De certa forma, estar fora de uma rede social virtual é não participar de um universo de relacionamentos – pessoais e profissionais – muito grande. Se todas as relações se estendem por redes, na internet isto é potencializado. Criado em 2004 simultaneamente ao Orkut – o site de relacionamentos mais popular no Brasil – o Facebook se popularizou no mundo e, de uns tempos para cá, ganhou fama e milhares de novos integrantes brasileiros. Mas o que existe de especial nessa mídia social? A resposta talvez apareça no filme “The social network”, dirigido por David Fincher, sobre o conturbado processo de criação do Facebook.
Com estreia prevista para 3 de dezembro, o filme gira em torno de Mark Zuckerberg – criador do site e mais jovem bilionário do mundo – e seus conflitos. O filme foi exibido na 34ª Mostra de Cinema de São Paulo e, segundo os críticos, faz um retrato bastante crítico da juventude 2.0, que cresceu conectada ao mundo virtual. O protagonista é vivido por Jesse Eisenberg, que representa com bastante cinismo o personagem central. O slogan do filme aponta que é impossível fazer 500 milhões de amigos sem ganhar inimigos pelo caminho.
Interação social atrai novos usuários
Quando foi criado em 2004, o serviço gratuito era exclusivo para estudantes da Universidade de Harvard, em Boston, no Estados Unidos. Entretanto, foi uma questão de tempo até que se espalhasse pelo mundo, tornando-se o segundo maior site em visitas, perdendo apenas para o Google. Para a estudante de Ciências SociaisTaianne Petelin, 21 anos, a curiosidade foi o que despertou o interesse pelo site de relacionamentos. “Sempre gostei desses sites e há três meses resolvi entrar no Facebook, mas comecei a mexer de verdade há pouco tempo. É uma ferramenta muito nova”, descreve.
Segundo ela, a rede contribui para a comunicação e facilita a interação social. “Posso manter contato com pessoas que conheço, principalmente quem mora longe. Embora pareça com o Orkut, tem muitas outras funcionalidades”, explica, referindo-se aos jogos e aplicativos que o site oferece.
Entretanto, a interface intuitiva do Facebook exige que o usuário passe algum tempo se acostumando, principalmente se veio de outras redes sociais digitais. “Não é difícil, mas exige tempo”, acredita. Para Taianne, a rede não substitui outros sites como o Twitter ou o próprio Orkut, mas oferece uma nova forma de se relacionar com os outros pela web.
Para o acadêmico de Jornalismo Daniel Belalian, que também atua como analista de mídias sociais de empresa especializada em marketing digital, o Facebook ainda não é seu site favorito, no entanto, é necessário para manter as atividades sociais na internet. “Criei para substituir o Orkut, que está cada vez pior. Aos poucos estou migrando, chamando amigos e mantendo contato com eles por outras mídias. A função permanece a mesma: aprofundar os laços de amizade”, aponta.
Ele compara o Facebook e o Twitter, duas das mais populares redes sociais, acreditando que o papel do primeiro é reunir amigos e pessoas com interesses em comum, enquanto o segundo não exige relação alguma entre seguidos e seguidores. “Em um o que me interessa são as pessoas. No outro, é o conteúdo”, detalha.
Mas o uso da rede social no Brasil ainda é diferente do que é feito em outros países.
“Tenho um amigo na Alemanha que usa o Facebook para combinar festas, avisar que vai passar na casa de fulano ou convidar pessoas para sair. Aqui, as pessoas ainda não veem com tanta seriedade”, acredita Belalian.
Com a decadência da rede mais popular no Brasil, é provável que os usuários do site aumentem cada vez mais por aqui. Vale lembrar que um dos co-criadores da ferramenta, Eduardo Saverin, é brasileiro. No filme, ele é representado por Andrew Garfield. Se quiser saber mais sobre a rede, aventure-se pelo site www.facebook.com.
Negócios na rede social
A internet se mostrou um meio de comunicação extremamente rentável. Foi uma questão de tempo até que as empresas se dessem conta disso e optassem por ações de marketing digital. Como lembra o gerente de produção de uma empresa especializada nesse nicho, Everton Cação, o retorno de ações no Facebook é superior aos outdoors espalhados pela cidade. “Com o site, é possível construir relacionamentos com os clientes, estreitar os laços e oferecer informações e promoções. Isso sem falar que é possível saber quantas pessoas serão atingidas pelas mensagens”, ressalta.
O impacto do Facebook foi estrondoso. Os ecos começam a chegar a Campo Grande, popularizando o espaço virtual. Segundo Belalian, os primeiros a utilizar a rede foram pessoas de classes mais altas, principalmente pelo contato com o exterior, onde a ferramenta se tornou a principal rede social. Mas, atualmente, a classe C começa a estabelecer seu espaço dentro do site. Como tudo já está traduzido para o português é fácil começar a navegar pela rede.
Cação cita um exemplo de como o Facebook é potente também no ramo do marketing. “Somos responsáveis pela conta da AACC. No Mc Dia Feliz, no qual toda a venda de Big Mac é revertida para a associação, convidei as pessoas a participarem por meio da rede. Mandei para mais de três mil e, rapidamente, tive 700 confirmações”, explica. Vale lembrar que quando era utilizado apenas por universitários, o site se tornou um dos principais meios para organizar festas.
Como lembra o jornalista e crítico de cinema Marcelo Hessel, a geração 2.0 não acredita na internet como um passatempo apenas, mas como uma opção existencial. No entanto, os riscos permanecem. A constante ameaça de uma “solidão interativa”, para lembrar o termo criado pelo sociólogo francês Dominique Wolton, só tende a enfraquecer as estruturas sociais sob as quais se vive hoje, como, por exemplo, a democracia. Para ele, “comunicação será a grande questão do século 21”.
Foto: Divulgação/Alems
Geraldo Maiolino - Foto: Arquivo Pessoal
Dra. Fabiane Parizotto - Foto: Arquivo Pessoal

