Enquanto a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) anuncia a abertura de sete novos cursos e ampliação de vagas em dez graduações, acadêmicos denunciam a falta de estrutura, professores e investimentos nos cursos já oferecidos pela instituição. Na segunda-feira, a reitora da UFMS, Celia Maria da Silva Oliveira, em entrevista coletiva, informou, que para o processo seletivo de verão de 2011, a universidade terá 480 novas vagas. Mas, estudantes, principalmente dos cursos da área de Ciência Humanas, “não veem com bons olhos” o anúncio.
Para o acadêmicos do segundo ano de Educação Física, Glaubert Luiz Farias, 20 anos, a universidade deveria investir mais nos cursos já existentes. Ele afirma que, inclusive, existe “uma certa discriminação” da direção do estabelecimento de ensino em relação a alguns cursos. “Nossos laboratórios de Anatomia, por exemplo, estão em situação precária e a gente sabe que para o curso de Medicina a situação não é tão ruim. Os corpos que a gente usa para estudar, estão há mais de 20 anos aqui, as vezes a gente não consegue encontrar determinado músculo de tão manuseado que a peça foi”.
Tayla de Assis, 19 anos, também do curso de Educação Física, concorda com o colega, mas destaca os problemas enfrentados em relação aos professores. “Muitos são substitutos e acabam ficando sobrecarregados, porque são tapa-buraco e, então, assumem mais de uma disciplina. Não digo que são maus profissionais, mas as vezes não conseguem dar conta do trabalho”.
Já o acadêmico do 1º ano do Ciências Sociais, João Pedro Costa, 17 anos, a ampliação das vagas e oferta de cursos diferentes tem seus prós e contras. “Aumentar as vagas democratiza o acesso à Educação Superior e o aumento das opções de cursos, em princípio, atrai investimentos e aumenta a credibilidade da universidade. No entanto, acredito que os cursos que já existem não podem ser deixados de lado”.
Ele afirma que o curso de Ciências Sociais tem estado “abandonado”. “Por exemplo, estamos sempre enfrentando problemas com de não ter salas para desenvolver atividade extra-classe, porque o nosso curso não tem um bloco e nem salas próprias. São as mesmas salas ocupadas por outros cursos, em outros períodos. A gente não consegue trazer uma palestra, fazer um seminário na universidade”.
Novidades
Todos os novos cursos serão ofertados no campus de Campo Grande. São eles: Engenharia de Produção (60 vagas), Tecnologia de Alimentos (40), Geografia – Bacharelado (40), Tecnologia em Construção de Edifícios (40), Tecnologia em Saneamento Ambiental (40), Engenharia da Computação (50) e Nutrição (40).
Os cursos com número de vagas ampliadas são: no campus de Campo Grande, Letras (Português/Espanhol e Portugues/Inglês); Comunicação Social - Jornalismo; Pedagogia; Ciências Biológicas (Bacharelado e Licenciatura); Engenharia Ambiental; Engenharia Elétrica; Arquitetura e Urbanismo; Odontologia e Medicina Veterinária. Em Aquidauana: Letras com Habilitação em Português/Espanhol; Português/Inglês e Português/Licenciatura. Em Três Lagoas: Direito Noturno e Diurno e Pedagogia. Cada um deles terá, em média, 10 novas cadeiras.


