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EMPREGO

Setor de energia tenta expandir presença feminina e tem eólicas operadas só por mulheres

Atualmente, 11 funcionárias estão efetivadas na operação da usina da empresa em Tucano

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Foi durante a pandemia, em 2020, que o censo interno da companhia de energia AES chamou atenção da liderança da companhia. À época, quase todos os funcionários que trabalhavam na operação da empresa eram homens.

Antes de o resultado chegar, a realidade já era aparente ao percorrer os corredores das usinas, segundo o diretor de Recursos Humanos da empresa, Rodrigo Porto. "Mas esse censo estampou na nossa cara um número que me dói até hoje. Na nossa operação, a gente tinha 98% de homens e 2% de mulheres", diz. Na tentativa de diversificar um ambiente predominantemente masculino, a AES decidiu que dois novos parques eólicos no Nordeste seriam operados somente por mulheres.

O projeto saiu do papel nos últimos anos e hoje emprega 20 funcionárias em Tucano (BA) e Lajes (RN). A tarefa não foi fácil, segundo Porto. Ele afirma que, em um primeiro momento, houve dificuldades de aceitação. "Nesses parques, a gente fecha uma joint venture com um grande cliente. Um deles ficou abismado: 'Mas como assim operar só com mulheres? Isso é preconceito', dizia. Bom, esse mesmo parceiro esteve com a gente no dia da inauguração do parque fazendo um megadiscurso no qual o protagonista foi o fato de a usina estar sendo operada 100% por mulheres", conta.

A AES opera por meio do chamado PPA (Power Purchase Agreement), também conhecido como contrato de compra de energia. Os clientes nos dois parques incluem nomes como Microsoft, BRF, Unipar e a mineradora Anglo American. Houve outros obstáculos, como a dificuldade para encontrar equipamentos de proteção do tamanho das trabalhadoras. "Até então quase não existia uma bota número 36, por exemplo. A gente teve que fazer uma movimentação muito grande também na cadeia de valores", diz Porto.

Para fazer as contratações, a AES fechou parceria com o Senai, que ofereceu capacitação para atuar em usinas eólicas a mulheres que já estavam passando por formação de nível técnico em cursos como eletrotécnica.

Atualmente, 11 funcionárias estão efetivadas na operação da usina da empresa em Tucano. Já no complexo eólico Cajuína, em Lajes, que começou a operar no segundo semestre do ano passado, são nove trabalhadoras. Parte do parque ainda está em construção, e a AES projeta a contratação de mais funcionárias até o fim de 2025.

As trabalhadoras são responsáveis pela manutenção e operação dos geradores e outros equipamentos do parque. Os únicos homens presentes na usina, de acordo com a empresa, são de serviços terceirizados, como portaria e segurança.

Para a paulista Juliana Oliveira, 35, que hoje mora na Bahia e é coordenadora na usina da AES em Tucano, o perfil feminino no trabalho contrasta com suas experiências anteriores no mercado. A engenheira de produção também afirma que, na graduação, dos 30 alunos da sua turma que concluíram o curso, em 2013, apenas 5 eram mulheres.

"O mercado [no geral] é muito masculinizado, mas a área de engenharia é muito mais. Hoje eu vejo com mais tranquilidade lidar com mulheres, porque elas não se enxergam com rivalidade. Lidar com homens já seria um pouco mais complicado, ainda tem machismo", diz. Apesar dos esforços, o equilíbrio de gênero no quadro de operadores da AES ainda parece uma meta distante. Segundo a companhia, no fim do ano passado cerca de 86% dos contratados para operar nas usinas eram homens --fatia menor do que os 98% observados em 2020, mas ainda em patamar elevado.

"É um passo inicial. Estamos aqui correndo para que a gente recupere o tempo perdido e amanhã tenha uma empresa muito mais equilibrada no aspecto de gênero", afirma Porto. Entre especialistas que atuam no mercado de energia, há um consenso: o segmento ainda é marcado por uma forte presença masculina. Segundo Fabíola Correia, pesquisadora do Senai-RN, esse cenário faz parte de um contexto histórico no qual as ciências e a engenharia de petróleo, particularmente, são dominadas por homens.

Correia foi uma das profissionais que ministraram o microcurso "Power-2-You: mulheres no mercado de hidrogênio verde", promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha no ano passado. A iniciativa era voltada ao público feminino e abordava temas como as tecnologias para a produção de hidrogênio e exemplos do mercado.

No projeto H2Brasil, da GIZ (agência alemã de cooperação internacional) e do MME (Ministério de Minas e Energia), uma fatia de 25% das vagas foi ocupada por mulheres na capacitação dos chamados multiplicadores --a meta inicial era de 20%. O projeto difunde conteúdos sobre hidrogênio verde entre professores e pesquisadores de instituições de educação federais e da rede do Senai.

"A capacitação começou em 2022 e objetivo era finalizar no ano passado. Conseguimos fazer o treinamento de 1.200 pessoas [homens e mulheres]. Você está falando de 25% nesse universo. Se a meta é de equidade, a gente queria chegar em 50%, mas, hoje, chegar a 25% já é uma vitória e é um passo a mais nesse caminho. A área de energia é muito difícil mesmo", diz Marcelo Ramos, da GIZ.

A engenheira de energia Icoana Martins, 32, também vem tentando atrair mulheres para o setor de hidrogênio verde. Junto com colegas, ela criou o projeto H2Todos, um curso que pode ser feito por qualquer pessoa interessada em ingressar ou conhecer mais o segmento, mas há incentivo para participantes mulheres. Segundo Martins, neste ano, bolsas serão sorteadas entre as interessadas.

Hoje o curso, que é online, custa R$ 900. A liderança da iniciativa afirma que estuda, agora, incentivos para o público LGBTQIA+.

Campo grande

Auxílio-alimentação de servidor da saúde cai de R$ 600 para R$ 200 em 2 anos

Diferença seria um remanejamento do valor do auxílio-alimentação para o salário-base

21/09/2026 12h15

Fachada da Prefeitura Municipal de Campo Grande, localizada na avenida Afonso Pena

Fachada da Prefeitura Municipal de Campo Grande, localizada na avenida Afonso Pena GERSON OLIVEIRA

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Valor do auxílio-alimentação será alterado na Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG).

A mudança vale para os servidores públicos municipais de cargo efetivo da Carreira dos Profissionais em Serviços de Saúde de Nível Superior – que inclui psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais, entre outros.

Os valores cairão de R$ 600 para R$ 200, em forma escalonada:

  • R$ 600 – atualmente
  • R$ 400 – a partir de novembro de 2026
  • R$ 200 – a partir de novembro de 2027

Com isso, o valor cairá R$ 200 neste ano e mais R$ 200 no ano que vem.

O decreto foi publicado no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) nesta segunda-feira (21) e assinado pela prefeita Adriane Lopes (PP) e pela secretária municipal de Administração e Inovação, Andrea Alves.

Confira o trecho redigido na íntegra:

Fachada da Prefeitura Municipal de Campo Grande, localizada na avenida Afonso Pena

Vale ressaltar que, no ano passado, a Câmara Municipal de Campo Grande aprovou por unanimidade o Projeto de Lei nº 1.005/25, que prevê acréscimo ao salário-base dos profissionais citados. O pagamento deve ocorrer em forma escalonada até 2028.

Com isso, o pagamento ocorrerá nos seguintes meses, até somar R$ 750:

  • R$ 150 em novembro de 2025;
  • R$ 200 em novembro de 2026;
  • R$ 200 em novembro de 2027;
  • R$ 200 em abril de 2028.

Portanto, o montante seria um remanejamento do valor do auxílio-alimentação para o salário-base.

NEGLIGÊNCIA HOSPITALAR

Justiça condena hospital a pagar R$ 15 mil por negligência em pós-operatório

Paciente ficou quase cinco horas deitada na própria urina por equipe de enfermagem não trocar sonda vesical que estava com vazamento

21/09/2026 12h00

Divulgação TJMS

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Após 12 anos de caso, Justiça condena hospital particular de Campo Grande por negligenciar pós-operatório de paciente e deve pagar indenização à vítima no valor de R$ 15 mil por danos morais. A sentença da 3ª Vara Cível da capital foi proferida na última quarta-feira e caso é de agosto de 2014.

Segundo os documentos da carta de sentença, a mulher realizou três procedimentos cirúrgicos estéticos no dia 13 de agosto de 2014 e no pós-operatório, quando levada para a sala de recuperação não teria recebido os devidos cuidados.

Conforme a descrição do caso pelo juiz Juliano Rodrigues Valentim, os procedimentos foram realizados com sucesso, e assim que transferida para o quarto, a paciente notou o início de um vazamento de urina e que devido a isso, sua cama estaria molhando cada vez mais.

Ao solicitar a troca da sonda vesical para a equipe de enfermagem, tanto a paciente, quanto sua família que a acompanhava ficaram sem respostas por horas e a situação permaneceu a mesma.

De acordo com a documentação, uma técnica constatou a falha no dreno e tentou realizar a troca, mas foi impedida pela falta de autorização da chefe de enfermagem responsável no setor.

A situação foi resolvida após cerca de quatro horas e meia, quando o líquido atingia a região do pescoço e mantinha um forte odor por todo o ambiente, sem que a paciente conseguisse se locomever devido ao porte das cirurgias.

Além disso, com a demora, a urina atingiu a malha cirúrgica utilizada no procedimento, que após as quatro horas e meia foi trocada de forma antecipada ao que deveria ocorrer em uma operação comum.

A paciente relatou passar por um procedimento doloroso no momento de troca da malha cirúrgica, pois foi necessário se locomover antes do período previsto, e mais do que seria necessário se apenas trocassem a sonda vesical imediatamente antes da cama ficar encharcada de urina.

Em defesa, o hospital relatou que não houve nenhuma falha no sistema operacional da equipe, pois o caso da paciente "não apresentava complexidade ou urgência que justificasse prioridade imediata sobre casos de maior risco", bem como que a presença de liquídos no período pós-operatório é normal.

Ainda foi defendido que a demora ocorreu por ser solictada no período noturno e envolveria custos e aprovações técnicas, considerado pelo hospital "completamente razoável".

A defesa também utilizou de prontuários médicos que não apresentavam registro de falha da equipe. Sem de ocorrência estranha ou inadequada que gerasse preocupação.

O hospital sustentou que a colocação da sonda seria responsabilidade do médico cirurgião e se houve alguma negligência teria partido do profissional.

Segundo a decisão do juiz, o relatório da cirurgia apresentado pelo médico aponta justamente que a negligência ocorreu por parte do hospital, uma vez que o procedimento ocorreu com sucesso, e após a entrada no período pós-operatório, a paciente teve complicações que deveriam ser amparadas pela equipe de enfermagem responsável.

O magistrado elencou o caso na sentença como falha assitencial, pois quando notado o vazamento é necessária intervenção imediata, para evitar complicações e sofrimentos desnecessários ao paciente.

E neste caso, seria evitado o sofrimento e constrangimento, além dos momentos dolorosos e preocupação de infecção devido ao contato com a urina.

A paciente registrou que a situação gerou sofrimento físico e psicológico diante da humilhação e angústia vivenciadas durante o período de internação e recuperação.

Em decisão foi destacado que não se trata de uma intercorrência comum de pós-operatório e que houve omissão da equipe, pois protocolos internos e classificação de risco não afastam o dever de prestar cuidados básicos e contínuos ao paciente.

Ao proferir a sentença, o juiz considerou o sentimento da vítima destacando que ela passou por "quadro de intenso constrangimento, dor e abalo psicológico", determinando assim a multa de 50 salários mínimos por danos morais, equivalente a cerca de R$ 15 mil.

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