"Este ano eu completo 26 anos à frente do Gazeta Esportiva em dezembro e realmente é uma grande felicidade para mim".
Há mais de 25 anos na TV Gazeta, a jornalista e apresentadora Michelle Giannella construiu uma trajetória marcada pela dedicação à comunicação e ao esporte. À frente do Gazeta Esportiva desde dezembro de 2000, ela se tornou um dos rostos mais conhecidos da emissora, acompanhando diferentes gerações de atletas, competições e transformações no universo esportivo.
Sua carreira na televisão começou longe das quadras e dos campos: antes de se dedicar ao jornalismo, Michelle estudou para ser modelo e manequim no SENAC, mas decidiu seguir outro caminho e se formou pela Faculdade Cásper Líbero.
Na TV Gazeta, passou pela produção e reportagem do programa Mulheres antes de ingressar na editoria de esportes. Também assumiu a apresentação do tradicional Troféu Mesa Redonda, ao lado de Osmar Garraffa, premiação que celebra os destaques do Campeonato Brasileiro e do esporte nacional.
Além da comunicação, Michelle ampliou sua formação acadêmica ao concluir o curso de Direito pela Universidade São Judas Tadeu, em 2012, e obter registro na OAB.
Nesta entrevista, a apresentadora fala sobre os desafios de uma carreira longeva na televisão, as mudanças no jornalismo esportivo, a presença feminina nesse universo e os aprendizados acumulados ao longo de mais de duas décadas diante das câmeras.
A jornalista e apresentadora é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno, ela fala sobre escolhas, carreira e esporte.
A jornalista e apresentadora Michelle Giannella é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gabriel Pereira/TV Gazeta Com exclusividade para o Correio B+ - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia VianaCE - Michelle, você está há mais de 25 anos no comando do "Gazeta Esportiva". Como define sua experiência na atração?
MG - Eu estou há mais de 25 anos no comando do Gazeta Esportiva. É uma experiência que foi mudando ao longo do tempo, eu fui me aprimorando muito como apresentadora, eu sou apresentadora esportiva há mais tempo à frente de um programa de esporte e como apresentadora de um programa de televisão também a mais longeva junto com a Ana Maria Braga. Então este ano eu completo 26 anos à frente do Gazeta Esportiva em dezembro e realmente é uma grande felicidade para mim.
CE - O que mudou da Michelle que comandava o programa há 25 anos e a de agora?
MG - Quando eu comecei, ainda muito menina, a segurança. No começo, eu lia o teleprompter. Eu lia o texto que estava programado, não saía do script e com o passar do tempo eu fui adquirindo um lugar de protagonismo mesmo, de comandante do programa, onde eu posso improvisar, eu posso trazer as minhas ideias, eu posso trazer os meus questionamentos, as minhas dúvidas, a minha movimentação, porque o programa mudou, né?
Como todos os programas foi mudando ao longo do tempo, então antigamente era uma bancada, eu ficava sentada numa bancada, hoje não, hoje eu tenho uma bancada, mas eu posso me movimentar pelo cenário, então essa liberdade, essa confiança, é e essa possibilidade de improvisar, de questionar e de fazer o que eu tenho, e as perguntas que eu tenho vontade de fazer é o que mudou ao longo, né? De todo esse período aí de tempo.
CE - São muitos anos no meio esportivo, como você avalia o cenário do futebol para mulheres? Avançamos?
MG - O que mudou na Michele que comandava o programa lá atrás, né? Quando eu comecei, ainda muito menina, a segurança. No começo, eu lia o teleprompter. Eu lia o texto que estava programado, não saía do script e com o passar do tempo eu fui adquirindo um lugar de protagonismo mesmo, de comandante do programa, onde eu posso improvisar, eu posso trazer as minhas ideias, eu posso trazer os meus questionamentos, as minhas dúvidas, a minha movimentação, porque o programa mudou, né?
Como todos os programas foi mudando ao longo do tempo, então antigamente era uma bancada, eu ficava sentada numa bancada, hoje não, hoje eu tenho uma bancada, mas eu posso me movimentar pelo cenário, então essa liberdade, essa confiança, é e essa possibilidade de improvisar, de questionar e de fazer o que eu tenho, e as perguntas que eu tenho vontade de fazer é o que mudou ao longo, né? De todo esse período aí de tempo.
CE - O Brasil recebe a Copa do Mundo Feminina em 2027. Você acha que o futebol feminino está ganhando mais espaço entre o público?
MG - Com certeza, o futebol feminino está ganhando mais espaço entre o público e foi abraçado pelo público. Acho que está na hora da mídia também, como eu já disse anteriormente, abraçar mais o futebol feminino nos programas de esporte, a gente ter cobertura do futebol feminino para que isso se torne uma realidade também nos meios de comunicação.
CE - Você é formada como modelo e manequim, correto? Como se deu esta transição para o jornalismo? O que te motivou a escolher esta profissão?
MG - Bom, eu sou formada em modelo manequim profissional pelo Senac e trabalhei, como manequim profissional, mas quando eu entrei na faculdade de jornalismo, eu percebi que eu teria que fazer uma opção, porque trabalhando como manequim modelo, eu teria muitas viagens pela frente e tudo mais e foi aí que eu optei em abandonar realmente as passarelas, abandonar esse trabalho para me dedicar ao jornalismo e me dedicar a trabalhar no jornalismo, porque como estagiária, eu não poderia ficar faltando, né?
E eu comecei a trabalhar muito cedo, como estagiária na TV Gazeta, desde praticamente o primeiro ano da faculdade, já comecei a trabalhar. Trabalhei em todos os setores lá da Gazeta, TV, rádio, jornalismo, programação feminina, o antigo jornal Gazeta Esportiva, que ainda era impresso. Então, foi uma opção mesmo de carreira. Mas eu acho que me ajudou muito como profissional, essa formação.
É uma formação muito ampla, né? No Senac, a gente tinha curso de teatro, tinha curso de passarela, curso de foto. Então, sempre é uma bagagem, né? Tudo, eu acho que a gente aproveita.
A jornalista e apresentadora Michelle Giannella é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gabriel Pereira/TV Gazeta Com exclusividade para o Correio B+ - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia VianaCE - Gazeta Esportiva é um dos programas esportivos mais longevos e tradicionais da televisão brasileira, qual diria que é o segredo para a atração se manter tantos anos no ar?
MG - Olha, eu acho que o segredo do Gazeta Esportiva para ele estar há mais de 35 anos no ar, ele é um programa feito com muito amor, com muito carinho, com muita dedicação.
Ele tem um pilar justamente no que o Casper Líbero busca no jornalismo, que é a credibilidade. Então a gente trabalha muito com informação, com apuração, com credibilidade e com opinião. E eu acho que isso é um dos segredos do sucesso do programa que vem se mantendo relevante, pioneiro e destaque na audiência há tantos anos.
CE - Diria que vocês tem informações que ninguém mais tem?
MG - Eu diria justamente isso, quando informações que ninguém mais tem, a gente busca muito apuração exclusiva. Então, um dos segredos mesmo do Gazeta Esportiva é trazer a notícia em primeira mão. E hoje isso é uma grande dificuldade, porque a gente tem notícias 24 horas por dia, né, em todas as redes. Mas a gente sempre consegue trabalhar muito com a apuração das notícias que estão acontecendo no meio, para checar essas notícias.
Então, o que a gente veicula no programa é o que foi apurado pelos repórteres, checado e também a gente traz a notícia em primeira mão, aquela contratação ou a confirmação real da contratação. O que você vê no Gazeta Esportiva, você pode assinar embaixo. Então, o público percebe esse pilar de confiança e retribui a gente com o primeiro lugar na audiência da emissora.
CE - Além de jornalista, você também é formada em Direito, por qual motivo escolheu esta outra formação?
MG - Bom, eu escolhi fazer faculdade de Direito porque eu acho que a gente sempre tem que estar estudando, sempre tem que estar se aprimorando, buscando conhecimento, buscando sabedoria. E chegou um momento na minha vida, eu já tinha estudado francês, italiano, alemão, inglês, que eu já falo fluentemente. E eu falava assim: "Como eu posso me aprimorar mais como profissional?" E eu sempre tive a vontade de estudar Direito.
Um dia fui, prestei, passei e fiz faculdade de Direito na Universidade de São Judas, me formei com méritos de melhor aluna, tirei minha carteira da Ordem dos Advogados do Brasil, minha carteira da OAB, que está ativa. Já advoguei, já fiz alguns divórcios, mas é algo que eu não consigo, dar conta.
Eu mantenho minha carteira da OAB, mas eu não advogo, não trabalho nessa área, justamente por falta de tempo, mas eu acho que todo conhecimento, tudo que a gente busca fazer para aprimorar a nossa personalidade mesmo, nós como seres humanos, eu acho incrível. E foram 5 anos de faculdade, uma faculdade densa, uma faculdade profunda, que me trouxe muito conhecimento.
E o fato de estar no meio acadêmico, ao lado de professores e numa faculdade tão diferente, em relação à faculdade de jornalismo, porque a faculdade de jornalismo foi uma faculdade leve, gostosa, prazerosa. A faculdade de Direito foi uma faculdade difícil, uma faculdade que exigia muito, muito estudo, muita leitura, muito empenho.
Tive que fazer os estágios, então foi uma faculdade realmente que abriu muito minha mente e me complementou como profissional.
CE - Se pudesse sentar com um único nome do esporte, vivo ou não, para uma última entrevista, quem seria?
MG - Eu sou extremamente fã do homem, da determinação, da carreira, da história do Ayrton Senna. Então, se eu pudesse. Eu não tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, por exemplo, o Pelé, eu tive a felicidade de conhecer, de conversar, mas o Ayrton Senna, eu ainda era muito nova quando ele faleceu e, poxa, eu adoraria sentar com ele, fazer uma entrevista, entender um pouco das suas ele tinha muito foco, muita determinação, muito equilíbrio emocional, muita garra, muita autoconfiança, autodisciplina. Ele para mim é um atleta, um dos maiores nomes que nós tivemos no nosso esporte, e eu adoraria fazer uma entrevista com ele.
CE - Qual motivo te levou para o esporte? Na sua visão, o que mudou ao longo dos anos?
MG - Olha, o que me levou para o esporte foi um convite e a oportunidade de trabalhar como apresentadora, porque eu sou jornalista, eu estava lá formada, já era contratada da TV Gazeta, estava trabalhando na produção do programa Mulheres, fazendo reportagens e quando surgiu a vaga para apresentar o Gazeta Esportiva, eu recebi o convite e fui.
Claro que eu tive que estudar, tive que me aprimorar, porque minha área era mais cultura, entretenimento, lazer, né, que era o programa Mulheres, onde eu trabalhava, fazia reportagem, fazia pauta e produção, mas aí quando veio o convite para o Gazeta Esportiva, para trabalhar lá, eu me debrucei no mundo do esporte e estou até hoje. Então, o esporte me chamou, me abraçou e eu amo essa área.
E só para complementar, eu sou professora da pós-graduação da Casper Líbero, de jornalismo esportivo e eu sempre falo para os meus alunos o seguinte, que nós somos jornalistas, então assim, eh hoje estou trabalhando no jornalismo esportivo, hoje, né, nas últimas décadas estou trabalhando no jornalismo esportivo, mas essa não foi a minha primeira opção.
Eu gostava de cultura, lazer e entretenimento, eu estava no Mulheres, mas quando surgiu a oportunidade, quando surgiu a vaga, eu abracei, porque eu precisava trabalhar, precisava do meu dinheiro. E acho que nós, como jornalistas, podemos nos aprimorar em outras áreas, né?
Então, você hoje trabalha, muita gente às vezes quer trabalhar com esporte e mira só no esporte, mas talvez a sua porta de entrada seja economia ou seja política e você vai, você se debruça e você estuda e de repente você vai trilhar um caminho de sucesso nessa área.
Eu acho que às vezes a gente a gente não pode ficar esperando uma única área se abrir para nós, porque nós somos jornalistas, nós somos capazes de estudar, de nos empenhar para que a gente consiga eh exercer uma função. Então, quando surgiu a oportunidade de trabalhar com esporte, num primeiro momento eu falei: "Ai, nossa, mas não é isso que eu quero", mas é isso que eu preciso.
Comecei, não foi fácil, porque era um ambiente muito masculino, né? No início não foi fácil, era um ambiente só tinha eu ali de mulher, então foi uma adaptação um pouco difícil, mas depois que ela aconteceu e levou ali uns bons dois anos, sabe, para essa adaptação acontecer, ela fluiu e aí virou minha vida! Virou parte da minha vida, os meus a minha turma lá de trabalho, meus colegas de trabalho, que me acolheram muito.
Então, como jornalista que somos, a gente tem que buscar as portas de entrada e a gente tem que estudar e se aprimorar eh para conseguir ali nosso lugar ao sol.
CE - Michelle, e quais novidades ainda espera de 2026 e quais as novidades que já está preparando para 2027?
MG - Bom, 2026 tem novidade, tem Troféu Mesa Redonda chegando no final do ano, que é o Oscar do futebol brasileiro, onde nós vamos premiar aí os melhores jogadores do ano do nosso futebol. Esse evento já tá na sua 23ª edição. Eu tenho a felicidade de ter participado de todas as edições do Troféu Mesa Redonda.
A premiação esportiva brasileira também mais longeva que existe. E pro ano que vem, cobertura da Copa do Mundo Feminina, que vai ser aqui no Brasil, uma cobertura incrível, intensa, em primeira mão aí para todo nosso público, tá bom? Então, deixo aqui meu agradecimento.