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Vinagre de álcool não é recomendado como medida para combater mosquito da dengue

O Ministério da Saúde também não cita a utilização do produto alimentício como forma de prevenção à dengue e outras arboviroses urbanas, como zika e chikungunya

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É falso que distribuir recipientes com vinagre de álcool no chão dos domicílios seja um método recomendado contra o Aedes aegypti, transmissor da dengue. Especialistas ouvidos pelo Comprova afirmam não haver comprovação científica sobre o uso da substância no combate ao mosquito.

O Ministério da Saúde também não cita a utilização do produto alimentício como forma de prevenção à dengue e outras arboviroses urbanas, como zika e chikungunya.

Conteúdo investigadoVídeo divulgado nas redes sociais indica o uso de vinagre de álcool como repelente contra o mosquito da dengue. Nas imagens, um homem que diz ser presidente do Comitê da Dengue de São Miguel do Iguaçu (PR) afirma que colocar o produto em recipientes no chão dos cômodos da casa funciona para afastar o Aedes aegypti.

Onde foi publicado: X (antigo Twitter) e TikTok.

Conclusão do Comprova: Não é verdadeiro que o vinagre seja um método de prevenção e controle do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, diferentemente do que alega vídeo viral. Procurada pelo Comprova, a Prefeitura de São Miguel do Iguaçu (PR), cidade da qual o autor do vídeo diz ser, afirmou que o homem que aparece na gravação recomendando o produto é Edílio Diesel, que atuou como presidente do Comitê Intersetorial para Controle da Dengue de 2019 a 2020 e atualmente não faz parte do grupo.

A gestão do município informou que usar vinagre para o combate ao Aedes aegypti não é uma orientação dada à população, pois “não há comprovação da sua efetividade”.

A tática de colocar potes com o produto nos cômodos de casa, citada no vídeo investigado, não faz parte das recomendações do Ministério da Saúde para o enfrentamento à doença.

Os especialistas consultados pelo Comprova também informaram não haver comprovação de que o vinagre seja capaz de combater a dengue e disseram que, na realidade, a ação pode causar mais exposição.

Tânia Vergara, médica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explicou que não há estudos que demonstram que o vinagre é capaz de combater o mosquito. “A notícia é falsa e aumenta o risco de adquirir a dengue, por ser inadequada”, diz.

A pesquisadora em gestão de saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Chrystina Barrostambém afirmou que “a informação não tem procedência” e enfatizou que “o vinagre não é usado como repelente ou para matar larvas e afastar o mosquito”.

Ademir Martins, biólogo do Laboratório de Biologia, Controle e Vigilância de Insetos Vetores do Instituto Oswaldo Cruz, da Fundação Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), esclareceu que os mosquitos podem ser atraídos pelo vinagre através do olfato e, ao se aproximarem, morrerem por intoxicação ou afogados.

No entanto, a medida não é adequada para o combate à dengue. “Em muitas casas há crianças e animais domésticos que não devem beber o líquido. Além disso, todo recipiente que acumule água pode se tornar um criadouro de Aedes”, frisou o pesquisador.

O site da Associação Nacional das Indústrias de Vinagre (Anav) é citado nas publicações sobre a utilização do produto para o combate à dengue, nesse caso, no entanto, ele seria utilizado para combater as larvas, e não o próprio mosquito.

Em 2008, a Anav divulgou um artigo recomendando o vinagre como um “poderoso auxiliar no tratamento de saúde” e “mais nova e barata arma para combater a larva que origina o mosquito Aedes aegypti”.

Porém, ao ser procurada pelo Comprova em 2024, informou que “não há atualização da orientação, pois foi publicada há alguns anos”.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. No X, a publicação acumulou mais de 2,9 mil visualizações e 75 curtidas até o dia 16 de fevereiro. O vídeo foi replicado por diferentes contas no TikTok superando mais de 800 visualizações antes da publicação desta checagem.

Como verificamos: A reportagem fez contato com a Prefeitura de São Miguel do Iguaçu para verificar a veracidade da relação do homem que aparece no vídeo com o Comitê Intersetorial para Controle da Dengue e as recomendações oficiais da pasta para a população do município.

Ainda foram realizadas buscas pelas orientações do Ministério da Saúde de combate e prevenção, dados da dengue e informações sobre a vacina contra a doença, bem como entrevistas com especialistas da área de saúde sobre a eficácia da utilização de vinagre contra o Aedes aegypti.

A checagem ainda procurou por vídeos e matérias com os termos vinagre, mosquito e dengue, descobrindo que a publicação já circulava nas redes sociais desde 2020 e já havia sido desmentida por outros veículos.

Combate à dengue

Segundo o Ministério da Saúde, a dengue é uma doença febril aguda, sistêmica, dinâmica, debilitante e autolimitada, em que a maioria dos doentes se recupera, porém, parte deles pode progredir para formas graves, inclusive ir a óbito.

O vírus da dengue (DENV) pode ser transmitido ao homem principalmente por via vetorial, ou seja, pela picada de fêmeas de Aedes aegypti infectadas. Já os casos de transmissão por via vertical (de mãe para filho durante a gestação) e por transfusão de sangue são raros.

Dados do painel de monitoramento de arboviroses do Ministério da Saúde, verificados pelo Comprova em 16 de fevereiro, apontam que o Brasil registrou 532.921 casos prováveis de dengue, com 90 mortes pela doença confirmadas e outras 348 em investigação.

O coeficiente de incidência da dengue no país, até a data, era de 262,4 casos para cada grupo de 100 mil habitantes.

Em dezembro de 2023, a vacina contra a dengue foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) e entrou no Calendário Nacional de Vacinação pela primeira vez em fevereiro deste ano.

Por conta da capacidade de produção laboratorial, a primeira campanha atende 521 municípios, distribuídos em 37 regiões endêmicas, e contempla apenas crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que apresenta maior risco de agravamento.

Além desse grupo, um estudo do Ministério da Saúde, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMSRio), iniciado em 16 de fevereiro, vai imunizar 20 mil voluntários, entre 18 e 40 anos, residentes do bairro de Guaratiba, na Zona Oeste da cidade, para avaliar a eficácia da vacina na população adulta.

O objetivo é comparar a incidência de infecção sintomática em um grupo vacinado com a incidência entre não vacinados, tornando possível medir a efetividade do imunizante na prevenção de casos sintomáticos de por qualquer sorotipo.

O Ministério da Saúde e especialistas da área ouvidos pelo Comprova destacam que, mesmo com a vacina, o controle do vetor Aedes aegypti é o principal método para a prevenção e combate à dengue e outras arboviroses urbanas.

As ações preventivas devem ser adotadas em períodos fora da sazonalidade da doença, porque são o momento ideal para manutenção de medidas para prevenir epidemias futuras.

A pasta recomenda o uso de telas nas janelas e repelentes em áreas de reconhecida transmissão; remoção de recipientes que possam se transformar em criadouros de mosquitos; vedação de reservatórios de caixas d’água; além de desobstrução de calhas, lajes e ralos.

“As ações para dengue têm que envolver educação, eliminar criadouros de mosquitos, aplicar inseticidas e larvicidas, devidamente registrados, em áreas de risco, além das medidas de proteção individual, como repelentes e, para dentro de casa, as telas”, afirmou Chrystina Barros. “Prestem atenção em caixas d’água abertas, calhas, pneus, acúmulo de lixo na via pública, o poder público também é responsável. Em piscinas, devem ser limpas e cloradas adequadamente. Usem repelentes à base de DEET ou Icaridina”, destacou Tânia Vergara.

“Com apenas dez minutinhos por semana é possível andarmos pela casa e ao redor para verificar se há objetos que estão acumulando água e virando depósito de ovos do mosquito. Agindo uma vez por semana, a população interfere no desenvolvimento do vetor, já que seu ciclo de vida, do ovo ao mosquito adulto, leva de 7 a 10 dias. Com uma ação semanal, é possível impedir que ovos, larvas e pupas do mosquito cheguem à fase adulta, freando a transmissão dessas doenças”, reforçou Ademir Martins.

O que diz o responsável pela publicação: Procurados, os responsáveis pelos perfis que divulgaram o vídeo e o ex-presidente do Comitê Intersetorial para Controle da Dengue da Prefeitura de São Miguel do Iguaçu, Edílio Diesel, não responderam à tentativa de contato do Comprova.

O que podemos aprender com esta verificação: Em meio a crises de saúde, é comum que a desinformação sobre métodos de prevenção ou tratamento se torne viral nas redes sociais. É importante lembrar que movimento semelhante também ganhou destaque em 2020, no início da pandemia de covid-19, com indicações de produtos como a água tônica para combater a doença, o que não tem qualquer comprovação científica.

Neste caso, o surto de dengue no Brasil e a urgência do enfrentamento da doença se tornaram o alvo do conteúdo falso que faz recomendações sem evidências e comprovações científicas. Duvide de indicações milagrosas de medicamentos ou produtos que prometem uma resolução rápida de problemas de saúde ou doenças.

Antes de acreditar, procure pelas recomendações das autoridades de saúde e especialistas e dados publicados na imprensa profissional para ter informações confiáveis sobre o assunto.

Por que investigamos: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas e eleições no âmbito federal e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: As informações verificadas já haviam sido desmentidas anteriormente pelo UOL Confere, bem como a ação de outros métodos que não os recomendados pelas autoridades de saúde no combate ao mosquito e cura da doença, pelo Boatos.org. 

Em 2023, o Comprova também já tinha esclarecido sobre a incorporação da vacina contra a dengue ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), Em 2024, o Comprova mostrou como funciona o mosquito geneticamente modificado utilizado no combate à dengue.

acidente

Trabalhador morre ao cair em tanque de piche durante obras na BR-163

Acidente aconteceu em Jaraguari e vítima foi retirada de dentro do tanque já sem vida

13/08/2026 18h44

Trabalhador morreu após cair em tanque de piche

Trabalhador morreu após cair em tanque de piche Foto: Vinícius Santos / Nova Lima News

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Um homem, que não teve a identidade divulgada, morreu durante acidente de trabalho na BR-163, na tarde desta quinta-feira (13), na altura do km 535, próximo a uma praça de pedágio em Jaraguari.

Em nota, a Motiva Pantanal, que administra a rodovia em Mato Grosso do Sul, informou que o trabalhador era de uma empresa prestadora de serviços e, por volta das 15h, caiu dentro de um caminhão carregado com emulsão asfáltica.

O tanque estava parado em uma área não pavimentada às margens da rodovia e, segundo informações apuradas pelo Correio do Estado, a queda ocorreu durante um processo de transferência da emulsão de um dos tanques para outro.

Não há informações sobre as circunstâncias que fizeram o trabalhador cair dentro do compartimento.

Equipes de resgate da concessionária iniciaram os atendimentos à vítima, mas devido à complexidade, solicitaram auxílio do Corpo de Bombeiros para o resgate.

O corpo do trabalhador foi retirado de dentro do tanque, mas ele já estava em óbito. Segundo informações, o produto, além de químico, chega a temperaturas acima de 100°C quando em uso.

Como ocorreu fora da pista de rolamento, a ocorrência não afetou o tráfego na rodovia, conforme informou a concessionária.

"A Motiva Pantanal lamenta profundamente o ocorrido e está prestando todo o apoio necessário junto à empresa prestadora de serviços", disse a concessionária na nota.

A Polícia Civil foi acionada e o caso será investigado como morte a esclarecer.

Trabalhador morreu após cair em tanque de piche Queda aconteceu durante transferência de emulsão asfáltica entre tanques (Foto: Vinícius Santos / Nova Lima News)

Investigação

Fraude em exames teve R$ 6,8 milhões pagos pela Prefeitura de Nioaque à Prontomed

Dados do município mostram que a Prefeitura empenhou R$ 6,8 milhões à clínica entre 2018 e 2025, valor que saltou mais de 5.000% sob a mesma inexigibilidade de licitação de 2019

13/08/2026 18h30

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Levantamento nos dados da Prefeitura de Nioaque identificou 111 empenhos emitidos pelo Fundo Municipal de Saúde em favor da Prontomed entre 7 de novembro de 2018 e 31 de março de 2025, somando R$ 6.800.399,00, valor integralmente liquidado e pago pelo município.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) executou, nesta quinta-feira (13), a segunda fase da Operação Auditus, com o cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão em Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna. Segundo o órgão, as investigações, que miram contratos da Prefeitura de Nioaque com a empresa Prontomed Clínica Médica Ltda. para serviços médicos, reuniram elementos de "um esquema criminoso estruturado, voltado ao direcionamento de contratações, ao pagamento por serviços médicos não realizados e ao desvio de recursos públicos, mediante o sistemático pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos".

A reportagem teve acesso aos três contratos assinados entre 2019 e 2022 que nascem do mesmo processo, uma inexigibilidade de licitação.

Os documentos não indicam a abertura de uma nova licitação para sustentar os reajustes: o valor global saltou de R$ 21.600,00 em 2019 para R$ 1.144.000,00 em 2021 (+5.196%) e R$ 2.127.960,00 em 2022 (+86% sobre o contrato anterior).

Contratações por inexigibilidade têm, por definição, concorrência limitada, reajustes dessa magnitude, mantendo a mesma justificativa jurídica de 2019, tendem a chamar atenção de órgãos de controle, independentemente de qualquer apuração de fraude.

Somente em 2022 e 2023, a Prefeitura empenhou R$ 4.511.583,00 à Prontomed, 66% de tudo o que foi pago à empresa em quase sete anos de relação contratual. O MPMS afirma que o gasto com os serviços médicos teve alta de 1.713% no período das "contratações fraudulentas", entre 2022 e 2025.

O valor de R$ 6,8 milhões apurado pela Argos é o que a Prefeitura efetivamente empenhou e pagou à Prontomed, segundo os empenhos individuais registrados no Portal de Dados Abertos.

Falsos exames

Segundo o Ministério Público, a Prontomed foi contratada em maio de 2019 para prestar consultas, exames, procedimentos e cirurgias à rede municipal de saúde. A primeira fase da Operação Auditus, deflagrada em 1º de julho de 2025, cumpriu dez mandados de busca e apreensão na sede da empresa, em Jardim, e na Secretaria Municipal de Saúde de Nioaque. As investigações, conduzidas pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) com apoio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), apontaram cobranças por exames não realizados, entre eles o teste da orelhinha (triagem auditiva neonatal), que dá nome à operação, com prejuízo então estimado em mais de R$ 3 milhões entre 2019 e 2024.

O Anexo de Procedimentos do Contrato 42/2022, obtido pela reportagem, relaciona o exame com preço e volume estimado definidos: "TESTE DA ORELHINHA (executado pela fonoaudióloga)", 30 unidades por mês, 180 em seis meses, R$ 160,00 cada, R$ 28.800,00 no período.

Também constam "TESTE DO OLHINHO" (R$ 16.200,00/6 meses) e "TESTE DA LINGUINHA" (R$ 16.200,00/6 meses), exames neonatais de baixo custo unitário e alto volume estimado, sem que o contrato preveja qualquer mecanismo de auditoria, glosa ou conferência in loco.

Em 5 de agosto de 2025, o Ministério Público de Contas propôs ao Tribunal de Contas de MS (TCE-MS) a abertura de uma averiguação prévia sobre os contratos entre a Prefeitura e a Prontomed, pedido aprovado por unanimidade pelo Pleno do TCE-MS, que passou a poder realizar inspeção in loco e coleta de documentos.

O MPMS afirma ter reunido, a partir do material apreendido na primeira fase e de diligências posteriores, evidências de que 83% dos exames e consultas pagos pelo município foram simulados.

A reportagem apurou que a Prontomed segue fechando contratos públicos: em 27 de novembro de 2025, quase cinco meses depois da primeira fase da Operação Auditus, a empresa assinou o Contrato nº 14/2025 com a 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada do Exército Brasileiro, sediada em Jardim.

Com vigência de 60 meses (renovável por mais 60), para atendimento ambulatorial de militares, pensionistas, servidores civis e dependentes pelo Fundo de Saúde do Exército (FuSEx/SAMMED/PASS), com valor estimado de R$ 70.560,00, modesto perto dos valores pagos por Nioaque, mas notável pela duração de cinco anos e por uma governança contratual bem mais rígida que a dos contratos municipais.

O contrato militar traz uma tabela de glosa com 80 hipóteses de irregularidade (entre elas, "procedimento/exame não realizado"), previsão de auditoria presencial periódica e cláusulas específicas de proteção de dados. Ou seja, a empresa sabia de itens de compliance necessários para fechar contratos com o Poder Público.

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