Cidades

Drama social

Viciados em apostas on-line vão à Justiça para recuperar milhões em MS

Levantamento do Correio do Estado em 11 processos mostra que apostadores com ludopatia movimentaram mais de R$ 22 milhões nas bets

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Levantamento feito pelo Correio do Estado em apenas 11 processos judiciais, nos quais vítimas que alegam sofrer de ludopatia (vício em apostas) movem ações contra quatro plataformas — Betano, Blaze, Superbet e Bet365 —, indica que elas perderam R$ 1,7 milhão do dinheiro que investiram e movimentaram mais de R$ 22,7 milhões dentro dos sistemas das plataformas.

A análise consolidada e detalhada dos 11 processos revela a magnitude de uma verdadeira engrenagem de esvaziamento patrimonial estruturada em ambiente digital.

No topo dessa pirâmide de perdas, o indicador mais alarmante é o prejuízo real bancário consolidado das vítimas: uma perda líquida e definitiva de R$ 1.733.220,00, que evaporou diretamente das contas correntes e faturas de cartão de crédito dos apostadores. Esse valor representa o dinheiro de subsistência de famílias inteiras, economias de décadas e recursos obtidos por meio de empréstimos bancários desesperados.

Para além disso, é necessário compreender o mecanismo de dependência clínica que perpetua essa ruína. É preciso olhar para o turnover, nome dado ao volume de giro no sistema. Juntos, os 11 apostadores movimentaram a assustadora cifra de R$ 22.753.074,12 nas plataformas.

A disparidade monumental entre o prejuízo líquido de bolso e o giro contábil do sistema ilustra com precisão o fenômeno da “reciclagem de capital”, sintoma clássico da ludopatia. Sob o efeito do sistema de recompensa do cérebro (sequestro dopaminérgico), o doente perde a capacidade de reter seus ganhos transitórios. Cada prêmio obtido não retorna para a conta bancária do indivíduo; ele é reinserido de forma compulsiva e intradiária em novas e maiores jogadas, girando infinitamente na máquina até sua progressiva exaustão.

A circulação frenética de recursos financeiros foi alimentada por uma soma maciça de depósitos realizados via Pix, que totalizaram R$ 4.754.178,22. Do outro lado da balança, os saques e retornos efetivos para as contas bancárias dos usuários somaram bem menos: apenas R$ 3.020.958,22.

A diferença de caixa negativa entre as entradas e as saídas indica, segundo alegações de alguns dos advogados das vítimas nos processos, que a atividade de quota fixa, quando operada diante de consumidores em estado de vulnerabilidade psíquica grave, atua como um dreno unidirecional de patrimônio.

Os casos

O primeiro caso mostrado pelo Correio do Estado, na série de reportagens que vem sendo feita ao longo da semana, é o de um funcionário estável de uma empresa pública.

Operando exclusivamente em uma única operadora de apostas, a Betano, ao longo de três anos, ele movimentou R$ 9.508.050,93 em depósitos de sistema e R$ 8.792.271,85 em saques contábeis, amargando uma perda contábil em plataforma de R$ 715.779,08. O giro bruto de suas apostas esportivas alcançou R$ 6.161.140,91, registrando mais de 1.992 operações.

Na sua conta bancária real, a devastação é expressa de forma definitiva: os depósitos via Pix totalizaram R$ 1.337.387,75, contra saques de R$ 740.375,71, consolidando um prejuízo real líquido bancário de R$ 597.012,04.

Com uma remuneração líquida real em folha de apenas R$ 4,2 mil mensais, o funcionário público, que poderia estar recebendo R$ 12 mil por mês, recorreu a uma teia catastrófica de superendividamento para financiar o vício, acumulando faturas atrasadas e empréstimos consignados que geraram um relatório do Banco Central de 62 páginas.

No auge do transtorno, ele contraiu um empréstimo com garantia de seu próprio imóvel de quase R$ 200 mil. A ação judicial requer a restituição integral das perdas com base no artigo 20 do CDC (período anterior a 2023, sob alegação de serviço impróprio de R$ 309.318,37) e na declaração de nulidade absoluta com base no artigo 26 da Lei nº 14.790/2023 (período posterior, somando R$ 287.693,67).

Policial Militar

O dever de manter a ordem e a segurança pública nas fronteiras do Estado não impediu que um policial militar perdesse o controle sobre sua própria vida ao ser capturado pelo ciclo obsessivo do jogo. A vítima, mostrada na semana passada pelo Correio do Estado, movimentou um volume bruto em apostas de R$ 4.653.098,89 nas modalidades esportivas e de cassino.

Para um profissional com salário aproximado de R$ 5.000,00, a intensidade das operações revela a perda total da racionalidade: o parecer técnico documenta sessões de apostas ininterruptas de 24 horas, chegando a realizar 110 apostas em um único dia.

Os depósitos reais efetuados em sua conta somaram R$ 922.373,69, contra saques de R$ 798.474,31. A partir do marco financeiro-comportamental da ludopatia, identificado em março de 2023, quando o volume operacional explodiu 15,3 vezes, os depósitos somaram R$ 907.156,59 e os saques, R$ 792.824,31, resultando em um prejuízo líquido incontroverso de R$ 114.332,28.

A petição pleiteia a devolução do dano material de R$ 168.662,03. O impacto psicossocial foi severo, culminando em divórcio, afastamento laboral militar por 90 dias, internação psiquiátrica urgente e episódios graves de ideação suicida.

Administradora de empresas

A falha na prestação de serviço por parte das plataformas atinge contornos de negligência ativa no caso de uma administradora residente na capital. Previamente identificada pela Superbet com comportamento atípico, sua conta chegou a ser temporariamente suspensa por suspeita de compulsão.

Contudo, em 3 de abril de 2025, a plataforma procedeu à reativação unilateral e indevida da conta, permitindo que a usuária vulnerável reentrasse em uma espiral destrutiva de perdas.
A partir desse marco de reativação ilícita, a autora realizou depósitos bancários sucessivos, que atingiram a marca de R$ 1.499.131,15, enquanto os saques de retorno somaram R$ 943.588,00.

O resultado contábil consolidado apurado pela auditoria técnica registrou um prejuízo real líquido de R$ 555.543,15 (com atualização monetária pelo IPCA pleiteada em R$ 561.919,39). Sem reservas financeiras e com a renda totalmente dilapidada, a administradora enfrenta agora processos de execução e severa desorganização econômica.

Vendedor

Reconhecido anteriormente como profissional produtivo e dedicado em uma loja de shopping na capital, um jovem vendedor comercial teve sua autonomia volitiva sequestrada após desenvolver ludopatia severa durante o isolamento da pandemia. Os extratos parciais da plataforma registram R$ 175.098,80 em depósitos reais via Pix e uma movimentação bruta contábil em cassino de R$ 525.010,69, com ganhos virtuais de R$ 484.490,24.

O prejuízo parcial apurado em cassino foi de R$ 40.520,45, embora a família estime perdas históricas superiores a R$ 60.000,00. O colapso mental do trabalhador foi tamanho que ele passou a alienar bens móveis de sua residência, chegando a vender indevidamente uma máquina extratora de lavar sofás que pertencia a terceiros para obter liquidez imediata. O vício culminou na destruição de seu casamento e na necessidade de acolhimento de sua filha de apenas seis anos pelos avós.

Gerente comercial

A ilusão estatística do cassino on-line também vitimou o gerente de uma grande loja de departamentos na capital, que perdeu uma carreira estável de oito anos após ser flagrado utilizando a plataforma Blaze durante o expediente, devido à queda severa de produtividade. No período anual de 2025, os relatórios apontam que ele movimentou R$ 2.476.939,30 em perdas registradas, contra R$ 2.349.320,79 em ganhos contábeis, gerando um prejuízo real líquido de R$ 127.618,51.

Para manter sua conta ativa diante do mecanismo de reforço intermitente, o autor contraiu R$ 200.000,00 em dívidas bancárias e vendeu seu veículo próprio. A petição de ingresso pleiteia o ressarcimento material mínimo de R$ 200.000,00 e aponta a falha estrutural da operadora em não acionar nenhum alerta comportamental diante do evidente padrão compulsivo de seu usuário.

Jovem

Um jovem trabalhador da capital, de apenas 24 anos, teve sua estabilidade psíquica devastada ao realizar 208 depósitos sucessivos no sistema da operadora Blaze, totalizando R$ 246.341,00 em aportes bancários direcionados à plataforma. Do volume total transferido, o autor registrou R$ 0,00 de saques compensados. Toda a sua liquidez financeira foi integralmente absorvida de forma compulsiva.

O histórico de sua conta aponta um volume de giro acumulado no sistema de R$ 915.783,00. Os recursos foram obtidos por meio de empréstimos consecutivos que alimentaram o ciclo de dependência, gerando no jovem um quadro clínico marcado por insônia crônica, humor deprimido e severo endividamento para custeio de necessidades básicas de sobrevivência, acumulando inclusive faturas atrasadas de energia elétrica.

Motorista de aplicativo

Nas ruas de Campo Grande, um motorista de aplicativo trabalhava exaustivamente em jornadas diárias para converter sua força física em renda familiar. No entanto, todos os recursos auferidos de sua atividade laboral foram drenados pela plataforma, resultando em um prejuízo real líquido comprovado de R$ 99.332,27 em apenas um ano de uso ativo (sendo R$ 75.849,21 em apostas esportivas e R$ 23.483,06 em cassino).

As perdas acumuladas estimadas pelo autor desde 2018 superam R$ 300.000,00. A ruína financeira decorrente da dependência gerou atrasos sistemáticos na mensalidade escolar de sua filha menor, no valor de R$ 6.466,43, a suspensão do fornecimento de energia elétrica de sua residência pela concessionária Energisa e faturas de cartão de crédito inteiramente inadimplidas.

Dourados

Portador de transtorno afetivo bipolar e transtorno de pânico, um trabalhador temporário residente em Dourados viu suas patologias de base serem severamente agravadas pelas práticas comerciais agressivas das plataformas. O autor realizava dezenas de transferências bancárias via Pix diariamente, de R$ 500,00, R$ 1.000,00 e R$ 4.000,00, para intermediadores financeiros vinculados à Betano.

Os relatórios parciais indicam um prejuízo material líquido que supera de imediato a marca de R$ 100.000,00. A ruína psíquica e econômica comprometeu despesas ordinárias de saúde, habitação e alimentação, levando o autor ao desespero pessoal e ao superendividamento catastrófico junto a instituições financeiras tradicionais, como o Banco Itaú.

Ainda em Dourados, um jovem desempregado de apenas 23 anos, diagnosticado com transtorno de ansiedade generalizada grave e impulsividade crônica, dilapidou a quantia exata de R$ 285.919,58 em múltiplas plataformas (Estrela Bet, Sorte na Bet, BR4BET e Betano). Sob o efeito da compulsão intradiária, o autor consumiu a totalidade das economias financeiras de seus próprios pais.

Mesmo após o ajuizamento da presente demanda judicial, o jovem sofreu uma recaída clínica severa, destruindo o saldo remanescente de sua última verba rescisória de serviços informais em questão de poucas horas. A ação judicial aponta que as operadoras, ao rastrearem o perfil altamente rentável do autor, enviaram bônus e incentivos eletrônicos agressivos para estimular novas jogadas, descumprindo o dever de proteção ativa.

Resposta do Judiciário

Diante do avanço dessa epidemia de endividamento, o Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul e os tribunais nacionais têm redefinido as fronteiras de responsabilidade civil das bets. O pilar fundamental reside na Lei nº 14.790/2023, que regulamentou as apostas de quota fixa no Brasil. O artigo 26, inciso VI, da norma proíbe expressamente a participação de pessoas diagnosticadas com ludopatia por laudo psiquiátrico habilitado. Em perfeita harmonia, o parágrafo primeiro declara que tais apostas são “nulas de pleno direito”, obrigando as operadoras a devolver todos os aportes líquidos realizados pelos doentes sob o regime da nulidade absoluta.

Para as perdas ocorridas antes da nova lei, a jurisprudência aplica o artigo 20 do Código de Defesa do Consumidor, caracterizando o serviço como “impróprio e inadequado” ao omitir-se do dever de segurança ao monitorar padrões manifestamente patológicos e incompatíveis com a renda declarada dos usuários. Precedentes consolidados estabelecem que as bets detêm tecnologia em tempo real capaz de rastrear logs, tempo de tela e depósitos intradiários excessivos, configurando ato ilícito de negligência ativa quando usam dados apenas para monetizar o doente e omitem-se no dever de socorro regulamentar.

O que é a ludopatia?

A ludopatia, ou Transtorno do Jogo (CID-10 F63.0 / CID-11 6C50), é um transtorno mental crônico e progressivo de base neurobiológica que afeta diretamente o sistema mesolímbico dopaminérgico — os circuitos de recompensa cerebral responsáveis pelas noções de motivação, prazer e avaliação de risco. Cientificamente equiparável à dependência química de substâncias psicotrópicas, a doença compromete a capacidade de julgamento crítico e controle de impulsos do indivíduo.

Sob compulsão ativa, o paciente manifesta tolerância (necessidade de apostar valores maiores para obter o mesmo nível de excitação), abstinência (irritabilidade e ansiedade intensa quando impedido de jogar), fissura obsessiva (craving) e o fenômeno de “chasing losses” — a necessidade incontrolável de continuar jogando para tentar reaver o capital perdido, o que acelera o processo de superendividamento e ruína pessoal.

Como destacado pelas Notas Técnicas dos Núcleos de Apoio Técnico do Judiciário (NatJus), a incapacidade volitiva impede que o doente adote medidas de autoproteção voluntárias, tornando-o presa fácil para os modelos de design aditivo operados pelos algoritmos.

Previsão do Tempo

Semana começa fria, mas calor volta e chuva pode atingir MS nos próximos dias

Temperaturas voltam a subir a partir de terça-feira, enquanto há possibilidade de pancadas de chuva e trovoadas ao longo da semana.

06/09/2026 17h06

Pedestre enfrenta tarde de frio em Campo Grande, após queda nas temperaturas neste fim de semana.

Pedestre enfrenta tarde de frio em Campo Grande, após queda nas temperaturas neste fim de semana. Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

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Mato Grosso do Sul inicia a semana entre segunda-feira (7) e domingo (13) sob um cenário de mudanças no tempo. Depois da chuva e da queda acentuada das temperaturas registradas durante o fim de semana, o frio perde força gradativamente e as temperaturas voltam a subir, enquanto novas áreas de instabilidade podem trazer chuva novamente nos próximos dias.

O início da semana ainda será marcado pelos efeitos da massa de ar mais frio que alcançou o Estado. A partir de terça-feira (8), entretanto, as temperaturas começam a subir, com maior aquecimento previsto para o meio da semana.

Em Campo Grande, a mudança será perceptível em poucos dias. A segunda-feira deve começar com temperaturas na casa dos 13°C, enquanto a máxima fica próxima dos 24°C. Na quarta-feira (9), os termômetros já podem alcançar os 30°C, com algumas projeções indicando até 32°C.

Além do aumento das temperaturas, a chuva volta a aparecer nas projeções para a Capital a partir do meio da semana. A instabilidade pode permanecer durante os dias seguintes e avançar pelo próximo fim de semana.

A previsão de médio prazo, no entanto, está sujeita a alterações, principalmente em relação ao volume e à localização das chuvas.

Previsão para Mato Grosso do Sul

O feriado da Independência, nesta segunda-feira (7), ainda será influenciado pelo ar mais frio que provocou a queda das temperaturas durante o fim de semana.

A mudança ocorre depois de um período de instabilidade provocado pela atuação de sistemas meteorológicos sobre o centro-sul do País.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já havia indicado que os maiores acumulados de chuva no Centro-Oeste entre 31 de agosto e 7 de setembro deveriam se concentrar justamente no centro-sul de Mato Grosso do Sul.

Segundo o instituto, os volumes poderiam chegar a aproximadamente 40 milímetros em algumas áreas, enquanto o sul do Estado aparecia com possibilidade de totais semanais próximos dos 50 mm.

Com o afastamento do ar mais frio, porém, a tendência é de que as temperaturas voltem a subir a partir de terça-feira. O calor deve ganhar força entre quarta e sexta-feira, principalmente nas regiões tradicionalmente mais quentes de Mato Grosso do Sul.

Ao mesmo tempo, a chuva pode voltar a ganhar força. A previsão aponta possibilidade de novas pancadas de chuva e trovoadas em diferentes pontos do Estado ao longo da semana.

A tendência está inserida em um mês que pode ser mais chuvoso que o habitual em grande parte de Mato Grosso do Sul.

Para setembro, o Inmet prevê precipitações acima da média climatológica em grande parte do território sul-mato-grossense. A exceção é o leste do Estado, onde os volumes devem ficar próximos da média histórica.

Em relação às temperaturas, o prognóstico mensal do instituto aponta valores acima da média climatológica em grande parte do Centro-Oeste durante setembro.

Campo Grande começa semana fria e volta a esquentar

Na Capital, a semana começa bem diferente dos dias de calor registrados antes da chegada da frente fria. Para segunda-feira (7), a previsão indica mínima em torno dos 13°C e máxima entre 24°C e 25°C, com sol entre muitas nuvens e sem indicação de volumes significativos de chuva.

Na terça-feira (8), o frio começa a perder força. A mínima deve subir para aproximadamente 17°C a 18°C, enquanto a máxima pode alcançar 28°C a 29°C. O dia ainda deve apresentar variação de nebulosidade.

A mudança fica mais evidente na quarta-feira (9). As projeções apontam mínima próxima dos 22°C e máxima entre 30°C e 32°C. Além do calor, volta a aparecer a possibilidade de pancadas de chuva acompanhadas de trovoadas.

Para quinta-feira (10) e sexta-feira (11), a previsão indica que o tempo deve continuar instável, com possibilidade de chuva e trovoadas. As temperaturas e a quantidade de chuva esperada ainda podem variar ao longo dos próximos dias.

A instabilidade pode permanecer durante o próximo fim de semana. Para sábado (12) e domingo (13), a previsão aponta aumento da nebulosidade, possibilidade de chuva e temperaturas mais baixas em comparação com o calor esperado para o meio da semana.

Como se trata de uma previsão de sete dias, os valores, principalmente a partir de quinta-feira, podem sofrer alterações conforme a atualização dos modelos meteorológicos.

Chuva causa transtornos na Capital

A mudança no tempo ocorre depois de Campo Grande enfrentar um sábado (5) marcado por chuva intensa. Segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), Campo Grande registrou 17,2 milímetros de chuva até as 10h de sábado.

No período da tarde, a Capital acumulou outros 54,4 mm, evidenciando a intensidade das precipitações que atingiram diferentes regiões da cidade.

Os efeitos da chuva puderam ser vistos nas ruas. No Bairro Los Angeles, uma moradora registrou a situação na Rua José Peixoto e nas proximidades da Rua Fernando Sardinha, onde a água tomou as vias e dificultou a circulação.

Nas imagens, veículos de passeio aparecem atravessando trechos alagados em meio ao grande volume de água acumulado.

 

O cenário reforça a atenção para novas mudanças nas condições meteorológicas ao longo da semana, principalmente diante da possibilidade de retorno das chuvas a partir dos próximos dias.

"Mortes em confronto"

Com 30 mortes, MS tem o mês com maior letalidade policial desde o início da série histórica

Em 2026, uma pessoa morre a cada dois dias neste tipo de ocorrência no Estado

06/09/2026 16h00

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Mato Grosso do Sul registrou 30 mortes decorrentes de intervenções policiais em agosto, mês mais letal desde o início da série histórica, iniciada em 2016.

Já são 130 mortes em oito meses, média de uma pessoa morta a cada dois dias neste tipo de ocorrência em Mato Grosso do Sul. 

O cenário ganhou força principalmente após a morte de um policial boliviano no último mês, fato que desencadeou uma sequência de confrontos envolvendo forças de segurança em diferentes regiões do Estado.

A escalada de casos teve início no dia 7 após quatro integrantes de um grupo criminoso boliviano morreram durante confronto com equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) em São Gabriel do Oeste.

Os homens eram suspeitos de envolvimento na morte de um policial no páis vizinho e estavam relacionados ao avião interceptado pelas forças de segurança de Mato Grosso do Sul dias antes.

A aeronave havia ingressado no espaço aéreo brasileiro em 31 de julho, vindo do sul da Bolívia, sem apresentar plano de voo, sem comunicação com os órgãos de controle de tráfego aéreo e com matrícula não identificada. A operação envolveu a Força Aérea Brasileira (FAB), Polícia Federal (PF), Grupo Especial de Fronteira (Gefron) e Bope.

A morte dos bolivianos ocorreu poucos dias depois da interceptação da aeronave, período marcado pela escalada no número de mortes. 

Três dias mais tarde, outro confronto terminou com a morte de Jean Gabriel Rapini de Souza, de 24 anos, em Campo Grande. O caso ocorreu na Avenida Manoel Ferreira, no bairro Santo Antônio, nas proximidades do Aeroporto Internacional.

Segundo a Polícia Militar, Jean estava em um veículo e reagiu à abordagem. Ele estaria armado e, durante a ocorrência, teria saltado do carro em movimento. Baleado, foi socorrido pelos próprios policiais, mas morreu. A perícia e a Polícia Civil foram acionadas.

Jean já havia sido apreendido anteriormente por envolvimento em um caso de latrocínio ocorrido em Campo Grande, em abril de 2020, quando tinha 17 anos. Na ocasião, a vítima foi o taxista Luciano Barbosa Franco, de 44 anos.

Quatro dias depois, na madrugada de sexta-feira (14), dois homens morreram após confronto com a Força Tática em Coxim. Rafael da Silva Nogueira, de 38 anos, e Daniel Braz dos Santos Silva, de 40 anos, conhecido como “Nego Drama”, eram suspeitos de atirar contra duas pessoas no bairro Senhor Divino.

Segundo as informações divulgadas na ocasião, a dupla fugiu após os ataques e se escondeu na região do Vale do Taquari. Durante as buscas, houve confronto com os policiais. Os dois foram atingidos por disparos e levados ao Hospital Regional Álvaro Fontoura, onde equipes médicas tentaram reanimá-los, mas ambos morreram.

A sequência de mortes continuou em outras regiões do Estado. No dia 23, dois homens morreram durante uma abordagem policial na MS-436, entre Figueirão e Alcinópolis. O confronto aconteceu a aproximadamente 20 quilômetros de Figueirão, nas proximidades da rotatória de acesso à Fazenda Jangada.

Equipes policiais de Figueirão, Alcinópolis e Costa Rica participavam da ação quando abordaram um Fiat Uno e uma motocicleta. Conforme as informações preliminares, os condutores teriam reagido, dando início à troca de tiros. Os dois homens foram atingidos e morreram no local. 

No dia 31, três pessoas (dois homens e uma mulher) morreram durante confronto com a Força Tática na BR-359, zona rural de Coxim.

O trio estava em um Chevrolet Monza quando ocorreu a abordagem. As circunstâncias que levaram à ação policial não foram esclarecidas.

Os três foram baleados, socorridos pelos próprios policiais e encaminhados ao Hospital Regional Álvaro Fontoura. Segundo as informações divulgadas, todos morreram durante o deslocamento e chegaram ao hospital já sem vida.

Ainda no dia 31, em Campo Grande, Guilherme de Souza Oliva, de 24 anos, conhecido como “Sagaz”, morreu durante uma ação do Batalhão de Choque no bairro Aero Rancho.

De acordo com o boletim de ocorrência, Guilherme teria sacado um revólver calibre .38 e apontado a arma contra os policiais ao perceber a aproximação da equipe. Os militares efetuaram disparos e o homem foi atingido.

Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital Regional de Campo Grande, mas não resistiu. Guilherme possuía mandado de prisão em aberto e registros criminais anteriores.

Setembro

Neste domingo (6), um jovem de 21 anos identificado como Adrian e conhecido pelo apelido de “Bracinho” morreu no fim da manhã, no Jardim Colúmbia, região norte de Campo Grande.

Ele foi baleado durante uma abordagem da Polícia Militar em uma residência na Rua Paranapebas.

De acordo com informações preliminares, equipes da Polícia Militar realizavam diligências na região à procura do jovem e chegaram ao imóvel onde ele estava.

Segundo a versão da PM, durante a tentativa de abordagem, Adrian teria reagido e avançado contra os policiais armado com uma faca.

Diante da reação, os militares efetuaram disparos. O jovem foi atingido e chegou a receber socorro, sendo encaminhado para uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.

Fonte: Sejusp

Saiba*

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública levantados pelo Correio do Estado apontam  que os meses com o maior número de mortes foram justamente julho último (26), e novembro de 2023 (19).  

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