Moradores da região do Alves Pereira - sem previsão de quando a ponte sobre a rua Rivaldi Albert será entregue - aguardam há cerca de dois meses a solução de um problema que impacta o cotidiano, alterando rotas dos trabalhadores e traz riscos à saúde e segurança da população local.
Questionado durante coletiva na manhã desta segunda-feira (24), o titular da Secretaria Municipal De Infraestrutura E Serviços Públicos (Sisep), Domingos Sahib, apontou que ainda que o ponto encontra-se na fase de elaboração do projeto, sem ter noção de quanto será empenhado para solução e nem para quando está previsto a entrega.
Segundo o secretário da Sisep, até mesmo para apontar se haverá contratação emergencial para solução desse problema - medida adotada para demais estragos, como na Chácara dos Poderes, Lago do Amor e Fernando Corrêa -, é preciso aguardar, pois depende dos valores que até hoje estão sendo levantados.
Entretanto, como indica a presidente do bairro, Jucilene Silva, de 45 anos, aos moradores a Sisep expõe que para esse andamento em fase orçamentária, será aberto, sim, um projeto emergencial.
Vale ressaltar que, com a cratera na rua Rivaldi Albert, os moradores gastam mais tempo e mais gasolina, além de que, a rua de acesso alternativo - da Divisão - sobrecarrega agora nos horários de pico, por receber o contorno dessa parte da população.
Para fazer o desvio e ir de um lado para o outro da cratera, os caminhos consistem em contornar pela Divisão para sair no Museu José Antonio Pereira, ou pela rua Gaspar de Lemos, caminhos que ficam entre 1 e 2 km de distância do trecho destruído.
Sem apontar soluções, Domingos cita apenas o trecho de passagem, que classifica como "irregular" para quem arrisca a travessia.
"Tem um pedacinho lá que estão passando irregularmente, de moto, bicicleta e pedestres. Ali não reúne condições de segurança para nenhum transeunte passar, estão passando de forma irregular, estamos alertando há muito tempo e continuam passando", pontua ele.
Problemas além da cratera
Ainda em 26 de fevereiro, as fortes chuvas na Capital colocaram essa cratera da rua Rivaldi Albert na lista de estragos que se acumularam, como a queda da ciclovia do lago do Amor.
Joselito Pasqualini, de 43 anos, diz que uma das soluções - que teria sido inclusive já licitada -, segue sem ação por parte da secretaria de obras.
"Maior recurso que tem é esse, porque a Rua dos Gonçalves está com aquela situação da licitação, que já saiu, mas está parado lá. Eles têm 150 dias, desde o começo do ano, a partir de que eles assinarem o contrato, ou seja, a Sisep sentou em cima ali", diz Zelito.
Cícero revela as dificuldades que a cratera trouxe para seu trabalho. Foto: M.VAlém dele, o cearense Cícero Washington, um vendedor de travesseiros de 59 anos, reclama da sensação que dá de ver um estrago nessa situação por tanto tempo.
"A verba é para ajudar a cidade, trazer asfalto, ter moradia, boas condições. Eu ainda o Brasil todo, sou cearense, estou há um ano e gosto de Campo Grande, adotei a cidade para morar... isso é uma vergonha, uma tristeza"
Ele ainda faz questão de ressaltar a grande rota que faz indo do Botafogo ao Aero Rancho, para vender travesseiros batendo de porta em porta.
"A minha rota é grande vendendo travesseiro e, lá por 18h, a Guaicurus é cheio de carro, sendo que por aqui a gente passava rapidão, agora fica difícil", conta o vendedor.
Para a presidente do bairro, Jucilene Silva, a via facilita para todos, tanto quem trabalha do outro lado do estrago, quanto quem vem para as três escolas e duas EMEIs que existem do lado da região do Botafogo, e que muitos trabalhadores, inclusive domésticas, sofrem com o atraso causado pela cratera.
"E quem depende de ônibus, igual eu falei para as meninas domésticas, que vem com criança, que não passem por aqui, tem mato dos dois lados, está deserto e o certo é não passar, porém, vai fazer como esse desvio? Para chegar no serviço que horas? Patrão não quer saber de horário", diz ela.
Ainda, ela cita que a falta de limpeza do mato alto, assim como a iluminação precária da região, trazem medos para aqueles que - sem alternativa - precisam arriscar a passagem pela passarela lateral ao buraco.
"É uma segurança pública aqui também, faço parte do conselho da região e não posso reclamar falando que não vem, porque eu vou estar sendo injusta. Eles vêm, só que, infelizmente, os caras não vão passar na hora que está acontecendo um fato", finaliza ela.
**(Colaborou Naiara Camargo)




