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Campo Grande

TCE mira plano para sanear prefeitura e pede que município "pegue leve" em contratações temporárias

Medida visa garantir maior eficiência e eficácia na prestação dos serviços públicos

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Após emitir um relatório de inspeção no qual aponta um déficit de R$ 386,1 milhões em contratos e remunerações entre as gestões de Marquinhos Trad (PSD), e Adriane Lopes (Patriota) na Prefeitura de Campo Grande, o Tribunal de Contas do Mato Grosso do Sul (TCE-MS) destacou a importância do Executivo Municipal em traçar um plano de saneamento municipal, além de recomendar que a gestão “pegue leve” na contratação de servidores temporários.

Tal divergência surge "entre a despesa com pessoal, apurada conforme folhas de pagamento encaminhadas ao Tribunal de Contas e a executada orçamentariamente no exercício de 2022", diz trecho da inspeção do TCE, assinada pelo conselheiro Osmar Jerônymo.

De acordo com o relatório, a situação “evidencia a inexistência de situação de excepcional interesse público temporário, requisito obrigatório para a utilização dessa exceção constitucional”.

Ao examinar a folha de pagamento da Prefeitura Municipal de Campo Grande em abril de 2022, ano de inspeção, a relatoria gerida por Osmar Domingues Jeronymo, verificou que 9.883 de todas as 16.993 contratações do período, cerca de 58,16%, possuíam vínculos pré-datados.

Conforme a relatoria, os funcionários temporários se subdividiram em 54 cargos e funções no período. Em uma linha explicativa, aproximadamente 6 em cada dez contratados do período não possuíam vínculos efetivos com a gestão municipal. 

”(...) as contratações temporárias realizadas extrapolam a proporcionalidade e razoabilidade, principalmente se comparados ao número de servidores efetivos existente no quadro de pessoal da Prefeitura de Campo Grande, o que evidencia e corrobora que essas admissões temporárias escapam à disciplina legal, revelando a ilegalidade dos atos praticados”, destacou o relatório.

Para o Tribunal de Contas, a ação da prefeitura comprova a falta de planejamento do órgão e a inexistência do cumprimento dos requisitos exigidos pela Constituição Federal para tais admissões temporárias. 

Para o TCE-MS, sendo a admissão de servidores efetivos a regra, a contratação de funcionários temporários deveria ser exceção, devendo, por sua vez, ser utilizada somente em situações extraordinárias. “No caso da Prefeitura de Campo Grande, esse instituto está sendo desvirtuado, deixando de ser instrumento excepcional e temporário para se tornar comum e corriqueiro, como observado pelas proporções elevadas que foram detectadas”, diz trecho do documento.

Acerca dos volumes de contratações eventuais, a relatoria destacou que  72,39% dos contratos correspondiam à admissão de  professores, assistentes de educação infantil, auxiliares de manutenção, médicos e  assistentes educacionais inclusivos. 

Falta de concurso

Para além da exposição, o TCE-MS salientou que para os cargos efetivos de professores e médicos, há uma demanda de 1 mil vagas para área, entretanto, frisou que a Prefeitura Municipal não visa suprir as demandas do município por meio de concursos públicos.

"As vagas estão aptas para serem preenchidas através de certame, sendo que o último realizado para o cargo de professor foi em 2016 e para médicos em 2019”, destaca o relatório. 

Conforme o texto do documento, a situação é ainda mais grave no caso dos professores, visto que, segundo a relatoria, há a constatação de pagamentos por parte da prefeitura sobre aulas complementares para 1.228 servidores efetivos no último ano, entretanto, os servidores também ocupam a função de professores temporários.

“Considerando o exorbitante número de contratações de professores temporários e que o último concurso aberto para o cargo de professor foi em 2016, temos que a omissão em realizar o certame e admitir servidores efetivos (professores) depõe contra a finalidade da contratação temporária para atender o excepcional interesse público, apresentando como permanente a necessidade desse cargo”.

Sobre as funções de Assistente de Educação Infantil, Auxiliar de Manutenção e Assistente Educacional o levantamento acompanhou que as contratações realizadas, devem ser avaliadas em razão da “real demanda e necessidade para, promover a criação de cargos relacionados a essas funções, com futura realização de concurso público.”

Diante do fato, o TCE-MS recomendou que a Prefeitura Municipal por meio da prefeita Adriane Lopes, apresente um plano de providências para o saneamento do elevado número de contratações temporárias, principalmente para aquelas decorrentes de atividades permanentes na Administração Pública,tais como as de professores e médicos, mencionadas na relatoria. 

A ação recomendada, segundo o TCE-MS, garante além da fiscalização formal dos órgãos públicos, permite o acompanhamento da população dos gastos. 

No fim do último ano, inspecionado para os gastos do Executivo, o Correio do Estado antecipou que servidores do primeiro escalão da Prefeitura de Campo Grande tiveram rendimentos de R$ 51.749,00 líquidos em novembro, além de folhas de folha de pagamento ocultas, documentos não disponibilizado no portal da transparência do município. 

Para inflar o supersalário pago a secretários, secretários-executivos e outros servidores escolhidos pela administração, a Prefeitura de Campo Grande atribuiu na ocasião, rubricas suspeitas e pouco transparentes para justificar o pagamento do salário extra para seus funcionários, como “jetons” e “encargos especiais”. 

O Correio do Estado teve acesso aos dois contracheques de um servidor de primeiro escalão da prefeitura da Capital, com o supersalário de R$ 51,7 mil (R$ 54,7 mil no valor bruto). 

No primeiro contracheque, em que o servidor ou servidora faz jus à sua função de secretário municipal, foram pagos R$ R$ 17.285,85 líquidos no mês de novembro. 

A decomposição deste contracheque ocorreu da seguinte forma: R$ 11.818,70 decorrentes da função de secretário ocupada pelo gestor, outros R$ 4.647,00 entraram em uma rubrica chamada de “liquidação da Emha” e ainda R$ 3.944,41 de indenização de transporte. 

Posteriormente aplicados os descontos de Imposto de Renda e para a Previdência Social. Nesta linha, o primeiro contracheque é o que normalmente é lançado no portal da transparência.

Ocorre que, em consulta feita ontem pelo Correio do Estado, nem os valores e tampouco o integrante do primeiro escalão eram encontrados.

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Campo Grande

UFMS vai ganhar posto de saúde para atendimento ao público externo

USF será instalada em Campo Grande, em parceria com a prefeitura

15/09/2026 11h45

Assinatura do acordo de lançamento da Escola de Saúde Pública de Campo Grande

Assinatura do acordo de lançamento da Escola de Saúde Pública de Campo Grande Foto: Ana Carolina Vasques/Rúbia Pedra

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Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) vai ganhar uma Unidade de Saúde da Família (USF), para atendimento ao público externo, no câmpus Cidade Universitária, em Campo Grande.

A realização é uma parceria com a Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG), por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

O objetivo é auxiliar a formação de estudantes, desafogar atendimentos em outras USFs e proporcionar atendimento público de qualidade à população campo-grandense.

A reitora Camila Ítavo e a prefeita Adriane Lopes assinaram o acordo para instalação na terça-feira (8), durante o lançamento da Escola de Saúde Pública de Campo Grande, no auditório do Complexo Multiuso 1, no câmpus Cidade Universitária.

Na cerimônia, foi assinado o Contrato Organizativo de Ação Pública Ensino-Saúde, que autoriza o funcionamento da Escola de Saúde Pública e a utilização das características de saúde de Campo Grande para a formação dos estudantes. O documento tem vigência de cinco anos.

Na USF, estudantes dos cursos da área da saúde poderão atuar, mediante supervisão de um profissional, em atendimentos, consultas e orientações à pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Portanto, agora os acadêmicos tem mais uma opção para colocar em prática seus conhecimentos: além de atenderem no Hospital Universitário (HUMAP-UFMS), também poderão atuar na USF.

A reitora destacou a parceria entre as instituições para proporcionar atendimento de qualidade à população e promover a formação de estudantes.

“É um dia de muita alegria receber a prefeita e todo o seu time da saúde na UFMS. Quando pensamos em saúde, percebemos a força que existe quando somamos esforços para chegar mais longe, ter efetividade nas políticas públicas e, principalmente, cumprir a nossa missão, que é oferecer uma formação de excelência”, pontuou.

A prefeita ressaltou que a nova USF é estratégica para contribuir em dois lados: estudantes e população.

“A saúde é o maior desafio de um gestor público e, de todas as áreas da gestão, tem suas peculiaridades. A Escola de Saúde Pública Dr. Eugênio de Oliveira Martins de Barros inicia esse projeto trazendo para os nossos profissionais um novo caminho, porque o aprendizado é constante e, todos os dias, temos algo novo para aprender ou para ensinar. É uma escola de educação permanente, integrada às universidades, que representa um novo tempo para a saúde de Campo Grande. Tivemos o desafio de iniciar esse trabalho e queremos que a Escola se torne referência não apenas para Mato Grosso do Sul”, destacou a chefe do executivo municipal.

A data de inauguração e a capacidade de atendimento da nova USF não foi divulgada.

tac

MP arquiva ação contra sócio do Itaú por megaincêndio no Pantanal

Família Bracher firmou um acordo com a promotoria para recuperar a área de 13,2 mil hectares de sua fazenda destruídos pelo fogo em julho de 2024

15/09/2026 11h40

Investigação apontou que o fogo começou em um caminhão superaquecido, saiu do controle e destruiu 53 mil hectares

Investigação apontou que o fogo começou em um caminhão superaquecido, saiu do controle e destruiu 53 mil hectares

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Um ano e quatro meses depois de virarem alvo de um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul por conta de um megaincêndio florestal no Pantanal de Mato Grosso do Sul. O banqueiro Cândido Botelho Bracher e sua esposa, a ambientalista Teresa Bracher, firmaram um acordo com a promotoria e a investigação está sendo arquivada. 

A investigação envolvendo o ex-presidente do banco Itaú/Unibanco, a maior instituição financeira da América Lativa, foi aberta em maio do ano passado por conta de uma queimada que começou na Fazenda Tupanceretã, em julho de 2024, no Pantanal da Nhecolândia, no município de Aquidauana.

A fazenda, comprada da família Rondon, tem 25,6 mil hectares em torno de 13,2 mil hectares foram destruídos pelo incêndio entre os dias 23 e 31 de julho daquele ano, período de forte estiagem em toda a região pantaneira. 

O fogo, segundo a investigação, se espalhou a partir de um incêndio em um caminhão, atingiu propriedades vizinhas, queimando a vegetação em 52.940 hectares. Mas, o foco da investigação foi uma área de 267,7 hectares, na região onde o fogo teria começado. 

Conforme a Polícia Militar Ambiental, em relatório concluído em 12 de agosto de 2024, o incidente começou a partir de um caminhão que ficou atolado na areia e por conta da insistência do motorista em sair do atoleiro o veículo superaqueceu e pegou fogo.

Agora, conforme publicação do diário oficial do Ministério Público de Mato Grosso do Sul desta terça-feira (15), o casal de banqueiros firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no qual está a informação de que 15.135 hectares da fazenda de 25,6 mil hectares foram afetados pelo incêndio, dos quais 860 hectares correspondem à Área de Preservação Permanente (APP), 4.956 hectares da Reserva Legal e 1.005 hectares da Área de Vegetação Remanescente. 

Por meio deste TAC, os banqueiros se comprometem a apresentar, no prazo de 90 (noventa) dias, contados da assinatura do acordo, um Plano de Recuperação de Área Degradada ou Alterada, devidamente protocolado no IMASUL. E, caso descumpram os termos, serão multados em R$ 8.320,50 (150 UFERMS). Inicialmente o MP havia proposto multa no valor de R$ 44,376 mil, mas atendeu a um pedido dos fazendeiros e reduziu o tamanho da possível punição.

Em vez de firmar acordo e arquivar a investigação, a promotoria também poderia ter aberto uma ação civil pública para exigir punição aos proprietários da fazenda. Mas, como o incêndio ocorreu em meio a uma forte estiagem em em meio a uma onda de queimadas em boa parte do Pantala, o caso está sendo engavetada, faltando somente o aval do conselho superior do Ministério Público. 

Na época, os policiais ambientais que foram ao local onde começou o incêndio destacaram que “salvo melhor juízo, não foram constatados indícios de práticas de queima com intenção que configure crime ambiental ou por omissão ao fato ocorrido na propriedade”. O caminhão havia acabado de descarregar material de construção na sede da fazenda e estava retornando para a cidade.

LAUDO PERICIAL

Porém, um laudo pericial concluído em 19 de outubro de 2024 também anexado ao inquérito diz que no local onde supostamente começou o fogo não foi encontrado qualquer indício daquilo que pode ter desencadeado o incêndio. Ou seja, o perito diz não ter encontrado nenhum resquício do caminhão. 

Essa laudo descarta ainda a possibilidade de ter iniciado a partir de um raio ou a partir de rede de energia elétrica, que não existe no local. E, diz que “este relator descarta a gênese acidental, restando, todavia, a gênese culposa e proposital como hipótese mais provável para o surgimento do fogo”. 

Na sequência, o perito destacou que o megaincêndio “destruiu espécimes vegetais, não se descartando ainda que tenha causado a mortandade de parte da fauna local e colocado em risco a vida daqueles que participaram das equipes de combate”. 

Ao fundamentar a abertura do inquérito, a promotora Angélica de Andrade Arruda deixou claro que não existia comprovação de que o incêndio tenha tido origem criminosa.  Mas, disso que era necessário “mesmo não tendo sido possível constatar, nesse momento, que houve ato intencional ou culposo na ignição do incêndio, o que a princípio inviabiliza a responsabilidade administrativa e penal, ainda subsiste a responsabilidade civil que é “objetiva e por risco integral", especialmente voltada à busca de prevenção de novos incêndios e de eventual reparação do dano”. 

GRANDES FAZENDAS

A fazenda Tupanceretã não é a única propriedade dos sócios do Itaú no Pantanal de Mato Grosso do sul. Na região da Serra do Amolar, no município de Corumbá, o banqueiro e a mulher aparecem como proprietários de mais de 64 mil hectares. 

Tanto em 2020 quanto no ano seguinte estas terras apareceram no noticiário mundial por conta das intensas queimadas.  Foi nas terras do banqueiro que foi feita a foto de um macaco bugio carbonizado que se destacou em uma série de fotos mostrando a devastação das queimadas no Pantanal em 2020. 

Investigação apontou que o fogo começou em um caminhão superaquecido, saiu do controle e destruiu 53 mil hectaresImagem feita na fazenda da família Bracher rodou o mundo após a onda de queimadas em 2020

A imagem ganhou a categoria Meio Ambiente do World Press Photo, a mais importante premiação de fotojornalismo do mundo. Em 2020, o fogo teve início em uma das propriedades da família. No ano seguinte, a fazenda dos Bracher foi atingida por um foco que começou em área vizinha. 

Em meio às polêmicas, a família Bracher mantém uma atuação filantrópica na área ambiental e no combate aos incêndios no Pantanal.  Teresa é fundadora do Documenta Pantanal e do Instituto Taquari Vivo, além de integrar o conselho do Instituto Acaia, SOS Pantanal e Associação Onçafari. 

Em artigo publicado em abril de 2021, ela disse estar em “choque” com a cena do bugio carbonizado. “O que aconteceu é disruptivo e perturbador. De um bioma extremamente delicado, o Pantanal se converteu em um enigma da era da mudança climática”, escreveu.  

BANQUEIRO

Com patrimônio estimado na casa dos R$ 15 bilhões, Cândido Bracher foi CEO do Itaú Unibanco, do qual é um dos importantes acionistas, entre abril de 2017 e janeiro de 2021. Atualmente,  é Integrante do Conselho de Administração da instituição financeira, que fechou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido de R$ 24,6 bilhões. 

 

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