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DEFICIÊNCIA

Sem vagas suficientes, 8,5 mil crianças ficam fora das creches

Mais de 3 mil pais não confirmaram a matrícula e vagas foram para lista de espera
13/02/2020 10:00 - Daiany Albuquerque


 

As 104 Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) - as creches - de Campo Grande, que atendem em torno de 19 mil crianças, são insuficientes para atender a demanda. Este ano, existem aproximadamente 8,5 mil crianças - entre 4 meses e 5 anos de idade - que permanecerão sem uma vaga nas instituições. Isso acontece devido ao deficit entre vagas ofertadas e demanda.

Segundo a chefe da Central de Matrículas da Secretaria Municipal de Educação (Semed), Adriana Cedrão, dados de novembro do ano passado mostravam que haviam 15 mil crianças na lista de espera por uma vaga nas instituições antes de serem abertas as 6,5 mil novas vagas.

“A procura é bem grande por conta do atendimento. A criança vai lá, fica das 7h até às 17h, o pai não precisa se preocupar. Lá eles tem todas as refeições, banho, tem tudo e não precisa pagar nada, então a rede é muito procurada. Por mais que a gente tenha 104 Emeis, não é pouco, a gente atende em torno de 19 mil crianças”, disse Adriana.  

Os dados atualizados ainda não foram disponibilizados pela secretaria, já que uma lista contendo 3.365 nomes de crianças chamadas foi publicada na terça-feira (11) e os pais têm até o dia 21 deste mês para confirmar a matrícula para a vaga. A lista final será divulgada apenas após esta data.

“Na terça-feira (11) nós atendemos 517 pessoas, entre pais que vieram fazer a confirmação, saber se o nome da criança estava na lista dos chamados e alguns que viram colocar o nome da criança na lista de espera. Mas a maioria já fez o cadastro e quer saber se o filho foi contemplado com a vaga. Entre terça e quarta (12) aumentou 100% o fluxo de pessoas aqui”, contou a representante da Semed.

Este ano, mais 50% dos pais que foram convocados a confirmar a matrícula de seus filhos em uma unidade não fez  o processo até o dia 24 de janeiro e perdeu a vaga. Com isso, se eles ainda precisarem colocar a criança na Emei, devem fazer novamente o cadastro para ir para o “fim da fila”.

Apesar de não precisar mais se deslocar até a Semed para fazer a confirmação de vaga ou mesmo saber se a criança foi contemplada, já que o site da Semed tem as informações, muito pais preferem ir pessoalmente até a Secretaria. Há também a possibilidade de consultar a lista e fazer a matrícula pelo telefone 0800-615-1515.

A matrícula é feita na unidade de Educação Infantil a qual a criança foi contemplada com a vaga. Segundo a chefe do setor, a maioria das crianças fora das instituições são do Grupo 1, que vai dos 4 meses aos 2 anos. “Nossa maior demanda é para bebê, porque requer mais cuidado, mais atenção, é um número reduzido por sala, não tem como colocar 25 bebês com duas pessoas atendendo, tem que ter muito cuidado”.

Ainda conforme Cedrão, o problema é que nem toda escola de educação infantil comporta a estrutura necessária para atender crianças nessa faixa etária. “Dos 104 Emeis que a gente tem, cada um tem sua especificidade. Nem todos comportam o berçário, a gente tem Emei que não tem o berçário”.

ESPERA

Este é o caso da estudante Cassandra de Araújo Terlan, 34 anos, que tem um bebê de 9 meses e tenta uma vaga porque na segunda-feira (17) começa a estudar Matemática na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). “Eu cadastrei minha filha antes da primeira lista sair e mesmo assim ela não está nem na lista de espera. Eu preciso dessa vaga, senão vou ter que levar meu bebê para a faculdade”.

Ela tem outros dois filhos, de 4 e 7 anos, mas ambos estão estudando. “O menino de 4 anos eu consegui vaga só depois de ingressar com pedido na Defensoria Pública, mas depois acabei mudando de bairro e troquei ele para uma instituição filantrópica. A menina mais velha já está na escola”, contou.

Na sede da Secretaria, na manhã de ontem (12), muitas mães ainda procuravam vagas para as crianças nas Emeis, como a dona de casa Ana Elise Aparecida Rachid, de 24 anos. Dos seis filhos da jovem, três tem idade de estar nas Emeis. “A menina de 4 anos conseguiu vaga já, mas o menino de dois foi colocado na creche da Nha-nhá e eu mudei para o Los Angeles, quero trocá-lo de Emei. O bebê de seis meses eu vim cadastrar para uma vaga”, contou.

No ano passado as vagas ofertadas pela Prefeitura de Campo Grande para as Emeis só foram completamente preenchidas na terceira lista de espera, apesar de a procura ser grande.

CONFIRMAÇÃO

Os pais ou responsáveis dos alunos contemplados têm até o dia 21 de fevereiro para ir até a EMEI para a qual a criança foi designada e confirmar a matrícula. No total, 3.365 crianças foram contempladas na segunda listagem.  A chefe da Central de Matrículas, Adriana Cedrão, ressalta que os pais não devem perder o prazo de efetivação para que a criança não perca o direito à vaga. Caso isto ocorra, será necessário realizar novo cadastro na lista de espera.

Felpuda


É quase certo que a aposentadoria deverá ocorrer de maneira mais rápida do que se pensava em determinado órgão. O que deveria ser a tal ordem natural dos fatos acabou sendo atropelada por acontecimentos considerados danosos para a imagem da instituição. Os dias estão passando, o cerco apertando e já é praticamente unanimidade de que a cadeira terá de ter substituto. Mas, pelo que se ouve, a escolha não deverá ser com flores e bombons de grife.