Cidades

Drama social

Viciados em apostas on-line vão à Justiça para recuperar milhões em MS

Levantamento do Correio do Estado em 11 processos mostra que apostadores com ludopatia movimentaram mais de R$ 22 milhões nas bets

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Levantamento feito pelo Correio do Estado em apenas 11 processos judiciais, nos quais vítimas que alegam sofrer de ludopatia (vício em apostas) movem ações contra quatro plataformas — Betano, Blaze, Superbet e Bet365 —, indica que elas perderam R$ 1,7 milhão do dinheiro que investiram e movimentaram mais de R$ 22,7 milhões dentro dos sistemas das plataformas.

A análise consolidada e detalhada dos 11 processos revela a magnitude de uma verdadeira engrenagem de esvaziamento patrimonial estruturada em ambiente digital.

No topo dessa pirâmide de perdas, o indicador mais alarmante é o prejuízo real bancário consolidado das vítimas: uma perda líquida e definitiva de R$ 1.733.220,00, que evaporou diretamente das contas correntes e faturas de cartão de crédito dos apostadores. Esse valor representa o dinheiro de subsistência de famílias inteiras, economias de décadas e recursos obtidos por meio de empréstimos bancários desesperados.

Para além disso, é necessário compreender o mecanismo de dependência clínica que perpetua essa ruína. É preciso olhar para o turnover, nome dado ao volume de giro no sistema. Juntos, os 11 apostadores movimentaram a assustadora cifra de R$ 22.753.074,12 nas plataformas.

A disparidade monumental entre o prejuízo líquido de bolso e o giro contábil do sistema ilustra com precisão o fenômeno da “reciclagem de capital”, sintoma clássico da ludopatia. Sob o efeito do sistema de recompensa do cérebro (sequestro dopaminérgico), o doente perde a capacidade de reter seus ganhos transitórios. Cada prêmio obtido não retorna para a conta bancária do indivíduo; ele é reinserido de forma compulsiva e intradiária em novas e maiores jogadas, girando infinitamente na máquina até sua progressiva exaustão.

A circulação frenética de recursos financeiros foi alimentada por uma soma maciça de depósitos realizados via Pix, que totalizaram R$ 4.754.178,22. Do outro lado da balança, os saques e retornos efetivos para as contas bancárias dos usuários somaram bem menos: apenas R$ 3.020.958,22.

A diferença de caixa negativa entre as entradas e as saídas indica, segundo alegações de alguns dos advogados das vítimas nos processos, que a atividade de quota fixa, quando operada diante de consumidores em estado de vulnerabilidade psíquica grave, atua como um dreno unidirecional de patrimônio.

Os casos

O primeiro caso mostrado pelo Correio do Estado, na série de reportagens que vem sendo feita ao longo da semana, é o de um funcionário estável de uma empresa pública.

Operando exclusivamente em uma única operadora de apostas, a Betano, ao longo de três anos, ele movimentou R$ 9.508.050,93 em depósitos de sistema e R$ 8.792.271,85 em saques contábeis, amargando uma perda contábil em plataforma de R$ 715.779,08. O giro bruto de suas apostas esportivas alcançou R$ 6.161.140,91, registrando mais de 1.992 operações.

Na sua conta bancária real, a devastação é expressa de forma definitiva: os depósitos via Pix totalizaram R$ 1.337.387,75, contra saques de R$ 740.375,71, consolidando um prejuízo real líquido bancário de R$ 597.012,04.

Com uma remuneração líquida real em folha de apenas R$ 4,2 mil mensais, o funcionário público, que poderia estar recebendo R$ 12 mil por mês, recorreu a uma teia catastrófica de superendividamento para financiar o vício, acumulando faturas atrasadas e empréstimos consignados que geraram um relatório do Banco Central de 62 páginas.

No auge do transtorno, ele contraiu um empréstimo com garantia de seu próprio imóvel de quase R$ 200 mil. A ação judicial requer a restituição integral das perdas com base no artigo 20 do CDC (período anterior a 2023, sob alegação de serviço impróprio de R$ 309.318,37) e na declaração de nulidade absoluta com base no artigo 26 da Lei nº 14.790/2023 (período posterior, somando R$ 287.693,67).

Policial Militar

O dever de manter a ordem e a segurança pública nas fronteiras do Estado não impediu que um policial militar perdesse o controle sobre sua própria vida ao ser capturado pelo ciclo obsessivo do jogo. A vítima, mostrada na semana passada pelo Correio do Estado, movimentou um volume bruto em apostas de R$ 4.653.098,89 nas modalidades esportivas e de cassino.

Para um profissional com salário aproximado de R$ 5.000,00, a intensidade das operações revela a perda total da racionalidade: o parecer técnico documenta sessões de apostas ininterruptas de 24 horas, chegando a realizar 110 apostas em um único dia.

Os depósitos reais efetuados em sua conta somaram R$ 922.373,69, contra saques de R$ 798.474,31. A partir do marco financeiro-comportamental da ludopatia, identificado em março de 2023, quando o volume operacional explodiu 15,3 vezes, os depósitos somaram R$ 907.156,59 e os saques, R$ 792.824,31, resultando em um prejuízo líquido incontroverso de R$ 114.332,28.

A petição pleiteia a devolução do dano material de R$ 168.662,03. O impacto psicossocial foi severo, culminando em divórcio, afastamento laboral militar por 90 dias, internação psiquiátrica urgente e episódios graves de ideação suicida.

Administradora de empresas

A falha na prestação de serviço por parte das plataformas atinge contornos de negligência ativa no caso de uma administradora residente na capital. Previamente identificada pela Superbet com comportamento atípico, sua conta chegou a ser temporariamente suspensa por suspeita de compulsão.

Contudo, em 3 de abril de 2025, a plataforma procedeu à reativação unilateral e indevida da conta, permitindo que a usuária vulnerável reentrasse em uma espiral destrutiva de perdas.
A partir desse marco de reativação ilícita, a autora realizou depósitos bancários sucessivos, que atingiram a marca de R$ 1.499.131,15, enquanto os saques de retorno somaram R$ 943.588,00.

O resultado contábil consolidado apurado pela auditoria técnica registrou um prejuízo real líquido de R$ 555.543,15 (com atualização monetária pelo IPCA pleiteada em R$ 561.919,39). Sem reservas financeiras e com a renda totalmente dilapidada, a administradora enfrenta agora processos de execução e severa desorganização econômica.

Vendedor

Reconhecido anteriormente como profissional produtivo e dedicado em uma loja de shopping na capital, um jovem vendedor comercial teve sua autonomia volitiva sequestrada após desenvolver ludopatia severa durante o isolamento da pandemia. Os extratos parciais da plataforma registram R$ 175.098,80 em depósitos reais via Pix e uma movimentação bruta contábil em cassino de R$ 525.010,69, com ganhos virtuais de R$ 484.490,24.

O prejuízo parcial apurado em cassino foi de R$ 40.520,45, embora a família estime perdas históricas superiores a R$ 60.000,00. O colapso mental do trabalhador foi tamanho que ele passou a alienar bens móveis de sua residência, chegando a vender indevidamente uma máquina extratora de lavar sofás que pertencia a terceiros para obter liquidez imediata. O vício culminou na destruição de seu casamento e na necessidade de acolhimento de sua filha de apenas seis anos pelos avós.

Gerente comercial

A ilusão estatística do cassino on-line também vitimou o gerente de uma grande loja de departamentos na capital, que perdeu uma carreira estável de oito anos após ser flagrado utilizando a plataforma Blaze durante o expediente, devido à queda severa de produtividade. No período anual de 2025, os relatórios apontam que ele movimentou R$ 2.476.939,30 em perdas registradas, contra R$ 2.349.320,79 em ganhos contábeis, gerando um prejuízo real líquido de R$ 127.618,51.

Para manter sua conta ativa diante do mecanismo de reforço intermitente, o autor contraiu R$ 200.000,00 em dívidas bancárias e vendeu seu veículo próprio. A petição de ingresso pleiteia o ressarcimento material mínimo de R$ 200.000,00 e aponta a falha estrutural da operadora em não acionar nenhum alerta comportamental diante do evidente padrão compulsivo de seu usuário.

Jovem

Um jovem trabalhador da capital, de apenas 24 anos, teve sua estabilidade psíquica devastada ao realizar 208 depósitos sucessivos no sistema da operadora Blaze, totalizando R$ 246.341,00 em aportes bancários direcionados à plataforma. Do volume total transferido, o autor registrou R$ 0,00 de saques compensados. Toda a sua liquidez financeira foi integralmente absorvida de forma compulsiva.

O histórico de sua conta aponta um volume de giro acumulado no sistema de R$ 915.783,00. Os recursos foram obtidos por meio de empréstimos consecutivos que alimentaram o ciclo de dependência, gerando no jovem um quadro clínico marcado por insônia crônica, humor deprimido e severo endividamento para custeio de necessidades básicas de sobrevivência, acumulando inclusive faturas atrasadas de energia elétrica.

Motorista de aplicativo

Nas ruas de Campo Grande, um motorista de aplicativo trabalhava exaustivamente em jornadas diárias para converter sua força física em renda familiar. No entanto, todos os recursos auferidos de sua atividade laboral foram drenados pela plataforma, resultando em um prejuízo real líquido comprovado de R$ 99.332,27 em apenas um ano de uso ativo (sendo R$ 75.849,21 em apostas esportivas e R$ 23.483,06 em cassino).

As perdas acumuladas estimadas pelo autor desde 2018 superam R$ 300.000,00. A ruína financeira decorrente da dependência gerou atrasos sistemáticos na mensalidade escolar de sua filha menor, no valor de R$ 6.466,43, a suspensão do fornecimento de energia elétrica de sua residência pela concessionária Energisa e faturas de cartão de crédito inteiramente inadimplidas.

Dourados

Portador de transtorno afetivo bipolar e transtorno de pânico, um trabalhador temporário residente em Dourados viu suas patologias de base serem severamente agravadas pelas práticas comerciais agressivas das plataformas. O autor realizava dezenas de transferências bancárias via Pix diariamente, de R$ 500,00, R$ 1.000,00 e R$ 4.000,00, para intermediadores financeiros vinculados à Betano.

Os relatórios parciais indicam um prejuízo material líquido que supera de imediato a marca de R$ 100.000,00. A ruína psíquica e econômica comprometeu despesas ordinárias de saúde, habitação e alimentação, levando o autor ao desespero pessoal e ao superendividamento catastrófico junto a instituições financeiras tradicionais, como o Banco Itaú.

Ainda em Dourados, um jovem desempregado de apenas 23 anos, diagnosticado com transtorno de ansiedade generalizada grave e impulsividade crônica, dilapidou a quantia exata de R$ 285.919,58 em múltiplas plataformas (Estrela Bet, Sorte na Bet, BR4BET e Betano). Sob o efeito da compulsão intradiária, o autor consumiu a totalidade das economias financeiras de seus próprios pais.

Mesmo após o ajuizamento da presente demanda judicial, o jovem sofreu uma recaída clínica severa, destruindo o saldo remanescente de sua última verba rescisória de serviços informais em questão de poucas horas. A ação judicial aponta que as operadoras, ao rastrearem o perfil altamente rentável do autor, enviaram bônus e incentivos eletrônicos agressivos para estimular novas jogadas, descumprindo o dever de proteção ativa.

Resposta do Judiciário

Diante do avanço dessa epidemia de endividamento, o Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul e os tribunais nacionais têm redefinido as fronteiras de responsabilidade civil das bets. O pilar fundamental reside na Lei nº 14.790/2023, que regulamentou as apostas de quota fixa no Brasil. O artigo 26, inciso VI, da norma proíbe expressamente a participação de pessoas diagnosticadas com ludopatia por laudo psiquiátrico habilitado. Em perfeita harmonia, o parágrafo primeiro declara que tais apostas são “nulas de pleno direito”, obrigando as operadoras a devolver todos os aportes líquidos realizados pelos doentes sob o regime da nulidade absoluta.

Para as perdas ocorridas antes da nova lei, a jurisprudência aplica o artigo 20 do Código de Defesa do Consumidor, caracterizando o serviço como “impróprio e inadequado” ao omitir-se do dever de segurança ao monitorar padrões manifestamente patológicos e incompatíveis com a renda declarada dos usuários. Precedentes consolidados estabelecem que as bets detêm tecnologia em tempo real capaz de rastrear logs, tempo de tela e depósitos intradiários excessivos, configurando ato ilícito de negligência ativa quando usam dados apenas para monetizar o doente e omitem-se no dever de socorro regulamentar.

O que é a ludopatia?

A ludopatia, ou Transtorno do Jogo (CID-10 F63.0 / CID-11 6C50), é um transtorno mental crônico e progressivo de base neurobiológica que afeta diretamente o sistema mesolímbico dopaminérgico — os circuitos de recompensa cerebral responsáveis pelas noções de motivação, prazer e avaliação de risco. Cientificamente equiparável à dependência química de substâncias psicotrópicas, a doença compromete a capacidade de julgamento crítico e controle de impulsos do indivíduo.

Sob compulsão ativa, o paciente manifesta tolerância (necessidade de apostar valores maiores para obter o mesmo nível de excitação), abstinência (irritabilidade e ansiedade intensa quando impedido de jogar), fissura obsessiva (craving) e o fenômeno de “chasing losses” — a necessidade incontrolável de continuar jogando para tentar reaver o capital perdido, o que acelera o processo de superendividamento e ruína pessoal.

Como destacado pelas Notas Técnicas dos Núcleos de Apoio Técnico do Judiciário (NatJus), a incapacidade volitiva impede que o doente adote medidas de autoproteção voluntárias, tornando-o presa fácil para os modelos de design aditivo operados pelos algoritmos.

Pé Pesado

Veículo soma 59 multas por excesso de velocidade em 15 dias em Campo Grande

Penalidades ultrapassam R$ 15 mil, e sete infrações são gravíssimas, por velocidade superior a 50% do limite permitido.

22/10/2026 17h22

Radar de fiscalização eletrônica em Campo Grande; veículo acumulou 59 multas por excesso de velocidade em apenas 15 dias.

Radar de fiscalização eletrônica em Campo Grande; veículo acumulou 59 multas por excesso de velocidade em apenas 15 dias. Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado.

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Um único veículo acumulou 59 multas por excesso de velocidade em apenas 15 dias, em Campo Grande, com penalidades que somam mais de R$ 15 mil. As infrações ocorreram entre 22 de julho e 5 de agosto deste ano e foram divulgadas pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) no Diário Oficial da Capital desta quinta-feira (22).

O levantamento, realizado pelo Correio do Estado a partir dos registros publicados no Suplemento I do Diogrande, revela uma sequência de autuações vinculadas à mesma placa, incluindo sete ocorrências em que o veículo ultrapassou em mais de 50% o limite de velocidade permitido, conduta classificada como infração gravíssima pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

A quantidade de registros chama a atenção pela concentração em um intervalo relativamente curto. Somente no dia 24 de julho, o veículo recebeu 11 autuações por excesso de velocidade, o equivalente a uma média próxima de uma infração a cada duas horas, considerando as 24 horas do dia.

As ocorrências estão distribuídas por 12 datas diferentes, dentro do período de 15 dias, com registros que vão desde infrações por excesso de velocidade de até 20% acima do limite permitido até episódios em que o veículo ultrapassou em mais de 50% a velocidade máxima estabelecida para a via.

O documento não informa a marca, o modelo ou o proprietário do veículo. Também não identifica os condutores responsáveis por cada ocorrência, impossibilitando afirmar que uma mesma pessoa estivesse ao volante em todas as situações.

Sete infrações gravíssimas elevam valor das multas

Das 59 penalidades identificadas, a maior parte corresponde a infrações graves, previstas para motoristas que ultrapassam o limite de velocidade em mais de 20% e até 50%.

Ao todo, foram contabilizadas 35 ocorrências nessa categoria, com multa individual de aproximadamente R$ 195, totalizando mais de R$ 6,8 mil.

Outras 17 infrações são classificadas como médias, aplicadas quando o veículo ultrapassa a velocidade permitida em até 20%. Cada uma possui multa de aproximadamente R$ 130, totalizando mais de R$ 2,2 mil.

Entretanto, os registros mais preocupantes envolvem as sete infrações gravíssimas, enquadradas no artigo 218, inciso III, do CTB, que trata de velocidades superiores a 50% do limite regulamentado.

Nesses casos, a multa é de aproximadamente R$ 880 por ocorrência, totalizando mais de R$ 6,1 mil apenas nessa categoria.

Somadas, as três categorias de infrações resultam em mais de R$ 15 mil em multas, conforme os registros publicados no edital.

A legislação brasileira estabelece consequências específicas para quem ultrapassa em mais de 50% a velocidade máxima permitida.

Além da multa multiplicada por três, a infração prevê suspensão do direito de dirigir, observados os procedimentos administrativos e o direito de defesa.

Isso significa que os registros gravíssimos podem ter consequências que ultrapassam o pagamento das penalidades financeiras, dependendo da identificação dos responsáveis e do andamento dos respectivos processos.

Multas se concentraram em julho e agosto

A análise dos registros mostra que 43 das 59 infrações ocorreram em julho, enquanto as outras 16 foram registradas nos primeiros cinco dias de agosto.

O dia 24 de julho concentrou o maior número de ocorrências, com 11 autuações. Já nos dias 23 e 29 do mesmo mês, o veículo foi multado seis vezes em cada data.

O documento, entretanto, não informa os horários, as ruas ou avenidas onde ocorreram as infrações, nem as velocidades registradas pelos equipamentos de fiscalização. Essas informações permitiriam identificar se as multas foram aplicadas nos mesmos trechos da cidade.

Proprietário ainda pode recorrer das penalidades

As multas constam do Edital de Notificação de Penalidade nº 30/2026, publicado pela Agetran no Diário Oficial de Campo Grande desta quinta-feira (22).

Segundo a agência, as penalidades foram cadastradas entre os dias 1º e 10 de outubro. Os proprietários têm prazo de 30 dias, contado da publicação, para apresentar recurso administrativo.

A divulgação das multas não significa que os valores já tenham sido pagos ou que os processos estejam definitivamente encerrados.

O documento também não esclarece se os responsáveis pelas sete infrações gravíssimas foram identificados ou se foram instaurados procedimentos para suspensão do direito de dirigir.

Virada no Tempo

Após calor de 33°C, Campo Grande terá temporais e mínima de 16°C

Inmet prevê chuva intensa e ventos de até 60 km/h a partir desta quinta-feira; avanço de frente fria deve derrubar as temperaturas no domingo (25).

22/10/2026 16h31

Nuvens carregadas sobre Campo Grande; previsão indica temporais e queda acentuada nas temperaturas durante o fim de semana.

Nuvens carregadas sobre Campo Grande; previsão indica temporais e queda acentuada nas temperaturas durante o fim de semana. Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado.

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O calor dos últimos dias está com as horas contadas em Campo Grande. Depois de uma sequência de temperaturas elevadas, com máximas na casa dos 33°C, a Capital sul-mato-grossense deve enfrentar uma mudança significativa no tempo, marcada por chuvas intensas, rajadas de vento e a chegada de uma frente fria que poderá reduzir os termômetros a 16°C no domingo (25).

A mudança começa a ganhar força nesta quinta-feira (22), diante de um novo alerta amarelo emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e divulgado pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil. O aviso tem início às 23h e permanece válido até as 22h59 de sexta-feira (23).

A previsão indica chuvas de 20 a 30 milímetros por hora, com acumulados que podem chegar a 50 milímetros em um único dia, acompanhadas de ventos de 40 a 60 quilômetros por hora.

Embora o alerta seja classificado como de perigo potencial, existe risco de interrupções no fornecimento de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas em diferentes regiões da cidade. Também há possibilidade de ocorrência de granizo.

O período de instabilidade antecede uma queda mais expressiva nas temperaturas, prevista para o domingo, quando os moradores poderão enfrentar uma diferença considerável em relação ao calor registrado ao longo da semana.

Nuvens carregadas sobre Campo Grande; previsão indica temporais e queda acentuada nas temperaturas durante o fim de semana.

Calor de 33°C antecede mudança no tempo

A chegada das chuvas ocorre depois de dias marcados por temperaturas elevadas na Cidade Morena. Na quarta-feira (21), o Inmet indicava máxima de 33°C e mínima de 21°C para Campo Grande, com predomínio de sol e poucas nuvens durante boa parte do dia.

Nesta quinta-feira (22), o calor permanece. A previsão oficial aponta temperaturas entre 22°C e 33°C, com aumento da nebulosidade e possibilidade de pancadas de chuva acompanhadas de trovoadas isoladas durante a tarde.

A umidade relativa do ar pode atingir níveis próximos de 30% nos períodos mais quentes, antes de aumentar com a chegada das instabilidades.

Segundo o Inmet, as condições atmosféricas favorecem a formação de nuvens carregadas e a ocorrência de chuvas intensas, acompanhadas de rajadas de vento, em Campo Grande e outras regiões de Mato Grosso do Sul. 

Essa combinação favorece a formação de nuvens carregadas e amplia as condições para tempestades em Mato Grosso do Sul.

Apesar da chegada da chuva, o alívio mais acentuado nas temperaturas não será imediato. O calor ainda deve persistir na sexta-feira e no sábado, antes da entrada de ar mais frio.

Sexta-feira terá chuva e sábado ainda será quente

Para sexta-feira (23), o Inmet prevê muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas em Campo Grande. As temperaturas deverão variar entre 22°C e 32°C, mantendo a sensação de abafamento ao longo do dia.

O meteorologista Natálio Abrão também reforça a previsão de tempo chuvoso para o fim de semana e destaca que as regiões sul, sudeste e sudoeste de Mato Grosso do Sul deverão concentrar as condições mais favoráveis à ocorrência de temporais.

“O fim de semana será marcado por tempo instável, com pancadas de chuva e trovoadas, principalmente durante a tarde. As regiões sul, sudeste e sudoeste de Mato Grosso do Sul serão as mais afetadas pelas instabilidades, enquanto o norte e o oeste do Estado deverão sentir menos os efeitos dessa mudança no tempo”, explicou.

Os ventos terão intensidade de fraca a moderada, com possibilidade de rajadas, especialmente durante as pancadas mais intensas. No sábado (24), os termômetros poderão voltar aos 33°C, com mínima prevista de 23°C.

O dia deverá apresentar muitas nuvens e possibilidade de pancadas de chuva acompanhadas de trovoadas isoladas. A umidade relativa do ar poderá atingir 100% nos períodos mais úmidos.

A previsão indica que o calor ainda será predominante, apesar do aumento da nebulosidade e da instabilidade atmosférica.

Frente fria derruba temperatura para 16°C no domingo

A mudança mais significativa no tempo está prevista para domingo (25), quando o avanço de uma frente fria deverá provocar uma queda acentuada nas temperaturas em Mato Grosso do Sul, encerrando a sequência de dias quentes na Capital.

Segundo Inmet, Campo Grande poderá registrar mínima de 16°C e máxima de 27°C, uma redução de seis graus na temperatura máxima em comparação com o sábado (24).

Além do frio, a previsão indica céu encoberto, com possibilidade de pancadas de chuva e trovoadas isoladas ao longo do dia, mantendo as condições de instabilidade na cidade.

A mudança coincide com o segundo turno das eleições, marcado para domingo (25), o que exige atenção dos eleitores durante os deslocamentos até os locais de votação, especialmente diante do risco de chuva.

Apesar da previsão de queda nas temperaturas, os valores ainda poderão sofrer alterações conforme o avanço da frente fria e as condições atmosféricas nos próximos dias.

Queda de temperatura também atingem outras cidades de MS

A mudança no tempo também deverá atingir diferentes regiões de Mato Grosso do Sul ao longo do fim de semana. Para domingo (25), as previsões meteorológicas indicam temperaturas entre 13°C e 25°C em Dourados e de 14°C a 24°C em Itaporã, com possibilidade de chuvas e trovoadas.

Na região de fronteira, Ponta Porã poderá registrar mínima de 12°C e máxima de 22°C, enquanto Antônio João terá temperaturas entre 14°C e 24°C, também sob risco de temporais.

No leste do Estado, o calor também deverá predominar no sábado (24). Em Três Lagoas, os termômetros poderão variar entre 24°C e 35°C, enquanto Brasilândia terá mínima de 22°C e máxima de 34°C.

Apesar das temperaturas elevadas, há possibilidade de pancadas de chuva e trovoadas durante a noite nas duas cidades. No domingo (25), a previsão indica queda nas temperaturas, com máximas de 31°C em Três Lagoas e 30°C em Brasilândia, além de risco de temporais.

Já na região pantaneira, Corumbá e Ladário, que poderão alcançar 39°C na sexta-feira (23) e no sábado (24), deverão registrar temperaturas entre 20°C e 26°C no domingo, com possibilidade de chuva e queda acentuada no calor.

Defesa Civil orienta moradores durante tempestades

Diante da previsão de chuvas intensas e ventos fortes, a Defesa Civil de Campo Grande recomenda que a população evite permanecer debaixo de árvores, mantenha distância de fios elétricos e não atravesse ruas ou avenidas alagadas.

Em situações de emergência, os moradores podem acionar a Defesa Civil pelo telefone 199. Para solicitar serviços municipais, como a remoção de árvores caídas, o contato é 156.

Caso árvores ou galhos atinjam a rede elétrica, a orientação é manter distância e acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.

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