Campo Grande registrou um dos meses de maio mais violentos dos últimos oito anos, em meio à campanha de conscientização no trânsito intensificada do Maio Amarelo, organizado e divulgado em Mato Grosso do Sul pelos principais órgãos de trânsito do Estado, como o Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS).
Criado em maio de 2011, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou a Década de Ação para a Segurança no Trânsito, o objetivo do Maio Amarelo é conscientizar para a redução de acidentes e mortes no trânsito. No Brasil, a campanha é promovida pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV).
No entanto, parece que a campanha não surtiu efeito em Campo Grande, pelo menos neste ano. Segundo números enviados pelo Batalhão de Polícia Militar de Trânsito (BPMTran), sete mortes ocorreram entre os dias 1º e 25 de maio, em um total de 811 acidentes.
Na quinta-feira, um motociclista morreu no cruzamento da Avenida Ana Rosa Castilho Ocampo com a Rua Itaíba, no Parque dos Novos Estados - Foto: Naiara CamargoVale ressaltar que, na quinta-feira, um homem de 27 anos morreu em um acidente de moto, no cruzamento da Avenida Ana Rosa Castilho Ocampo com a Rua Itaíba, no Parque dos Novos Estados. Portanto, até o fechamento desta edição, oito pessoas morreram no trânsito da Capital em maio.
Em comparação com os anos anteriores, pegando como base os números divulgados pelo portal de estatísticas Detran-MS, este ano igualou o número registrado em 2018 e 2023, com oito óbitos, recorde no período que se tem informações.
Os meses de maio de 2021, com seis mortes, de 2019, com cinco, e 2022 e 2025, ambos com quatro óbitos, também registraram números altos.

Vale destacar que a cor amarela foi escolhida para a campanha justamente por simbolizar atenção e sinalização de advertência, semelhante ao semáforo, sendo um lembrete para que todos tenham mais cuidado e prudência.
A ação não envolve apenas motoristas de carros e motos, mas também pedestres, ciclistas e passageiros.
ARRECADAÇÃO
Conforme o portal de Transparência do governo do Estado, o Detran-MS arrecadou R$ 4,7 milhões com multas somente durante maio do ano passado. Em 2024, a arrecadação do órgão com infrações foi de R$ 2,3 milhões.
Considerando os 12 meses, o Detran-MS arrecada pelo menos R$ 20 milhões com multas desde 2021. A previsão é de este ano termine com recorde de arrecadação, estimada em R$ 38,6 milhões.
“O Departamento Estadual de Trânsito não destina apenas a receita arrecadada com aplicação de multas para promover atividades de educação, supervisão e coordenação das leis de trânsito. Além desta receita, parte de sua arrecadação com o registro de veículos e de condutores também é investida para esta finalidade, visando ao aprimoramento das ações de educação e à preservação da vida no trânsito”, explica a Transparência do Estado.
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o dinheiro arrecadado com multas de trânsito é revertido exclusivamente para o setor viário, 95% ficando com o órgão autuador (Detrans, Polícia Rodoviária Federal ou prefeituras), e deve ser aplicado obrigatoriamente em sinalização, engenharia de tráfego, policiamento, fiscalização, educação de trânsito, renovação de frota circulante e custeio de programas de habilitação para pessoas de baixa renda.
Os outros 5% são repassados mensalmente ao Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito (Funset), uma autarquia federal criada para custear despesas de operacionalização, segurança e educação no trânsito no Brasil, gerido pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
O valor da multa, em nenhuma hipótese, pode ser utilizado para cobrir despesas de áreas alheias ao trânsito, como Saúde e Educação Básica.
VIAS PERIGOSAS
Matéria do Correio do Estado publicada na semana passada mostrou que as Avenidas Afonso Pena e Mato Grosso são as mais perigosas de Campo Grande e acumularam o maior número de acidentes, pelo menos, nos últimos dois anos.
De acordo com dados enviados pelo BPMTran, há cinco vias que se destacam em Campo Grande quando o assunto é acidente, sendo elas as Avenidas Presidente Ernesto Geisel, Guaicurus, Duque de Caxias e, especialmente, Mato Grosso e Afonso Pena.
Somente neste ano (até o dia 26 de maio), as Avenidas Afonso Pena e Mato Grosso registraram, juntas, 247 acidentes, enquanto as outras três avenidas citadas, somadas, acumularam 238 sinistros.
Também segundo dados enviados pelo BPMTran, veiculados pelo Correio do Estado, a Capital contabilizou 4.976 acidentes neste ano (até o dia 20 de maio). Desses, 1.652 tiveram feridos e 25 foram fatais.
* Saiba
O Maio Amarelo foi criado em 2011, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) decretou a Década de Ação para a Segurança no Trânsito, e é um movimento de conscientização para a redução de acidentes e mortes no trânsito.



