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STF desengaveta negociação nove dias após indígenas incendiarem fazenda

Audiência pode garantir indenização aos 27 proprietários de Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti que perderam em torno de 13 mil hectares para os Terenas

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Nove dias depois de um grupo de indígenas terenas ter invadido e incendiado imóveis na Fazenda São Sebastião da Serra, em Sidrolândia, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a realização de uma audiência de conciliação para possível aquisição deste e de outros 26 imóveis em disputa na região.

A decisão do ministro, assinada no dia 22 e divulgada nesta quarta-feira (24), atende a um pedido protocolado no STF por lideranças indígenas  no último dia 17. Os indígenas cobraram celeridade na tramitação do processo demarcatório do território tradicional, que se arrasta há 26. 

Depois da invasão da Fazenda São Sebastião, no dia 13 de junho, a Polícia Militar enviou o Batalhão de Choque e já no dia seguinte o grupo com cerca de 300 pessoas foir retirado do imóvel. No dia seguinte, porém, parte da propriedade voltou a ser ocupada. 

No documento protocolado no STF, as lideranças pedem que o Supremo avance na análise do caso e adote uma estratégia de diálogo semelhante ao que ocorreu com os cerca de nove mil hectares da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, do povo Guarani Kaiowá, em Antônio João, no extremo sul do Estado.

Para encerrar os conflitos no extremo sul, um acordo intermedidado pelo STF garantiu o pagamento de cerca de R$ 146 milhões aos proprietários de 9.317 hectares na região de fronteira com o Paraguai. A disputa se arrastou por longos 27 anos. 

Ao todo, a União repassou R$ 27,9 milhões pelas benfeitorias apontadas em avaliação da Funai em 2005, valores  corrigidos pela inflação e a Taxa Selic. Além disso, os proprietários também receberam indenização da União que superou os R$ 101 milhões pela terra nua. Parte das indenizações, da ordem R$ 16 milhões, foram repassadas pelo Governo do Estado. 

E é algo parecido que os indígenas cobram com relação aos cerca de 13 mil hectares que disputam nos municípios em Dois Irmãos do Buriti e Sidrolândia, onde ocorreu a invasão e depredação da fazenda São Sebastião no último dia 13. 

A invasão das terras pelos indígenas começou ainda em 2003, mas o conflito ganhou maior proporção dez anos mais tarde, quando o índio Oziel Gabriel foi morto durante confronto com a polícia na Fazenda Buriti.

Antes das ocupações, a Terra Indígena Buriti tinha cerca de dois mil hectares. Mas, a pretensão dos indígenas é ampliá-la para 15 mil hectares. O conflito envolve 27 propriedades, que hoje estão parcialmente tomadas por indígenas. 

Mesmo assim, estes proprietários nunca foram indenizados. Eles exigem mais de R$ 200 milhões pela terra nua e pelas benfeitorias. Este valor será o centro da negociação determinada agora pelo ministro Flávio Dino.

Em 2013 houve uma tentativa de negociação envolvendo indígenas, produtores rurais e instituições públicas. Na ocasião, porém, as tratativas não avançaram após o afastamento dos produtores rurais da mesa de diálogo.  
Em sua decisão, o ministro Flávio Dino anotou que "a comunidade registrou que, embora tenha sido anteriormente realizada audiência de conciliação sem êxito, o contexto atual apresenta elementos distintos daqueles então existentes, ressaltando sua disposição para a retomada do diálogo e para a construção de soluções consensuais. Informou, ademais, haver indicativos de interesse dos proprietários envolvidos na reabertura das negociações". 

E, em decorrência dos conflitos deflagrados no último dia 13, ressaltou o ministro "entendo recomendável a instauração de nova etapa de diálogo institucional, apta a viabilizar a busca de solução consensual para o conflito. Diante desse quadro, com fundamento no art. 3.º, § 3.º, do CPC, designo audiência presencial de conciliação, a ser conduzida pelo Núcleo de Solução Consensual de Conflitos- NUSOL, com o apoio da Juíza Auxiliar deste Gabinete, Camila Murara", escreveu o ministro.

"A data, o horário e o local da audiência serão oportunamente designados pelo NUSOL. Após a definição, intimem-se as partes e demais interessados, para ciência e comparecimento presencial", concluiu.
Foi justamente este NUSOL o responsável pela negociação que resultou na indenização dos fazendeiros em Antônio João, em 2024. 

COMEMORAÇÃO

O deputado petista Vander Loubet comemou a determinação de Flávio Dino. "A decisão do STF consagra o diálogo e o entendimento como princípios humanistas e jurídicos, na medida que faz valer a possibilidade da convivência e reconhece a legitimidade de direitos históricos e constitucionais inquestionáveis para ambas as partes", pontuo.

Além disso, "os povos indígenas estavam aqui antes de nós e têm seus direitos, que são incontestáveis. E os produtores rurais também são credores do reconhecimento jurídico e constitucional. O governo do presidente Lula busca a paz no campo, mas sem prejuízo dos direitos dos povos indígenas", concluiu o deputado federal.

MATO GROSSO DO SUL

Novo acesso às Moreninhas pode finalmente sair do papel

Convênio assinado entre Agesul e Prefeitura de Campo Grande prevê aporte de R$ 5 milhões para indenizações de imóveis afetados pelas obras do novo acesso à região das Moreninhas

25/06/2026 12h30

Avenida Alto da Serra, nas Moreninhas, recebeu obras de pavimentação e drenagem, mas segue sem a conexão prevista com o Jardim Itamaracá devido à paralisação da segunda etapa do projeto

Avenida Alto da Serra, nas Moreninhas, recebeu obras de pavimentação e drenagem, mas segue sem a conexão prevista com o Jardim Itamaracá devido à paralisação da segunda etapa do projeto Reprodução

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O Governo de Mato Grosso do Sul vai repassar R$ 5,59 milhões à Prefeitura de Campo Grande para custear desapropriações relacionadas às obras de pavimentação e drenagem do novo acesso à região das Moreninhas. O convênio entre a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) e o município foi publicado nesta quinta-feira (25) no Diário Oficial do Estado.

Conforme o extrato, o valor total do convênio é de R$ 5.595.780,88 e será transferido em parcela única. Os recursos têm como finalidade o pagamento de indenizações decorrentes das desapropriações necessárias para a implantação da obra, considerada uma das principais intervenções viárias da Capital nos últimos anos.

O convênio foi assinado na quarta-feira (24) pelo diretor-presidente da Agesul, Gil Marcio Franco, e pela prefeita Adriane Lopes. A vigência é de 12 meses, podendo ser prorrogada.

O aporte financeiro ocorre em meio às pendências que ainda cercam o empreendimento. Embora parte da nova via já esteja concluída e em uso pelos moradores, o projeto segue incompleto e sem a ligação prevista com outras importantes avenidas da cidade.

Para viabilizar a abertura da nova avenida, a Prefeitura de Campo Grande desapropriou 52 imóveis em janeiro de 2023. As indenizações, no entanto, enfrentaram atrasos e acabaram sendo judicializadas por parte dos proprietários.

À época, o valor estimado para as desapropriações ultrapassava R$ 10,5 milhões. O novo convênio firmado entre Estado e município representa mais uma etapa do processo de compensação financeira aos moradores afetados pela obra.

Avenida termina em "lugar nenhum"

A primeira etapa do novo acesso às Moreninhas foi iniciada em dezembro de 2022 e está praticamente concluída desde meados de 2024. O trecho conta com pavimentação, drenagem, ciclovia, paisagismo e uma ponte sobre o córrego Lageado.

Apesar disso, a avenida ainda não cumpre sua principal função: criar uma alternativa de ligação entre a região das Moreninhas e outras áreas da cidade, desafogando o tráfego nas avenidas Guaicurus, Costa e Silva e Gury Marques.

Isso porque a segunda etapa do projeto, que deverá conectar o fim da Avenida Alto da Serra à Rua Salomão Abdala, no Jardim Itamaracá, ainda não saiu do papel.

Sem a continuidade das obras, a nova via termina em uma área aberta próxima a uma região de preservação ambiental, cenário que motivou críticas de moradores e questionamentos sobre a efetividade do investimento realizado até agora.

Em janeiro de 2025, o Governo do Estado oficializou um novo aditivo contratual para a obra, elevando o custo da primeira etapa em R$ 7,35 milhões. Com isso, o valor total saltou de R$ 41,33 milhões para R$ 53,24 milhões, um aumento de 28,8% em relação ao orçamento inicial.

Na mesma ocasião, o prazo de execução foi prorrogado por mais 240 dias. A previsão passou de fevereiro para setembro de 2025.

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LIGAÇÃO DIRETA

Latam amplia para 3 voos semanais de Bonito a Guarulhos

Ampliação dos voos para o Aeroporto Internacional de Guarulhos começa a partir do dia 25 de outubro

25/06/2026 12h15

Bonito conta com os serviços de três companhias aéreas: GOL, Azul e LATAM

Bonito conta com os serviços de três companhias aéreas: GOL, Azul e LATAM Divulgação: Prefeitura de Bonito

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A Prefeitura de Bonito divulgou em sua rede social que, a partir do dia 25 de outubro, a LATAM ampliará sua operação e passará a oferecer três voos semanais entre o município sul-mato-grossense e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), em São Paulo.

Os voos sairão na quarta-feira, sexta-feira e domingo. Do Aeroporto Regional de Bonito (BYO) para Guarulhos, o horário de saída será às 11h10, com previsão de chegada às 14h05. No sentido inverso, ou seja, de GRU para o município de MS, o voo sairá às 09h30 e chegará às 10h30.

Em 2025, o BYO registrou um crescimento de 35% na movimentação de passageiros, reforçando o papel estratégico do município no cenário turístico brasileiro.

Segundo os dados da Administração Aeroportuária, 68.539 passageiros passaram pelo terminal no ano passado, superando os 50.932 registrados em 2024. 

Bonito conta com os serviços de três companhias aéreas: GOL, Azul e LATAM. Em 2025, a Azul Linhas Aéreas apresentou aumento de 47% no número de passageiros. A companhia passou a operar exclusivamente voos diretos entre Campinas (VCP) e Bonito (BYO), saltando de 21.529 para 31.618 passageiros por ano.

A LATAM Airlines, entre setembro e dezembro de 2025, movimentou 8.234 passageiros, contribuindo de forma significativa para o desempenho positivo do aeroporto.

Em relação às demais operações, houve uma leve variação na rota entre Congonhas (CGH) e Bonito (BYO), operada pela Gol Linhas Aéreas. O número de passageiros saiu de 29.403 em 2024 para 28.687 em 2025.

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