O vice-prefeito de Alcinópolis, Alcino Carneiro (PDT), disse que o filho morto na última terça-feira chegou a comentar com ele, alguns vereadores aliados e com a esposa Nara Simone sobre várias ameaças recebidas. "Algumas pessoas perguntaram se ele não tinha medo de amanhecer morto", relembrou o pai, explicando que o vereador Carlos Carneiro economizou R$ 273 mil durante sua administração em 2009 e, com esse valor, pretendia construir um prédio próprio para a Casa. No entanto, o ato considerado ousado para um vereador gerou polêmica e rejeição.
"A prefeitura tinha um terreno e deu trabalho para ceder para a Câmara. O prefeito nunca quis ajudar, não quis dar o alvará e até mandou embargar a obra", detalhou, explicando que posteriormente seu filho desistiu de oficializar uma denúncia contra a prefeitura em troca da liberação do alvará para construção do prédio, que deve custar mais de R$ 600 mil.
Ainda segundo Alcino, o prefeito Manoel Nunes da SIlva (PR) queria que o valor poupado pela Câmara fosse devolvido para a prefeitura, uma vez que o dinheiro não estava empenhado. Já o presidente da Casa alegou que não poderia devolver porque havia investido a economia na construção do prédio. O caso foi parar no Tribunal de Contas e, no dia em que foi morto, Carlos Carneiro iria protocolar sua defesa na referida instituição, em Campo Grande.
Além de protocolar defesa, o vereador se preparava para formalizar uma denúncia contra a Prefeitura de Alcinópolis de suposta falsificação de orçamento, já que desde maio deste ano o prefeito não submetia as contas do município a aprovação dos vereadores. Outros quatro parlamentares de oposição apoiavam a denúncia. "O prefeito desencadernou e trocou as página do livro de orçamento, conforme precisava gastar na administração. Em maio ele tinha que voltar na Câmara para aprovar mais suplementação, mas nunca voltou e disse que não precisava de vereador porque tinha orçamento aprovado até o fim do ano. Ou ele alterou o orçamento ou está administrando sem dinheiro", opinou. (VS e MR)


