Cidades

fim dos acampamentos

Sejusp estica prazo e promete cumprir decisão de Supremo Tribunal hoje

Desocupação das imediações dos quartéis do Exército foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após vandalismo em Brasília

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O prazo de 24 horas dado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes acabou na noite de ontem, mas, em Mato Grosso do Sul, a determinação vai até o fim da manhã de hoje.

Apesar de a decisão do ministro do STF impor “desocupação e dissolução total em 24 horas, dos acampamentos realizados nas imediações dos quartéis-generais e outras unidades militares”, assinada na noite de domingo, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) deu até o fim da manhã desta terça-feira para que manifestantes desmontem totalmente o acampamento no entorno do Comando Militar do Oeste (CMO), em Campo Grande. 

Segundo a assessoria da Sejusp, a secretaria começou a contar o prazo de 24 horas para a retirada do acampamento no CMO a partir do recebimento da notificação, na manhã desta segunda-feira, e não a partir do momento da assinatura da ordem, na noite de domingo. 

Ainda na manhã de ontem, os manifestantes em frente ao CMO afirmavam que o objetivo era manter o movimento pelo tempo que fosse necessário. 

No entanto, por volta das 11h40min, eles começaram a cumprir a notificação assinada pela delegada Cláudia Angélica Gerei, da Delegacia Especializada de Ordem Política e Social-MS (Deops), de retirar barracas, tendas, banheiros químicos, geradores, móveis, utensílios domésticos, palanques, equipamentos e caminhos de som, assim como todos os objetos que criem obstáculos, seja na via, seja na calçada, nos canteiros e demais proximidades do CMO.

Porém, à noite, já perto do fim do prazo estipulado pelo ministro Alexandre de Moraes, simpatizantes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que ainda resistiam em frente ao CMO paralisaram o desmonte do acampamento. 

PUNIÇÃO

Em caso de descumprimento da ordem de desocupação e dissolução dos acampamentos, a decisão do STF prevê “prisão em flagrante de seus participantes pela prática dos crimes previstos nos artigos 2º, 3º, 5º e 6º (atos terroristas, inclusive preparatórios) da Lei nº 13.260, de 16 de março de 2016, e nos artigos 288 (associação criminosa), 359-L (abolição violenta do Estado Democrático de Direito) e 359-M (golpe de Estado), 147 (ameaça), 147-A, §1º, III (perseguição), 286 (incitação ao crime)”. 

O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, afirmou em nota que estava “acompanhando pessoalmente todas as fases do cumprimento da ordem judicial do ministro Alexandre de Moraes” e que tinha solicitado o apoio do Exército Brasileiro para a logística de retirada, não só do acampamento em Campo Grande, mas dos pontos de manifestação em todo o Estado. 

O texto de Alexandre de Moraes determina, ainda, que as polícias militares dos estados devem realizar as operações de desmobilização, com apoio das autoridades municipais, que devem prestar assistência para a retirada dos materiais instalados nos acampamentos.

Conforme o ministro, governadores têm a responsabilidade pessoal de efetivar a decisão do STF. 

A Polícia Militar (PM) esteve no acampamento em frente ao CMO, na Capital, na tarde de ontem, para manter a segurança de quem estava no local. Porém, jornalistas que também estavam presentes para cobrir o desmonte do acampamento relataram ataques por parte de alguns manifestantes radicais.

DURAÇÃO

Com início após o segundo turno das eleições, em 31 de outubro, o acampamento dos apoiadores do ex-presidente em frente ao CMO, em Campo Grande, durou 70 dias. 

No auge do movimento, eram oferecidas refeições gratuitas, como café da manhã e churrasco no almoço e no jantar, para os frequentadores; havia também carro de som para os líderes discursarem. 

Em novembro do ano passado, o deputado Pedro Kemp (PT) pediu celeridade à Sejusp no cumprimento da determinação judicial de desobstrução de vias e interrupção de som alto na Avenida Duque de Caxias, local do acampamento. 

Os moradores do bairro em torno do CMO reclamaram do barulho, da algazarra, dos fogos de artifício e dos transtornos causados pelos manifestantes radicais. 

Apenas quando as cerimônias para a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começaram a ser realizados o ato em frente ao CMO foi enfraquecendo e perdendo adesão. Já no dia 1º, algumas barracas tinham sido retiradas e alguns dos chamados QGs haviam sido abandonados.

 Saiba: Investigação - Durante a estadia em frente ao CMO, algumas pessoas foram investigadas pela Polícia Federal, como o ex-prefeito de Costa Rica Waldeli dos Santos Rosa, a jornalista Juliana Gaioso e a médica Sirlei Ratier.

Eles foram alvos de uma operação de busca e apreensão que visava os apoiadores de manifestações em Mato Grosso do Sul, Acre, Amazonas, Rondônia, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Distrito Federal. 

Até o fechamento desta edição, a Polícia Federal não havia informado se as investigações continuam. A Sejusp não respondeu à reportagem se está ajudando a Polícia Federal nas investigações sobre patrocinadores dos atos ou se tem sua própria investigação.

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saúde

Mais Médicos Especialistas oferece 132 vagas para MS em nova chamada

São 4 vagas imeditas e 128 para cadastro reserva; Inscrições estão abertas até dia 29 de outubro e profissionais especializados irão atuar no SUS

24/10/2026 11h23

Profissionais do Mais Médicos Especialistas ampliam acesso à atenção especializada no SUS

Profissionais do Mais Médicos Especialistas ampliam acesso à atenção especializada no SUS Foto: Divulgação / Ministério da Saúde

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O Ministério da Saúde abriu inscrições para a segunda chamada do 3º ciclo do Projeto Mais Médicos Especialistas (PMM-E). Em Mato Grosso do Sul, são 132 vagas, sendo quatro imediatas e 128 para cadastro reserva.

Conforme o edital, as quatro vagas imeditas são para Três Lagoas, sendo três para aprimoramento em Oncologia Clínica, com foco nos cânceres prevalentes no Sistema Único de Saúde (SUS), e uma para aprimoramento em Rotinas Assistenciais em Medicina Intensiva no SUS.

Já as vagas para formação de cadastro estão distribuídas em 22 munícipios, sendo:

  • Dourados - 43
  • Três Lagoas - 34
  • Costa Rica - 6
  • Coxim - 6
  • Fátima do Sul - 6
  • Ponta Porã - 6
  • Brasilândia - 3
  • Caarapó - 3
  • Rio Brilhante - 3
  • Amambai - 2
  • Cassilândia - 2
  • Naviraí - 2
  • Nova Andradina - 2
  • Sidrolândia - 2
  • Aparecida do Taboado - 1
  • Aquidauana - 1
  • Bonito - 1
  • Corumbá - 1
  • Itaporã - 1
  • Itaquiraí - 1
  • Nova Alvorada do Sul - 1
  • Ribas do Rio Pardo - 1

   

As inscrições podem ser feitas até o dia 29 de outubro, pelo Portal UNA-SUS.

A estratégia busca incentivar a presença de especialistas em regiões historicamente desassistidas, com o objetivo de ampliar o acesso à atenção especializada no SUS e reduzir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos.

De acordo com o Edital nº 25/2026, em todo o Brasil serão 224 vagas de preenchimento imediato e 4.350 para cadastro reserva, distribuídas em 24 cursos de aperfeiçoamento, em áreas como anestesiologia, ginecologia e obstetrícia, cardiologia, urologia, psiquiatria, entre outras especialidades.

Benefícios

Os médicos participantes recebem uma bolsa mensal, e o valor varia de acordo com a vulnerabilidade social do município de atuação, calculado pelo Índice de Vulnerabilidade Social (IVS):

  • R$ 20 mil para municípios de alta ou muito alta vulnerabilidade;
  • R$ 15 mil para os de média vulnerabilidade;
  • R$ 10 mil para os de baixa ou muito baixa vulnerabilidade.

Quem pode participar

Podem participar médicos e médicas, com registro ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM) e Registro de Qualificação de Especialista (RQE) ativo.

O RQE deve ter sido obtido por meio de residência médica reconhecida pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) ou de título de especialista reconhecido pela Associação Médica Brasileira (AMB).

Mais Médicos Especialistas

O Projeto Mais Médicos Especialistas foi instituído pela Portaria GM/MS nº 7.177, de 10 de junho de 2025, com objetivo de ampliar o acesso à atenção especializada no SUS, reduzir desigualdades regionais na distribuição de médicos e diminuir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos.

O programa qualifica a formação dos profissionais por meio da prática na rede pública.

Desde a implementação, 2.279 médicos especialistas já ingressaram no PMM-E, e 1.898 continuam ativos, o equivalente a 83,3% do total de profissionais até outubro de 2026.

 

transporte coletivo

Justiça exige conta bancária exclusiva para intervenção no Consórcio Guaicurus

Decisão liminar considera que lei municipal que determina a criação de uma conta própria não está sendo cumprida e cobra mais transparência da comissão interventora

24/10/2026 10h54

Interventores deverão criar conta própria, separada da conta do Consórcio Guaicurus

Interventores deverão criar conta própria, separada da conta do Consórcio Guaicurus Foto: Arquivo / Correio do Estado

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O juiz da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, Eduardo Lacerda Trevisan, concedeu liminar que determina que obriga que a comissão interventora abra uma conta bancária exclusiva, separada das contas do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo da Capital.

Conforme a decisão, os interventores devem apresentar um plano para abertura de conta específica da intervenção em 10 dias, com prazo para implantação em 30 dias, sob pena de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.

O consórcio está sob intervenção municipal desde o dia 16 de junho deste ano, quando a prefeitura anunciou a decisão de tomar conta do transporte coletivo da Capital por um período de 180 dias. O advogado Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira foi nomeado interventor.

Na ocasião, foi concedido a comissão interventora vários "poderes", dentre eles, a movimentação das contas da empresa pelos interventores.

O mandado de segurança foi impetrado pelo Consórcio Guaicurus, que pediu para que a comissão criasse uma conta exclusiva para uso dos interventores, separada da conta das empresas que fazem parte do consórcio, conforme determina o artigo 53, inciso I, da Lei Municipal nº 4.584/2007.

O artigo em questão dispõe que a equipe de intervenção deve "providenciar a abertura de conta-corrente própria em banco estabelecido na cidade de Campo Grande- MS, em nome da Prefeitura Municipal, vinculada, exclusivamente, à movimentação financeira decorrente da intervenção, a qual será administrada e conjunto com o interventor administrativo-financeiro".

A Procuradoria do Município chegou a argumentar que a lei que faz a exigência de conta específica em caso de intervenção era inconstitucional, mas a tese não foi acatada pelo juiz na decisão liminar, que deferiu o pedido do Consórcio.

Desta forma, os interventores devem apresentar, em 10 dias, um plano com a definição do cronograma para a criação da conta-corrente oficial da intervenção, que ainda não foi aberta mesmo sendo prevista em lei, separada daquelas sob a titularidade do operador do sistema.

A conta precisa ser aberta em banco público, como a Caixa Econômica Federal ou o Banco do Brasil. O plano deverá conter ainda o detalhamento de como a transição de contas será feita para que não haja comprometimento dos pagamentos essenciais à continuidade do serviço de transporte de Campo Grande.

Após a apresentação do plano, a Comissão terá 30 dias para implantar a mudança a partir da intimação.

A Comissão também terá de entregar ao juiz a cópia integral do ato colegiado que aprovou as normas de governança e controle do processo de intervenção.

Segundo o magistrado, caso esse sistema de governança dos atos administrativos dos interventores não exista, a Comissão deverá declarar perante a Justiça a ausência de tais documentos e não poderá criar validações que sejam retroativas.

Na decisão liminar, a Justiça também exigiu que a comissão interventora exiba as autorizações e justificativas motivadas para todos os pagamentos de dívidas vencidas e que tenham caráter excepcional, realizados durante o período de intervenção.

Intervenção

Decretada pela prefeitura no dia 16 de junho deste ano, a intervenção no Consórcio Guaicurus divulgou no mês passado um relatório dos primeiros 90 dias à frente da empresa. Segundo o documento, neste período, os interventores descobriram R$ 48,5 milhões em débitos e obrigações acumuladas que comprometem a estabilidade das operações na capital sul-mato-grossense.

Conforme matéria do Correio do Estado da época, no centro desse passivo financeiro estão os parcelamentos fiscais consolidados com a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que somam R$ 31,29 milhões. Esse montante exige um desembolso mensal de R$ 721.486,16 para amortização, gerando um comprometimento anual de cerca de R$ 8,66 milhões no fluxo de caixa operacional.

A lista de dívidas tributárias e regulatórias inclui débitos com outros órgãos federais e municipais. O consórcio registra um saldo devedor de R$ 183,7 mil em parcelamentos de multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além de R$ 4,86 milhões referentes a impostos e contribuições sobre a folha de pagamento, como o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Imposto de Renda.

Venda do Consórcio

O Consórcio Guaicurus anunciou, no dia 21 de julho, que havia chegado a um acordo de compra e venda com a concessionária goianiense HP Mobilidade, responsável pelo transporte coletivo de Goiânia (GO).

O acordo feito entre as empresas foi aprovado pelo Cade, órgão responsável por orientar, fiscalizar, prevenir e reprimir abusos do poder econômico no Brasil, que analisa fusões, aquisições entre empresas para evitar monopólios. Após esta aprovação, a nova empresa deverá apresentar planos de melhorias para receber o aval da prefeitura.

Apesar de os valores ainda serem mantidos em segredo, fontes próximas ao negócio, que pediram sigilo ao Correio do Estado, indicam que a negociação da concessão e dos bens do Consórcio Guaicurus gira em torno de R$ 200 milhões.

Além dos veículos e dos imóveis, a venda também engloba os seis anos de contrato para administrar o transporte público de Campo Grande, tempo que pode ser estendido por mais 10 anos, conforme o acordo firmado em outubro de 2012 e que, no domingo, 25/10/2026, completará 14 anos.

Desde 2012, o Consórcio Guaicurus é responsável pelo transporte coletivo e urbano de Campo Grande e desde 2019, pelo menos, reclama de prejuízos no serviço. Em crise, tanto interna como com a administração municipal, o serviço passa por uma intervenção desde junho deste ano.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda no dia 8 de outubro de 2026. 

A Prefeitura da Capital, por sua vez, aguarda a apresentação de um plano de melhorias para o transporte coletivo antes de dar o aval para a nova empresa operar o serviço.

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