Cidades

SEGURANÇA

Traficantes intensificam vinda de insumos para produção de cocaína na fronteira

Em cerca de 15 dias, mais de 62 toneladas de produtos químicos foram bloqueadas em Mato Grosso do Sul e na Argentina

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O transporte de produtos químicos para a Bolívia, como carbonato de cálcio, acetato de etila, soda cáustica, bissulfito de sódio e carvão ativo, que podem ser utilizados em algum processo de produção da cocaína, teve uma aparente intensificação entre março e o começo deste mês.

Em regiões fronteiriças, incluindo Corumbá, houve diferentes fiscalizações, com a identificação de tentativa de levar essas mercadorias para território boliviano sem a devida documentação, driblando a fiscalização.

Foto: Divulgação/Felcc

Na região entre Corumbá e Puerto Quijarro, a Polícia Federal e a Receita Federal apreenderam 27 toneladas de carbonato de cálcio que estavam com documentação irregular.

A principal suspeita das autoridades é de que a mercadoria seria entregue na Bolívia e poderia ser usada na produção de cocaína. Essa substância também está presente no uso de indústrias dos setores de construção civil, papel, tintas, plásticos, cosméticos e fármacos, mas é regulada por órgãos fiscalizadores.

Outra área de fronteira que registrou o transporte de químicos usados na produção de cocaína foi entre a Argentina e a Bolívia, porém, as 35 toneladas de acetato de etila (em 191 tambores) tinham sido despachadas do Uruguai, na cidade de Fray Bentos, e chegaram até Salta (Argentina), próxima do território boliviano.

A situação que levou à apreensão foi semelhante ao que ocorreu no Brasil: documentação irregular, empresas sem o devido registro e sem habilitação para esse tipo de transporte.

A apreensão brasileira ocorreu na quarta-feira, enquanto o caso que envolveu Uruguai, Argentina e Bolívia ocorreu no dia 18 de março.

No caso da interceptação da Polícia Federal e da Receita Federal, não foi divulgado qual era o destino da mercadoria. Já na outra ocorrência, o caminhão pretendia chegar a Cochabamba, onde há plantação de coca.

Além desses dois casos, no dia 12 de março, a Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (Felcc) realizou uma operação na rodovia que liga Cochabamba a Santa Cruz e conseguiu interceptar um caminhão carregado com 20 tambores de acetato de etila, 40 bolsas de soda cáustica, 40 bolsas de bissulfito de sódio e 10 bolsas de carvão ativado.

O veículo não estava com documentação da mercadoria e foi conduzido para a Fiscalía de Sustancias Controladas, da Bolívia, para averiguação.

De acordo com as autoridades brasileiras, para realizar um combate efetivo a esse tipo de ocorrência que vai se relacionar com o tráfico de drogas é necessário ações conjuntas.

“A apreensão [no Brasil] representa mais um resultado do trabalho conjunto de inteligência realizado pela Polícia Federal e pela Receita Federal na região de fronteira, com foco na repressão ao desvio de insumos químicos e ao tráfico internacional de drogas. As circunstâncias da ocorrência seguem sob análise pelos órgãos competentes”, informou nota conjunta das instituições.

Na Bolívia, o diretor-geral da Felcc, coronel Franz William Cabrera Quispe, divulgou que está sendo desenvolvida uma estratégia de coordenação interinstitucional para combater o tráfico internacional de drogas.

Na quarta-feira, ele participou da segunda sessão do Comitê de Luta contra o Narcotráfico na Assembleia Legislativa Plurinacional.

“Foram analisadas estratégias conjuntas para enfrentar o narcotráfico, fortalecendo a coordenação interinstitucional e consolidando ações efetivas para benefício da segurança do cidadão. Em março, fortalecemos a infraestrutura de apoio da Felcn para trabalho nos departamentos de Sucre e Santa Cruz.

Tivemos a proposta de modificação da Lei nº 913, que orienta a incorporação de novas substâncias controladas”, informou Quispe, via rede social.

“A Felcn reafirma sua liderança e compromisso com a transparência, a cooperação institucional e a proteção da sociedade boliviana diante do flagelo que as drogas trazem”, completou.

A situação de transporte internacional de substância controlada desde o Uruguai até quase a fronteira da Argentina com a Bolívia é outra ocorrência que pode sinalizar uma nova rota utilizada por traficantes para obter produtos químicos para a produção de cocaína.

O analista uruguaio Edward Holfman, que é especialista em crime organizado e narcotráfico na região do Cone Sul, sugeriu que há ações coordenadas na América do Sul para tentar driblar as fiscalizações com novos métodos.

“Esse não parece ser um caso isolado [35 toneladas de acetato de etila] de produtos químicos saindo do Uruguai. Trata-se de uma mensagem. Os dois caminhões foram detidos na fronteira, mas não na origem. O sistema detectou quando já estava tarde, não na prevenção, de forma reativa. Podemos estar diante de uma nova rota de químicos que vai se consolidar pelo Uruguai”, alertou o especialista, via rede social, com repercussão na imprensa uruguaia e argentina.

No dia 29 de março, a Aduana da Argentina informou que suspendeu quatro chefes que atuavam na região de Gualeguaychú por falha nos controles.

Por enquanto, ainda não há acordos multinacionais vigentes que podem se somar às ações de cooperação para combate a esse tipo de transporte entre Uruguai, Bolívia, Argentina e Brasil, porém, há atuação bipartite em alguns casos, como ocorre entre Bolívia e Brasil.

*Saiba

Como são utilizados

O carbonato de cálcio é utilizado como um reagente químico para a extração e purificação da cocaína da planta da coca durante a transformação da pasta base em cloridrato de cocaína. A soda cáustica também pode ser utilizada neste processo, assim como o acetato de etila, que atua como um solvente orgânico essencial para a cristalização da droga.

Já o bissulfito de sódio é utilizado para melhorar a aparência estética da droga, removendo impurezas e deixando o pó com um aspecto mais branco. O carvão ativado, por sua vez, é usado quando a droga está cristalizada e misturado para alterar sua cor, cheiro e propriedades químicas, tornando-a quase indetectável.

Logística

Exército começa a instalar ponte de guerra em Rio Negro

Ponte provisória começa a ser montada, neste domingo (5), após queda provocada por excesso de peso e chuvas

05/04/2026 15h44

Divulgação Redes Sociais

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Quarenta e dois dias após a queda da ponte sobre o Rio do Peixe, o 9º Batalhão de Engenharia do Exército iniciou, neste domingo (5), a instalação de uma ponte de guerra provisória em Rio Negro, município localizado a 153 quilômetros de Campo Grande.

Durante o sábado (4), os militares começaram a descarregar a estrutura que será utilizada no projeto, na MS-080, onde a ponte caiu no dia 22 de fevereiro, em decorrência das fortes chuvas que atingiram o município.

A queda ocorreu quando um caminhão passava pela ponte. Conforme informações do governo do Estado, o acidente ocorreu devido ao excesso de peso.

 

 

 

Ponte provisória

O modelo de ponte LSB (Ponte de Acesso Logístico) é uma estrutura desenvolvida durante a Segunda Guerra Mundial. Ela é usada, essencialmente, em rotas de abastecimento, foi modernizada para tráfego pesado e pode ser utilizada na substituição de pontes civis danificadas ou como ponte provisória.

Além do Brasil, seu projeto tem sido utilizado em diversos países, como Alemanha, África do Sul, Irlanda, Filipinas, Camarões, Paquistão, Escócia, Reino Unido, Nova Guiné, Madagascar, País de Gales, Trinidad e Tobago e República do Congo.

Por ser feita com materiais leves e modernos, sua montagem pode ser realizada manualmente ou com o uso de equipamentos leves, podendo ser desmontada e armazenada. A estrutura suporta a passagem de tanques de guerra e é facilmente transportada.

Reconstrução da ponte

O Governo de Mato Grosso do Sul, em publicação no dia 31 de março, por meio do Diário Oficial, oficializou a contratação emergencial para a reconstrução da estrutura, com custo estimado de R$ 13,2 milhões e prazo de execução de 360 dias.

A obra foi contratada junto à empresa Paulitec Construções Ltda. e inclui tanto a elaboração do projeto quanto a execução da nova estrutura. A medida ocorre após o reconhecimento da situação de emergência no município, decretada no fim de fevereiro.

Relembre

A ponte cedeu na manhã do dia 22 de fevereiro, na altura do km 145 da MS-080, enquanto uma carreta realizava a travessia. Parte do veículo chegou a despencar no rio, ficando pendurado entre o asfalto e a água. Apesar do susto, ninguém ficou ferido.

De acordo com o governo do Estado, o desabamento foi causado pela combinação entre o excesso de peso do caminhão e o desgaste da estrutura, agravado pelo alto volume de chuvas registrado ao longo daquele mês. No início de fevereiro, Rio Negro foi atingido por cerca de 250 milímetros de chuva, o que já havia comprometido trechos da rodovia.

A MS-080 é uma das principais ligações da região, conectando Campo Grande a municípios como Rochedo, Corguinho e Rio Negro, além de ser rota importante para o escoamento da produção rural.

Desde a queda da ponte, o trecho permanece interditado para veículos. Motoristas passaram a utilizar desvios por rodovias como a BR-163, via São Gabriel do Oeste, e a BR-419, sentido Corumbá.

Também foram abertas rotas alternativas por estradas vicinais, permitindo apenas o tráfego de veículos leves. Caminhões seguem impedidos de circular pelo local, o que tem impactado diretamente produtores e o transporte de cargas.

Nos primeiros dias após o acidente, a travessia de pedestres passou a ser feita com o auxílio de barcos.

Já na última semana, o Exército Brasileiro instalou uma passarela provisória sobre o Rio do Peixe, permitindo a passagem a pé entre as margens. A estrutura foi montada por cerca de 20 militares e deve permanecer no local por até oito meses, funcionando das 6h às 18h.

Apesar da medida, a travessia segue limitada e não resolve o principal problema da região: o bloqueio para veículos.

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TRÁFICO

Polícia prende traficantes que vendiam drogas em frente à escola infantil no São Conrado

Durante a abordagem, foram localizadas mais de cem porções de entorpecentes, divididas entre cocaína e maconha

05/04/2026 14h45

Foto: Arquivo Correio do Estado

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A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul prendeu dois homens, identificados como Ryan Carlos Vilasanti de Oliveira e  Mike Davison Medeiros da Silva Lima, na noite de sábado (4), pelo crime de tráfico de drogas. De acordo com uma denúncia anônima, os indivíduos vendiam cocaína e maconha no portão da Escola Municipal de Ensino e Educação Infantil (EMEI) do bairro São Conrado, de forma reiterada.

A denúncia foi formalizada na sede do Batalhão de Polícia Militar de Choque pelo pai de um aluno, que não se identificou com medo de represálias. Segundo os relatos, o crime era realizado por Ryan em frente ao portão da escola. O denunciante informou ainda que a venda de entorpecentes ocorre todos os dias da semana, fato que preocupa a comunidade local.

A equipe policial foi até o endereço indicado pelo denunciante e, ao acessar a via, visualizou dois indivíduos posicionados em frente à residência. Durante a abordagem, foram localizadas 113 porções de entorpecentes.

Nos bolsos da bermuda de Ryan, tinham 25 pacotes de cocaína e dez de maconha. Em baixo de uma pedra, a qual o rapaz estava sentado, haviam mais 33 porções de cocaína e 45 de maconha.

Durante a checagem nos sistemas policiais, as autoridades constataram que Mike Davison possui mandado de prisão em aberto, pelo crime de tráfico de drogas.

Diante dos fatos, os policiais deram voz de prisão a ambos os indivíduos. Os autores foram encaminhados à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário da Cepol (DEPAC/CEPOL) para a adoção das providências legais cabíveis.

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