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Um ano após reassentamento, moradores da Comunidade Lagoa continuam sem água tratada

Famílias foram levadas para um terreno no Portal Caiobá em agosto de 2022, mas continuaram sem energia regularizada até maio deste ano. Agora, aguardam as instalações necessárias para o abastecimento de água potável.

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Em agosto deste ano,  o reassentamento dos moradores da antiga Comunidade Lagoa, no Jardim Colorado, em Campo Grande, completa um ano. Neste tempo, as famílias conquistaram o acesso à energia elétrica, mas ainda continuam sem água tratada. 

O problema da água é antigo, já que no antigo endereço, os moradores dependiam da captação de água da Estação de Tratamento de Água (ETA) da concessionária fornecedora do serviço, que fica nos fundos do terreno de uma  Área de Proteção Ambiental (APA), onde os barracos foram construídos.

Das 100 famílias da Comunidade Lagoa, 21 foram selecionadas para se restabelecerem no Caiobá, sendo que o grupo selecionado é formado justamente pelas pessoas que moravam próximo ao esgoto e não tinham acesso à água potável. 

Após diversas reportagens do Correio do Estado, a prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha), realocou os moradores em um terreno no Jardim Caiobá, local que inicialmente não tinha qualquer estrutura de água, esgoto ou luz elétrica. 

Ao Correio do Estado, a líder da comunidade Rosana do Amaral, explicou que a energia elétrica foi ligada nas residências em maio e isso trouxe mais segurança para os moradores, que dependiam de “gato” para terem luz em casa. 

“É bem melhor assim [com a energia regularizada]. É mais seguro para a gente. Inclusive estamos terminando de construir nossas casas de alvenaria. Estamos saindo do barraco para uma casa melhor”, disse. 

Para agilizar a construção das casas e permitir que as pessoas saíssem dos barracos, a prefeitura da Capital forneceu um auxílio de R$ 6 mil para os reassentados para a compra de material de construção. As famílias também contam com o auxílio de uma organização não-governamental para levantar as novas moradias.

Contudo, se os problemas da energia e das casas foram resolvidos, a falta de abastecimento de água tratada ainda persiste. Inicialmente, apenas uma família conseguiu construir um poço,  que à época não custou menos de R$ 2 mil, pago do próprio bolso. 

Hoje, já existem mais poços, mas nem todos conseguem arcar com os curtos, então, quando precisam, buscam água em alguma casa que tenha este abastecimento, porém, ainda é sem tratamento algum e não vem pela torneira, dificultando as atividades cotidianas. 

Ainda de acordo com a líder comunitária, a promessa é de que a regularização aconteça ainda este mês e funcionários da concessionária de abastecimento já foram no local iniciar alguns trabalhos. 

A reportagem entrou em contato com a Águas Guariroba e, por meio de nota, informou que é responsável pelo abastecimento, mas a área precisa ser regularizada para depois a ligação ser realizada. 

"A Águas Guariroba informa que é responsável pelo serviço de abastecimento de água em áreas regulares de Campo Grande. A área mencionada pela reportagem precisa passar por regularização fundiária para ser atendida pela concessionária", diz a nota

COMUNIDADE LAGOA 

Formada por mais de 100 famílias, a Comunidade Lagoa se situa no Jardim Colorado. Deste total, a prefeitura removeu as 21 famílias que moravam próximas à estação de esgoto e dependiam daquela água para os afazeres do dia a dia, incluindo fazer almoço, tomar banho e lavar louça. 

Hoje, permancem no local apenas os moradores que estão mais afastados da estação de tratamento cuja casas tem energia e água regulrizadas. 

O Correio do Estado acompanha a situação da comunidade há pelo menos dois anos, com diversas reportagens que mostram as dificuldades encontradas, especialmente pela falta de água tratada.

A remoção das famílias demorou mais de um ano, sendo que foi efetivada a partir do dia 13 de agosto de 2022, como já mostrado pelo Correio do Estado.

Diferente do que foi prometido pela prefeitura, as famílias que chegaram ao novo endereço se depararam com um terreno sem qualquer estrutura nem para a instalação de serviços básicos ou para a construção de casas. Assim, as famílias levantaram novos barracos, inclusive reaproveitando os materiais usados anteriormente. 

De acordo com Rosana do Amaral, a luz foi regularizada em maio e aos poucos as famílias estão conseguindo construir suas casas de alvenaria. Agora, os moradores aguardam pela regularização da água.

*Matéria alterada para adição de informações

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R$ 6,8 milhões

Fraude na saúde: Secretários de Nioaque receberam depósitos milionários e em espécie de clínica

Dinheiro saía da Prefeitura, ia para a clínica Prontomed e voltava em espécie para dois secretários municipais; município pagou R$ 6,8 milhões à empresa entre 2018 e 2025

13/08/2026 19h15

Na Operação

Na Operação "Auditus" foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão Foto: Divulgação / MPMS

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O trajeto que o dinheiro público de Nioaque teria percorrido até chegar às contas de dois secretários municipais é descrito na decisão judicial que autorizou as prisões da segunda fase da Operação Auditus, nesta quinta . 

O então secretário municipal de Governo Vagner Alves Ribeiro Guimarães recebeu R$ 936.239,00 em depósitos em espécie sem qualquer identificação de origem, feitos logo após saques realizados pelos donos da clínica Prontomed e a então secretária municipal de Saúde Márcia Cristiane Missioneira Jará recebeu repasses que passavam por uma triangulação até chegar às suas mãos pelo próprio filho, em parcelas que teriam incluído valores de R$ 10 mil, R$ 65 mil e R$ 100 mil.

A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna decretou a prisão preventiva de cinco pessoas e a busca e apreensão contra outras sete, medidas cumpridas nesta quinta-feira (13) na segunda fase da Operação Auditus, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), em Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna.

Do outro lado desse fluxo estão os pagamentos que a Prefeitura de Nioaque fez à empresa. A reportagem identificou 111 empenhos do Fundo Municipal de Saúde em favor da Prontomed Clínica Médica Ltda. entre 7 de novembro de 2018 e 31 de março de 2025, somando R$ 6.800.399,00, valor empenhado e, segundo os registros, liquidado e pago. Só o montante depositado na conta de Vagner Guimarães equivale a cerca de 14% de tudo o que o município pagou à clínica em quase sete anos de relação contratual.

Siga o dinheiro

O Relatório Técnico do MP cruzou os dados bancários obtidos após a quebra de sigilo autorizada em 2025. 

Logo depois de a Prefeitura pagar as faturas da Prontomed, Robson Roosevelt Ferreira Aguilar e Bianca Fernandes Leite Aguilar, sócios da empresa, faziam transferências da conta da clínica para a gerente administrativa Tatiane Barbosa de Souza Grubert. 

Ela sacava em espécie ou repassava a Derick Augusto Jará Luz, identificado como filho de Márcia Jará, que entregava o dinheiro à mãe. Segundo o documento, foram "várias parcelas de R$ 10.000,00, além das parcelas de R$ 65.000,00 e R$ 100.000,00, dentre outras". 

Com Vagner Guimarães, o método teria sido mais direto: após "vultosos saques em espécie" feitos por Robson, Bianca e Tatiane, "muitos deles imediatamente após o recebimento de recursos públicos oriundos da Prefeitura Municipal de Nioaque", foram identificados depósitos sucessivos em espécie na conta do secretário, somando R$ 936.239,00, sem origem identificada. 

Para o Ministério Público, a compatibilidade "pela forma, periodicidade e montantes" com os saques anteriores revela "nítido nexo temporal, financeiro e operacional", o que evidenciaria o pagamento de vantagem indevida. 

O valor de R$ 936.239,00 é o total de depósitos em espécie sem origem declarada na conta do investigado; a conclusão de que se trata de propina é a leitura do Ministério Público, acolhida pela juíza para fins de medida cautelar.

A decisão enquadra os investigados nos crimes de organização criminosa, fraude em contratação pública, crimes licitatórios, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro, este último, segundo o texto, caracterizado justamente pela triangulação que ocultava a origem dos valores em contas de terceiros.

Ano a ano, o gasto salta a partir de 2022, exatamente o ano em que, segundo o MPMS, a organização criminosa passou a operar: R$ 7.200,00 (2018), R$ 48.720,00 (2019), R$ 45.120,00 (2020), R$ 229.730,00 (2021), R$ 2.650.135,00 (2022), R$ 1.861.448,00 (2023), R$ 1.874.618,00 (2024) e R$ 83.428,00 até 31 de março de 2025. 

Somente em 2022 e 2023 a Prefeitura empenhou R$ 4.511.583,00 à Prontomed, 66% de tudo o que foi pago à empresa no período. O MPMS afirma que o gasto com esses serviços teve alta de 1.713% no intervalo das "contratações fraudulentas" (2022–2025). 

Licitações

A decisão atribui a três processos administrativos de Nioaque, 018/2019, 027/2023 e 015/2024, o mesmo padrão de direcionamento.

O caso mais documentado envolve o Contrato 42/2022. Segundo o MPMS, 14 dias antes da assinatura, Vagner Guimarães enviou ao e-mail da clínica uma planilha que já continha os valores que a Prontomed deveria "cotar", sob a aparência formal de uma solicitação de orçamento. 

Os valores devolvidos pela empresa eram idênticos, a única diferença estava nos totais, porque a planilha enviada pelo secretário fora calculada para 12 meses, o dobro da vigência de seis meses do contrato efetivamente assinado. 

Para manter a aparência de disputa, Tatiane Grubert teria fabricado a cotação de uma suposta concorrente, a Duocor Cardiologia Clínica e Diagnóstica, com falsificação da assinatura de seu responsável; a perícia em um notebook apreendido localizou a planilha editável com os valores "da Duocor", criada em 26/04/2022 e enviada a Vagner dois dias depois.

O mesmo método teria se repetido no Pregão 005/2023, em que os peritos encontraram, no notebook apreendido na sede da Prontomed, um arquivo criado em 17/02/2023 com três abas nomeadas "PRONTOMED", "DUOCOR" e "PARTMED", contendo os três orçamentos usados no certame. 

Nesse processo e no Pregão 004/2024, segundo os autos, foram falsificadas as assinaturas dos responsáveis pelas duas empresas "concorrentes".

Vencida a licitação, o desvio continuaria na execução. A decisão descreve listas de consultas, exames e procedimentos produzidas pela Prontomed e encaminhadas à Secretaria Municipal de Saúde, onde Márcia Jará autorizava o pagamento integral "sem qualquer conferência, controle administrativo ou validação mínima da efetiva realização dos serviços declarados".

As irregularidades apontadas nessas listas são, nas palavras do próprio documento, "muitas das vezes grosseiras": assinaturas divergentes do mesmo paciente em listas de especialidades diferentes, registros duplicados, nomes de pessoas falecidas em datas anteriores à consulta, crianças de 3 anos e de 11 meses que teriam assinado a lista de atendimento, e inserção de DIU em pacientes de 57 e 53 anos, faixa etária em que o método deixa de ser recomendado. 

Mães de crianças que constam de listas de teste da orelhinha declarados como realizados em novembro de 2022 depuseram afirmando que seus filhos nunca fizeram o exame pela empresa. É exatamente esse exame, a triagem auditiva neonatal, que dá nome à operação.

O Anexo de Procedimentos do Contrato 42/2022, obtido pela reportagem, traz a linha "TESTE DA ORELHINHA (executado pela fonoaudióloga)", com 30 unidades estimadas por mês, 180 em seis meses, a R$ 160,00 cada, R$ 28.800,00 no período. Constam também "teste do olhinho" e "teste da linguinha", R$ 16.200,00 cada em seis meses. São exames de baixo custo unitário e alto volume, e o contrato municipal não prevê nenhum mecanismo de auditoria, glosa ou conferência in loco.

Com base nesse conjunto, o MPMS estimou em R$ 1.262.211,00 o valor desviado por meio de serviços simulados, o equivalente a "cerca de 83% de todo o valor desembolsado". 

Reencontro após sequestro

Bebê Ayla volta para a família após polícia descartar envolvimento da mãe em sequestro

Recém-nascida foi entregue aos familiares na tarde desta quinta-feira (13), após autorização da Justiça

13/08/2026 18h46

Ayla Emanuelly voltou ao convívio da família nesta quinta-feira (13), após decisão judicial autorizar a entrega da bebê aos familiares.

Ayla Emanuelly voltou ao convívio da família nesta quinta-feira (13), após decisão judicial autorizar a entrega da bebê aos familiares. Foto: Reprodução.

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A bebê Ayla Emanuelly Pereira de Souza, de 1 mês, voltou para a família na tarde desta quinta-feira (13), em Campo Grande, após a investigação da Polícia Civil concluir que a mãe, uma adolescente de 17 anos, não teve participação no desaparecimento da própria filha. A criança havia sido encontrada no Paraguai depois de ter sido levada da Capital.

Conforme informações repassadas por um familiar de Ayla à equipe de reportagem do Correio do Estado, a bebê foi entregue à família por volta das 14h30 desta quinta-feira (13), após autorização da Justiça.

O familiar também informou que a mãe da criança não teve envolvimento no sequestro. Desde que foi localizada, a recém-nascida permanecia sob acolhimento e dependia de decisão judicial para retornar ao convívio familiar.

Com o avanço das investigações, foi afastada a suspeita de que a adolescente pudesse ter alguma ligação com o desaparecimento da própria filha. A possibilidade havia sido analisada pela polícia durante a apuração das circunstâncias em que a recém-nascida foi levada.

Com o avanço das diligências, porém, a Polícia Civil concluiu que a jovem não teve envolvimento no crime. A conclusão da investigação foi considerada pela Justiça para autorizar o retorno da recém-nascida ao convívio familiar.

Bebê estava acolhida

Ayla retornou a Campo Grande nesta terça-feira (12), depois de permanecer em uma unidade de acolhimento infantil de Ponta Porã. Na ocasião, conforme mostrou o Correio do Estado, a criança ainda não poderia ser entregue diretamente aos familiares, já que seria necessária autorização judicial.

Em nota divulgada enquanto a bebê permanecia acolhida, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) informou que Ayla estava em segurança e passava bem. O endereço da unidade não foi divulgado como medida de proteção e preservação da integridade da recém-nascida.

A conselheira tutelar Loisa Higa, que atua na região do Anhanduizinho, já havia explicado ao Correio do Estado que, em situações como essa, o procedimento é realizar a transferência entre unidades de acolhimento até que exista determinação judicial autorizando a entrega à família.

“Quando acontecem casos como esse, a transferência é feita de acolhimento para acolhimento. Só podemos entregar para a família caso haja uma decisão judicial que determine isso”, explicou.

Com a autorização concedida nesta quinta-feira, Ayla pôde finalmente deixar o acolhimento e retornar à família.

Entenda o caso

O desaparecimento ocorreu na quinta-feira (6). À polícia, a mãe de Ayla relatou que havia sido atraída por uma mulher até uma residência sob a promessa de conseguir um emprego. No local, segundo a versão apresentada pela adolescente, ela e a irmã, de 13 anos, teriam sido ameaçadas e mantidas como reféns enquanto um casal levava a recém-nascida.

Ayla foi encontrada na madrugada de domingo (9), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã.

A localização ocorreu durante uma ação conjunta envolvendo policiais da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) e autoridades paraguaias.

A recém-nascida estava em uma residência no bairro Virgen de Caacupé com Suzilaine da Graça Costa e Alex Melo de Abreu. No momento da prisão, o homem teria apresentado uma identidade falsa em nome de Weliton Aparecido Lopes.

Alex possuía mandado de prisão e tinha uma pena de 19 anos a cumprir por homicídio cometido no Amazonas. Suzilaine, por sua vez, foi reconhecida por familiares da mãe de Ayla como a mulher que teria oferecido a suposta oportunidade de emprego à adolescente.

Após ser localizada, Ayla ficou sob responsabilidade do Conselho Tutelar de Ponta Porã e foi encaminhada a uma unidade de acolhimento infantil. Posteriormente, retornou a Campo Grande, onde continuou sob proteção até a definição da Justiça.

A investigação do caso é conduzida pela Depac de Campo Grande, sob responsabilidade da delegada Anne Karine Trevisan. A delegada esteve em Ponta Porã na segunda-feira (10) para ouvir o casal encontrado com a criança.

Agora, com a conclusão policial de que a adolescente não participou do desaparecimento e a autorização judicial para a reintegração, Ayla está novamente com a família, uma semana depois de ter sido levada.

Polícia é procurada pela reportagem

A reportagem do Correio do Estado procurou a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul para obter mais detalhes sobre o andamento das investigações e os desdobramentos do caso. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

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