do El Niño, o Governo do Estado decretou, no começo de junho, emergência ambiental por 180 dias. Mas, ao contrário daquilo que apontavam os institutos de meteorologia, seguidas frentes frias trouxeram chuva à região pantaneira, que na madrugada desta quarta-feira (26) voltou a ser beneficiada por chuva leve.
A precipitação foi registrada também em outras regiões do Estado, provocando inclusive o cancelamento do desfile do aniversário de 127 anos de Campo Grande, cidade onde foram registrados até 14 milímetros.
O maior volume na região pantaneira foi em Aquidauana, onde o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 17 milímetros entre 02 da madrugada e 08 da manhã. Em Dois Irmãos do Buriti e Maracaju, cidades que ficam próximo do Pantanal e onde existem córregos que desembocam nos rios pantaneiros, o Inmet registrou 12,2 e 14,6 milímetros, respectivamente.
Na cidade de Miranda, já no meio da planície pantaneira, o Imet apontou 4 milímetros de precipitação durante a madrugada, volume suficiente para restabelecer a umidade na vegetação e no solo, reduzindo o risco de proliferação de incêndios florestais.
Na área urbana de Corumbá, a maior cidade da região Pantaneira, o volume somou apenas 1,8 milímetro. Mas, mais ao norte, no medidor da Fazenda Eldorado, foram 5,4 milímetros. Na região da Serra do Amolar, já próximo da divisa com Mato Grosso e onde os incêndios florestais são mais difíceis de combater por conta das condicões geográficas, a chuva foi de apenas 1,8 milímetro.
Mais ao sul, no município de Porto Murtinho, a precipitação atingiu 3,2 milímetros. Volume semelhante, de 3 milímetros, ocorreu em Jardim, apontando que a chuva atingiu boa parte da região sul do Pantanal sul-mato-grossense.
Mas, apesar do baixo volume, a chuva da madrugada desta quarta-feira ajuda a reduzir o risco de queimadas porque aparece depois de pelo menos três registros ao longo de junho e outros dois durante o mês de julho. Em junho, a soma das pancadas chegou a quase 57 milímetros na região de Miranda, sendo que a média para aquele mês é de 36 milímetros.
Em Corumbá, algumas regiões receberam até 70 milímetros em junho, sendo que a média para aqueles locais é de 17 milímetros. Em julho o volume foi menor, mas superou os 30 milímetros em boa parte do Pantanal de Corumbá.
E por conta das condições climáticas favoráveis, até agora foi registrado somente um incêndio florestal de grandes proporções, que destrui florestas próximo do Forte Coimbra tanto do lado brasileiro quanto no lado Boliviano .
Em 2024, ano marcado pelo calor e falta de chuvas, o fogo destruiu 370 mil hectares no Pantanal de Mato Grosso do Sul somente em junho. Em 2026, não houve registro de incêndio florestal naquele mês. Em julho, por conta das condições climáticas favoráveis, foi registrada somente uma queimada de grandes proporções, que destruiu florestas próximo do Forte Coimbra, tanto do lado brasileiro quanto no lado Boliviano .
Mas, por conta dos prognósticos feitos em decorrência do forte El Niño, desde o dia primeiro de junho o Governo do Estado decretou situação de emergência em todo o Estado. E, conforme a administração estadual, Corpo de Bombeiros mobilizou 170 militares, 25 viaturas, 186 sopradores e 17 drones térmicos.
Além disso, 11 bases avançadas foram instaladas em áreas de difícil acesso, como na região da Serra do Amolar, na região norte do Pantanal de Mato Grosso do SUl. Técnicos começaram a fazer monitoramento 24 horas por satélite e queimadas prescritas foram antecipadas.
O estado de emergência ambiental permanece em vigor até o início de dezembro de 2026, podendo servir de base para a adoção de novas medidas de prevenção e resposta aos incêndios florestais durante o período mais seco do ano.
Foto: Evento começou com chuva, na Praça do Rádio Clube


