Cidades

IMPROVISO

Agetran corrige sinalização e devolve faixa exclusiva a taxistas

Mudança na sinalização da Duque de Caxias havia esquecido categoria, e motoristas apontam inclusive que colegas foram multados

Continue lendo...

Após prejudicar brevemente os taxistas que levam passageiros do aeroporto para as mais diversas regiões de Campo Grande, a sinalização da faixa exclusiva da Avenida Duque de Caxias foi corrigida, e a palavra "táxi" incluída - e espremida, em alguns casos -, garantindo maior fluidez da via e agilidade dos serviços. 

"Deu certo, no outro dia os caras botaram e mudaram lá a placa. Garantiu e foi uma boa vocês terem comentado, que no outro dia estava lá o caminhão com os caras escrevendo", comenta Armindo Moreira dos Santos, de 67 anos. 

Taxista há mais de quatro décadas, foi protagonista do primeiro material, veiculado pelo Correio do Estado, que evidenciava o erro por parte da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), que gerou multa para alguns motoristas. 

Alegando inicialmente o prejuízo que a "exclusão" do corredor da direita traria à classe, a feição do taxista há 44 anos, na manhã desta segunda-feira (17), era de alívio, revelando a velocidade da resolução após o assunto ser abordado. 

"Adesivaram a placa no mesmo dia e dá um alívio. Nós não trabalhávamos aqui, porque não tinha jeito de andar. Não somente para nós, mas para todos os taxistas foi bom isso aqui", afirmou.

Além dele, Abadio de Oliveira Jr. (55), que trabalha como motorista há 27 anos, disse que agora as coisas estão uma "beleza pura". 

"Agora resolveu e deu uma melhorada boa, botaram o negócio de novo na placa. Quando era quinta-feira já estava resolvido". 

Ele evidencia a melhoria, dizendo o quanto havia ficado ruim trabalhar enquanto estavam "proibidos" de transitar pela direita, inclusive pelo risco de levar uma multa. 

"Também as pessoas multadas, nesse tempo aí [que ficou sem a devida indicação dos táxis], disse que ia poder recorrer. Resolveu e muito, porque aí você anda sem aquela preocupação, e tá garantido o corre de buscar item de passageiro também", completa o taxista. 

Correção improvisada

Placas se diferenciam em onde o termo "táxi" foi incluído. Foto: M.V

Por cerca de 20 dias, a sinalização da faixa exclusiva da Avenida Duque de Caxias ficou sem a categoria dos "táxis" incluída na lista de permissão. 

Enquanto os ônibus; veículos de emergência e as exceções para aqueles motoristas que usam a faixa para adentrar aos bairros ou atacadistas da região, taxistas passaram a relatar o recebimento de multas na carteira digital por transitarem à direita da via. 

Falta de padrão de como o termo foi incluído nas placas se destaca. Fotos: M.V

Atualmente, a falta de padrão das sinalizações é o que se destaca, com a vírgula seguida da palavra "táxi" acrescentada "da forma que deu", com tamanho de fonte claramente diferente das demais, além da própria posição do termo, que oscila entre as segundas e terceiras linhas das placas pela extensão da Duque. 

Contatada para entender o problema, posteriormente a Agetran explicou que a faixa da direita da Duque é voltada "para o transporte coletivo, veículos de emergência e também para os táxis". 

Com isso, fez questão de pontuar não só que os táxis podiam, sim, continuar trafegando pela direta, como também que os multados poderiam recorrer às penalidades sofridas. 

Por fim, a Agência frisa que a permissão para trafegar pela direita não abrange aos transportes por aplicativo (uber, 99, InDrive, etc.), 

Exclusividade questionável

Conforme as diretrizes da Mobilidade Urbana, o transporte coletivo tem preferência sobre o individual. 

"Sendo assim, é importante que haja uma faixa exclusiva para haver melhoria na velocidade média do transporte, bem como o tempo de viagem", expõe. 

Entretanto, diante das poucas linhas de ônibus que, de fato, trafegam pela direita no trecho entre o aeroporto e início da Avenida Afonso Pena, a população que passa pelo local acha "excessiva" essa proibição para os demais veículos. 

Leonardo Miotti tem 43 anos e, trabalhando como motorista de aplicativo e carona amiga, usa a Duque de Caxias com frequência, pela faixa da direita, inclusive, durante a entrevista. 

"Acho que deveria abrir, pelo fluxo de gente e movimento aqui. O horário de pico aqui é horrível, a solução seria abrir mesmo", comenta ele. 

Trafegando pela Duque de Caxias, não é difícil notar o desrespeito dos motoristas em geral, que insistem em transitar pela faixa da direita, apesar da exclusividade clara para emergenciais, para além do acesso aos comércios e conversões. 

Outro trabalhador que cruza com frequência a Duque é o motociclista Jhonathan, de 27 anos, que, assumindo usar essa preferencial em momentos de pressa, prefere nem passar pelo trecho nos horários considerados de maior fluxo.

"Horário de pico é bem ruim, já nem passo aqui e evito mesmo. Deveria abrir mais a faixa [da direita], a gente tem medo, mas, de vez em quando usa, porque não dá... na hora do aperto", confessa. 

Já o morador da região, Paulo Leite, de 73 anos, alega que o horário de pico é realmente complicado, porém, acredita que a mudança no trânsito parte do indivíduo. 

"Puts, é fod*. Mas é só o povo respeitar o trânsito que fica legal, porque todo mundo enche a faixa de ônibus ali. Não tem que abrir mais nada, é só o povo aprender a dirigir", revela. 

Por fim, o motociclista Kelvin, de 29 anos, também usa com frequência a Duque de caxias para se locomover até o trabalho e reforça o coro pelo fim da faixa exclusiva

"Seria melhor se abrisse para os outros motoristas. Das 05h até 08h é o horário de pico aqui, e é muito ruim para passar", finaliza ele. 

 

Assine o Correio do Estado

 

INTERIOR

Indígenas somam 40% da mão de obra em indústria de calçados de segurança em MS

Programa ajudou a diminuir a rotatividade de pessoal e até o volume de faltas, enquanto empresa já está há 20 meses consecutivos batendo metas de produção e faturamento

09/08/2026 12h30

Empresa viu índice de faltas sair de média entre 6 e 7% para apenas 2%, enquanto a rotatividade de pessoal caiu quase que pela metade

Empresa viu índice de faltas sair de média entre 6 e 7% para apenas 2%, enquanto a rotatividade de pessoal caiu quase que pela metade Reprodução/Assessoria/Bracol

Continue Lendo...

Para além de um domingo de Dia dos Pais, este 09 de agosto está marcado no calendário como o Dia Internacional dos Povos Indígenas. Com Mato Grosso do Sul sendo o lar do 3° maior volume de concentração no Brasil, esses povos originários encontram em MS tanto a manutenção dos saberes quanto a incorporação de sua mão de obra à indústria local.

Entre os destaques, por exemplo, aparece a indústria nacional de calçados de segurança e EPIs, Bracol, onde cerca de 40% do quadro de funcionários é composto por indígenas que moram na região do município de Eldorado. 

Distante aproximadamente 442 quilômetros da Capital, no município que fica na microrregião de Iguatemi, extremo sul do Estado, há cerca de quatro anos a Bracol trabalha com intensas mudanças em sua política de Recursos Humanos (RH). 

Em outras palavras, para além de uma inclusão da liderança indígena local, essa indústria promoveu desde rota de ônibus na aldeia até treinamentos em guarani. 

Segundo o grupo, atualmente há 228 profissionais indígenas na Bracol em Eldorado, o que representa 40,21% do quadro total de colaboradores, em uma iniciativa que busca respeitar aspectos culturais, linguísticos e sociais para criação de um ambiente de trabalho mais inclusivo. 

Sendo uma oportunidade de desenvolvimento profissional, o modelo têm dado resultados que impactam toda a operação e os negócios, um sucesso que ajudou a diminuir a rotatividade de pessoal (turnover) e até o volume de faltas. 

Thiago Honório é gerente de Recursos Humanos da Bracol e explica que, a inclusão vai além da simples contratação de profissionais indígenas, sendo um compromisso com a criação de oportunidades e pelo fim das barreiras culturais em busca de um bom convívio e melhor desenvolvimento na prática. 

"Ao longo do processo, percebemos que a inclusão não dependia apenas da adaptação dos novos colaboradores à rotina industrial, mas também da capacidade da organização de compreender e respeitar suas particularidades culturais. Por isso, promovemos uma mudança de mentalidade dentro da empresa, incentivando o diálogo, o respeito às diferenças e a construção de um ambiente mais acolhedor", diz o gerente de RH.

Entenda

Com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao último censo em 2022, compilados através do Painel Povos Originários, Mato Grosso do Sul soma A 3ª maior concentração de povos originários do Brasil, aproximadamente 116.469 indígenas. 

Os números mostram que mais da metade dessa população vive fora das terras indígenas (59%), espalhada pelos 79 municípios do Estado. A maior parte da população é composta por mulheres, chegando a 50,7% do total. As seguintes cidades contram o maior número de povos originários: 

  • Campo Grande (18.434),
  • Dourados (12.054), 
  • Amambai (9.988), 
  • Aquidauana (9.428) e 
  • Miranda (8.866). 

Nesse caso da Bracol, os profissionais chegam à indústria vindos das comunidades de Cerrito, em Eldorado (MS), e Porto Lindo, em Japorã (MS). Por isso a empresa também implantou uma rota de ônibus dentro da aldeia para facilitar o deslocamento diário desses trabalhadores, que antes tinham que percorrer cerca de oito quilômetros até chegar ao ponto de embarque.

Para além de um acompanhamento individual dos novos colaboradores durante a integração de novos funcionários, também durante a Semana dos Povos Indígenas e outras datas relevantes para as comunidades,a empresa passou a ajustar sua programação. 

O intuito é justamente conciliar as necessidades produtivas com a participação dos colaboradores em eventos culturais, demonstrando respeito às tradições e valores das comunidades. 

Morador de Japorã formado em Gestão de Recursos Humanos, Juliano Misael Lopes é um dos exemplos do programa da empresa. Contratado há quatro anos para trabalhar como operador de máquinas, ele foi promovido à liderança de produção e chegou à função de analista de campo do RH em abril de 2026, há cerca de quatro meses.  

Depois de fazer toda a trajetória na empresa, agora é Juliano quem participa da integração de novos colaboradores, bem como se encarrega de ministrar treinamentos na língua guarani e auxilia na tradução dos procedimentos operacionais da fábrica.
 
Sobre os resultados do programa, a empresa viu o índice de faltas na unidade sair de uma média entre 6 e 7% para apenas 2%, enquanto a própria rotatividade de pessoal que já chegou a atingir 12% caiu quase pela metade (7%). 

Como se não bastasse, há mais de um ano, por 20 meses consecutivos, a indústria de calçados de segurança e EPIs de Eldorado bate as metas tanto de produção como de faturamento. 

“Os indicadores comprovam a efetividade da iniciativa, mostrando que políticas de diversidade e inclusão, quando implementadas de forma consistente, são traduzidas em resultados mensuráveis, maior comprometimento das equipes e fortalecimento  da cultura organizacional da empresa. E torna-se exemplo para  implantação de modelos de inclusão nas outras 4 unidades fabris da empresa, de acordo com as características locais de cada comunidade”, completa Honório. 
**(Com assessoria)

 

Assine o Correio do Estado

LOCALIZADA

Sequestrada em Campo Grande, Ayla é resgatada no Paraguai

Recém-nascida de apenas um mês foi encontrada com vida e casal é preso em flagrante na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero

09/08/2026 11h11

Ayla foi encontrada em uma residência localizada no bairro chamado Virgen de Caacupé. 

Ayla foi encontrada em uma residência localizada no bairro chamado Virgen de Caacupé.  Reprodução/Redes Sociais

Continue Lendo...

Ainda nas primeiras horas da madrugada deste domingo (09), a pequena Ayla Emanuelly Pereira de Souza, desaparecida na última quinta-feira (06) em Campo Grande antes de completar um mês de vida, foi localizada e resgatada no Paraguai, na cidade de Pedro Juan Caballero (PJC). 

Ayla foi encontrada em uma residência localizada no bairro chamado Virgen de Caacupé. Weliton e Suzilaine. Foto: Reprodução/Notícias Central

Fronteiriça por divisa seca, a cidade gêmea do município sul-mato-grossense de Ponta Porã foi o destino do casal Weliton Aparecido Lopes dos Santos e Suzilaine da Graça Costa, brasileiros que estavam com a criança no país vizinho. 

Ayla foi encontrada em uma residência, no Paraguai, localizada no cruzamento das ruas batizadas de Alejo García e Coronel Martínez, que fica no bairro chamado Virgen de Caacupé. 

Após essa operação de resgate, a criança foi levada diretamente até o setor de emergência do Hospital Regional de PJC, para exames de praxe e onde ficará um tempo sob observação médica. 

Desaparecida desde a última quinta-feira (06), o alerta em busca da pequena Ayla chegou a circular na plataforma "Amber Alert Brasil", Programa estabelecido nos Estados Unidos e adotado no País pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública que ativa um comunicado especial encaminhado para as plataformas da Meta, que passa a publicar o alerta em um raio de até 160 quilômetros do local de onde o fato foi registrado. 

Informações da mídia paraguaia, publicadas no portal local Notícias Central, indicam que a destituição e custódia da pequena Ayla estão no momento sob a competência das autoridades do país vizinho e do Ministério da Defesa Pública do Paraguai. 

Relembre

Como bem acompanha o Correio do Estado, a situação passou a ser contada a partir da ótica de um caso de cárcere de uma adolescente e sua irmã, de 17 e 13 anos respectivamente. 

Em entrevista ao Correio do Estado, a madrinha da bebê chegou a contar que a adolescente conheceu uma mulher em um grupo de doações no WhatsApp. Segundo ela, a suspeita inicialmente doou roupas para a criança e, dias depois, ofereceu um ensaio fotográfico. Como o encontro não aconteceu, a mulher teria feito uma proposta de trabalho para a jovem.

Ela cita que essa adolescente teria aceitado cuidar de um bebê de seis meses pelo valor de R$100, recebendo autorização para levar a própria filha. Ela foi até o endereço acompanhada de Ayla e da irmã, de 13 anos, que iria ajudar a mãe da bebê durante o trabalho.

Ainda conforme a madrinha, ao chegarem ao imóvel, as duas adolescentes foram surpreendidas por pessoas que as renderam.

"Eles abordaram elas, amarraram elas e trancaram uma no banheiro e a outra em um quarto com a neném. Elas ficaram lá até por volta de uma da manhã, quando foram soltas em um terreno baldio, nas proximidades da Avenida Guaicurus", afirmou.

Após serem libertadas, as adolescentes caminharam de volta para casa. Desde então, a bebê não foi mais encontrada. A família informou que tentou localizar o imóvel onde elas haviam sido levadas, mas não conseguiu encontrá-lo. O celular da mãe também não foi devolvido.

A Polícia Militar informou que realizou o primeiro atendimento da ocorrência, mas que o caso está sob responsabilidade da Polícia Civil. A corporação informou ainda que, até o momento, a ocorrência não é tratada oficialmente como sequestro, e que as circunstâncias ainda estão sendo apuradas.

"A equipe da PM fez o primeiro atendimento e, como elas não recordavam direito das informações, todas foram levadas para a delegacia. As diligências seguem com a equipe da Polícia Civil", informou.

Ainda ontem (08), um suposto envolvido chegou a ser preso e ouvido. Localizado em ação conjunta dos agentes da Depca com membros da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestro (Garras), esse indivíduo seria o proprietário da casa emprestada para esconder a criança. 

 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).