De forma um tanto quanto brusca, o "refresco" que o sul-mato-grossense tanto pedia veio em forma de tempestade na quinta-feira (19) e, apesar de pouco acumulado de chuvas, e ventos moderados na Capital, foi o suficiente para deixar inúmeros estragos espalhados pela Cidade Morena, que até hoje sentia os efeitos pelos galhos derrubados, fiações rompidas e falta de energias e vários pontos.
Diferente de municípios como Aquidauana; Dourados; Porto Murtinho e Itaporã, onde os ventos estiveram acima dos 75 km/h - com destaque para Laguna Carapã, onde as rajadas atingiram 95,8 km/h -, em comparação pode-se dizer que Campo Grande viu um "sopro" de 55,4 km/h.
Esses dados são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
Já quando observadas as chuvas nas últimas 24h, a Cidade Morena teve um acumulado de 20,6 mm, terceira no ranking, atrás de Porto Murtinho (26,6) e o município de Dourados, que pelas medições da Embrapa Agropecuária Oeste, acumulou 75,9 mm.
Forte o bastante para estragos
Em nota, a concessionária de energia responsável, Energisa, informou que os estragos causados pelas tempestades foram significativos, com o sistema elétrico danificado em várias regiões da Capital, por diversos fatores que iam desde cabos rompidos, até postes de distribuição atingidos por árvores derrubadas.
Ainda conforme a Energisa, até a manhã de hoje as equipes seguem com os reparos, com um total de 35 bairros impactados pontualmente, sendo:
- Universitário,
- Jardim São Lourenco,
- Vila Taquaruçu,
- Monte Castelo,
- Vila Nasser,
- Nova Lima,
- Vila Piratininga,
- Vila Jacy,
- Cruzeiro,
- Parque Residencial Uniao,
- São Francisco,
- Vila Nova Campo Grande,
- Itanhangá Park,
- Jardim Jockey Club,
- Caiçara,
- Portal Caiobá,
- Jardim Autonomista,
- Guanandi,
- Tiradentes,
- Coophavila II,
- Conjunto Jose Abrão,
- Parque Dos Novos Estados,
- Alves Pereira,
- Vila Santo Antonio,
- Vila Planalto,
- Jardim Centro-Oeste,
- Coronel Antonino,
- Moreninha,
- Vilas Boas,
- Jardim Dos Estados,
- Vila Sobrinho,
- Jardim Bela Vista,
- Santo Amaro,
- Chácara Dos Poderes,
- Vila Carlota e
- Jardim Seminário.
Quem sentiu isso na pele foi a aposentada Dalva Cisi, de 64 anos, que desde às 18h de quinta-feira estava sem energia no bairro Monte Castelo, após ver um cabo pegar fogo na rua Brasil com Dolor de Andrade, local onde também havia uma árvore caída na manhã de hoje (20).
Já no período da manhã equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) corriam as ruas da Capital recolhendo os destroços e limpando as vias para a liberação de trechos que ficaram intransitáveis devido aos estragos.
Dania Costa, de 48 anos, é comerciante na região e relatou à equipe do Correio do Estado que a R. Dr. Arthur Jorge ficou com o trânsito fechado também desde às 18h de ontem (19).
Além destas, conforme a Prefeitura Municipal, as limpezas começaram cedo para retirada de árvores derrubadas em trechos da:
- Rua Bahia com a Avenida Afonso Pena,
- Bahia com a 15,
- Ceará em frente à Uniderp e
- Viaduto da Ceará com Afonso Pena.
Pelo Monte Castelo, na manhã desta sexta-feira (20), o que se via eram estragos, com o bairro praticamente todo afetado, tendo galhos espalhados por todo lado e até placas que nomeias as ruas jogadas ao chão pela força da tempestade.
Além da Semadur, atuam para solucionar os problemas também equipes da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran); Corpo de Bombeiros; Secretaria Municipal De Infraestrutura E Serviços Públicos (Sisep) e Defesa Civil.
Prefeita alerta sobre perigo de descargas elétricas. Foto: G.O"Hoje temos 420 homens atuando. Recebemos várias ligações, a população se utilizou dos canais de comunicação e redes sociais da Prefeitura, nos indicando e ajudando a direcionar as nossas equipes. Estamos com 22 máquinas, mais de 23 caminhões, atuando em várias frentes por toda a cidade.", esclareceu a prefeita Adriane Lopes.
Em coletiva ao lado da Defesa Civil, ela pontuou que 70 famílias da comunidade Homex, atingidas pelo vendaval, serão atendidas. E ainda deixou um recado para a população sobre os perigos do pós-temporal
"Muitas árvores estão energizadas, então que a população não tente desobstruir nenhuma via ou trabalhar com qualquer ação, porque o risco é muito grande. Que nos acionem... de ontem para hoje foram mais de 57 atendimentos na madrugada".
Ainda, Adriane comenta sobre o levantamento feito junto à Defesa Civil para retirada de certas árvores do município, tendo em vista que a cada nova chuva não é difícil aparecer novos estragos causados pelas derrubadas de troncos.
"Há uma avaliação da Semadur e Defesa Civil. Fomos pegos pelo vendaval, as equipes estão mapeando e aquelas árvores que estiverem em risco serão retiradas"
Sem as chuvas torrenciais, justamente as árvores derrubadas foram as causadoras dos maiores estragos, com parte elétrica afetada e estragos causados também em residências.
Cerca de 87 semáforos foram atingidos e danificados em Campo Grande, e 12 escolas tiveram as atividades paralisadas devido aos estragos, sem previsão de retorno dessas aulas.





