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ABDE: 'O Agente Secreto' contou com R$ 7,5 mi em recursos do Fundo Setorial do Audiovisual

O mecanismo do governo federal é administrado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) e pelo Ministério da Cultura e voltado ao fortalecimento de toda a cadeia produtiva do audiovisual, do desenvolvimento à distribuição e exibição

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Após as quatro indicações do filme "O Agente Secreto" ao Oscar 2026, a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), representante do Sistema Nacional de Fomento (SNF), divulgou que a produção contou com R$ 7,5 milhões em recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). O mecanismo do governo federal é administrado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) e pelo Ministério da Cultura e voltado ao fortalecimento de toda a cadeia produtiva do audiovisual, do desenvolvimento à distribuição e exibição.

"O sucesso internacional do cinema brasileiro está diretamente ligado à existência de instrumentos públicos de financiamento que estruturam o setor e dão previsibilidade aos recursos. O Sistema Nacional de Fomento viabiliza investimentos em diferentes etapas da cadeia produtiva, o que contribui para elevar a qualidade audiovisual e ampliar sua presença no cenário internacional", defendeu o diretor-executivo da ABDE, André Godoy.

No caso de "O Agente Secreto", os recursos foram operacionalizados pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). A instituição e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) são hoje os principais gestores dos recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, atuando por meio de financiamentos, chamadas públicas e editais de fomento. Até o primeiro semestre de 2025, o saldo depositado junto aos dois agentes somava R$ 3,4 bilhões

"O Agente Secreto" foi indicado ao Oscar 2026 nesta quinta-feira, 22, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Escalação de Elenco e Melhor Ator para o protagonista Wagner Moura. O filme brasileiro estava entre os 15 pré-indicados, em relação anteriormente divulgada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, e conquistou uma das cinco vagas na lista final. Os vencedores serão revelados na cerimônia de premiação em 15 de março.

A ABDE citou outros filmes brasileiros de grande repercussão recente - como "Bacurau", "O Último Azul", "Enquanto o Céu Não Me Espera", "Oeste Outra Vez", "A Natureza das Coisas Invisíveis" e "Baby" -, que também tiveram financiamento operado por instituições do Sistema Nacional de Fomento em alguma etapa de sua produção.

No total, o levantamento da ABDE mostrou que, entre 2009 e julho de 2025, o Fundo Setorial do Audiovisual desembolsou R$ 5,48 bilhões. Apenas em 2024, o volume desembolsado foi de R$ 711,1 milhões, o maior valor anual da série histórica. Em 2025, até 31 de julho, o valor de R$ 411 milhões representa cerca de 58% do total de 2024, de acordo com o dado parcial.

Além dessas instituições, o FSA também conta com agentes credenciados como o Banco do Nordeste, a Caixa Econômica Federal (CEF), o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

cinema

Indicação ao Oscar 2026: Com Brasil na disputa, veja lista completa de indicados

Cerimônia de premiação será no dia 15 e março; O agente secreto concorre em quatro categorias, incluindo melhor ator

22/01/2026 10h06

Oscar 2026: Confira os indicados

Oscar 2026: Confira os indicados Reprodução

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O Oscar divulgou nesta quinta-feira (22) a lista completa de indicados à sua 98ª edição. O evento ocorreu no Samuel Goldwyn Theater, em Beverly Hills, na Califórnia.

O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho, recebeu indicações em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Escalação de Elenco e Melhor Ator, com Wagner Moura.

A cerimônia da 98ª edição está marcada para o dia 15 de março.

Confira as indicações:

Melhor Filme

Uma Batalha Após a Outra
Hamnet
Pecadores
Valor Sentimental
Marty Supreme
Frankenstein
Sonhos de Trem
Bugonia
O Agente Secreto
F1

Melhor Filme Internacional

O Agente Secreto (Brasil)
Valor Sentimental (Noruega)
Foi Apenas um Acidente (França)
Sirât (Espanha)
A Voz de Hind Rajab (Tunísia)

Melhor Ator

Leonardo DiCaprio, Uma Batalha Após a Outra
Timothée Chalamet, Marty Supreme
Wagner Moura, O Agente Secreto
Michael B. Jordan, Pecadores
Ethan Hawke, Blue Moon

Melhor Atriz

Jessie Buckley, Hamnet
Renate Reinsve, Valor Sentimental
Rose Byrne, Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
Kate Hudson, Song Sung Blue: Um Sonho a Dois
Emma Stone, Bugonia

Melhor Direção

Chloé Zhao, Hamnet
Paul Thomas Anderson, Uma Batalha Após a Outra
Ryan Coogler, Pecadores
Josh Safdie, Marty Supreme
Joachim Trier, Valor Sentimental

Melhor Ator Coadjuvante

Delroy Lindo, Pecadores
Sean Penn, Uma Batalha Após a Outra
Stellan Skarsgård, Valor Sentimental
Benicio del Toro, Uma Batalha Após a Outra
Jacob Elordi, Frankenstein

Melhor Atriz Coadjuvante

Elle Fanning, Valor Sentimental
Inga Ibsdotter Lilleaas, Valor Sentimental
Amy Madigan, A Hora do Mal
Wunmi Mosaku, Pecadores
Teyana Taylor, Uma Batalha Após a Outra

Melhor Roteiro Original

Pecadores
Valor Sentimental
Marty Supreme
Blue Moon
Foi Apenas um Acidente

Melhor Roteiro Adaptado

Bugonia
Frankenstein
Hamnet
Uma Batalha Após a Outra
Sonhos de Trem

Melhor Direção de Elenco

Uma Batalha Após a Outra
Hamnet
Pecadores
Marty Supreme
O Agente Secreto
Publicidade

Melhor Animação

Arco
Elio
Guerreiras do K-Pop
A Pequena Amélie
Zootopia 2

Melhor Documentário

A Vizinha Perfeita
Alabama Preso do Sistema
Cutting through Rocks
Mr. Nobody Against Putin
Embaixo da Luz de Neon

Melhor Fotografia

Frankenstein
Marty Supreme
Uma Batalha Após a Outra
Pecadores
Sonhos de Trem

Melhor Figurino

Frankenstein
Pecadores
Hamnet
Avatar: Fogo e Cinzas
Marty Supreme

Melhor Montagem

F1
Marty Supreme
Uma Batalha Após a Outra
Valor Sentimental
Pecadores

Melhor Design de Produção

Frankenstein
Hamnet
Marty Supreme
Uma Batalha Após a Outra
Pecadores

Melhor Trilha Sonora

Frankenstein
Uma Batalha Após a Outra
Pecadores
Bugonia
Hamnet

Melhor Canção Original

“Golden”, Guerreiras do K-Pop
“I Lied to You”, Pecadores
“Train Dreams”, Sonhos de Trem
“Dear Me”, Diane Warren: Relentless
“Sweet Dreams Of Joy” - Viva Verdi!

Melhor Maquiagem e Penteado

Kokuho
Frankenstein
Pecadores
Coração de Lutador – The Smashing Machine
A Meia-Irmã Feia

Melhor Som

F1
Frankenstein
Uma Batalha Após a Outra
Pecadores
Sirât

Melhores Efeitos Visuais

Avatar: Fogo e Cinzas
Jurassic World: Recomeço
Pecadores
F1
O Ônibus Perdido

Melhor Documentário em Curta-Metragem

All the Empty Rooms  
Armed Only With a Camera: The Life and Death of Brent Renaud  
Children No More: Were and Are Gone
The Devil Is Busy
Perfectly a Strangeness

Melhor Curta-Metragem

Butcher’s Stain
“A Friend of Dorothy”
“Jane Austen’s Period Drama”
“The Singers”
“Two People Exchanging Saliva”

Melhor Curta de Animação

“Butterfly”
“Forevergreen”
“The Girl Who Cried Pearls”
“Retirement Plan”
“The Three Sisters”

LITERATURA

Editora Todavia lança nova edição de clássico de Graciliano Ramos, com posfácio de Antonio Candido

Edição ainda tem ensaio de Elvia Bezerra que apresenta trajetória literária, social e de "afetos" de Manuel Bandeira, destacando amizade do poeta com Nise da Silveira e Ribeiro Couto

22/01/2026 08h00

Divulgação

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A Editora Todavia lança neste mês a nova edição de um clássico do romance regional brasileiro – “S. Bernardo” (272 páginas, R$ 69,90 ou e-book por R$ 49,90), de Graciliano Ramos – e um alentado estudo sobre o papel fundamental de Santa de Teresa, Bairro do Rio de Janeiro (RJ), na vida e na obra de um dos maiores poetas do País – “A Trinca do Curvelo: Os Afetos de Manuel Bandeira” (336 páginas, R$ 89,90 ou e-book por R$ 59,90), de Elvia Bezerra.

Foto: Divulgação

Publicado em 1934, “S. Bernardo” é o segundo romance de Graciliano Ramos (1892-1953) e um dos pontos mais altos de sua obra. Narrado em primeira pessoa por Paulo Honório, o livro se apresenta como um relato de vida escrito já na maturidade, quando o protagonista repassa sua trajetória e tenta compreender seus erros.

De origem pobre, Paulo Honório ascendeu socialmente por meio da esperteza, do cálculo e, sobretudo, da exploração do trabalho alheio.

Tornou-se dono da fazenda São Bernardo, símbolo de seu triunfo econômico e de seu desejo de poder. No entanto, o que poderia ser uma história de sucesso e superação revela-se um testemunho amargo.

Paulo Honório construiu tudo à base da violência – física, social e afetiva. E a fazenda cresceu ao mesmo tempo que a sua vida pessoal se tornou vazia.

“Vencendo a vida, porém, ficou de certo modo vencido por ela: imprimindo-lhe a sua marca, ela o inabilitou para as aventuras da afetividade e do lazer”, resume Antonio Candido (1918-2017) em posfácio incluído nesta edição.

No centro da narrativa está o casamento com Madalena, jovem professora idealista, cujo olhar sensível e ético contrasta com a mentalidade prática e dura de Paulo Honório.

Incapaz de compreender ou aceitar esse mundo alheio às suas preocupações materiais, ele oprime e sufoca a mulher, conduzindo-a a um desfecho trágico.

Para além da ascensão e derrocada de um homem, no entanto, o romance é uma reflexão sobre poder, afeto e fracasso, revelando os mecanismos de dominação em uma sociedade, até hoje, marcada visceralmente pela desigualdade.

Com texto estabelecido a partir do cotejo de oito versões e notas editoriais que esclarecem variantes entre elas, a nova edição de “S. Bernardo” se soma a outros dois clássicos do autor alagoano que a Todavia lançou pela Coleção Graciliano Ramos em 2024, “Angústia” (1936) e “Vidas Secas” (1938).

Também em 2024, a editora publicou, pelo selo Baião, o infantil “Os Filhos da Coruja”, que foi lançado originalmente, em 1923, sob a autoria de J. Calisto, um dos pseudônimos de Graciliano. A nova edição da obra tem pesquisa e organização de Thiago Mio Salla e pinturas de Gustavo Magalhães.

BANDEIRA NO CURVELO

“A Trinca do Curvelo” pode ser considerado um desses prodígios da articulação entre crítica literária, crônica afetiva e jornalismo cultural que com muita sorte aparecem a cada uma ou duas gerações. É, sobretudo, a obra em que Elvia Bezerra faz a súmula – com estilo gracioso e musical, pesquisa obsessiva e sensibilidade para o detalhe – de toda uma trajetória dedicada à vida intelectual.

Othon Bastos e Isabel Ribeiro no longa “São Bernardo” (1972), de Leon Hirszman; Manuel Bandeira no curta “O Poeta do Castelo” (1959), de Joaquim Pedro de Andrade

Premiado em 1995 pelo Pen Club como melhor ensaio e reeditado agora com dois novos ensaios que versam sobre a presença de duas mulheres na vida e na obra de Manuel Bandeira (1886-1968), o livro toma como ponto de partida uma crônica do poeta de “Carnaval” (1919) sobre uma turma de garotos peraltas do Bairro Santa Teresa, no Rio de Janeiro, para expandir seus limites e retraçar uma narrativa de deliciosas coincidências entre um trio que marcou a cultura brasileira.

Pois foi ali, naquele bairro encravado entre ruas íngremes, vielas e panoramas deslumbrantes da Baía de Guanabara que três grandes personalidades se reuniriam na primeira metade do século 20.

Manuel Bandeira ocupava a casa de número 51 na Rua do Curvelo; a psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999), que revolucionou o tratamento mental por meio da arte, morava em frente ao poeta na mesma rua; e o jornalista, escritor e diplomata Ribeiro Couto (1898-1963) - autor do célebre romance “Cabocla” (1931), que ganhou três versões como telenovela (em 1959, 1979 e 2004) – tinha seu quarto ali mesmo também, na pensão de Dona Sara.

BIOGRAFIA COLETIVA

O Rio então era a Capital Federal, a cidade que se modernizava a passos largos, mas que também, ainda, preservava paragens bucólicas e quase interioranas, onde Bandeira, Nise e Ribeiro Couto roçariam cotovelos enquanto ajudavam a transformar o cenário intelectual.

Por fortuito que pareça, e é, essa sincronia de personalidades e talentos tão distintos ajuda Elvia a construir – por meio de poemas, cartas, crônicas, rememorações – uma espécie de biografia coletiva tendo Bandeira como centro irradiador.

Mas também, a certa altura, a autora pede passagem e relembra a sua convivência, décadas mais tarde, com Nise, já uma personalidade quase legendária em nossas ciências. Pois esta é, como já reza o seu subtítulo, uma história de afetos.

HUMOR E TERNURA

O ambiente e o cenário da antiga Rua do Curvelo, atualmente Rua Dias de Barros, são evocados em poemas antológicos de Manuel Bandeira.

Quem não se lembra de “Irene preta/Irene boa/Irene sempre de bom humor”, do poema “Irene no Céu” (1930), ou dos famosíssimos versos de “Vou-me Embora pra Pasárgada” (1930), para citar apenas dois dos que guardam relação direta com essa rua onde o poeta morou de 1920 a 1933.

Na prosa bandeiriana, personagens da minúscula rua foram imortalizados, e fatos do cotidiano, contados com humor e ternura, não só em crônicas, mas também na correspondência do poeta.

Foto: Divulgação

Entre tantas referências, duas se destacam e justificam a suspeita de uma importância maior da Rua do Curvelo na vida e na obra de Manuel Bandeira. A primeira é a confissão que ele faz na autobiografia literária “Itinerário de Pasárgada” (1954), em que dá como testemunha de seu aprendizado o amigo Rui Ribeiro Couto.

“A Rua do Curvelo ensinou-me muitas coisas. Couto foi avisada testemunha disso e sabe que o elemento de humilde cotidiano que começou desde então a se fazer sentir em minha poesia não resultava de nenhuma intenção modernista. Resultou, muito simplesmente, do ambiente do Morro do Curvelo”, revela Bandeira.

O Morro do Curvelo, como Bandeira também denominava a pequena rua, adentrou na tradição literária por meio desse depoimento e de um ensaio de Ribeiro Couto – “De Menino Doente a Rei de Pasárgada” (1936).

Um grande poeta ali morava. Ali tomaria contato com a vida popular, observando, morro abaixo, os quintais efervescentes da Rua Cassiano. Ali permaneceria os melhores anos e os mais fecundos de sua criação poética.

DO CEARÁ A SUÍÇA

Manuel Bandeira morou inicialmente no Bairro de Santa Teresa em meados de 1908, em junho, quando voltou do Ceará, onde fora procurar clima bom para sua saúde na cidade de Quixeramobim, vizinha à Quixadá de Rachel de Queiroz (1910-2003).

De volta do sertão cearense, Bandeira juntou-se à família, que morava na Rua do Aqueduto, em Santa Teresa, no terceiro andar de um prédio que pertencia a um negociante português conhecido como Sr. Gomes.

Em versos do livro “Mafuá do Malungo” (1948), o poeta dedicou a essa antiga morada um soneto com o título de “O Palacete dos Amores”, nome dado pelo proprietário, habitante do segundo andar.

A família do engenheiro Manuel Carneiro de Sousa Bandeira – a mulher, Francelina Ribeiro de Sousa Bandeira, chamada Dona Santinha, e os filhos Antônio, Manuel e Maria Cândida – lá morou até 1912, quando se mudou para o Leme.

Em 2 de julho de 1913, Bandeira partiu para o Sanatório de Clavadel, instituição conhecida pela excelência no tratamento de tuberculose, a três quilômetros da famosíssima Davos Platz, na Suíça, que hoje sedia o Fórum Econômico Mundial.

Seriam para sempre caras as lembranças daquele ano em que, a aproximadamente 1.500 metros de altura, o poeta tratava-se no clima frio e seco, recomendado para seus pulmões doentes.

Ali ele conviveu com o poeta francês Paul Éluard (1895-1952), então com 19 anos, quando ainda não pensava em se juntar a André Breton (1896-1966) e Louis Aragon (1897-1982) para fundar o movimento surrealista, o que aconteceria em 1919, dois anos depois de Éluard se casar com a ex-companheira de sanatório que iluminara seus dias nos Alpes suíços, a russa Elena Dmítrievna Diákonova (1894-1982), chamada de Gala, e que uma década depois o trocaria por Salvador Dalí (1904-1989).

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