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POLÍCIA | DEPCA

Sequestradora queria criar Ayla como 'filha' no Paraguai

Acusada já foi mãe por outras três vezes, crianças essas que foram criadas por avós já que Suzilaine esteve presa durante boa parte da infância e adolescência dos próprios filhos

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Em conclusão da linha investigativa do caso da pequena Ayla, que ganhou repercussão nacional, a  Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) apontou que Suzilaine da Graça Costa, mentora responsável por planejar e executar o sequestro, pretendia criar a bebê de apenas um mês no Paraguai como sendo sua filha. 

Conforme dito nesta sexta-feira (14) pela titular da Depca, Anne Karine Sanches Trevizan Duarte, a responsável pelo crime havia inicialmente se apresentado para a mãe da recém-nascida com o nome de "Carol". Essa mulher teria passado cerca de um mês ganhando a confiança da adolescente. 

"Com doação de roupinhas, fraldas, visitas na casa, demonstrou uma pessoa muito solícita e assim ela foi conquistando a família e a adolescente", afirma.

A delegada confirma ainda a versão que havia sido repassada pela madrinha da bebê ao Correio do Estado, de que a criminosa havia oferecido ainda um ensaio fotográfico.

"Ela falou também que produzia fotos, tentou no dia anterior à criança ser sequestrada fazer uma produção fotográfica, mas em virtude do frio os familiares da bebê não deixaram", complementa a delegada. 

Suzilaine teria simulado então uma oferta de trabalho já no dia seguinte, em que a mãe de Ayla ganharia cem reais para cuidar de seu bebê, que a polícia descobriu posteriormente tratar-se da neta da acusada pelo sequestro. 

Em contato com familiares, apesar de não saber o endereço exato, as autoridades brasileiras identificaram que a autora estaria há pouco tempo morando no Paraguai, e conseguiram acompanhar o passo a passo que havia sido feito pela dupla de sequestradores até Pedro Juan Caballero. 

Como bem esclarece a delegada, todo o resto dito em torno do sequestro não se comprovou verdadeiro, sendo descartada hipótese de atuação de facção e possibilidade de tráfico internacional, bem como a mãe de Ayla não teria doado a bebê, que é descrita como um "criança esperada e programada pela família". 

"Ela [Suzilaine] realmente planejou esse sequestro porque ela tinha o intuito de ter uma filha. Com o veículo que era dela foi com as meninas para deixá-las no mato, voltou para a casa e trocou a roupa da criança, com uma vestimenta que parecesse um menino, trocou até o bebê conforto e foi com destino ao Paraguai", complementa a titular da Depca. 

Caso planejado

Antes mesmo de praticar o crime contra a família de Ayla, conforme repassado pela delegada, o planejamento de Suzilaine fica comprovado pelo fato da acusada ter buscado também outras gestantes que dariam à luz na mesma época. 

"Só que ela queria uma menina. Então buscou, arquitetou tudo isso durante um bom tempo para conseguir ter a posse da Ayla. Nós demoramos um pouco a diligência porque nós tínhamos que ter certeza qual a dinâmica dos fatos para que essa criança realmente fosse voltar para o convívio familiar", cita Anne Karine Sanches Trevizan Duarte. 

Além disso, a acusada já teria sido mãe por outras três vezes anteriormente, crianças essas que foram criadas por avós, já que Suzilaine esteve presa durante boa parte da infância e adolescência dos próprios filhos. 

Quanto ao homem envolvido, Alex Melo de Abreu - que possui condenação no Amazonas, como bem acompanha o Correio do Estado, e usava em MS o nome falso de Weliton Aparecido -, a delegada afirma que ele sempre esteve ciente da situação. 

"Especificamente tem o marido da sequestradora, ele tinha um mandado de prisão por homicídio, Ele também estava utilizando um documento falso, então tem alguns crimes pontuais para cada um, mas o crime maior é o sequestro", diz.

Como descrito, o casal havia encerrado sua união estável e, com o intuito de manter o relacionamento, a mulher falava para seu ex-convivente que estava grávida. Para a polícia chegou a dizer falsamente que havia perdido o bebê e feito, inclusive, uma curetagem na Santa Casa, procedimento que os agentes apuraram não ter existido.

"Ela tinha intenção de sustentar o casamento dela. Aqui a gente acredita que ela nunca esteve grávida. A família fala que foi muito tempo que ela supostamente esteve gestante", diz. 

A acusada teria buscado as duas adolescentes e Ayla para levá-las até o local do cativeiro. Lá ela teve ajuda do outro autor, com quem é casada. Além deles, um terceiro indivíduo, que teria alugado a casa para uso como cativeiro, é colocado na cena do crime e teria auxiliado a dupla. 

"Foi programado o sequestro dessa bebê, com as características e data de nascimento da Ayla. É um caso isolado, a sequestradora não pratica outros sequestros, ela queria essa bebê", confirma. 

Sem a presença do pai ao nascer, Ayla havia recebido até então apenas uma certidão de nascido vivo e não havia sido registrada até então. 

Relembre

Como bem acompanha o Correio do Estado, toda essa situação passou a ser contada a partir da ótica de um caso de cárcere de uma adolescente e sua irmã, de 17 e 13 anos respectivamente. 

Desaparecida desde a última quinta-feira (06), o alerta em busca da pequena Ayla chegou a circular na plataforma "Amber Alert Brasil", Programa estabelecido nos Estados Unidos e adotado no País pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública que ativa um comunicado especial encaminhado para as plataformas da Meta, que passa a publicar o alerta em um raio de até 160 quilômetros do local de onde o fato foi registrado. 

Ainda nas primeiras horas da madrugada do último domingo (09), a pequena Ayla Emanuelly Pereira de Souza que havia desaparecido antes mesmo de completar um mês de vida, foi localizada e resgatada no Paraguai, na cidade de Pedro Juan Caballero (PJC). 

Fronteiriça por divisa seca, Ayla foi encontrada em uma residência na cidade gêmea do município sul-mato-grossense de Ponta Porã, no Paraguai, localizada no cruzamento das ruas batizadas de Alejo García e Coronel Martínez, que fica no bairro chamado Virgen de Caacupé.

 

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Mudanças climáticas

Super El Niño e aquecimento global são eventos comprovados, ao contrário do que diz meteorologista

Cientista que deu a declaração é apontado por outros profissionais da categoria como um dos principais nomes responsáveis pela desinformação e negacionismo climático no Brasil

16/09/2026 14h30

Foto: Reprodução / Projeto Comprova

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Ao contrário do que afirma um meteorologista em uma entrevista para um canal no YouTube, o aquecimento global e o fenômeno conhecido como Super El Niño possuem fundamentação científica consolidada e sofrem influência direta da ação humana. No conteúdo investigado, o profissional minimiza a ação antrópica no clima e atribui o aquecimento anormal do Oceano Pacífico a um terremoto ocorrido no Japão.

Em sua fala, Luiz Carlos Molion argumenta que a humanidade é incapaz de alterar as temperaturas da Terra porque manipula ativamente apenas 6% da superfície do planeta, em contraste com os 71% cobertos por oceanos. Ele também alega que a principal influência climática vem do espaço – prevendo um resfriamento global entre 2030 e 2040 devido à baixa atividade solar – e que o recente deslocamento de águas quentes até o Polo Sul foi um evento sísmico aleatório, sem relação com a formação normal do El Niño.

Para checar as afirmações de Molion, o Comprova entrevistou Higo José Dalmagro, professor da Unic/Uniderp e doutor em Física Tropical pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Ele explica que a ciência aponta para um El Niño muito forte, com sinais de resposta atmosférica ao aquecimento do Pacífico. “O Molion é bastante crítico em relação às mudanças climáticas e costuma questionar modelos e interpretações que hoje têm amplo respaldo na comunidade científica”, acrescenta. Dalmagro reflete ainda que não se deve usar a explicação de Molion para colocar em dúvida todo o conjunto de evidências científicas que temos hoje.

Ainda em contraste com o que é dito no vídeo, especialistas entrevistadas pelo Estadão Verifica elucidam que a interferência humana não se limita à porcentagem de área territorial ocupada. A explicação foi dada por Sonaira Silva, doutora em Ciências de Florestas Tropicais pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e afiliada à Academia Brasileira de Ciências, e Eliana Fonseca, pesquisadora do Centro Polar e Climático e da iniciativa MapBiomas. Elas sustentam que o desmatamento e a queima contínua de combustíveis fósseis liberam grandes quantidades de gases de efeito estufa. O excesso de dióxido de carbono (CO) retém calor na atmosfera e contribui para o aumento da temperatura do planeta.

Esse acúmulo de calor também afeta os oceanos e pode intensificar fenômenos naturais e cíclicos, como o Super El Niño, que é monitorado internacionalmente e registrado há séculos. A classificação é usada quando o aquecimento das águas do Pacífico equatorial ultrapassa 2 °C em relação à média histórica. Temperaturas dos oceanos e dos continentes são monitoradas continuamente por satélites e medições são feitas em diferentes locais por agências meteorológicas nacionais e internacionais. Esses dados mostram uma elevação das temperaturas e sustentam a conclusão científica de que as atividades humanas alteram a dinâmica de troca de energia da Terra.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova 

Luiz Carlos Molion é graduado pela Universidade de São Paulo (USP), com doutorado em Meteorologia pela University of Wisconsin e pós-doutorado em Hidrologia de Florestas pelo Instituto de Hidrologia do Reino Unido, além de ter sido bolsista em uma instituição na Alemanha. Também atua como pesquisador e professor, dentro e fora do Brasil.

Esta não é a primeira vez que suas afirmações são verificadas. Molion é apontado por pesquisadores e jornais como um dos principais nomes da desinformação e do negacionismo climático no Brasil. De acordo com investigações detalhadas em uma reportagem da BBC News Brasil, o meteorologista mantém uma agenda ativa de cerca de 50 palestras anuais, e cerca de 85% dessas apresentações são financiadas por entidades, sindicatos e cooperativas do agronegócio. 

As alegações de Molion também têm sido contestadas pelo consenso científico. Conforme registrado pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), o Estadão Verifica submeteu as declarações do meteorologista feitas em uma entrevista de 2010 à análise do climatologista Carlos Nobre e do glaciologista Jefferson Cardia Simões, que apontaram sérios erros conceituais e distorções nas declarações de Molion. 

Ainda, conforme exposto em reportagens da Agência Pública e do portal ClimaInfo, Molion é um nome em destaque no cenário negacionista brasileiro. Ele também foi checado em 2024 pelo Estadão Verifica, quando uma de suas postagens, que utilizava um gráfico desatualizado para negar o aquecimento global, foi classificada como falsa. Molion foi procurado pelo Comprova, mas não respondeu até a publicação deste texto

Cortes da entrevista foram publicados no Instagram e já alcançaram, até 11 de setembro, mais de 10 mil curtidas e 120 mil visualizações. No YouTube, a entrevista completa teve 23 mil visualizações. O canal onde ela foi veiculada possui mais de 2 mil inscritos no YouTube e 11,2 mil em seu perfil no Instagram.

Por que as pessoas podem ter acreditado

A declaração combina a autoridade atribuída a um meteorologista com termos técnicos, dados históricos e informações verdadeiras sobre fenômenos climáticos. O discurso também apresenta explicações com relações de causa e efeito aparentemente simples, o que pode facilitar a compreensão de um tema complexo.

Por exemplo, ao mencionar enchentes e secas registradas antes da urbanização em massa, ele usa dados reais para chegar a conclusões que precisam ser analisadas separadamente. A ocorrência desses eventos no passado não é, por si só, suficiente para determinar quais fatores influenciam nos eventos atuais. A presença de números e conceitos científicos pode dar ao argumento uma aparência de precisão.

Para climatologista, há, sim, bases científicas que apontam para Super El Niño
O Projeto Comprova entrevistou o climatologista Higo José Dalmagro, professor da Unic/Uniderp e doutor em Física Tropical pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Ele reforça que há evidências científicas e dados de modelos meteorológicos que indicam um Super El Niño neste fim de 2026.

Na avaliação do especialista, a publicação com a fala de Molion é enganosa porque tira de contexto sua análise. “Parece que o professor Molion está simplesmente dizendo que ‘não existe El Niño’, sem mostrar o restante da explicação dele.”

Segundo Dalmagro, na entrevista completa, disponível no YouTube, Molion acerta ao dizer que é preciso haver um acoplamento entre o aquecimento das águas do Pacífico e a atmosfera para que o El Niño se estabeleça e produza seus efeitos. Contudo, o climatologista analisa que “o aquecimento da água, sozinho, não explica tudo; é preciso haver também uma resposta da atmosfera”.

Dalmagro também discorda das conclusões de Molion, que questiona modelos e interpretações com amplo respaldo na comunidade científica. Segundo ele, o conjunto de evidências aponta para um El Niño muito forte, com sinais de resposta atmosférica ao aquecimento do Oceano Pacífico.

Fontes que consultamos: O Comprova analisou o vídeo original da entrevista e os cortes publicados no Instagram para entender quais alegações foram feitas. Com o Google, foi realizada uma busca sobre a biografia do meteorologista, notícias e outras checagens sobre o tema. Especialistas foram procurados para analisarem as afirmações e darem seu parecer científico sobre o tema.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Como afirmado acima, o Estadão Verifica também checou que o Super El Niño não é invenção; fenômeno pode ser medido e sofre influência de atividades humanas. O Comprova já explicou que  é consenso científico que ação humana causa mudanças climáticas e checou que o aquecimento global é uma realidade e tem impacto severo, diferentemente do que alega Donald Trump.

COFRES PÚBLICOS

Dupla sertaneja recebe reajuste de quase 30% em cachê

Cantores embolsaram R$ 660 mil durante ano e valor de cachê teve reajuste de R$ 20 mil em menos 15 dias

16/09/2026 12h45

Reprodução Redes Sociais

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A dupla sertaneja Jads e Jadson em sua quarta contratação no ano pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) teve um reajuste de quase 30% no cachê, para shows com duração de 1h30min. O valor pago aos cantores pelos cofres públicos teve acréscimo de R$ 20 mil em menos de duas semanas de uma contratação para outra.

A mais recente foi divulgada no Diário Oficial do Estado (DOE) de hoje (16), anunciando a participação da dupla no "5º Rodeio Fest de Figueirão", com uma apresentação de 1h30min pelo valor de R$ 180 mil.

O show está marcado para acontecer na próxima semana, no dia 24 de setembro, em Figueirão, município sede do evento, a partir das 22h.

As outras três contratações dos cantores durante o ano, também divulgados pelo DOE, expõe que o valor inicial do cachê pago pela FCMS era de R$ 140 mil em janeiro e teve dois acréscimo até chegar ao valor atual.

Conforme apuração da reportagem, os nomes dos cantores aparecerem quatro vezes nas edições do Diário Oficial deste ano como contratações pelo "Projeto Ações Culturais Para o Fortalecimento de Mato Grosso do Sul".

No DOE de 13 de janeiro, a dupla foi contratada para realizar uma apresentação na "36ª Edição do Encontro de Clubes de Laço", realizado no município de Antônio João no dia 25 de janeiro, com a duração de 1h30min, mas o valor pago foi de R$ 40 mil a menos do cobrado atualmente.

Em 1º de abril, a publicação do DOE registrou a segunda contratação dos cantores para um show em Ribas do Rio Pardo, na "Exporibas 2026", no dia 19 de abril. Neste evento, o cachê da dupla teve o primeiro reajuste, de R$ 140 mil para R$ 160 mil.

E em menos de 15 dias, na edição de 14 de abril do DOE, a dupla aumentou o valor para apresentações de 1h30min em mais R$ 20 mil, passando de R$ 160 mil para o valor atual, de R$ 180 mil.

Na ocasião a contratação foi para um show na "Expogrande 2026". O curioso é que ao que parece a contratação ocorreu às pressas, visto que a data de publicação do contrato era para um show que aconteceria dentro de três dias, em 19 de abril.

Donos de sucessos sertanejos como "Ressentimento", "Colo" e "Jeito Carinhoso", a dupla até então mantém o valor de R$ 180 mil para shows com duração de 1h30min, mas em vista do histórico de acréscimos, a previsão é que o próximo reajuste aumente o cachê de R$ 180 mil para R$ 200 mil.

Todos os contratos tiveram como ordenador de dispesas o Diretor Presidente da Fundação de Cultura, Eduardo Mendes Pinto, com exceção do último, que teve Carlos Heitor Santos da Silva, Diretor Adjunto como ordenador por estar em Exercício no cargo de Diretor Presidente da FCMS.

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